Poemas Góticos de Amor
Caminhava sem saída pela estrada cinza
Calva chuva convidava os pés ao vil tormento
Alma curva pelos riscos do céu perturbado
Riso frouxo e amarelo, voz do sofrimento.
Caminhava sem lugar, sem chão, sem paciência
Agarrado ao desespero, ao destempero, e ao frio.
Não pensava, não olhava, tudo era vazio.
Seu destino, indigência, grito e cova funda.
Silêncio!
Sofrer é assim!
Quisera eu poder me transfigurar
E no meu silêncio ser percebido
Sem gesticular ser compreendido
E impedir que feridas sejam abertas!
Mesmo na opulência da natureza
Me devoras sem piedade e frieza
Não escuta meu clamor de socorro
Mata a ti mesmo e por ti eu morro.
Quando lhe vier o último suspiro
Lembranças terás desde a infância,
O ar que te propus falta lhe fará,
Agora me transfiguro em ti, em clamor
Aos outros, por essa triste lembrança!
PALAVRAS DE SILÊNCIO
Digamos que é admirável
o silêncio das pedras extintas.
Digamos que a lama
é uma chuva de palavras irreprimíveis.
Estas são as águas correntes na nebulosa
da vida. Rios nocturnos que morrem
eternamente na secreta sombra.
Já sei que vou morrer mesmo.
O meu corpo absorve o silêncio
celeste de uma memória de flores
que vagueiam as ruínas da alma.
Vou morrer! Paciência...
Alguém me traga um cavalo.
Quero sair daqui a galope.
... que eu morra como um corpo
dentro do coração da luz do silêncio
que me cale que não viva nem esteja morto
Os dias vão se passando, e com eles a descoberta de novas sensações, de novos pensamentos, novas vontades, novos sonhos vão emergindo;
O peso das preocupações, dos problemas, da visão limitada de que nada muda, vão dando espaço a certezas de que estes dias são extremamente necessários, e tudo não passou de um ledo engano;
Uma compreensão maior surge, de que as coisas nem sempre são como gostaríamos e sim como precisamos que sejam, mesmo às vezes retrucando, se indignando, questionando, se apavorando;
Quando as respostas vem, junto trazem a paz e o conforto de que tudo está em sua mais perfeita ordem, de como deve ser;
Neste momento todos os questionamentos dão espaço ao sentimento de apenas agradecer;
A escuridão do caos interno, que de tempos em tempos teima em aparecer, dá espaço a uma luz tremenda, que interage com cada partícula, com cada átomo, e com cada célula;
Nos enchendo por dentro, transbordando tudo o que antes não podíamos ver;
E isso realmente é lindo, luz e sombras interagindo;
As mudanças surgem sutilmente, geralmente não são externas como gostariamos, mas em um lugar exato, o lado de dentro!
Sou grata
Namastê
"Na luz que se ausenta
Sou o som do silêncio
Sua presença me alimenta
E ilumina o que penso
A tristeza até tenta
me dominar por dentro
Meu corpo se levanta e senta
Acordado pelos pensamentos"
Silêncio
Olho para as árvores
Suas folhas caindo
Sem nenhum barulho
Numa brisa invisível...
Mudam as estações
Outras nascem em seus lugares
É o vento que sopra suavemente
Como as nossas vidas
Que movimentadas ou não
Se esvaem em total silêncio
Finais Silenciosos.
A chama do meu espírito já não queima como antes.
A escuridão fria e cortante se apoderou dos campos mais iluminados.
O desespero gritante penetra mais fundo a cada dia.
A semente do desalento germina em meio ao caos.
Uma profunda e pesada tristeza reina.
Minha tempestade em sua silenciosa fúria, faz-me ter a certeza de um fim sem glória.
Ao longe se ver raios, mas não se ouve trovões, desperdício energético em espaço temporal.
Uma fúria tempestuosa necessita de barulho.
Onde foram parar os trovões ruidosos de outrora?
Uma tempestade silenciosa é o grito da alma.
Que o martelo bata e anuncie o fim de um ciclo de fins!
Anseio por outras terras.
Se a sorte me sorrir, que eu acorde lúcido em outro plano.
Começando um novo ciclo de futuros fins.
- PauloHSSantana -
O SILÊNCIO DIZ TANTO
Meu Presente se abre em silêncio,
de pretéritos irresgatáveis.
A vida superposta em camadas,
recheada de sonhos desfeitos,
com seus encantos e desencantos,
entre as alegrias e tristezas.
