Poemas Góticos
Tudo aquilo que não sabemos sobre nós mesmos está inconsciente, mas nem por isso, esse desconhecido deixa de nos afetar.
Uma das armadilhas da infância é que não é preciso compreender para sentir. Na altura em que a razão é capaz de compreender o sucedido, as feridas no coração já são demasiado profundas.
O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de loteria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.
Nada é mais autodestrutivo do que correr atrás das pessoas ou insistir em ter aquilo que não pode ser seu. O que é bom e te pertence, caminhará ao seu lado, ao alcance das suas mãos.
- Olhe, Daniel. As mulheres, com notáveis exceções como a sua vizinha Merceditas, são mais inteligentes do que nós, ou, pelo menos mais sinceras consigo mesmas sobre o que querem ou não. Mas dizer isso para nós ou para o mundo são outros quinhentos. Você está diante do enigma da natureza, Fermín. A fêmea, babel e o labirinto.
O coração da mulher é um labirinto de sutilezas que desafia a mente groseira do homem trapaceiro. Para realmente possuir uma mulher, é preciso pensar como ela, e a primeira coisa a fazer é ganha a sua alma.
Estou com o Ortega e sou um pragmático, porque a poesia mente, embora de forma bonita!
E do nada tudo volta.
E do nada tudo perde as cores.
E do nada só vejo escuridão.
E do nada nada mais tem sentido.
E do nada a vida se torna uma amargura.
E do nada eu sinto vontade de acabar com a amargura, talvez com um pouco de "açúcar".
Deus: "Por que choras filho?"
Garoto: "Porque eu estou muito feliz!"
Deus: "Tu estás conseguindo, tu és digno!"
Garoto: "Obrigado por toda jornada!"
Olha-se para ele com o ódio dissimulado com que o assassino plebeu olha para o assassino marquês que matou a mulher e o amante. Ambos são assassinos, mas, mesmo na prisão, ainda o nobre e o burguês trazem o ar do seu mundo, um resto da sua delicadeza e uma inadaptação que ferem o seu humilde colega de desgraça.
Oração de um jovem triste
Eu tanto ouvia falar em ti por isso hoje estou aqui.
Eu sempre tive tudo que eu quis mas te confesso não sou feliz.
Calça apertada de cinturão, toco guitarra, faço canção mas quando eu tento me procurar eu não consigo me encontrar.
Escondo o rosto com as mãos e uma tristeza imensa me invade o coração já, já não sou capaz de amar e a felicidade cansei de procurar ...ah ...ah.
Por isso venho buscar em ti o que eu não tenho o que perdi vestido em ouro te imaginei e tão humilde eu te encontrei.
Cabelos longos iguais aos meus tú és o Cristo, filho de Deus.
Tanta ternura em teu olhar tua presença me faz chorar eu ergo os olhos para o céu e a luz do teu amor me deixa tão feliz se, se jamais acreditei perdoa-me Senhor pois hoje te encontrei ...ei ...ei
SONETO TÚBIDO
O que fazer desta melancolia primitiva
que adentrou minh'alma vorazmente
haurindo o prazer num ato contundente
como se fosse uma serpente viva?
Como sustar deste "ser" frente a frente
que me alicia e do meu eu não esquiva
me oprimindo numa redoma passiva
invadindo meu sentimento de repente?
Busco por outras alternativas à deriva
me afastando pra além da má mente
e nada, só amargo me vem na saliva...
E como se fosse parte de mim, ciente
ousa induzir que esta minha negativa
é túrbida, e que na fé sou pendente!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
agosto, 2016
Cerrado goiano
O silêncio é doloroso. Mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existem momentos em nossas vidas que tudo que devemos fazer é esperar. Dentro de cada um, no mais profundo do ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber. Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem.
Pessoas inteligentes têm duas coisas em seus lábios, “silêncio e sorriso”. Sorriem para o problema e ficam em silêncio para evitar o problema.
Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.
Ando obcecado por silêncio. Um silêncio que te permita ouvir o ruído do vento. E o bater do coração. E se possível isso que chamamos de Deus, existindo devagarinho em cada coisa. Existe sim.
Diz, fala, exclama cada um consigo mesmo, sem que seja quebrado o silêncio exterior. Há um grande tumulto; tudo fala em nós, excepto a boca. As realidades da alma, por não serem visíveis e palpáveis, nem por isso deixam de ser também realidades.
Às vezes, no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois, eu fico ali sonhando acordado, juntando o antes, o agora e o depois. Por que você me deixa tão solto? Por que você não cola em mim? Tô me sentindo muito sozinho, não sou nem quero ser o seu dono. É que um carinho às vezes cai bem.
Silêncio, ando obcecado por silêncio. Um silêncio que te permita ouvir o ruído do vento. E o bater do coração.
Cerra bem as pétalas do teu corpo imóvel e pede ao silêncio que não vá embora...
