Poemas e Poesias
A Trindade do Eu
No centro onde o nada é proibido,
Ergue-se o trono do ser incontido.
Ali reina aquele do meio, verbo e sentença,
A mão que molda, o olhar que dispensa.
Na sombra à direita, o silêncio respira,
Frio como aço, sussurro que delira.
É a mente que nunca vacila,
Que lê o caos, destrincha e destila.
Olhos de cálculo, voz sem paixão,
Diz: “Aqui há padrão, aqui há razão.”
Nenhum suspiro escapa despercebido,
O que está à direita vê o invisível escondido.
Mas à esquerda... ah, à esquerda há fogo,
Labaredas que dançam, desejo sem rogo.
É o faminto, o ardente querer,
Que ama, que odeia, que vive pra ter.
Risos quebrados, pupilas em chamas,
Quer tudo, devora, acende mil tramas.
Se o que está à direita mede, o da esquerda quer possuir,
Transforma em fascínio até o que é porvir.
E então, no meio, aquele se ergue,
O Juiz, o Criador, aquele que segue.
Recebe dos lados o dado, o desejo,
E cria o caminho, o mundo, o ensejo.
Não ama, não teme, não sofre, não chora,
Ele escolhe quem vive, quem some, quem mora.
O da direita aponta, o da esquerda quer incendiar,
Mas é o do meio quem decide... quem faz colapsar.
Três em um. Um em três.
O da direita, o da esquerda, e o do meio a comandar,
A dança do Eu, o fluxo a pulsar.
Aqueles se ajoelham, imploram, suplicam...
Mas só o do meio… decide quem fica.
*Querida Rosemary*
Querida Rosemary,
tu me encantaste com teus elogios
e com os olhos que refletem a lua —
tão fabulosos, tão enigmáticos,
que me arrepiam a alma.
Mas, ah, como os amo...
Oh, sim, eu os amo demais.
Rosemary,
tu não me amaste
com a mesma febre que me consome,
mas sabes que sou sincero
quando sussurro que te amo.
Oh, Rosemary,
por que brincar com meu peito frágil?
Por que iludir um pobre poeta
que só queria ser teu verso favorito?
Tu és egoísta,
mas, ainda assim,
te amo com a força de mil tempestades.
*Oh, Rosemary*
Oh, Rosemary,
eu sinto a dor que te pesa,
e embora não possa carregá-la por ti,
saiba que meu amor é sincero,
tão imenso que me sufoca,
tão profundo que escapa das palavras.
Amo-te ao ponto de querer parar o tempo,
de desejar que o dia nunca acabe,
só para ouvir tua risada
ecoando em meu peito,
só para amar-te mais uma vez.
Oh, minha querida Rosemary,
se meu amor fosse feito de horas,
o relógio jamais se calaria.
Eu soube que era amor quando senti que não precisava de ti, mas ainda assim te escolhia
não por ausência, mas por presença,
não por carência, mas por essência.
Você é meu presente raro,
Tesouro doce e valioso,
Um diamante lapidado,
Brilhante, puro e precioso.
Deus, em sua infinita bondade,
Me deu você com tanto amor,
E desde então, a felicidade
Floresce em mim com seu calor.
Imenso céu azul
E essas nuvens que vagueiam pelo céu a esconder o imenso e azul véu.
Olho e vejo formas.
Às vezes formas disformes que nada formam ao meu olhar.
Um amontoado a mudar de forma e posição...
Sigo entre esses sentimentos diversos.
Queria colocá-los em versos.
Mas eles vão mudando... se transformando... outras cores tomando.
Nunca chego a um porto.
Não jogo âncora ao mar.
Estou eternamente a navegar.
Ondulante respiração.
Acelerado o bater do coração.
Ondas a me jogar... daqui pra lá... de lá pra cá.
Alternância entre o alto e o baixo.
Alternância entre a paz e o desespero.
Quero um lugar de calma pra minh’alma repousar...
Do lado de lá do mar?
Em outra geografia?
Na poesia?
Dama do Campo
Tu és do campo, da terra e do sol,
Das águas claras, do canto do arrebol.
Teu coração pulsa em ritmo sereno,
Na simplicidade que torna tudo pleno.
Carregas amor no olhar, tão profundo,
Pelos bichos, pela vida, por todo o mundo.
Teu toque é cuidado, tua alma, dom raro,
Mais preciosa que o mais puro amparo.
E eu… sou mistura, sou meio cidade,
Mas me fiz do campo, busquei a verdade.
Nas campinas verdes encontrei o sentido,
Na estrada de terra, o meu chão preferido.
Amo o riacho que corre entre vales,
A vida que brota em seus muitos detalhes.
E por esse mundo que é feito de ti,
Dou minha vida, meu sonho, meu sim.
Ah, meu amor… se soubesses o quanto,
Se entendesses meu silêncio e meu canto…
Até meu sangue, se fosse preciso, eu mudaria,
Só pra viver no mundo que é tua poesia.
A Boina, a Beleza e o Belo
Usar boina em Fortaleza é feito ser cristão de verdade.
