Poemas Góticos

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sobre depressão

Nada se vê com esses olhos apáticos
Enterrados na cova rasa das pálpebras
⁠Cobrindo ocas catacumbas profundas
Onde ficam todos sentimentos mortos
Preenchidos pelo sussurro silencioso
Ecoando compulsivamente no vazio
Imagens de suicídios não vividos

⁠Quando eu enviei a última remessa de documentos para a minha faculdade, sentei no degrau dentro do ônibus e com minha prima, observei as nuvens que podia ver da janela. Na janela para os outros eram apenas nuvens e edifícios, mas para mim foi uma conversa entre eu e a vida:
"-Estou cansada"- Eu falei para ela e ela me respondeu:
"-Pela primeira vez em sua existência, eu te entendi, pela primeira vez eu vi seu cansaço com olhos crús e vazios, e pela primeira vez, eu te dou um descanso, não um momento de felicidade ou tristeza, mas um de esperança, um que diz: "As coisas vão melhorar"- Disse para mim a Vida".

⁠20 anos de destruição das #torresgemeas

Os aviões do terrorismo ensaiaram uma coreografia grotesca e cruel, dólares e corpos foram queimados, deixados a mercê de centenas de anjos, que com certeza trabalharam arduamente pelo melhor tipo de salvação.
Eram gêmeas as torres e onde antes existiam só negócios, hoje se depositam flores. O atentado não destruiu apenas estruturas, levou ao chão com amargura vidas e sonhos de famílias inteiras.
Não dá para fazer poesia com essa triste tragédia, não há rima que sustente tamanho absurdo.
É dor que nunca cessa, é lembrança que não se cura.

⁠O dia que aqui em corpo não estiver mais
saiba que em espirito sempre te acompanharei,
dentro do possível que puder e merecer.
A vida nunca acaba e estamos aqui para aprender
Sofrer, ter prazer e diferenciar o que nós faz crescer.
A vida não é satisfação e sim provação.
Temos que aproveitar o tempo aqui para evoluir
pois se não, só nos coube existir.
Meus filhos, que a mim me foram emprestados,
Busquem a evolução e não a satisfação,
pois perdi muito tempo na esperança da satisfação
e perdi muitos anos na ilusão de a satisfazer
e vi o mundo que planejei ruir,
como castelo de cartas sem nenhum rumo a seguir.
Vivam o agora e sem expectativas,
pois a vida é só o agora.
Mas se não fizermos algo do agora
Nunca teremos um amanhã diferente...

⁠Todos querem liberdade
mas quem por ela trabalha? (...)
(o humano resgate custa
pesadas carnificinas!
Quem morre, para dar a vida?
Quem quer arriscar seu sangue?)

⁠Há dias que a vida parece nos escapar
Há dias que as partidas somam milhares de vidas que vão para não mais voltar
Uns partem cedo, sem nem chegar.
Todos deixando ausência e saudades
Todos mostram a face da morte que não tarda, por mais longa que seja a vida.
São muitos
São jovens
São vidas
todas importam.

⁠Mentira
Tão insignificante
De aniquilador
Poder
Como bomba
Atômica
Depois da primeira
Tudo vira pó
E condena
O amanhã
Tóxica
Árida
Morta
Por sorte
O efeito é mágico
Nesse caso
Quem morre
Não é a vítima
Mas sim
O atirador.

⁠[...] vã̃ e breve, a vida tal uma curta poesia
expira, em terra funda, dura e fria
o teu canto, ali, acabará...
Eis o que aperta, e dói no coração
a morte é um mistério
fugaz... cheio de sensação
má́ ou boa, penoso critério
aqui apenas uma oração
em suporte
a realidade
um triste verso à morte...
versado com saudade!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/06/2021, 5’10” - Araguari, MG

⁠Ontem eu revi frações da minha história,
Analisei as épocas, e enxerguei a trajetória.
Venci uma ou outra batalha contraditória,
Mas a guerra, essa eu não avisto vitória!
Agora entendi que minha vida está perdida,
Já nem sei em qual direção preciso andar,
Também sei que o meu tempo é curto
E sei Deus, que em breve, vou lhe encontrar!
E tudo que vejo em minha volta, toda emoção,
Por mais risonho que pareça, é solidão!
E sem desordem, eu vivo nesse desespero,
Sinceramente, triunfando toda minha gratidão.
Na próxima estação eu não quero parar,
Na seguinte, até pode ser, pode me mostrar,
E se eu merecer, quero te encontrar!

⁠Infelizmente, não tivemos o poder de escolher nascer ou não, nem tampouco o lugar onde nascer.

