Coleção pessoal de Borgys

Encontrados 8 pensamentos na coleção de Borgys

Divagações

Pra quê
Pra onde e pra quando...
Caminhos sinuosos
Estreitos e pontes
Alguém ao norte espia
O que ainda reflete no sul
Placa torta
Tudo importa
Quando não há desatenção
Atento se tenta
Pras variáveis divagações da vida
Versejo aparentemente abrupto
Mas com direção
Endereço certo
Papel apertado na mão
A busca
A conquista
Tudo no rumo
Em direções
Que só se sabe
Pondo o pé pra caminhar
As horas nos sopram rugas na cara
Mastiga o presente
Cospe passado
E cozinha o futuro
Tudo é céu
Que tem nuvens
Que trazem chuvas
Ou sombras
Mas que passa
Como tudo passa
Incrível!... como tudo passa

Mar adentro

Mar adentro
Vida afora
E agora
Será que hora da embarcação partir?

Onda leva
Boa nova trás
Que lá do além do mais
Uma boa notícia pra gente sorrir

Barco vai
Barco vem
Atraca no porto
E quando vai deixa pouco por aqui

Levanta vela
Sopra vento
Rastro n´água
Caminho aberto ou tempestuoso

Maré calma
Maresia
Corroem a realidade
Reconstroem sonhos profundos

Além do caos
Longe do cais
Tudo é mundo
Todo mundo faz de conta que é deus

Na beira do mar adentro
O silêncio da saudade
O esperar de quem está pra chegar
De quem foi um dia a vida afora

Terra a vista
As águas salgadas
Ficaram prá trás
Agora são ondas quentes dos braços morenos

E eu...
Sou marinheiro sou pirata
Te trago tesouros e vinhos d´outras bandas
Trago canções de netuno e esta pele seca de sol

E eu...
Quem sou eu?
Sou seu peixe grande
Preso na tarrafa que você teceu

Viajo mar adentro
Dentro de você
Meu misterioso mar
Mar meu ora fora ora dentro

Minha paixão

O mundo precisa girar
O meu precisa
Preciso navegar
Sem direção pra qualquer lugar
Mas é preciso
É preciso o movimento
A queda
O levantar
Eu preciso dizer que te amo
E depois dar um abraço de adeus
- Até nunca mais.
Preciso sair do lugar
Estar aqui
Neste ponto
Eu preciso
E logo fugir pra outro lugar
Preciso sorrir e chorar
Começar uma história
De faz de conta
Mas terminar como um fato consumado
Apesar de tudo que é posto
Das leis criadas sem meus consentimentos
Eu preciso ser contraditório
Tenho a necessidade imensa de não andar nos trilhos
Eu preciso me perder
Perder-me em seu corpo
Capotar em suas curvas
Morder a sua boca até sangrar
Preciso chutar o bouquet de flores
Cuspir nos poemas de Neruda
Se irritar com Drummond
E dizer que qualquer um pode ser Pessoa
Dançar valsa num samba do Chico
Eu preciso me afogar no mar de oxigênio
Embebedar-me de paixão
No copo de Vinícius
E depois...
Bem depois
Cansado de fazer tudo o que não é preciso
E não ganhar nada com isso
Dormir nos braços brancos e escuros
Da Lua minguante
Feliz por ter sido precisamente eu

Ratos roem a minha significância

Pra todo defeito
Posso ser a solução
Pra tudo que não é direito
Posso ser a perfeição

Os ratos da madrugada
Roem a minha significância
Sou alma penada
Em busca de relevância

Mostro meus pulsos
Cicatrizes de amores sofridos
Do paraíso fui expulso
Por ter mordido o fruto proibido

A explicação só atrapalha
Prefiro as perguntas
Pra tudo que não se espalha
Sou aquele que desajunta

Fruta de amor-perfeito

Na árvore de sonhos
Até a fruta de amor-perfeito
Uma hora ou outra, apodrece e cai.

Mesmo que ainda haja amor

É evidente que todo relacionamento é marcado de bons e maus momentos. é maduro saber que quando os maus momentos tomam mais tempo que os bons momentos, é porque chegou a hora de cada um seguir seu próprio caminho. Mesmo que ainda haja amor.

