Poemas e Poesias
ARCO-ÍRIS
E assim se deu, o nosso caso de amor
como uma flor que desabrocha no asfalto
agora um arco-íris se pintou
e assim se deu, o nosso caso de amor
a minha vida, quadro cinza na parede
agora um arco-íris se pintou
e assim se deu, o nosso caso de amor
ao seu lado, o meu mundo se transforma
contornos viram formas, desenhos de asa e flor
e assim se deu, o nosso caso de amor
nos seus braços tudo fica rosa
meu verso triste vira prosa
não leio mais Rimbaud
e assim se deu, o nosso caso de amor
quando você fica sem pressa sem razão
o amargo do café se adocica
como um caramelo de paixão.
Eu amo a noite, quando tudo cala
E eu posso ouvir seu coração e a sua alma,
Suavemente dizerem que o barulhinho da chuva
Tem a melodia eterna da verdade.
Abraçados, como conchinhas do mar
Sabemos o segredo do amor, a paz nos domina.
É quando tudo se completa e nós somos um
Apenas um repleto, saciado de ternura e afeto.
ALGUÉM PARA AMAR
Eu sempre amei
não tive medo
mas ninguém quis
compartilhar.
Pois o amor
é um Ministério
que ninguém
sabe explicar.
Alguém para amar
é o que queremos
alguém pra cuidar
do coração.
O barco e um rio.
Nascente,
Um barco forte, impávido
Desce sem receio,
Avança em busca do horizonte
Segue firme, destemido, desbravando o rio.
O barco sabe dos perigos da viagem
Mas ignora a força do seu condutor bravio.
Rumo ao desconhecido, o barco não se cansa
Almejando a liberdade e a contemplação
Do sol radiante da esperança.
Antes da aurora esperada
Vem as intempéries da distância
O rio se torna ameaçador.
E o barco, mais surrado a cada dia
Preste a naufragar, com furos no casco
Escuta um pássaro triste cantar e avalia.
Rio e barco não se entendem mais
Um quer a foz, outro quer o cais
Um sabe que chegando ao fim retorna
O outro nada sabe de outro rio
De outra noite, de outro pôr-do-sol
Só há uma dúvida voraz, assim o barco afunda
Na ilusão e na desesperança
Na ideia obscura da fragilidade fatal, desiste
Enquanto o rio mergulha no abismo
E encontra a paz.
Evan do Carmo
Relembrar é morrer
a vida que não temos mais
um barco esquecido no mar
de saudade que ficou ao vento
no esquecimento dos temporais
relembrar é voltar ao passado
e saber que aquele cais já não existe
só o que persiste é a ilusão
em um lugar inatingível
que engana os incautos
relembrar nunca foi viver
só se vive uma vez
sentir saudades é voltar
ao que se perdeu no tempo.
DICA DO EDITOR, QUE POR ACASO TAMBÉM É POETA.
A idade me ensinou verdades duras, verdades que não são fáceis de atingir os imaturos, que, no afã de se auto afirmar como artista, sobretudo como poeta, acham que escrever muitos livros ou ganhar concursos pode fazer sua obra se tornar grande e imortal.
Penso, hoje, que todos nós temos apenas um livro para ser escrito. Não será a quantidade produzida nem o reconhecimento contemporâneo que farar alguém imortal nessa seara.
Escrever poesia, com intuito de se tornar grande, rico, famoso, importante, por ter publicado tantos livros. Ah, meus caros irmãos, não é isso que busca um poeta consciente da sua humilde contribuição nesse campo. Apenas o tempo, através da história será capaz de julgar uma obra, quanto à sua importância Temos tantos exemplos para quem se interessa em estudar o tema.
O clássico, mesmo póstumo, muitas vezes só descoberto décadas depois da morte do seu autor, pode emergir para respirar entre os importais neste campo árido que é inserir a arte na alma humana para sempre.
Temos apenas um livro para escrever, então não gastemos nosso preciso temos em falar bobagens que não acrescenta nada ao que já foi dito pelos mestres; estudar e se recolher, pode ser a grande saída para quem sofre este mal, o mal de querer ser mais importante do que é. Quem sabe assim podemos encontrar nossa própria voz, lá no fundo da alma, onde até agora não tivemos coragem de entrar.
Evan do Carmo 18\02\2021
Ah, o amor,
é assim tão previsível
todo mundo pode ver,
quando você ama
não se engana,
não se engana.
Ah, o amor,
o que muitos querem ter
não é fácil encontrar
mas quando você ama
não se engana, não engana.
Ah, o amor
não se canse de esperar
mesmo que ele não chegue
continue a procurar.
pois quando você ama
não se engana, não se engana.
Só, o amor,
Faz a vida florescer
Dá beleza ao por do sol
E sentido ao amanhecer
pois quando você ama
não se engana, não se engana
DELÍRIO NOTURNO
Dorme, dorme o meu amor,
no silencioso abrigo do meu coração.
Nesta noite de afago eterno,
queria tanto estar nos sonhos dela.
Mas quem pode imaginar
O que ela sonha?
Se com um príncipe ou com um plebeu.
Enquanto ela dorme eu penso no que seria de mim
Longe dessa imensidão do mar que nos separa.
Se pudesse toca-la e afagar seu cabelo
Se mesmo em sonho
Eu pudesse revelar todo meu amor,
e o meu desvelo.
