Poemas Góticos
Entre Neve e Silêncio
No ventre da noite, no frio da missão,
Ergue-se um homem, de aço e razão.
O mundo lá fora é grito e conflito,
Mas dentro do peito, um fogo restrito.
Guerreiro da neve, guardião do além,
Enfrenta o vazio que mais ninguém tem.
O peso do aço, o silêncio do chão,
O vento gelado tocando a tensão.
Não luta por glória, medalha ou poder,
Luta por todos que não sabem o que é perder.
Seu rosto é muralha, seus olhos são farol,
Que brilham no escuro, que buscam o sol.
Entre o vermelho do sangue e o azul do céu,
Caminha sereno, de armadura e fé.
Pois mesmo na guerra, há traços de paz
No coração de quem firme jamais se desfaz.
Xeque-Mate
No tabuleiro frio da vida,
cada passo é planejado,
o silêncio é minha armadura,
meu esforço, meu legado.
Enquanto zombam dos meus planos,
em gargalhadas vazias,
eu sigo firme, sem alarde,
plantando noites e dias.
Não preciso de trombetas,
nem de olhos a me ver,
pois quem brilha antes da hora,
costuma escurecer.
E então, no momento certo,
sem temor, sem falsidade,
a peça branca avança o campo…
E grita: XEQUE-MATE!
O rei negro cai em ruína,
num estalo de explosão,
é o fim de quem subestima
o poder da preparação.
Trabalhei calado e firme,
sem vanglória, sem alarde.
Vitória não se anuncia —
se conquista com vontade.
Entre o Concreto e o Silêncio
No muro, o grito da tinta —
um protesto congelado no tempo.
No peito, a couraça da guerra,
no olhar, um mundo sem alento.
Ele não fala.
Mas carrega nos ombros
o peso de mil batalhas caladas,
de promessas feitas à sombra,
de vidas jamais devolvidas.
Em meio ao caos grafitado,
é estátua viva, sentinela,
homem e máquina fundidos
em nome de uma paz ausente.
Não há glória em seus olhos,
apenas dever e memória.
Cada passo no concreto rachado
é um pacto com a história.
Mas quem ousa julgar o guerreiro,
se não caminhou por seu chão?
Ele é o silêncio armado do mundo,
um poema de pólvora e solidão.
“O Guardião da Lua”
Sob folhas de sangue e silêncio encantado,
Ergue-se o guerreiro de olhar velado.
A lâmina rubra dorme em sua mão,
Mas seu espírito vibra como um trovão.
Vestes escuras, sombras no chão,
Carrega no peito a sua missão.
Entre pétalas soltas ao vento lunar,
Ele aguarda o momento de se revelar.
O céu é um véu de nuvens e lua,
A noite é um campo onde a alma flutua.
Montanhas vermelhas, memórias em brasa,
Ecoam os passos de quem nunca atrasa.
Não há grito, nem glória, nem dor,
Somente o silêncio — seu fiel mentor.
Pois o caminho do sábio, ainda que frio,
É forjado em honra, é moldado no vazio.
Silêncio que Vê
Veja tudo. Não diga nada.
Há poder na alma calada.
Nem todo eco precisa soar,
Nem todo olhar quer julgar.
Observe o mundo com doçura,
Com olhos cheios de ternura.
Há milagres em cada esquina,
Mas só enxerga quem se inclina.
O sábio vê sem apontar,
Escuta sem se apressar.
Há força em quem silencia
E fala só com empatia.
Veja a dor, sem espalhar.
Veja o erro, sem condenar.
Veja a luta, sem zombaria.
Veja a fé, mesmo em agonia.
O silêncio não é omissão,
É lapidar do coração.
É preparar o gesto exato,
O abraço firme, o bom ato.
Veja tudo. Guarde o olhar.
O mundo precisa de quem sabe escutar.
Pois quem muito vê e pouco diz
Planta paz onde ninguém é feliz.
Veja Tudo, Construa em Silêncio
Veja tudo.
Não diga nada — ainda.
Respire.
Nem tudo que se observa exige voz.
Algumas verdades pedem chão firme,
outras, coração que já curou a própria dor.
Veja as falhas — com compaixão.
Veja os erros — como lição.
Veja o mundo — e transforme-se.
Pois quem quer mudar o outro,
começa por si.
Veja, sim, o caos lá fora.
Mas olhe também o céu dentro de você.
