Poemas Fortes

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⁠O Mito de Sísifo

Segundo Camus, o suicídio é o único problema filosófico. Muitos visualizam no suicídio, somente uma maneira de conseguir o que almejam, a saber, extirpar o absurdo da existência. Então, provavelmente, ou é um pico de angústia muito alto, aliado a essa não subjetivação ou um pico, uma angústia contínua e perene que vive como ruído. É um pico de sofrimento tão alto e com pouco recurso para simbolizar esse sofrimento, você tem como defesa, desafetar, ficar em uma lógica um pouco cool, sendo mais da metade Blasé, sendo expert em defesas desinfetantes ou maníacas, indo ao movimento do consumo e se entretém e, quando você entra no olho do furação e enxerga sua própria vida, história, você mesmo não tem recurso, não tem pensamento, não tem formação psíquica, não possuindo conteúdo mental, verbal, simbólico, físico, sem linguagem, potencialidade, se ausentando da inteligência psíquica, cognitiva, para fazer face à vida, e se extingue o conhecimento e a consciência. É muito mais como uma defesa para uma angústia, para um afeto muito avassalador do que uma decisão de que está bom para mim.

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⁠Regionalismo Mineiro

Apito
De trem
Que
Lá vem

Apito
De trem
Que
Envem

Apito
De trem
Faz tremer

Trem
De saudade
Passageira

Trem
Que não
Vai passar

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O Assuntá de Assentados

⁠Um
Gostoso
De
Se sentir
Bem

Manhãs
De domingo
Na pracinha

Turma
De sempre
Reunida

Alí

Assentados
No degrau
Da porta
De aço

Um
Encostar
De corpos

Divina
Sensualidade
Contida

Céus
E terra
Se
Fundindo

Secretos
Amores
Nem tanto...

Tempos
De adolescentes
De
Outros tempos

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Descarrilhado


⁠Natureza
Pra ser
Natureza

Precisa
De quatro
Estação

Trem de ferro
Esse trem

Só de uma
Só uma
E tá bão

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Muita força
Muita força
Muita força

Vou depressa
Vou correndo
Que só levo
Pouca gente

Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

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Solidão Aristotélica


Armei minha solidão
Pra me defender
Do pecado da existência

Sem suprimentos
Matei-me com um sorriso
Morto pendurado de esperança

Fui acusado de ilusão
Meu Paradoxismo
Era muito radical

No final do meu surto
Ninguém sabia dizer
Se fui bom, ou era mau

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⁠Assintomático Hipocondríaco


Mudei para o azul
Talvez para o idiocromático
Não lembro se antes era vermelho
Da cor do meu inexistente

Cabe ao tempo verdejante
Cabe ao viajante
Definir o tom da letra
Que já não era mais preta
De fundo branco

Nem violeta
Era sustenido
Singelo
Mas Franco

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O Atendado em Capitólio



⁠Nem
O comunismo
Da
Guerra Fria

Nem
O atentado
Às
Torres Gêmeas

Foram
Tão ameaçadores
À democracia
Americana

Que
O atentado
Ao
Capitólio

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Atrás da Curva



⁠De
Um tempo

Um tempo
Que
Já não mais

Dopados
De utopias
Viajavam

Viajavam
Ouvindo
Coisas

Jurava
Jura
Ainda

Ter ouvido
Cantor

Cantar
Dublando
Voz de Deus

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Materialista ⁠


Ali
Sentado
Bem
Na pedra
De assuntá

Na trilha
Em que
Trilhanda

E é
Preciso
Trilhandá

No momento
Ali
Pensano

Até onde
Isso
Vai dá

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Há vê Unidas


⁠Ruas
Por onde
Passa

Ali
Novamente
Passando

Vivências
De vida
Vivida

Vividas
Boas vidas
Jamais
Esquecidas

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⁠Amoedo, é tipo um James Bond, cada vez um ator diferente interpreta.

