Poemas Góticos de Amor
"Corte laços com quem sorri na sua frente e apunhala pelas costas. Afaste-se em silêncio, pois o tempo sempre revela as máscaras sem que você precise se desgastar. Lembre-se: Sua paz vale mais."
—By Coelhinha
Solilóquio de Guerra
Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.
- Ramile Godon
A justiça na terra não desce do céu como um raio de luz, ela germina em silêncio, como semente lançada em solo firme, cultivada pelas mãos daqueles que se recusam a ser cúmplices da opressão silenciosa. Cada palavra dita em defesa da verdade é mais do que um gesto humano, é como uma centelha de luz que insiste em brilhar mesmo nas sombras, erguendo, pouco a pouco, um lugar onde a dignidade não é apenas lembrada, mas vivida. Há uma voz mansa que sussurra no íntimo, convidando à retidão mesmo quando ninguém vê, lembrando que a verdadeira justiça começa no invisível, nos gestos pequenos e nas escolhas solitárias. Não espere por um julgamento final para ser justo, faça do seu próprio caminho um testemunho vivo, onde cada atitude carrega o peso de algo maior do que si mesmo, como se, em cada decisão, o eterno tocasse o instante.
- Tiago Scheimann
Há em mim um homem que sofre em silêncio, observa com profundidade, recorda com saudade e reza com esperança. Talvez seja por isso que minhas palavras nasçam das cicatrizes: porque algumas dores só encontram descanso quando se tornam literatura.
- Tiago Scheimann
Envelhecer talvez seja contemplar, em absoluto silêncio, a lenta dissolução de todos aqueles que um dia conferiram ao mundo a íntima aparência de um lar. É descobrir, com uma lucidez quase insuportável, que o tempo não nos rouba apenas pessoas, mas também as paisagens invisíveis que elas sustentavam dentro de nós, até que, um dia, permanecemos vivos em um lugar que continua o mesmo para os olhos, mas se tornou irremediavelmente irreconhecível para a alma.
- Tiago Scheimann
O silêncio é o único lugar onde as mentiras que contamos a nós mesmos perdem a utilidade. Durante o dia, a sucessão de tarefas nos concede a ilusão de que ainda pertencemos ao mundo; à noite, porém, quando tudo se cala, resta apenas a consciência diante do próprio vazio. É nesse instante que as ausências deixam de ser lembranças e adquirem consistência, como se os mortos, os perdidos e todas as versões de nós mesmos que fracassaram resolvessem regressar ao mesmo tempo. Não existe escuridão mais profunda do que aquela produzida pela lucidez.
- Tiago Scheimann
A Plenitude do Ser
No silêncio que acalma o coração,
Descubro a força de uma grande verdade: Quem caminha com Deus na oração,
Encontra a chave da felicidade.
Estar com Ele é ver o mundo clarear,
É transformar a prece em comunhão,
É ter um jeito leve de olhar,
E estender a todos a mesma mão.
Pois quem tem o Criador no pensamento,
Não anda só, nem sente a alma vazia;
Abraça a vida a cada momento,
E faz do próximo a sua alegria.
Estar com Deus, com fé e com amor,
É o segredo que a alma conduz:
É estar feliz com tudo ao redor,
E refletir no mundo a Sua luz.
Natal
Natal não é a data que aparece no calendário, mas o silêncio de alguém
que se aprende a escutar.
É pão repartido antes de ser explicado, é perdão antes de ser merecido, é a ética simples de um gesto pequeno que salva mais que discursos bem vestidos.
No ponto máximo da humanidade,
o sentido acontece.
Natal não termina à meia-noite.
Ele começa quando alguém escolhe ser luz num mundo mascarado de bondade, e o homem, por um instante, aprende que existir
é caber no outro.
Amar, depois do Natal,
é continuar o milagre de aprender
a partilhar quando o mundo grita.
Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.
Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.
Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.
Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.
Coraçãmo-te
Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.
Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.
Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.
E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.
No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.
A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.
Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.
E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.
Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.
Pai
Pai, hoje a noite parece ter o teu profundo olhar. Sento-me aqui, no mesmo silêncio onde te procuro,
e a estrela que leva o teu rosto acende-me o peito.
Há dias em que a tua ausência pesa,
mas é nessa saudade que te sinto mais perto, como se a luz lá em cima fosse a tua mão a pousar devagar sobre a minha.
Falo contigo assim,
sentado, quieto
porque a saudade
que tenho de ti
não é dor,
é caminho.
E enquanto essa estrela brilhar,
sei que não estou sozinho.
Pai, fica comigo nesta noite.
Eu continuo aqui,
a falar contigo,
como quem acende
uma fogueira dentro da alma.
Experiência
Eu não nasci em palavras,
nasci em silêncio.
Primeiro, uma nota.
Pequena, quase tímida,
como quem ainda não sabe
se deve ficar.
Então outra responde.
E, de repente,
há uma história inteira
crescendo dentro do peito.
Eu fui aquilo que passou,
aquilo que doeu,
aquilo que quase ficou,
mas escolheu partir.
Fui o medo antes do salto,
a lágrima antes de cair,
o último olhar
antes de seguir.
E quanto mais eu caminho,
mais alto eu me torno.
Não porque a dor desapareceu,
mas porque aprendi
a carregá-la sem me curvar.
As notas correm,
como memórias sem destino.
Sobem.
Insistem.
Transbordam.
E quando parecem chegar ao fim,
eu descubro que era apenas
o começo de outra coisa.
Talvez viver seja isso:
perder algumas versões de nós
para encontrar outras
no caminho.
E talvez a música diga
aquilo que eu nunca soube dizer:
eu estive aqui.
eu senti tudo.
eu sobrevivi ao que me mudou.
e ainda estou caminhando.
Então as notas diminuem.
O silêncio volta.
Mas agora eu sei:
o silêncio nunca foi vazio.
Era apenas
a parte da história
que ainda não tinha aprendido
a cantar.
sozinha
já não é ausência
amadurece em silêncio
quase doce
quase liberdade
penso no que nasce
quando ninguém atravessa
minha produção sem ruído
sem moldura alheia
sem o peso do olhar que mede
o que surge de mim
talvez seja mais cru
mais meu
descubro
sou eu
Lilian Morais
Minha pesquisa atua na tensão entre silêncio e forma, onde o íntimo se afirma como presença.
A partir desse território, expande-se para questões coletivas e políticas, atravessando os impactos da colonização, as violências contra povos indígenas e mulheres, e os conflitos ambientais ligados à monocultura do eucalipto, ao uso do mercúrio e à exploração de energia fóssil.
Lilian Morais
Eu me digo o que ninguém ousa
porque o silêncio sempre cobrou caro demais.
Aprendi que não nomear
é permitir que o erro volte
com outro rosto
e a mesma violência.
Eu não fui feita para a paz passiva,
mas para a vigília.
Observar é um gesto ético.
Falar é uma forma de cuidado.
Quando digo o nome das coisas,
não crio conflitos
eu interrompo ciclos.
Não carrego culpa que não é minha.
Carrego palavras.
E palavras, quando ditas no tempo certo,
impedem a repetição do horror.
Eu falo
porque existir em silêncio
nunca me protegeu.
Lilian Morais
Vi você partir,
e o mundo desabou em silêncio.
Cada passo seu afastando-se
era uma lâmina no meu peito,
cada suspiro deixado para trás
uma dor que se instalava devagar.
E mesmo sem você,
aprendi a caminhar sozinho,
com a memória do que vivemos
como guia na estrada do que virá.
K.B