Mas há a noite e o meu delirar noturno.
Um mar e uma eternidade entre nós.
Inspirado na obra Noturnos de Chopin
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
ECOS
Se a palavra me encanta
Eu sou encantado
Num verse que vem
Lá do coração
Fazendo da rima
Razão dessa vida
Eu sigo essa trilha
Sem perder a mão.
Não digo obrigado
Porque eu não sei
De onde é que vem
Essa inspiração
Apenas eu vou
Seguindo o caminho
Como um passarinho
De arribação.
Olhando pro céu
Vejo o infinito
E do silêncio
Eu escuto grito
E tendo o meu resto
De pranto banhado
Fico admirado
Com o inaudito.
Na beleza humana
De um homem que sofre
Mas no sofrimento
Encontra razão
Eu um simples humano
De essência tirana
Não percebo a gana
Da humanização.
Não vejo o amor
Nos olhos de quem
Diz que a filho ama
Porém escraviza
E em nome talvez
Do que chama progresso
Em um retrocesso
Me tira a camisa.
Sou apenas tristeza
Nas coisas que digo
Não sirvo de abrigo
Para a ilusão
Porque ancorado
Na realidade
A dor me invade
E me rouba o perdão.
Amor, o q falar do amor? Muitos dizem que amor é uma sensação entre 2 ou mais pessoas, mas será que é mesmo isso?
O amor parece ser uma coisa muito estranha, que te prepara para a vida ou te deixa traumas, mas pq que o amor tem que deixar traumas? Se é apenas amar alguém...
Muitos falam sobre o amor na adolescência, mas poucos sabem ou sentem qual é a dor de perder a pessoa que você mais amou, e poucos sabem a sensação de perder os sentimentos pela pessoa que tu amaste realmente, mas será que isso ainda continua sendo amor? Ou apenas um sentimento que nunca foi explicado, que tenta encontrar alguém que realmente ama? Não sei dizer, mas sei que amar dói...
Tempo perdido que não volta mais.
Aqui sozinha no meu quarto e ninguém mais.
O clima lá fora está frio.
Névoas a esvoaçar, mas não me importo com a neblina já que é assim a me agradar.
Apesar da algidez do dia ouço cachorro latindo, crianças gracejando, gangorra da praça a ranger.
E eu aqui pensando o que poderia ser melhor sem meu aparecer.
Quando tenho que ir?
Eu não quero, não partir.
Quero viver a vida...
Viver o que não vivi
pois, a muito tempo já percebi que morri.
Quero banhar-me ao mar no verão.
Sentir minhas pernas trêmulas no chão.
De ganhar um beijo roubado...
Pernoitar ouvindo o som na balada
Curtir a revoada da madrugada.
Ver felicitamente o raiar do dia
Ouvir a melodia de um bom dia...
Voltar para casa sem me lamentar
Fazer com que aqui se torne um lar doce lar.
Seria ele a culpa?
Seria ele minha amargura?
Não sei por exato...
Mas, ele é uma pedra no meu sapato.
É minha reclusão, minha repressão.
É o motivo da minha depressão.
É ele o alguém a findar minha liberdade...
Tarde quente. Angústia no ar...
A janela aberta é um atrativo para se jogar.
Deitada na cama pensando na vida...
Lembrando e se depravando com o passado não vivido.
Desnorteio-me com o tempo atual.
Fecho os olhos. Tento dormir mais um pouco.
Dessa vez não quero acordar.
Meu sono é turbulento...
Mesmo assim, a realidade enquanto acordada é mais perniciosa.
O meu tempo presente é a vida que vai passando...
A saudade que vai batendo...
A angústia que vou vivendo.
Amar é ver as cores do arco-íris mesmo quando o sol não brilha sobre gotas de chuva.
Amar é sentir borboletas no estômago.
Amar é quando seu pior momento sobreleva-se aos seus momentos ruins.
Amar é enaltecer a alma. É sentir o coração eufórico.
Amar é a condição de encontrar-te satisfeito fisicamente e mentalmente, é sentir-se seguro e confortável... É aquela sensação de bem-estar.
Em suma, se amar virou "coisa" de gente corajosa, então as pessoas têm medo de serem felizes, pois amar é sentir a felicidade subitamente.
O começo é o final de uma história.
No fim de um fato começa uma trajetória.
Como posso encetar? O que posso narrar?
Sentada de baixo de uma árvore pensando em alguém para me inspirar.
Aquela vontade de estar perto de quem está longe.
Ah!!! Isso é sempre, isso é constante...
Esse sentimento é uma iluminação.
Ao chegar em casa torna-se expiração.
A noite já faz presente.
A noite um compromisso.
A vontade é de não presenciar. Só que lastimavelmente não posso prevaricar.
Ah que dor pungente
Que afeta toda gente.
Que afeta minha alma.
Que tira minha calma.
Ah que nó na garganta...
A vontade de chorar é tanta.
A indisposição faz adentrar.
E nada, nada pode me animar.
Ah... Por que essa carência?
Por que o tédio?
E a ausência?
Por que a melancolia?
Em mim, cai uma lágrima triste.
Logo penso que a felicidade não existe.
Ó que sufoco...
Que ausência de tranquilidade...
Esses sentimentos sempre levam a minha enfermidade.
