Poemas Góticos de Amor
Talvez a experiência seja
o que de mais enriquecedor tenhamos
como seres viventes
neste grande relógio
da vida.
Como posso considerar a não boniteza
bela?
Eu posso tudo enquanto caio
em direção ao desconhecido,
afinal, estou morrendo, lembra-se?
Sou a penúria da escassez
Que murmura
Sou o sentir da falta de sentimentos
Sou a paisagem da beleza
Enfeitada
Eu sou a sombra do próprio
Tormento!
O chamado
Será a qualquer momento
Como uma brisa suave
Ou como um terrível vento
Será a qualquer momento
Não perguntará as cores
Nem os meus mais sérios intentos
Será a qualquer momento
Desfazendo as teias
Ou estendendo tormentos
Será a qualquer momento
Iludindo os sentidos
Ou execrando por dentro
Será a qualquer momento
Um pior desatino
Ou o melhor dos unguentos
Será a qualquer momento
Com a data marcada
Ou com surpresa do tempo
Será a qualquer momento...
E antes que ela chegue
Eu me entrego, forte, lento...
A morte...
Será a qualquer momento!
Se os próprios sonhos embotam a vida
o que será de mim
sem a possibilidade de criá-los?
Se as próprias asas tornam-se feridas
o que será de mim
sem a chance de usá-las?
Se os próprios dedos forjam a mentira
o que será de mim
sem a possibilidade de amá-los?
Se as próprias vozes ocultam a lida
o que será de mim
sem a possibilidade de encontrá-las?
#DORMIR
Coisas mansas como o luar...
Águas de um lago adormecido...
Abandono de um jardim sem flores...
Lamento de uma vida...
Sem amores...
Antes da morte por vir...
Nascendo de vez para a vida...
Deixo os desejos sem rumo...
Me entrego, por completo...
Ao mundo...
No barco sem ninguém...
Anônimo e vazio...
Aonde irei ter?
Tudo passa...passa...
Sem perceber...
Com meus cansados olhos...
Do mesmo modo, a vida é sempre a mesma...
Quero a mim próprio embalar...
Não ver mais nada...
O sono que desce sobre mim...
É o sono de todas as desilusões...
E os anos vão passando...
Deixarei que morra em mim....
Vivendo na sombra de seu encanto...
Porque o melhor enfim...
É não ouvir e nem ver...
Tudo aquilo que um dia...
Deixei de ser para você...
No fim de tudo, dormir...
Para já não mais...
Poder sentir...
Sandro Paschoal Nogueira
#OBSERVO
Vivo em tempos sombrios...
Causando-me arrepios...
Quem ainda sorri...
Não recebeu a notícia ruim...
Que tempos são esses?
Vou lhe dizer...
Só pode pensar...
Nada pode falar...
É preciso tantos dedos...
Inúmeros tatos...
Para não machucar ...
O chato fraco...
Se minha sorte me deixar...
Ficarei perdido...
Mundo de sombras...
Perdendo juízo...
Entre florestas da ilusão...
Não quero me perder...
Minha estrela guia...
Aonde está você?
Sou vários, menos este...
Diferente desse que aqui está...
Até quando terei...
Que me ocultar...
Viver só é a minha realidade...
Inocência há muito perdi...
Não quero flertar com a maldade...
Que fazer, para o consolo?
Na luz perdida lá do meu passado...
As esquinas podem ser outras...
Mundo conturbado...
Seria meu maior sonho...
Se não fosse tão real...
Não vejo nada a minha volta...
Vencer o bem...
Morrer o mal.
Sandro Paschoal Nogueira
ONÇA
Forjo no sol o meu sangue...
Tal qual onça bravia...
Que ao acordar em mais um dia...
Fazendo-se de morta...
Aguarda o coveiro...
Em uma cova...
Em meu castelo...
Desse chão...
Ando pelas pedras encantadas...
Meu caminho...
Um sonho perigoso...
Que trilho sozinho...
Minha jornada...
Em noites perigosas...
Quando a lua se faz vermelha...
Nessa magia ardente...
Consumo o que vejo pela frente...
Presinto o que há por vir...
Será que mais alguém vê e escuta?
Será que somente eu...
Na vida, essa peça...
É o meu papel?
Ventania me agita...
E em meus olhos...
Um duvidoso brilho reluz...
Dias e noites me envolvem...
Continuando minha ronda...
Vendo um mundo oco...