-Candidato do novo, um verbo?
-privatizar

-Um objeto?
-privada

-Um programa de TV?
-Cine privê

-Onde gosta de receber mensagem?
-Privado

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Erasmo e a Porta

É necessário que pela primeira vez na vida, diz Hamlet em todos longos os monólogos, que você consiga dizer apenas o que as coisas são, e para isso, Hamlet teve que se fingir de louco. Porque como escreveu Erasmo de Roterdão e, publicado em 1511, Elogio da Loucura, às vezes é necessário ser louco para dizer o óbvio. Às vezes é preciso ser louco para dizer que todos os problemas que nos são mostrados, são problemas falsos, para que nós não vejamos os reais. Que todas as festas, são um barulho alto para impedir que eu expresse a melancolia densa e profunda da minha existência, e quanto eu mais escrever, potássio, potássio, potássio! É sinal que eu estou triste, triste, triste!

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O Salto Feminino⁠


Acumulador
De
Lembranças

Daqui
Dali
Dacolá

Algumas
Apenas
Lembranças

Consigo
As que valem
Carregá

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⁠Paulo na Ditadura Freire

Conforme o tempo foi passando, a potência da filosofia freiriana cresceu. Seu prestígio se espalhou pelo mundo. O incômodo só aumentou, e os herdeiros da ditadura continuam o perseguindo.
A ditadura que expulsou Paulo Freire do Brasil em 1964, paradoxalmente, ajudou a espalhar sua pedagogia pelo mundo. Como um lutador de aikidô, Freire usou a energia repressiva do adversário como impulso da sua própria força.

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Branco no Preto

A pele recobre a superfície do corpo e apresenta-se constituída por uma porção epitelial de origem ectodérmica, a epiderme, e uma porção conjuntiva de origem mesodérmica, a derme. Abaixo em continuidade com a derme está a hipoderme, que, embora tenha a mesma origem da derme, não faz parte da pele, apenas serve-lhe de suporte e união com os órgãos subjacentes.
Se somos majoritariamente mestiços, aqueles lugares do poder colonizador, podem ser preservados também como recordação dos que ameaçaram e exploraram nossos ancestrais. E quem não é mestiço na epiderme, vive a mestiçagem na experiência cotidiana de alimentação, vocabulário e outras práticas culturais.
Nosso patrimônio histórico vai além de fortalezas, engenhos, salões palacianos, embora devamos preservar, estudar, conhecer esses espaços para melhor entendermos sua importância nas relações sociais. Tal patrimônio, ampliado e contextualizado socialmente, será capaz de nos abranger na complexidade de nossas experiências.
Discutir a Imprensa periódica, que surgiu tão tardiamente em nosso país, é igualmente necessário em termos gerais da História Cultural, diante do caráter ainda mais tardio de uma indústria editorial no país voltada para a produção de livros, donde jornais e revistas ainda se constituírem, naquela época, em núcleos muito importantes de debate intelectual e artístico, além de político, é claro.

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Eu não sou besta pra tirar onda de herói

Você pode brincar com a morte e ganhar dela várias vezes, mas quando ela ganha, é pra sempre. Coragem sem sabedoria é tolice.

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Afasta-se


Em uma rede encostada
Cheiro agreste e pés descalços
És o príncipe leão de si

Será o prazer de seu coração
Juntos somos total emoção
Quase aberto o roupão
Solto o cabelo

Jasmineiros e galhos encurvados
Era um quadro celeste

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Tapete Verde

⁠Trabalhando arduamente
Para conseguir a minha fartura
Todo mundo quer uma emoção
Pagando qualquer coisa
Para lançar os dados
Só mais uma vez

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Praga Bíblica


Não bastasse
O vírus
Também
O fantasma
De Herodes
Não dá
Pra acreditar

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⁠Quando se é Jovem

Ternas
Eternas
Definitivas
Efêmeras
Paixões

Coisas
De morrer
Que só

Nunca
Assumidamente
Declaradas

Segredos
Supostamente
Somente seus

Na incerteza
Ao risco
De tal
Não ser

Sempre
Uma quimera

Tudo
Tão permanente
Quando
Se é jovem

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