Poemas e Poesias
Profecia
Um dia serei poeta para todos
Tenho certeza do que lhes afirmo
Ainda que me desconheçam os povos
Um dia saberão os versos que lhes rimo
Por enquanto sou um laguna-ninguém
Conservador de contos, romances e poemas
Mas no dia em que eu for descoberto por alguém
Os meus textos substituirão cafés e cinemas
Não que me julgue o melhor dentre os piores
Mas escrevo o suficiente para um dia o ser
Agora não sou, mas inspiro-me nos melhores
Com eles muitas coisas me pus a aprender
É o dom que sem sementes em mim germinou
Não importa o tempo que terei que esperar
A verdade é que um dia serei o que sou
Poeta do povo com mil rimas para vos adornar.
Profecia
Um dia serei poeta para todos
Tenho certeza do que lhes afirmo
Ainda que me desconheçam os povos
Um dia saberão os versos que lhes rimo
Por enquanto sou um laguna-ninguém
Conservador de contos, romances e poemas
Mas no dia em que eu for descoberto por alguém
Os meus textos substituirão cafés e cinemas
Não que me julgue o melhor dentre os piores
Mas escrevo o suficiente para um dia o ser
Agora não sou, mas inspiro-me nos melhores
Com eles muitas coisas me pus a aprender
É o dom que sem sementes em mim germinou
Não importa o tempo que terei que esperar
A verdade é que um dia serei o que sou
Poeta do povo com mil rimas para vos adornar.
E a lágrima brota no canto dos olhos
O nó sobe à garganta
Engole seco e molha o rosto
A saudade que aperta
A dor que lhe machuca
A tristeza que espanta
A distância que não se encurta
As lembranças que não se apagam da memória
Momentos que passaram
De pessoas que se vão
Só resta a lágrima, a dor
Pra confortar a alma e o coração
Dormir para quê?
Tantas coisas boas para fazer
Tantos lugares para conhecer
Tantos livros para ler
Ah insônia...
Onde anda você.
O uso e o abuso do amor.
O amor,
serve pra transpor,
pra superar ódio e rancor,
pra salvar-nos todos,
de mágoas e outras dores,
pra sucumbir,
lavando a alma,
vivendo novos sabores.
Mas claro!
Tem gente que estraga,
faz da palavra amor,
uma desculpa,
pra torturar,
manipular a pessoa amada.
Jogando-lhe culpas,
mentiras diárias,
misturando ternura,
com tapas na cara,
uma palavra doce,
com doze amargas,
um unhar que arrepia,
com o fio da navalha.
Por isso cuidado,
sim cuidado,
cuidado com o rancor,
cuidado com o amor.
Na raiva, tenha cuidado,
no amor, seja cuidado.
Quando você me olha, meus olhos que riem
Não consigo desviar o olhar,
não consigo fingir...
Puxa como eu gosto de você,
não consigo desgostar...
Quando você me olha, meu coração pula,
muda de lugar..
OUÇO SUA VOZ COMO UM SUSSURO, FICO PARADA,
MAL CONSIGO RESPIRAR...
E, o jeito que você me pega,
tão docemente,
me acalmo,
me calo,
não consigo falar..
E o seu sorriso desajeitado me beija,
não consigo...
respirar...
então você me derruba,
me esparrama em seus braços...
Sabe o que eu temo,
é
um dia eu desmair,
ou morrer em teus braços...
...
O cego fez amor com a surda
Foi em 14 de Fevereiro
Quando em plena tarde
Um cego barbeiro
Caminhando pela cidade
Ouviu um disparo
O que não é raro
Pessoas, carros e animais
Ficaram desnorteados
E algo visto jamais
Deixou muitos espantados
No momento de terror
Pornográficas de cenas de amor
Analfabetas gargalhadas
No local se fizeram ouvir
Afinal quem já estava nas escadas
A tentar lhes impedir
Era um guarda mas não conseguiu
O cego chorou e a surda sorriu
Pensaram que a tivesse violado
E puseram-no as algemas
Ela disse não, ele não é o culpado
Sem me ver abriu-me as pernas
E quando queria as fechar
O autorizei as …
Para quê palavras de amor?
Para quê palavras de amor
Se é tudo falsidade
Só para causar dor
A quem ama de verdade
Baixas atitudes e bundalíticas
Já nem são mudos que usam mímicas
Enganam-se uns aos outros
Porque não sabem o que é amar
E transformam-se em monstros
Monstros só por falar
Mentes atrofiadas já sem sapiência
“Sexopatia” amor com demência
Adornam-se com elogios
De um nítido fundo irónico
Mas como ter lábios macios
Se o maciço dos mesmos é crónico
Criam palavras mas sem raízes
O amor é justo e não são felizes
Então, para quê dizer amo-a
Sabendo que não
Ainda iludi-a
Na minha canção
Se o fim será separação
Mulheres diferentes mesmo semelhantes
Não há não
Duas mulheres iguais em toda a criação
Ou sobrancelhas a menos ou cabelos a mais
Não há, de certeza, duas mulheres iguais
Florzinha todas tem
E é o próprio das mulheres
Seios algumas
Ancas, nem todas
Umas são atraentes
Inteiras, partidas
Donzelas, independentes
Outras nervosas
Redondas, aguadas
Macias, bondosas
Fibrosas carnudas
Nas formas presentes
Nos actos distantes
Mesmo semelhantes
São sempre diferentes
Algumas preferem trabalhar deitadas
E descansar em pé.