Pensamentos de quase um louco...
Sem lei, sem rei, sem repouso...
Me acho...
Andam vultos pelas estradas...
E pelas calçadas com vultos...
Eu ando...
A teia do destino...
Não há quem corte ou desate...
Viver ou morrer...
No meio...
Um impasse...
Se um anjo tocar a corneta...
Me chamando ao encontro divino...
Levarei comigo..
Todas as glórias que hoje sinto...
Enquanto em mim o fogo clamar...
Sempre terei abertas minhas asas...
Jamais deixarei...
De como menino sonhar...
Jamais deixarei...
De como livre poder voar...
Meu chão, minha cor do amanhã...
Meus desejos, dores e coragem...
Pelejando diariamente...
Para minha vida ...
Não ser só uma miragem...
Dizem que tudo passa...
E o tempo cruel esfarela...
Enquanto Deus assim querer...
Minha luz ...
Não será quimera...
Hei de pulsar o amor...
Até mesmo na escuridão...
Amar para mim não é um devaneio...
Não é ilusão...
Não me veja como um falso profeta...
A sondar o inimaginável...
Sou como qualquer pessoa...
Vivendo meu fado...
Busco a estrela que me chama...
A luz que acende o sol...
O vôo do beija-flor...
Na vida...
Um pouco de amor...
Por tudo isso...
Meu espírito nunca há de envelhecer...
Sou contra a morte...
Nunca hei de morrer...
Sandro Paschoal Nogueira
Flores para pisar...
Um caminho para seguir...
Um beijo do vento...
A vida para sentir...
Não passar...
E sempre existir...
Dores no lugar onde andei...
Lugar certo a ir...
Quando nossos gestos...
Forem de amor e paz...
Saber a diferença entre amor e preço...
Uma palavra generosa ...
Um abraço carinhoso...
O amor dado e ofertado...
Isso não tem preço...
Que meu amanhã...
Seja melhor que hoje...
O meu mundo...
Não é desse reino...
Aqui apenas sobrevivo...
Desse jeito...
Qual legado que você vai deixar?
Alguma boa lembrança...
Para alguém lembrar?
Ainda preciso aprender muito...
Ver a luz brilhar em minha escuridão...
Ter paz em meu coração...
Compreender que essa vida que tenho...
Existe outra mais além...
Morrer não é o fim...
Mas renascer sim...
Tudo que aqui eu deixar...
Serão apenas sombras...
Quando a pureza encontrar...
Não mais olharei para trás...
Para frente enfim...
Seguirei em paz...
#TARDE
Como a solidão sinto esse frio que me invade...
Severa e sem piedade...
Mergulho nessa tristeza profunda...
Que tão só minha alma conhece...
Nessa rua...
Na escuridão que se achega...
Só uma estrela no céu já anuncia...
O término de um longo dia...
Início de uma noite fria...
À sombra do esquecimento...
Meu universo se aflige...
Pranto em belos olhos derramados...
Só...
Abandonado...
Espírito de fogo em cristal aprisionado...
Alma que parece chama fria...
O que será dos meus amanhãs ?
Vivi realmente algum dia?
Oh Deus...
Dai alívio ao mal que estou gemendo...
Tão longe arrevoada de pássaros...
Nem eles...nem ninguém...
Só tu vê meu sofrimento...
Quero sonhar e dormir...
Voar, poder sentir...
Viver de esperança...
Não temer o que está por vir...
E entre os suspiros do vento...
Que eu possa sempre olhar...
E ser o meu maior segredo...
Infinitamente amar...
Transformando esse triste tempo...
Sandro Paschoal Nogueira
#QUIÇÁ
Ah quem me dera que terminasse a espera...
A liberdade nunca ser demais...
Percorrer as estrelas...
E o amor não ter fim jamais...
Ah quem me dera que a vida fosse completa...
Que eu pudesse atravessar as noites e os dias no vento...
Sem nenhum pudor, sem pecado...sem lamento...
Ah quem me dera que no mundo não houvesse pranto...
E simples assim fosse o canto...
Ah quem me dera ter nascido anjo...
E que meus caminhos fossem tudo um sonho...
De venturas, paz e encantos...
Ah quem me dera não haver solidão...
Que em cada troca de olhares...
Haveria um encontro de mãos...
Ah quem me dera não me importar onde você estivesse...
Lhe alcançaria com meu pensamento...