Quando maceradas se fundem
num riso triste ( transparência? )
Cada despedida - uma ferida...
olhar resignado - farpas n` alma...
Sob a força de uma dor oculta,
quando nem a lua é testemunha,
enquanto o silêncio diz tanto,
com seus gestos lentos, sem vigor,
( instigante ), abre a janela d`alma.
Sem as rimas rígidas nos versos,
um poema brilha na vidraça,
escorre com suavidade
igual a um orvalho matizado.
A Palavra e o Silêncio
Falo—e a palavra corta o ar
como lâmina sem rosto,
como flecha sem alvo.
Quem a escuta? Quem a sente?
Quem lhe dá forma dentro do peito?
Dizê-las é rasgar o silêncio,
como quem fere a pele da água
e espera que o mundo responda.
Mas o mundo nem sempre escuta.
Ou escuta mal,
como um espelho partido
onde o rosto já não se reconhece.
Escrevo—e a tinta sangra no papel,
mas o que digo não é o que fica,
o que fica não é o que sou.
Entre mim e o outro há um abismo,
uma distância que a voz não vence,
um eco que se perde na sombra.
Às vezes são lâminas,
abrem sulcos na carne do tempo,
fazem sangrar quem as ouve.
Outras vezes, são leves demais,
tocam, mas não ficam,
morrem antes de nascer.
Quisera eu que a palavra fosse ponte,
mas tantas vezes é muro,
ferro, pedra, ruína.
Tantas vezes, o que fere não é o grito,
mas o silêncio depois dele,
o vazio onde o sentido se afoga.
E no entanto, insisto.
Porque dizer é resistir à solidão,
é lutar contra o escuro do não-entendimento,
é desafiar a noite com um nome,
mesmo que ninguém o repita.
Sou o vazio cheio
Sou o que não sou.
E sei-o.
Não cheguei a ser,
nem me esperei.
Mas trago em silêncio
um mundo inteiro —
os sonhos que não vivi,
os gestos que não fiz,
as palavras que ficaram por nascer.
Sou o vazio cheio
de tudo o que poderia ser.
E nisso, talvez,
seja mais do que nunca fui.
ECOS DO SILÊNCIO
amanhecerá
entre a penumbra de um dia e outro
o ruído do silêncio fazendo eco na madeira dos móveis
o criado-mudo tão mudo quanto antes
estático na sua velha roupagem de verniz vencido
— o tempo deixa marcas me disse, mudamente
— e eu que achava que não... sorri sardônicamente
silêncio lá fora. barulho lá dentro
o vento soprando as horas como se o tempo fosse vela
entre um silêncio e outro [o ruído do tempo]
esse barulho que não passa... virá de fora ou virá de dentro?
Canto do silêncio
Quando percebi em teus olhos
a tua cruel indiferença,
meu coração soluçou.
Balbuciou gemido de intensa dor
e a amargura me dominou.
Fraquejei diante da tua frieza,
do teu silêncio, da tua crueza,
da tua indiferença, da tua ferocidade,
do teu desamor, da tua maldade
do teu infindável torpor.
.
Senti o medo abrigando-se
em meu íntimo e naveguei
por mares escurecidos
mergulhada na aflição da incerteza.
Tantas perguntas sem respostas!
Por que finges que me ouves
Se não me escutas?
Por que me olhas
se não me vês?
Por que silencias
quando devias falar?
Umbelina Marçal Gadêlha
O que fazer quando ninguém te compreende? Quando seus pensamentos são tão tortuosos que te causam pânico?
Hoje ainda estava tentando explicar para o meu filho, como é difícil conviver com uma mente que trabalha contra si mesmo.
Ele não consegue entender. Não sei se eu agradeço a Deus por isso, por ele não enxergar a vida da mesma forma que eu a enxergo.
Quando nós vemos, realmente olhamos e enxergamos o mundo e suas misérias, não temos mais vontade de permanecer nele, não quero fazer parte disso, nem que seja como expectante.
CHORAR É GRITAR EM SILÊNCIO
Havia um peso. Era pesado.
Havia uma dor. Era doído.
Havia uma angústia. Era angustiante.
Chorava, sempre que possível.
Chorava, sempre que podia.
Chorava, a cada oportunidade.
Chorei! Chorei muito!
Chorei, para nunca mais chorar pelo mesmo motivo.
Chorei, para sempre lembrar do que doeu.