O sapo encantado

Era uma vez um príncipe, que vivia num reino onde tudo era belo. Lá havia as mais belas flores, as mais belas árvores e os mais saborosos frutos. Havia também belíssimos cavalos com suas carruagens banhadas de ouro e prata. Seu castelo era o maior de todos do planeta Terra, circundado de água com vários tipos de pedras e algas coloridas.
O príncipe vivia cercado dos mais ilustres senhores da corte, outros viam de longe para saudar o digníssimo jovem herdeiro de todo o reino milenar. E que por isso, todas as noites eram noites de festas com as mais maviosas orquestras de toda a redondeza.
Outras tantas ávidas moças as cortejavam e de relance sorriam entre elas. Todas desejavam domar o coração do majestoso moço dono de tantas riquezas.
Mas algo havia de errado no olhar daquele príncipe. Quase não sorria, e por mais que o bobo da corte pulasse, gritasse, caísse, tropeçasse e fizesse folia... o príncipe não sorria.
Certa tarde, cansado de tudo, foi passear a sós na floresta e se atirou à sombra de uma árvore à beira do rio e se pôs a chorar. Ele não entedia porque não sentia tanta satisfação em ter tudo o que tinha e porque o valor de um homem consistia exclusivamente na quantidade de bens que possuía.
Ninguém nunca procurou saber se o coração dele tinha tantas riquezas quanto o que tinha envolta daquele rapaz tão belo e poderoso.
E de tanto chorar ouviu uma voz levemente feminina:

- Porque choras pequeno jovem?
Sem entender o príncipe tratou de enxugar suas lágrimas e refazer sua postura digna de um imperador e disse procurando:
- Quem me dirige tais palavras?
- Sou eu – disse uma sapa na beira do rio.
Impressionado, o rapaz tratou de responder:
- Não choro, pois sou príncipe respeitado por todos e poderoso... apenas havia caído um pequeno cisco em meu olho.
E a sapa sorrindo retrucou:
- Ah! Quer dizer que você é um príncipe respeitado, poderoso e MENTIROSO? Há, há, há...
O príncipe então ficou alarmado com a situação, pois nunca, nunca mesmo ninguém havia debochado dele. Mas, no entanto, pela primeira vez na vida tinha achado graça de alguma coisa e pôs-se a sorrir incontrolavelmente junto com aquela anfíbia ...
Sua gargalhada chamou a atenção de vários outros bichos que passavam por ali, pássaros, macacos, tamanduás, raposas, onças, peixes.... Todos ficaram admirados com tanta alegria.
E assim, o príncipe passou o resto daquela tarde com a bicharada. O macaco fazia graça e de novo o príncipe sorria. E os pássaros voavam ao redor do jovem fazendo mais cócegas ainda... A onça então, o empurrou no rio e o peixe lhe mostrou a beleza das águas.
Satisfeito por aquele momento, olhou para sapa e disse:
- Muito obrigado, se não a tivesse encontrado talvez estaria chorando até agora e não haveria de ter o dia mais especial da minha vida. Como posso agradecê-la?
A sapa logo respondeu:
- Não precisa agradecer meu bom moço. Só gostaria de lhe dar um beijo.
Atendendo prontamente ao pedido, o príncipe apanhou a sapa com as mãos oferecendo-lhe a face para o beijo e zap!!! O príncipe acabara de virar um sapo encantado.
Daí então o príncipe, ou melhor, o sapo passou a viver ali na floresta com toda a sua turma de bichos e apaixonou-se com a sapa com a qual viveu feliz para sempre.


FIM

Está faltando você
No clareado do dia quando vem chegando o sol
Arrastando a passarada sonolenta das copas das árvores
Que despreguiçam ao soprado leve e lento do vento
Após o relento da noite triste

Está faltando você
No banco do meu velho carro sujo e de maresia
Tocando a sua canção preferida no toca-fita
Querendo me ensinar um pouco mais
De Música Popular Brasileira

Está faltando você
Sua risada mais gostosa perfurando o silêncio
Que agora paira no ar do meu quarto escuro
Onde perduro acordado evocando sua presença
Numa prece longa de fé

Está faltando você
Aqui agora do meu lado me dizendo que este poema
É mais belo do que na verdade parece ser
E que meu jeito de escrever é encantador e curador
Da vida efêmera que temos

Está faltando você
Nessa estrada longa que a vida traçou no mapa dos meus dias
Longos e intermináveis de saudade infindáveis
Que vem trazendo com à tarde a noite alarmando a hora de ir
Para minha cama na qual está faltando você.