Poemas Góticos de Amor

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A M I G O

Amigo é quem te acolhe
com palavras sinceras
quando dele necessitas e te
socorre nos momentos de aflição!

É aquele que aponta tuas falhas,
para que possas corrigí-las.
É aquele que contigo exulta
nas horas de alegria!

É aquele que te ouve,
nos momentos de tristeza.
É aquele que se preocupa
quando estás ausente.

É aquele que quando tens um
pesadelo, te acorda sorrindo
e fica ao teu lado para que
possas sonhar de novo.

Nada Resta

De encontro com a calma, ainda sinto o incerto, do tempo que resta a não mais esperar.
De tudo aquilo que eu vi, de tudo que deixo sentir, de quedas em quedas até não mais levantar.
Busco enxergar tudo a quilo que imaginei, como se eu pudesse ter tudo o que verei.
Ao tentar pular na ilusão de uma vida sem lamentação, acabo quebrando a cara em chão duro de realidade, ficando no fundo de um rio seco de uma vida sem vontade.
Quero o fim, saber o que estar por vir.
Quero o fim, sentir algo além de um vazio sobre mim.
Quem de mim duvida, duvida de um homem morto.
Um navio que nunca chegara no cais do porto.
Se um exemplo posso ser é para que as pessoas nunca percam a vontade de viver.

Todos os dias um suicídio de um "Eu" que fui ontem...
Aqui jaz um antigo eu metamorfoseado em hoje!
Suicídio de algumas fantasias que resolvo abandonar
Suicídio de sentimentos que não quero mais alimentar
Suicídio de uma inocência que a cada dia vejo esvair
Suicídio de um "Eu" que pertence a outrora

...e assim como diz o Z.Baleiro "às vezes me preservo e noutras suicido"

Você se foi

Tudo parecia tão frio
Desde quando você partiu
Parecia mais um dia normal
Mais sua falta realmente me fazia mal

Você se foi sem explicação
E feriu meu coração
Eu tentei te procurar
Mas nada pude encontrar
Você estava ao meu lado
Agora estou arrasado

porque você se foi ....
e não vai voltar !
Estou agora em meu lugar
E ela esta em meu funeral

Ela pagou o tempo perdido
Dessa vida sem sentido
Ela busca alegria
Mas só lhe resta agonia
Ela esta arrependida
Ela busca uma saída
Agora tudo parece frio
Ela esta a um passo do abismo!

Compreendemos mal o mundo e depois dizemos que ele nos decepciona.
Se não soubermos esquecer, nunca estaremos livres de tristeza.
Lança o saber e não terás tristeza.

Não consigo não pensar
Enquanto todos dormem ao meu redor
Travestindo rebeldias sem causa
Esperando mudanças por si só...

Os anos passaram rápido demais
E agora os dias são todos iguais,
Como roupas velhas
Numa gaveta empoeirada,
Preservo a inocência
Intestinada na minha alma.

Vou começar com uma prece
Àqueles que ainda se vestem
De sonhos que não envelhecem,
Aos que morrerão velhos
Com alma de jovens,
Sabem que um ideal se sonha acordado,
E que a revolução não é problema
Para a sociedade
É a sociedade que é problema
Para o revolucionário.

Quero romper tua membrana,
Quero adentrar e me alojar entre seus rins.
Em seu útero eu quero estar,
Para nos unirmos pelo cordão umbilical.
Como uma mãe,
Como uma filha,
Como uma cria,
Como um embrião.

Pagar pra ter cultura, saúde e proteção,
Lutar para sobreviver cada dia é um dragão,
Da labuta a penúria a árdua vida da nação,
Tirar da mesa e por na igreja
Esperando salvação.

O choro preso na garganta que inflama,
O grito mudo trancafiado no pulmão,
Colhendo frutos que alimentam a esperança
Como alimentos garimpados no lixão...

Não me defino substancia,
Nem mesmo substrato.
Mas sim, coisa coisificada,
Às vezes, nada nadificado.

Não sei se creio no motor imóvel,
Em demiurgo
Ou que deus esta morto.

Só creio na minha filosofia,
Escrita como poesia,
Como um pensar estético, marginal e torto.

Um cheira cola,
cheirando cola
numa garrafa
de coca cola...

Primeiro mundo,
Terceiro mundo,
eu aqui abismado
no plano de fundo.

Categórico,
Faço justiça poética, divina e com as próprias mãos,
Meu pessimismo é de modo grego:
De superação.

Murmurios de ansiedade
Sussurros imaginários
Ecos da tua voz
Que passeiam
Pelos cantos vazios
Vazios e escuros
Do nosso quarto
Insólita insônia
Vai o ilusão
Deste amor impossível
Que assombra as minhas noites
Evocando o teu nome
Sussurros de ansiedade
Murmúrios de saudade
Que mente doentia, esta a minha!

— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

Soneto Da Solidão

Me sinto só e prisioneira.
Ergui muros de ilusões.
Das minhas dores e decepções.
E recusei levantar a bandeira.

Quem me dera voltar atrás.
E erguer a bandeira da paz.
Ignorei a sua doce compreensão.
Fui jogada às traças na minha desilusão.

Hoje corpo seco de saudade.
Dos tempos da minha mocidade.
Quem me dera, quem me dera.

Sair dessa triste solidão.
Povoar seu doce coração.
E viver nova primavera.

Sozinho. Na vitrola toca um jazz. O rítimo descompassado comeca.
Acendo um cigarro. Mallboro, eu acho. Dou uma tragada. Mallboro, com certeza. Sento na minha poltrona. Reclino o encosto. Mais uma tragada.
Acabou o Fantástico. Céus, amanha é segunda . E eu estou acordado.