Chama atenção, precisa de coragem e é lindo.
Alguns vão olhar para a beleza, querê-la para si e imitar.
Outros vão caçoar: ‘De boina no calor?’
Pena! Presos nos padrões da terra, não sabem como vale a pena suar pelo belo.
Não vejo o frio como ausência de calor.
Na forma mais poética de enxergar o mundo,
é o jeito do inverno falar sobre o amor:
aqueçamos nossos corpos no abraço.
Vem, deita, se aconchega.
Fica mais um pouco.
Teço versos com delicadeza,
Embarco nesse mar de sutilezas,
Crio laços de pura magia,
Entre palavras e poesia.
A conexão que nos une é intensa,
Numa dança poética, imensa,
Das palavras surge a identidade,
E a criatividade em sua plenitude.
Somos artistas desse universo,
Compondo o roteiro do verso,
Projetando sentimentos na tela,
Em cada gesto, em cada janela.
Como uma festa de Halloween,
Cada palavra é uma cena,
Numa entrevista com a emoção,
Nos preparamos para a evolução.
Que a poesia seja nossa guia,
Nessa jornada de pura sinfonia,
Onde a arte e a vida se entrelaçam,
Num poema que eternamente abraça
A Trapezista
Tua presença sempre foi de altura,
leveza que desafia a gravidade,
um salto no vazio —
sem medo,
sem rede,
como quem nasceu para voar.
E eu, aqui embaixo,
no chão firme das palavras,
apenas te assisti:
dançar entre os arcos do ar,
girar entre os cabos invisíveis,
flutuar como quem não pertence a lugar nenhum.
Teu nome, nome de trapezista,
já anunciava a tua sina:
voar, encantar, desaparecer.
Fui plateia e fui aplauso,
fui silêncio e fui espera.
Olhei teus saltos,
teus riscos,
tua beleza suspensa,
sabendo que, um dia,
o espetáculo acabaria.
E acabou…
mas o picadeiro da memória permanece armado,
as luzes seguem acesas,
e teu vulto, tão etéreo,
ainda atravessa os meus pensamentos
num voo perfeito,
num giro interminável.
Se um dia voltares,
não precisas de rede,
nem de cordas,
basta o espaço entre meus braços
pronto,
aberto,
para te acolher no pouso
ou te lançar,
outra vez,
ao céu.
A raiz é o chão que sustenta,
Onde cresce forte,
Onde se alimenta.
É a terra que dá vida e faz florescer.
A terra é o mercado do céu,
Conexão enraizada no solo,
Onde podemos voar.
Um abraço não se esquece
Aquele abraço
longo inesquecível
Sabor de despedida
Nos seus braços me aninhei
Muitas lágrimas derramei
Em seu ouvido sussurrei
Nos seus braços sinto segurança
carinho e afeto indefinível
Abraço que apaga tristezas
afasta incertezas
Ah, o seu abraço
tem um valor
que não dá para medir
Eu só consigo sentir .
abril/ 2024
editelima 60
PROPÓSITO
O propósito é a melodia singular que ressoa em nossa alma, o fio condutor que dá sentido a cada passo e ilumina o caminho. Não é um destino fixo, mas a constante busca por alinhar nossas ações e paixões àquilo que realmente importa, nutrindo a essência de quem somos e a contribuição que desejamos oferecer ao mundo.
Ser
Ser
o que é
e despertar
no outro
ser
a recordação
viva
que sempre
foi ninho
para ser
o melhor
de ser
dois
sem nunca
deixar de ser
um ser
vôo
livre
porto
seguro.
1939
a fusão, a dissonância. os conceitos básicos da vida humana.
Fusão lhe da presentes. enquanto dissonância lhe da bombas.
fusão é nazista enquanto dissonância é judeu. fusão é branco. dissonancia ‘’tem cor’’.fusão executa, dissonancia sofre. a vida é injusta. dissonancia sempre perde....
dissonancia é sutil. mas não é respondida com sutileza.
Fusão é hostil mas não é respondida com hostilidade
‘’a perenidade disso é como um símbolo. tão inefável mas tão presente.’’
Futuro morto
No futuro ‘’quem são vocês?’’ perguntará a existência.
Ratos Imundos?
Baratas cascudas?
Cobras descoordenadas?
Lacraias pérfidas?
Não, a resposta é simples. Os magnânimos HUMANOS haja visto o anterior
a ancestralidade despedaçada em lágrimas
vulgares, dilacerada por mãos de quem um dia
já teve alma
Liberdade sem fim
Ata-me por minha paz sem fim
não é crime não ser criminoso
as barreiras me consomem
paz é liberdade
banem me
por não querer criar
um holocausto um breu
no fim do túnel
inundado por escuridão
escuridão do que
um dia
foras nomeado planeta...
NOBRE FIDALGA A POETIZAR
Nobre homem cerra os ferrolhos.
vulgar olhar pedalar da morte.
descem brumas sobre os olhos
vulgo… salvador seras o ceu seras o mar..
tua brisa que à salvará…
serás a terra sublinhada em tais raízes
Raízes fidalgas da nobre a poetizar!
