Poemas Góticos
Quem não valoriza o laço hoje, não deve se surpreender com o nó desfeito amanhã. O silêncio da ausência é a resposta para quem não soube ser presença.
Dói ver como o "bom dia" diário virou um silêncio gelado, e perceber que o afeto que antes transbordava, tornou-se unilateral. É triste aceitar que aquela cumplicidade virou apenas uma lembrança de alguém que escolheu se afastar e deixar a relação morrer.
"Sob os panos sagrados do altar, o silêncio se veste de ouro.Questiono o céu se a luz da verdade tem olhos apenas para o rebanho, enquanto a sombra do pastor repousa protegida pela mesma fé."
O rigor do Inverno de Vivaldi me ensina que a força, muitas vezes, é o silêncio. Um calor lento acende por dentro enquanto o vento lá fora protesta.
Existem almas feitas de templo, onde o silêncio guarda o saber. Não cobram aplauso, viram exemplo, ensinam a arte de compreender.
No Alentejo a planície estende-se e
dissolve-se em silêncio: como um sonho que se recusa a terminar.
A verdade é o eco inevitável que o silêncio devolve com perspicácia, uma afronta à máscara das aparências e um furo no olho da água que desfaz o veredito inescapável de que o mundo que inventamos só existe em nós.
Reno Fioraso
"A injustiça se alimenta do silêncio de quem a presencia. Omitir-se diante do erro não é neutralidade; é cumplicidade. Quem busca justiça, age!"
"O silêncio do outro pode ser apenas silêncio. Mas o barulho que nasce dentro de nós quase sempre tem biografia."
Rugi alto, mas em silêncio me destruí.
Porque depois de tudo isso, o verbo nunca toma a mesma conjugação.
O primeiro som que sucede o silêncio não deve ser um estrondo, mas uma pulsação. A verdadeira paz não exige a imobilidade de quem respira; ela apenas pede que o movimento não seja uma fuga, mas um ancorar contínuo. Ao atravessar as cortinas recém-abertas, o cenário que se revela não nos apressa. Ele exige presença. É na cadência minuciosa dos passos, no atrito suave da sola contra o cascalho da própria jornada, que a identidade deixa de ser uma ideia no espelho e passa a ser o chão que pisamos. O silêncio nos ensinou a olhar para o centro; agora, o ritmo nos ensinará a caminhar a partir dele.
Os lugares mais sombrios do inferno são reservados para quem escolhe o silêncio quando a situação exige coragem.
