Poemas Góticos de Amor
Você parece tão dona de si
E eu, tão dono de nada
Sua cabeça parece nem estar aqui
E a minha, sempre preocupada
Seu silêncio parece magia
E o meu, pura covardia
Seu abraço parece seleto
E o meu, tão incompleto
Sua presença parece notada
E a minha, sempre evitada
Suas palavras parecem ajudar
E as minhas, alguém machucar
E nessa eterna dissonância
Vamos tomando distância
Sem saber onde vai dar
No abismo escuro da alma vazia,
Silencia-se o grito, a dor que ardia,
Respostas caladas, palavras perdidas,
Cabeças baixadas, almas feridas.
O choro preso, sufocado no peito,
Sorrisos destroçados, num triste feito,
Doentes estamos, em sombras mergulhadas,
Cascas vazias, sensíveis, magoadas.
Grito abafado que ecoa na mente,
Respostas perdidas, soterradas, ausentes,
Cabeças curvadas, envergonhadas, sem voz,
Choro aprisionado, desespero feroz.
As pessoas, cascas, reflexos do eu,
Sensíveis ao extremo, tão frágeis como o breu,
O mundo nos machuca, corrói a essência,
E nos tornamos
Sombras em decadência.
Um homem, sentado em quietude, trava uma batalha interna. Seus pensamentos se entrelaçam,
ora em sofrimento, ora em fortaleza, buscando o caminho para te proteger.
Engano pensar que o silêncio é sinal de egoísmo. Muitas vezes, ele se revela como a mais
pura e genuína forma de amor. É nesse espaço de introspecção que o indivíduo se conecta
consigo mesmo, buscando a força e a sabedoria necessárias para oferecer o melhor aos que
ama.
Olá, dor, minha antiga aliada,
Hoje, mais uma vez, você está aqui sentada.
Não veio com aviso, nem trouxe razão,
Apenas se instalou, silenciosa, no coração.
Ando por ruas que parecem desertas,
Onde as almas, invisíveis, estão descobertas.
Carrego nos ombros o amor do mundo,
Mas ele é um fardo, um grito profundo.
Eu vejo rostos que não enxergam,
Ouço vozes que em silêncio pregam.
Tento estender as mãos, mas elas não alcançam,
Minhas palavras ecoam, mas logo se cansam.
O altruísmo me corrói por dentro,
Ser empático é viver no vento.
Sinto a dor que não é minha,
Sinto o peso que nunca termina.
E mesmo por quem me fere, ainda choro,
Como se cada lágrima fosse um tesouro.
Me perco no som do silêncio,
Onde a alma grita em silêncio denso.
Mas por que o coração dói sem motivo?
Por que amar se torna tão corrosivo?
O vazio responde com seu abraço,
E o silêncio, se torna um eterno laço.
Sigo caminhando, sem destino certo,
No caos do mundo, meu peito aberto.
E o som do silêncio me envolve,
Como uma canção que não se resolve.
Hoje coloquei o mundo no modo silencioso,
Só quero ouvir meus pensamentos...
Eles estão falando sobre você.
Infrassom
Se existe silêncio?
Sim, existe à boca fechada
na taciturnidade dos atos
E quanto ao silêncio da alma?
Quem pode responder?
O vento, no sutil movimento
desnudando a mudez
ao eriçar os pelos
da sua cútis rosada.
O silêncio que esconde
Há perigo no silêncio,
na fala que nunca cresce,
no olhar que se acomoda,
no sim que nunca desce.
A mansidão disfarça o vago,
um abismo oculto e frio,
onde a voz não faz eco
e o coração é vazio.
Aceitar o tudo sem luta,
sem sequer respirar o não,
é como caminhar nas sombras
sem saber a direção.
Quem nunca levanta a voz
nem questiona o caminho,
talvez se perca na ausência
ou se esvazie sozinho.
Medo me dá essa calma,
essa paz sem fundação,
pois no fundo do silêncio
mora a sombra da omissão.
Há indivíduos tão barulhentos que se incomodam até com o silêncio alheio, fantasiando e atribuindo perfis e tramas a quem se aquieta.
Arautos do bom senso berrando alto sua sofisticada sapiência, tão distantes dos meros comedores de feijão.
Apresentam uma utópica luta de ferro e fogo em defesa da democracia, como se fosse algo tão frágil. Ou de uma rígida ordem, como se fosse a última oportunidade que temos.
A necessidade de ser visto e ouvido explode no ego a tal ponto que embaça a visão, fazendo enxergar no mesmo balaio, do outro lado, é claro, toda sorte de ignorantes, medrosos, iludidos e homens médios ou inferiores ainda.