Uns nascem em berço de ouro, outros em berço de couro.

Cabe a cada um de nós escolher como viver antes de morrer

⁠Algumas pessoas caminham,ao nosso lado, por alguns instantes,
outras passeiam,
dentro de nós,
por muito tempo.

⁠A vida é muito breve!

E nessa brevidade, a gente começa a refletir sobre o que teria feito diferente se soubesse que aquele seria seu último dia com uma pessoa que a gente tanto amava/gostava ver partir.

Fica o vazio: a dor de não ter falado o que o coração pedia, o perdão necessário, porque simplesmente deixou para amanhã aquilo que poderia ter feito hoje. O remorso, a garganta fechada de tristeza nos faz refletir e nos faz ver que “de repente”, aquela pessoa que a gente tanto ama deixou essa terra e que nunca mais conseguiremos expressar o que tanto queríamos.

Não deixe para amanhã, a atenção que você poderia dar a uma pessoa que tanto necessitava.
Não deixe para amanhã, o sorriso junto com uma palavra aconchegante.
Não deixe para amanhã, o encontro que tanto queria que acontecesse com aquela pessoa que você tanto gosta.
Não deixe para amanhã, o almoço com as pessoas que te fazem bem e te tornam uma pessoa melhor.
Não deixe para amanhã, o abraço de despedida com desejos sinceros de sucesso.
Não deixe para amanhã, as flores que poderia ter enviado em um dia tão lindo e especial.
Não deixe para amanhã, o café da tarde tão desejado, tão esperado.
Não deixe para amanhã, o perdão que tanto você sabia que precisaria liberar.
Não deixe para amanhã!
Não deixe para amanhã!
Não deixe para amanhã!

A vida é breve...

Jarleide Souza

⁠A fé é a crença
na existência
de coisasque não se vê.
O medo também!
Nós podemos escolher
no que acreditar.

⁠Nós podemos conviver por longo tempo com alguém e não ter emoções fortes para recordar.
Também podemos esbarrar em alguém e em pouco tempo, criar lembranças que vão locar espaços na nossa memória.
Existem pessoas que nos lembram lágrimas, que gostaríamos de esquecer, enquanto outras, nos recordam sorrisos e estas deveriam permanecer vivas dentro de nós.

⁠Quando puder me mande um nude (...),
da tua alma,
Se não puder, me mande dos teus olhos.
Se não quiser, tenha sempre neles
o teu melhor sorriso.
Serve também um nude da tua voz,
ou se preferir me conte um segredo,
como fez quando me falou da sua
vontade de voar.
Me diga se quer conhecer estrelas,
se ainda tem sonhos de infância,
ou se tens desejos de mulher.

⁠Se não excita aos olhos
quando vê. Se não arrepia
a pele quando toca.
Se a imaginação não flui desordenada como um rio, quando está próximo, então, provavelmente, é algo fadado
ao esquecimento.

⁠Verso teimoso



Eu não preciso escrever.

Quem se importaria com meus escritos?

Penso então, que talvez seria até bom não escrever.

Mas o verso é teimoso.

O verso é insistente.

Invade feito tisunami as páginas em branco

Trazendo consigo avassaladoras palavras salgadas.

Penso então, que talvez até seria bom não escrever.

Quem sabe não haveria aflição e devaneios ?

Eu não seria incauta ao fantasiar

Meus versos viajando no tempo e no espaço

Cruzando fronteiras

Quem sabe se não escrevesse, a inquietude não existiria ?

Eu olharia da varanda o entardecer de domingo,

Veria tão-somente o entardecer de domingo...

E não um pedaço de tempo passando

Um pedaço a menos de vida.

De nostalgia e solidão não vestiria o momento bucólico da varanda

Esperando, com nostalgia e solidão, a visita da noite

Viver com pesar a morte de mais um dia

Teimosa, mais que o verso,

Então eu escrevo.

Tita Lyra

⁠Por que você me deixou?
Como assim você partir agora?
Resposta para essas perguntas,
por MAIOR que seja,
jamais vai preencher o imenso vazio
deixado em meu coração por você.

⁠Tudo acaba um dia
Um dia tudo acaba
Acaba pelo bem
Ou acaba pelo mal

Acaba pela vida ou
Acaba pela morte

Mas quando acabar,
Algo novo vai começar
Começar a tristeza ou
Começar a novidade

É um fim
É um recomeço

⁠Se pensarmos bem, nossos amigos, parentes, familiares... nem sempre estão presentes em nossas vidas.

Vivemos o tempo todo entre ausências e presenças.

Nosso desespero vem da ausência definitiva trazida pela morte.