Saúda
Se me não lembrar de ti
Que apague-se-me a memória ao meu cérebro
Para que não me lembre do dia em que te esqueci
E nunca me seja suave recordar do que vivi
Apague-se-me a língua ao meu paladar
Para que nada dela às outras eu possa dar
Se me não lembrar dos teus lábios nos meus
Que não me haja diferença entre a luz e as trevas
E que os meus passos sejam como ondas fugitivas
Que não só seja incluso no livro dos ateus
Como também no livro do anticristo
Para que pelo amor jamais seja visto
Se me não lembra de ti um dia
Que a paz e a harmonia se transformem em nada
E a fonte que nos unia seja despedaçada
Para que não hajam lembranças de alegria
E por último que eu morra e não ressuscite
Para que nunca te esqueça eternamente
Se eu pudesse viver sempre
Amava a luz, a paz
E o brilho do teu ser
Amava afrente, atrás
Até o que não posso ver
Amava-te em verdade
Verdade e transparência
Se eu pudesse viver sempre
Não só te ofertava o meu amor
Como também o meu sabor
Pois para sempre te ofertava
Sem receio nem recreio
Servia-te como que por eterno
Mas, tarde ou cedo morrerás
Beberás do liquido da morte
E nunca mais serás a mesma
Como posso te amar eternamente?!
Se um dia a morte te acolherá
O que será de mim ou de ti
Quando um partir
Se na inexistência habitaremos
Mais vale morrer para amar
Do que morrer deixar um amor
Declaração de amor
Amor! Sempre ouvia dos amantes
Os que sem saber mau uso do mesmo faziam
palavras raras e florescentes cuspiam
mas quando vi os teus gestos rutilantes
o sol do verão transformou-se em brisa
e das entranhas da paixão nasceu Isa.
Mulher que Deus amou e me enviou
para que do amor que há entre nós os dois
nasçam rios de água pura que correra depois
e alimentara relações de quem sonhou
um dia ter na vida aquele alguém
que tanto o ama, e ele o ama também.
Eu! Amar-te-ei com a força do universo
renegando o distante só para te ter por perto
cantando de amor num silêncio desperto
para que sintas harmonia em cada verso
amar-te-ei na alegria e na tristeza
pois eu amo o nosso amor! Minha fortaleza.
Vivo em um mundo diferente.
Em um mundo que poucos compreendem e entendem.
No meu mundo há coisas inexplicáveis, mas sei que ainda vou descobrir.
Lá o tempo não envelhece, somente a minha pessoa.
Quando saio desse mundo, volto para outro, que não faz parte de mim, pois ele é igual á todos, e eu prefiro o diferente.
Era apenas um sonhos,
desses que você imagina...
acorda sem....
mas meu plano não era me apaixonar por você...
então você me olhou...
e me deu asas...
..
Mar adentro
Mar adentro
Vida afora
E agora
Será que hora da embarcação partir?
Onda leva
Boa nova trás
Que lá do além do mais
Uma boa notícia pra gente sorrir
Barco vai
Barco vem
Atraca no porto
E quando vai deixa pouco por aqui
Levanta vela
Sopra vento
Rastro n´água
Caminho aberto ou tempestuoso
Maré calma
Maresia
Corroem a realidade
Reconstroem sonhos profundos
Além do caos
Longe do cais
Tudo é mundo
Todo mundo faz de conta que é deus
Na beira do mar adentro
O silêncio da saudade
O esperar de quem está pra chegar
De quem foi um dia a vida afora
Terra a vista
As águas salgadas
Ficaram prá trás
Agora são ondas quentes dos braços morenos
E eu...
Sou marinheiro sou pirata
Te trago tesouros e vinhos d´outras bandas
Trago canções de netuno e esta pele seca de sol
E eu...
Quem sou eu?
Sou seu peixe grande
Preso na tarrafa que você teceu
Viajo mar adentro
Dentro de você
Meu misterioso mar
Mar meu ora fora ora dentro
Minha paixão
O mundo precisa girar
O meu precisa
Preciso navegar
Sem direção pra qualquer lugar
Mas é preciso
É preciso o movimento
A queda
O levantar
Eu preciso dizer que te amo
E depois dar um abraço de adeus
- Até nunca mais.
Preciso sair do lugar
Estar aqui
Neste ponto
Eu preciso
E logo fugir pra outro lugar
Preciso sorrir e chorar
Começar uma história
De faz de conta
Mas terminar como um fato consumado
Apesar de tudo que é posto
Das leis criadas sem meus consentimentos
Eu preciso ser contraditório
Tenho a necessidade imensa de não andar nos trilhos
Eu preciso me perder
Perder-me em seu corpo
Capotar em suas curvas
Morder a sua boca até sangrar
Preciso chutar o bouquet de flores
Cuspir nos poemas de Neruda
Se irritar com Drummond
E dizer que qualquer um pode ser Pessoa
Dançar valsa num samba do Chico
Eu preciso me afogar no mar de oxigênio
Embebedar-me de paixão
No copo de Vinícius
E depois...
Bem depois
Cansado de fazer tudo o que não é preciso
E não ganhar nada com isso
Dormir nos braços brancos e escuros
Da Lua minguante
Feliz por ter sido precisamente eu