E na brisa suave lhe enviaria o meu beijo...
Para lhe alcançar nesse momento...
Ah quem me dera perder a tristeza desse meu olhar...
Quando eu fosse ao encontro seu...
Para lhe encontrar...
Que nossos corações batessem como um...
Que o tempo parasse...
Deus nos abençoasse...
Fôssemos felizes...
Ah...quem me dera...
Sandro Paschoal Nogueira
#PERDAS #ESQUECIDAS
Obcecado por anjos...
Um derradeiro desejo...
Em sonhos, na imaginação...
Aflige-se como humano...
Em seu coração...
Ardendo em pureza...
Sem nenhum descanso...
O peso é deveras demasiado...
Em solidão angustiante...
Bem ali adiante...
No sonho em que perdeu...
Quer subir ao céu...
Quer descer ao mar…
Anseia ir à procura...
Em todo lugar...
Não se dá pelas mudanças...
Que o espelho reflete...
Nas histórias de muitas loucuras...
Então se perde...
Perde algo a cada dia...
Muito já perdeu...
Os amigos...
Familiares...
Os gostos...
Desejos tão comuns...
Fantasias...
Perdeu a graça...
Mas não perdeu a agonia...
Da última estrela a réstia...
E na esperança de vê-Ia também se perde...
Mas numa volta, súbito, à estrada...
Cujas sombras lhe seguem...
Onde não esquece...
Retorna à sua casa...
Desafiando o tempo...
Sem nada mais de seu a dar...
De si mesmo...
Já se perdeu...
E não sabe mais onde encontrar.
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
#MALANDRAMENTE
Não vacila...
Nem tenta a sorte...
Quem é do meio sabe como é...
Coração de malandro...
Bate na sola do pé...
Toda minha caminhada...
Nesse imenso mundo cão...
Com malandragem de sobra...
E liberdade para conquistar...
Caio fácil não...
E quando caio...
Logo me ponho a levantar...
Malandro que é malandro...
Sabe bem como viver...
Vou continuar assim em meu caminho...
Pelas noites de luar...
Malandro sabe onde ir...
Quando deve sair e a hora de entrar...
Sabe quando deve ficar mudo...
Sabe quando deve falar...
Já dizia o poeta...
"O mundo é dos espertos"
Malandro bom envelhece...
Pedindo força ao universo...
Não vê a morte tão cedo chegar...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Essa terra em que ando...
Não a considero meu ninho...
Dorme quem muito me amou...
Enquanto cá sofro em desatino...
Ah como o tempo foge...
E escorre a doce vida...
E a morte que a tudo espreita...
Percorrer celeste estrada nos convida...
Vês o meu amor que lhe dei ?
Que ao mundo é só o que me prende...
Tão loucamente não quiseste...
Em pouco caso o abandonaste...
Pouco ama aquele que tanto pode dizer o quanto ama...
Por tal ardor minha alma inflama...
O meu coração silencioso esconde...
No silêncio que nada me responde...
Perante o céu então me perco...
Nas vontades em mim despertas...
Será juízo ou será pecado?
Por querer tanto e tanto...
Estar ao seu lado...
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta
#AGUARDO
Na solidão em que sonho contigo...
Saudades dos belos dias...
Sigo agora o meu peito a doer...
Só pelos seus olhos...
Eu posso viver...
Ao menos resta ao sonhador o consolo...
De suas mãos dentro das minhas...
Suspiros, arroubos de nossa paixão...
É doce amar como os anjos...
Se aqui fomos amantes...
Seremos uma única alma no céu...
Se um dia tiveres saudades...
Sabes que desde já estou aqui...
Aguardo noite a noite a lua triste...
Aguardo você em mim...
No amor basta uma noite para fazer de um homem um deus...
Sandrinho Chic Chic
facebook.com/conservatoria.poemas
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#SONHO
Sonho absurdo...
Chamado realidade...
Desprevenido menino...
Diante mundo de maldades...
Deixe-me ver a vida...
Tal como eu queira...
Afaste de minha essas sombras...
Que me fazem chorar...
O mundo não se modifica...
E às vezes viver cansa...
Os homens são os homens...
E os ignorando...
Teimo em sonhar...
Teimoso em viver...
Ninguém vê minhas lágrimas...
Mas eu choro ...
Confiante e ansioso por mais querer...
Melodia de silêncios...
Em meus ensandecidos pensamentos...
À procura do eterno...
Perdido...