Estamos acordados. Eu. O Porteiro. A Viuva do 208. Aquele pequeno meliante no aguardo do próximo transeunte. A mulher da janela do prédio da frente.
A música acabou. Só escuto o chiado da vitrola. Vou virar o LP. Ou devo trocar? Vou trocar. Billie Holiday comeca a tocar.

Todos devem ouvir ao menos uma vez essa mulher cantando. Vou pegar outro maço de cigarros. Não! Charuto é melhor, combina mais com Billie Holiday.
Ah! Charutos sao como vinhos. Sao feitos para serem apreciados. E tudo que é apreciado não deve ser usado até o final. Deixarei a bituca pro Santo . Ou pras formigas e baratas . Nunca vi formiga indo atras de Charutos. As de Cuba devem ir.

Sozinhos. Estou sozinho e começa a tocar Gloomy Sunday. Comeca a me tocar. O tempo voa, ou para, não sei ao certo. Ja é de manha e acordo com gritos na sala de casa! "morreu?". "Uma fatalidade". "Deixou alguma carta?". "Não". "A vitrola tava ligada, o vinho estava pela metade, o maço no chão e o charuto junto com a pistola".A viuva só lamentava. O Porteiro estava preocupado com toda aquela bagunça. A morte de um vizinho é algo trágico e satisfatório. A dor do fígado alheio é sempre agradável, convenhamos.
Impossivel encontrar nas pessoas a pureza de um bom vinho, charuto e Jazz.
Nao pense voce que pensei em família e amigos. Não é por mal. É que essa trindade é a base do meu ide. Do meu ego. Não existe ser que foi capaz de suprir o meu intimo . Somos apenas carne e osso. Não precisamos de mais carne e mais osso pra alcançar o Nirvana . Fui ter um encontro comigo mesmo.

Os dias ruins não são anunciados e raramente chegam com grandes tempestades, os acontecimentos sim, chegam como raios, parte-nos ao meio, quebram pilares, desestruturam mentes, ironicamente acontecem em dias belos e ensolarados.
Seu dia ruim pode ser um dia comum e bom para muitas outras pessoas, parece injusto e cruel, porém é a lógica divina, ilógica da maneira sarcástica como age na vida de cada indivíduo.
Se eu tivesse o poder de mudar o roteiro da vida, faria com que o nascimento fosse uma surpresa não anunciada e, a morte teria o aviso prévio de 9 meses como uma gravidez.
Insanidade, morbidez? Talvez, vejo que seria a última chance de vivermos 9 anos em 9 meses, sugando até o último gole de vida, lúcidos, testando limites, amando puramente. Para que quando chegasse o dia ruim, acalmasse o interior dos envoltos ao luto, com a certeza de que aquele corpo honrou a vida, vivendo=a como quis!

Flor de cemitério ( conto)


Era uma noite gélida e sem lua quando um botão de rosa nasceu na sepultura de Amanda, Uma jovem que havia morrido de tristeza, definhado apos perder o único amor de sua vida para a morte, Jason havia morrido em batalha na guerra pelo seu pais.
Aquele botão de rosa que nascia era o sinal que ela havia encontrado seu amor em outra vida, que agora Amanda e Jason podiam fiar juntos por toda eternidade.

O vento uivando como um demônio tentando com toda fúria destruir a futura flor. Corujas e Morcegos contemplavam sua luta, rindo em deboche ao seu esforço inútil pela vida…

- Pra que lutar pela vida quando ela sera vivida neste lodaçal o inferno onde não existe alegria so morte e dor?
-Ela sera apenas uma rosa escura e sem beleza!
-Ela vai morrer antes mesmo do raiar do sol.

A flor ouvia a conversa e ao invés de murchar de tristeza, ela encontrou forças na fraqueza ergueu seu caule, ainda era uma inocente, não havia abertos seus olhos para a podridão do mundo que a cercava, ela tinha fé que seria belo seu futuro. E assim resistiu a flor a um dos mais furiosos vendavais.
Quando os primeiros raios de sol brilharam no horizonte e foi tornamo claro o céu, alguns pássaros cantavam brindando o novo dia. O botão de rosa abriu-se e sua cor tão linda jamais havia sido vista naquele lugar tão escuro era um magenta vibrante, em cada pétala o sol batia e refletia um novo tom de rosa.

Linda perfeita e unica em um ambiente totalmente controverso a si, na terra ouvia-se o sussurro de novos brotos dizendo:
”Venham, venham ver esta flor de beleza jamais vista”
E a cada dia o cemitério ia ficando colorido pra mostrar que ate mesmo na morte existe beleza, se tivermos forças pra lutar.

Conto escrito por Annh Cavalcante em dezembro de 2011.

"Não aprendi dizer adeus."

Preciso confessar que não sei lidar com despedidas. Por mim, toda pessoa querida morava no meu condomínio. Ninguém ia embora e principalmente ninguém morria. Como diria uma amiga minha, "eu juro, juradinho" que não sei lidar com a morte, não sei dar pêsames, detesto ir a cemitérios e só guardo lembranças boas dos que já não estão perto de mim. Minha mente apaga a maioria das minhas vivências ruins. Até me esforço para lembrar de detalhes e simplesmente não consigo, minha mente bloqueia esse tipo de lembrança. Sem contar que muitas vezes, me pego falando da pessoa como se ela ainda estivesse entre nós. Fraqueza, fuga da realidade, infantilidade... só Freud para explicar, afinal ele também continua vivo nos seus textos e teorias.