Poemas Góticos de Amor
Existem pessoas dignas de pena, e isso é uma coisa muito triste. Quando alguém me olha com pena, sinto que perdem o respeito pela minha história e enxergam apenas a figura fragilizada. Essa “solidariedade” envenena mais do que auxilia, pois revela preconceito velado, acham que minha existência se resume ao sofrimento, e não ao ser humano que ainda resiste.
Não é renunciar à luta, pois os problemas permanecem como sombras. É persistir a cada dia, embalado pelo amor do Senhor, a verdadeira luz para quem anseia por vida plena. Quando o corpo se cansa e a mente clama por descanso, é a fé renovada que me ergue, não na ilusão da resolução, mas no sagrado impulso de encontrar razões para sorrir, mesmo que sejam apenas os ecos fugazes de uma alegria que dança entre as dores.
A dor me faz triste. Cada fibra em mim lateja memórias que nem a medicina apaga. Sou um retrato ambulante de perdas, do movimento, da autonomia, da esperança. E assim… Atristeza brota sem cessar,
como uma secura interna que nenhum afago alcança.
Minha vida… um depósito de excessos inúteis. Tristezas, pensamentos sombrios, compaixão mal direcionada… restos de guerras sem vencedores. Sou um reservatório entupido de emoções tóxicas, incapaz de filtrar o que me faz bem. Cada sorriso forçado… é um disfarce frágil
diante da avalanche de memórias escuras. No fim… essa batalha interna não deixa heróis, apenas sobreviventes… exaustos.
Às vezes, desejo sair do meu corpo e ser só sombra, livre da dor que insiste em ficar. Mas este corpo pulsa, me chama a resistir. E mesmo na escuridão, nasce uma luz pequena, promessa de que a aurora sempre pode voltar.
Não converso sozinho, mas dialogo com meus estados de espírito, vozes sem corpo, sombras que habitam meus pensamentos. Nem sempre nos entendemos, às vezes falamos em línguas estrangeiras, em murmúrios desconexos, em silêncios que pesam como pedras. Há dias em que a raiva grita alto e a tristeza responde em sussurros, outras vezes, a calma tenta interceder, mas é afogada pela dúvida e pelo medo.
O seu ciúme as vezes me deixa triste, me frusta e me confunde. Em outras vezes, o mesmo ciúme me excita, me envaidece.
Nos seus olhos vejo vida, flores e luz sem sombras
Custei acreditar no bem que me faz, no carinho que me traz e no conforto do seu colo.
Olhando para o fundo daqueles olhos, pude contemplar uma tristeza assoladora, amargurando aquela pessoa, seu olhar abatido e caído esperando quem o consolasse.
Um pouco alem da dor da solidão vem o triste abandono com um único possível amargo remédio veneno. Escolher generosamente uma direção para dar em dobro o que nunca se teve, não julgar o mérito e se submeter.
O mundo magico, simbólico e conflitante do amigo Farnese de Andrade Neto era da noite, das sombras, das sobras, das novas imagens que se movimentavam e se misturavam lentamente pelas paredes a luz de velas. Dentro de sua própria atmosfera nova e velha, reflexiva e auto-flagelante familiar e moral, enquanto transpunha se entre o ser pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador que se fundia de forma genial dentro de sua própria linguagem. Um dos grandes artistas brasileiros que ainda não teve sua arte reconhecida como um todo. O mundo magico de Farnese de Andrade, ainda tem diversos capítulos a serem escritos distante das falsa criticas e finita leituras de pedaços. O simbolismo metafórico em linguagem na obra do amigo atordoado Farnese era e é por si só indivisível mas creio eu, como o vi e conheci ainda não foi devidamente alcançado.
Erra completamente todo aquele que julga objetivamente nesta dimensão, o nascimento e a morte, como limites existenciais.
Entre as luzes e as sombras, nossos corpos em movimento levitam e se alongam como se fossemos personagens exatos de uma coreografia mágica em fantasia.No próximo passo ainda dentro do compasso silenciamos os espaços enquanto encenamos a dúvida, parte esta mais arrogante da própria vida, disforme, imponderável e cada vez mais imprevisível.
Nestes tempos de sombras, movimentar se com a cabeça erguida, um breve sorriso somando se a luz, já faz toda a diferença.
Enfim cremos em um novo amanhecer.
Não é ficção e sim realidade vergonhosa e triste do estado cultural brasileiro que muitos dos maiores e mais importantes baluartes de nossas artes e de nossas culturas tenham que chegar ao final da vida enfrentando abandono, grande miséria e fome, dependendo exclusivamente da boa vontade, caridade de alguns fieis amigos e da realização de shows beneficentes.
Todo aquele que tudo compreende tem forte discernimento, aquele que a tudo se compara tem tristeza, aquele que perante tudo julga a si mesmo se condena, aquele que em tudo ver maldade se isola, aquele que diante tudo roga a felicidade fraterna conquista a imortalidade, aquele que em tudo fala só a verdade vive em eterna liberdade.
Os mares aquecem, águas-vivas crescem e se multiplicam mas não é vida, é morte de milhares de espécimes até aqui existentes, mutantes sobreviventes no incompreendido planeta água.
A pena de morte por parte do estado é por si a publicação vergonhosa de incapacidade plena das leis, da cultura e da vida por liberdade.
Vivemos em uma triste época da cultura da criação com uma amarga cor, pouca luz e um calor minuano como o atrofiado movimento artificial de muitos pintores entre o não dialogar quase inaudível de poucos artistas e o nosso tempo.
Nunca celebro a morte matada reconforto me mesmo a contra gosto perante toda morte naturalmente morrida.