Sem nada saber...
Tão longe de mim...
Onde meus sonhos estarão?
Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poeta
Não eras para minha vida...
Não eras para os meus sonhos...
Não eras para os meus cantos...
Não foste digno de meus prantos...
Não eras o lume de meu coração...
Não eras o brilho de meu olhar...
Foste apenas decepção...
De todos os encantos...
Não quisestes fazer parte...
E hoje, sem nenhum alarde...
Vi que não fostes nada...
E nada fizestes para ser meu tudo...
Passaste em vão...
Não fostes feito para meus abraços...
Para nossos corpos entrelaçados...
Não comungamos em ardor...
Carinhos não me destes...
Não era para ser amor...
Tu nem mesmo fostes um vento...
Que em algum momento...
Beijou-me e mostrou-me a direção...
Tu foste apenas...
Para aqueles que te queriam um pouco...
Enquanto eu te quis tanto...
Hoje és sombra...
Sombra de nada...
Vulto sombrio...
Que vaga entre tantos tais como tu de alma deserta...
Meu último conforto...
Agora...
Apenas o frio...
Sandro Paschoal Nogueira
Em horas presentes de infortúnios e tédios...
Eu choro e espero...
Diante ao vendaval que ruge...
Luto...
Não me entrego...
Tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas...
Junto a toda a gente que eu conheço e que fala comigo...
Em vão tentei quebrar o círculo mágico...
Inútil escapar...
Procurei esconder-me...
Em esperanças...
Em audácias...
Pensei em não mais lutar...
Poetas, que somos nós?
E bater, é bater com alma na bigorna...
Mas vou pelos passeios...
Entre a sombra e a luz...
Meu sonho conduz...
Tirando da alma os bocados precisos...
Nem mais...
Nem menos...
Só o que sinto...
Sandro Paschoal Nogueira
Talvez seja breve...
A recordação de um sonho...
E um desejo pontuado de estrelas...
Talvez seja breve...
O barulho que fazem os sentimentos...
A lógica do presentimento...
A razão perdida...
A dor da ferida...
Talvez seja breve...
O agora donde se murmura a vida...
A chegada...a partida...
A glória e a ruína...
Talvez seja breve...
A memória acalentada...
Ou a memória sendo esquecida...
Talvez seja breve...
A paixão não correspondida...
O amor jurado ser eterno...
A dor do peito...
O flagelo...
Talvez seja breve...
A falsa ou verdadeira promessa...
O brilho de uma jura...
Feito em dias claros...
Ou na noite mais escura...
Talvez seja breve...
A alegria ou a tristeza...
A maldade de uma língua...
O bem e o amparo de mãos sofridas...
O medo e talvez o desejo do desconhecido...
Talvez mais breve seja o espamo de um grito...
Talvez seja breve...
O tempo que escoa...
A doença que se avizinha...
A morte que clama...
O silêncio que murmura...
O convite ou a recusa de deitar-se na cama...
O momento de se achar tudo perdido...
Mas que não seja breve...
O seu olhar sobre mim...
Seguido por um sorriso...
De que estás a pensar...
1001 maneiras de poder me amar...
Que me alegre...
Que não consegues disfarçar...
E se tudo que foi breve...
Que muito tenha valhido a pena...
Pois é vivendo que se aprende...
E aprendendo que se vive...
Sandro Paschoal Nogueira
E fere a vista...
E dum ou doutro...
Aonde agora quase sempre chego...
O indiferente...
O oposto...
O adversário...
O surdo-mudo...
O recalcado...
Grosso...
Mal educado...
Os mortos reclamam...
Enquanto batem os pratos...
Enrolam seus baseados...
Enchendo seus copos...
A melhor palavra...
É o silêncio...
As idéias...
Um sonho...
De um louco transloucado...
Onde se acenam somente os olhos...
Poderia beber a humildade...
Mas recuso o cálice sagrado...
Poderia comer com os porcos...
Mas sinto-me entendiado...
Prossigo meu caminho...
Desta obra a concluir...
Há vida...
Há murmúrios pelas praças...
Mas como nada vem de graça...
Batalho por existir...
E a triste e dúbia luz...
De quem tenta me ferir...
A Deus peço misericórdia...
Por assim esse coitado insistir...
Apenas magoa-me a saudade...
Do tempo em que habitava...
A transparência da inocência...
Em mim...
Roubada...
Sandro Paschoal Nogueira