Mas a história é cíclica e as coisas ganham a devida direção.
Por isso, eu sigo adiante, comendo meu feijão na companhia de bons amigos enquanto exerço meu secreto sufrágio, assim previsto na Magna Carta, e observo a onda passar, porque sempre passa.
E o que ficam são as palavras ditas, a energia trabalhada, por vezes transmitida de tal forma que logo encontra as linhas de retorno ao canal transmissor. É bom estar preparado.
Por graça, há um governante em quem eu realmente confio e a quem rendo meus mais sinceros votos, o qual também atende pelo nome de Tempo, justo e sóbrio Mestre.
E, no momento da despedida,
a emoção tomou
contada razão...
o silêncio pairou no ar...
os olhos marejaram...
só saiu,
bem baixinho,
a frase:
"ESTOU COM SAUDADE!
Versos tecidos no silêncio
Quantas horas leva alguém para se tornar expert em um assunto?
Foram milhares as horas que dediquei ao meu silêncio.
Hoje, é a língua na qual possuo maior fluência.
Aprendi a escutar o tempo,
a respirar o compasso de cada segundo.
Ao respeitar sua dança, percebi:
o silêncio não é ausência,
mas uma fonte infinita de compreensão.
No silêncio, as palavras ganham novos contornos,
como se cada sílaba fosse esculpida pela quietude.
A ausência de som cria melodias invisíveis,
e os sentimentos nascem, livres,
sem a limitação da fala.
Uma sinfonia espacial.
Descobri que, quando a boca cala,
outros sentidos florescem.
Os olhos traduzem o que os lábios calam,
o olfato beija o tato,
e os ouvidos, ah, eles leem o murmúrio do mundo.
Na quietude, encontrei a língua do sentir.
Foi assim que fiz poesias com meus sentidos.
“O poeta escreve pra si.
Foi assim que compus meus silêncios.
Na letra exponho meus estados.
Lá não tenho armaduras.
Não tenho pele.
Tudo que me toca, toca no osso.
Tudo é letal.
Quem me lê, vê que oscilo do incrivelmente feliz para o dramaticamente melancólico.
Sinto, e muito!
Viver, para mim, está intrinsecamente ligado ao sentir.
Quem não sente, não pode estar realmente vivo.
Noto que habito numa terra povoada por zumbis.”
Quantas horas alguém leva para ser expert num assunto?
Foram milhares as horas que dediquei ao meu silêncio.
Hoje é a língua que possuo maior fluência.
Descobri que quando a boca cala outros sentidos se sobressaem.
Os olhos começam a traduzir os lábios,
o olfato passa a beijar o tato,
os ouvidos leem a voz.
Foi assim que fiz poesia meus sentidos.
"Deus é afônico.
Nos acostumamos a preencher nosso silêncio e atribuir todo o ruído a ele.
Nosso contato com o divino deve ser uma linda conversa inaudível!."
Sempre confundimos uma falta de atitude
com um "não está nem aí".
Sempre acreditamos que um silêncio
é uma certeza de que não se importa.
Não pense assim antes da certeza!
"Me reservo o direito de permanecer em silêncio, sobre assuntos que possam me incriminar!"
O SILÊNCIO NADA MAIS É DO QUE UMA PÁRVOA CONFISSÃO!
Eu insisto em te ver, porquê, meus olhos não mentem como a minha fala.
Eu insisto em te ver, porquê, o sorriso, da alegria em te ver, irão te falar sem palavras tudo aquilo que deverás sinto por você.
Eu insisto em te ver, porquê, o teu silêncio está ferindo a minha alma e quem sabe teu sorriso, tua fala me acalente.
Eu insisto em te ver, porquê, nosso tempo está acabando a ferida não fecha.
E o que era um começo começou a ser fim
Acabaram as poesias e palavras de ternura
Ficou teu silêncio estranho de doce amargura
E o teu caos tomou conta dos meus dias
Tua inquietude deixou-me vazia
E eu simplesmente não consegui entender
Como existe um ser igual a você
Que uma hora chega e me toma por inteira
Planta em mim um amor de brasa e fogueira
E depois me apaga, fica indiferente
Esquece o sabor da mistura ardente
E eu preciso de paz e refazer os meus planos
E tocar a minha vida sem tantos enganos
Silêncio não por ignorância,
mas por sabedoria...
cada pausa minha é um pensamento de quem enxerga tudo
e escolheu não se revelar.