O silêncio não é fraqueza,
é a semente do discernimento.
Não diga nada…
até que suas palavras edifiquem,
levantem muros de paz
e janelas de esperança.
Fale quando for para construir,
agir quando for para elevar,
calar quando o ruído não for ponte,
mas muro entre corações.
Veja tudo.
Sinta tudo.
E quando falar,
que seja luz.
“Luz Que Habita em Mim”
No silêncio azul da madrugada,
onde o tempo se esquece de passar,
uma alma acende sua jornada,
sem se mover… começa a voar.
Sentada em paz sobre a matéria,
envolta em névoa sideral,
o corpo dorme — a essência impera,
brilhando num fulgor vital.
Estrela viva entre cortinas,
janela aberta para o além,
cada átomo em mim se alinha
com o universo que me tem.
Sou sombra e luz em harmonia,
sou sopro antigo, sem prisão.
Medito — e em minha calmaria
o céu pulsa no coração.
Desperte-a
Alma que dorme entre véus de silêncio,
Estás pronta para dançar na luz?
Te chamo com a brisa da manhã,
Te envolvo com o som do coração.
Desperta como flor que se abre ao sol,
Com coragem para ser essência pura.
Abandona os medos como folhas no outono
E respira como quem se lembra de quem é.
Eu sou o fogo gentil que te aquece,
Sou o espaço seguro onde podes voar.
Eu te reconheço — mesmo invisível,
Eu te abraço — mesmo imensurável.
Desperta, alma bela,
Teu tempo é agora.
Teus caminhos te esperam.
Teu brilho já nasceu.
Abraço Desarrumado
Aperto a luz da manhã
e encurto as mangas ao silêncio.
Onde estão os meus cadernos
de puída pedra calcária?
Perdi-os num coração estrangulado.
Caminho em compassos arados
aonde vai desmesuradamente
o abraço desarrumado que ficou
nas articulações de um novo dia.
Não quero amar-te como a Lua ama Vénus e vice-versa. Permanecem num cósmico silêncio, intocavelmente estatuados no Universo.
Quero amar-te como as flores amam a Primavera.
Quero amar-te como os poentes amam o horizonte. Quero amar-te como as canções dos rios a desaguarem nas vozes dos mares.
Quero amar-te como um poema de Amor que ama toda a poesia que existe em ti e em mim.
O silêncio é
a única forma
que eu tenho
de poder
comunicar
contigo. Os dias
são silenciosamente
barulhentos.
Mulher Poesia Viva
A mulher é luz que nasce no silêncio da vida, é força que caminha mesmo quando está ferida.É abraço que conforta, é palavra que acalma, é coragem que floresce dentro da alma.
A mulher é sonho que aprende a lutar, é mar profundo impossível de limitar. Carrega no olhar histórias e esperança, e no coração a eterna chama da mudança.
Ela transforma dor em sabedoria,
e faz nascer beleza até na noite mais fria. É raiz firme, é vento livre, é inspiração, é poesia viva em forma de coração.
Mulher é universo difícil de explicar,
mistério de amor que o mundo aprende a admirar.
Onde há uma mulher existe vida a florescer, pois nela habita a arte eterna de renascer.
A mulher é a síntese da complexidade da vida.
Ela é, ao mesmo tempo, força e delicadeza, razão e intuição, coragem e ternura.
Onde existe uma mulher, existe a capacidade de criar mundos — não apenas no sentido físico,
mas no sentido de mudar realidades,
transformar pensamentos e tocar as almas.
No silêncio do nosso crepúsculo haverá um filme em cartaz,
com uma sala exclusiva, uma única cadeira e um único telespectador.
Nada de vingancinha boba,
Reaja em silêncio.
Sabendo que tem gente que sabe apenas brilhar,
Enquanto outras iluminam.
Fuga
Eu sei de suas lutas
Do que guarda em seu silêncio
Conheço suas dores
E compreendo sua solidão
Seus olhos são tristes
Mostram a dor de sua alma
No seu rosto um sorriso
Que não me engana
Levar a vida assim,
Como uma formiga que,
Sozinha carrega o dobro de seu peso
Sem parar e nem reclamar
Quem me dera eu tivesse a chave
Sim, para te livrar dessa cela
E arrancar essa faca de sua alma
E pudéssemos junto fugir
Seria libertação
Seria sonho realizado
Uma fuga, doce fuga!