Chorei, para colocar para fora o silêncio que estava gritando em mim.
Chorar também é oração.
Chorar é a oração em silêncio.
Chorar é orar em ação.
Chore! Chore muito, para você nunca mais chorar pelo mesmo motivo.
Somos muitos em um só dia.
Às vezes acordamos esperançosos, outras vezes calados por dentro. Podemos ser gentis pela manhã e, horas depois, impacientes. Somos luz em alguns encontros, sombra em outros. Não somos incoerentes — somos humanos, múltiplos, atravessados por memórias, sentimentos e vibrações que dançam conosco a cada instante.
Essas variações internas não são falhas; são convites. Convites para olhar com mais atenção o que sentimos, para perceber o que nos habita sem julgamento. Quando nos tornamos conscientes dessas mudanças, abrimos espaço para a alquimia interior. Podemos, então, transmutar medo em coragem, raiva em lucidez, tristeza em silêncio fértil.
Estar presente é o primeiro passo.
Reconhecer-se em cada versão é o caminho.
A consciência não nos impede de sentir — ela apenas nos liberta da prisão de reagir inconscientemente.
E é nessa presença que encontramos poder: o de sermos inteiros, mesmo sendo muitos.
#E #LÁ #VOU #EU
Ouvi, por vezes, em meio ao azul infinito...
Que as coisas profundas devem ser ditas em poucas palavras...
E com o coração sentido...
Sinto o dia todo aqui e ali...
Todo esse sentimento...
E escrevo meus poemas...
Para dizer que estou aqui...
Posto que nunca estou só...
Nem mesmo quando me abraça o silêncio...
Tudo é na eternidade um pequeno momento...
Sou verso de começos...
Sem princípio, sem fim, sem medida...
Escrevo o que sinto...
Coisas simples, da vida...
Porém, nunca a verdade me deixou...
Simplesmente fantasiar...
Bordando minhas letras...
Sempre posso mais sonhar...
Esse instante existe...
E minha vida por si mesmo se completa...
Não sou alegre...
Não sou triste...
Sou um solitário poeta...
Não tenho vergonha de dizer que estou triste...
Não tenho vergonha de dizer que estou alegre...
Apenas sinto dentro de mim...
E sigo fazendo assim...
Me deixo perder...
Para me procurar...
Pois é me perdendo...
Que sei que vou me encontrar...
E quando necessário...
Enlouqueço como for...
É o meu jeito...
Assim eu sou...
Dizem que os sonhos estão fora de moda...
Cavaram um buraco bem fundo e entraram...
Mas lá vou eu...
Nunca vou deixar de sonhar...
Nunca vou deixar de amar...
Se no meu amanhã o que eu sonhei...
Não acontecer...
Tiro um arco-íris da cartola...
Sem nada temer...
E nisso, sim, acredito...
Maior que todos os ventos contrários...
Diante das dificuldades...
Saberei sempre encontrar...
Minha felicidade...
Se as palavras morrem à míngua como os homens o que posso dizer?
Procuro e não lhe encontro...
Não paro...
Não volto atrás...
Bem sei e não aceito...
Todos me dizem que é loucura...
Eu andar à sua procura...
O primeiro de todos os meus sonhos...
O sossego, que não aprofunda...
O silêncio, que mais se acentua...
Sob um céu sardento de estrelas...
Vigília constante da lua...
Tristeza que diviso...
Ausente de seu sorriso…
Minh’alma da sua escrava...
Tão pálida e alvoroçada...
Amando calada...
Sandro Paschoal Nogueira
No silêncio do fim do dia
Silenciosamente o sol desaparece numa fenda no horizonte
Tento...não consigo... não consigo meu amor confessar
parece que só o silêncio torna possível,
possível exprimir....
só o silêncio consegue esse amor traduzir.
É tão difícil...
Vencer o silêncio?
Não... não é um silêncio pra ser vencido...
O silêncio entre nós é audível,
é todo o nosso dizível....
é visível e todo colorido.
É tão silencioso....
Entre nós tudo,
tudo é tão intensamente silencioso.
Sabe o que é tão difícil?
... a tristeza que o fim do silêncio pode causar,
estou achando mais fácil
suportar um silêncio que não para de falar...
um silêncio que não cala
porque tem medo de ouvir e não suportar.
só pra me alegrar....
Quem sabe?! No silêncio do fim do dia ouço você me dizer que pra sempre irá me amar?
... e todo meu medo dessa escuridão apagar?
