Poemas eu To aqui para te Ajudar
Eu, viva e tremeluzente como os instantes, acendo-me e me apago, acendo e apago, acendo e apago. Só que aquilo que capto em mim tem, quando está sendo agora transposto em escrita, o desespero das palavras ocuparem mais instantes que um relance de olhar. Mais que um instante, quero seu fluxo.
Eu ando descalça porque amo a liberdade, amo sentir onde estou pisando. Sou simples, e o simples me possui. Adoro tomar sorvete no frio, e sair que nem uma louca no meio da chuva mesmo sabendo que posso ficar resfriada. Adoro ser simples, pois sempre tive pouco, e mesmo tendo acesso ao conforto, não ligo se tiver menos. Faço de tudo uma eterna festa!
Eu não quero ser o líder. Eu me recuso a ser o líder. Eu quero viver obscuramente e ricamente em minha feminilidade. Eu quero um homem deitado em cima de mim, sempre em cima de mim. Sua vontade, seu prazer, seu desejo, sua vida, seu trabalho, sua sexualidade a pedra de toque, o comando, meu pivô. Eu não me importo de trabalhar, segurando a minha terra intelectualmente, artisticamente, mas como uma mulher, oh, Deus, como uma mulher que eu quero ser dominada.
Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui.
Assuma a bagunça que eu sou sem tentar me arrumar, não serei sua, não serei séria, não estarei sóbria.
Se minha saudade te gritar e meus olhos não te vêem, em meus pensamentos estarás, para assim eu poder dizer que sinto a tua falta...
Eu tentei. Só que tentar e esquecer não são duas coisas que funcionam bem juntas. E, mesmo tentando, minhas mãos continuaram buscando teu corpo, em outras pessoas. Meus olhos, desesperados, ainda procuravam pelo teu rosto no meio da multidão. Ouvi mil vozes, procurando o timbre da sua risada. Roubei diversos corações, mas não foi a mesma coisa. E assim eu sigo, só… Tentando. Tentando, andando e continuando. Te aviso quando conseguir.
Eu vejo a dor deles, e de um certo modo eu compreendo essa dor. Só não consigo sentir a dor.
Por favor, quando eu morrer não me elogiem ou chorem ou me deem importância, seria uma enorme ofensa para mim. Não quero que me mostrem o quanto sou valorosa morta.
Éramos dois e contrários.
Ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio.
Eu prefiro os dias chuvosos, as noites escuras, os corvos e os lobos negros.
Acho que há algo obscuro dentro de mim.
Cada um tem de mim o que merece. Eu sei amar, cuidar e valorizar. Mas também sei desprezar, humilhar, ignorar e esquecer.
Você está certo em exibir ao mundo tantos dentes e tão brancos. Eu é que estou errada quando paro um pouquinho para olhar com tristeza esses sustos do amor. Não tem mais você tirando sarro quando eu não aguentava a dor no peito e te dizia no escuro que era mais ou menos amor mesmo. Porque era. Porque é. Se você soubesse o estado que estou agora, zumbi, pegando detalhes seus por aqui, e doendo tanto que nem sei mais por onde começar. Eu não aguento mais começar. Queria tanto continuar. Não sei, não aguento, ainda não posso, mas queria continuar.
Às vezes imagino como seria... Se tudo que está escondido dentro de mim fosse revelado. Eu jamais saberei, vivo me escondendo. Minha sobrevivência depende disso.
