Poemas e Poesias
estamos aprendendo a voar a cada existência
e aprendendo também a amar
e tentando aprender a sermos pacientes
e querendo aprender a pensar
e na eminência de aprender a perdoar
e no intuito de aprender a tolerar
e na intenção de aprender a sermos gratos
o aprendizado é eterno
precisamos de paz e calma
na alma e no coracao
para nos tornarmos leves e sutis
para alçarmos voos cada vez mais perfeitos
e assim vamos até Jesus, sempre!!!
Sinturas
Eu ouço vozes, e existem
Ouço buzinas
Ouço as impaciências em passos largos e rápidos
Ouço respirações ofegantes..
Ouço sons estranhos,
serralherias, marcenarias...
Martelos, coisas que caem...
Ouço o som do pós-modernismo...
São celulares, computadores,
sinalizadores vários...
Ouço sinaliza/dores...
Tantos.
E sinto muito...
Sinto o vento tímido que me toca cansado de tanto concreto
Sinto-me presa em mim, sem conseguir me ouvir...
E sinto, dentre tantos ruídos, não ouvir sequer um coração bater...
Sinto muito.
sou um pouco Frida
ou Brida
meio brisa
e colorida
um tanto sofrida
e também florida
tal qual margarida
neste tempo gélida
mas com amor, aquecida
bem surpresa e estarrecida
muitas vezes perdida
e também vencida
estou perto da despedida
desta vida corrida
partirei fugida
de todo mal que me regrida
e se não evoluo
novamente sou trazida
a viver com a dívida
e conviver com a dúvida
de uma sobrevida
que logo mais jazida
em um mantida
por mais uma existência
que logo termina
desavisada!!!
Maria
mãe zelosa
maravilhosa
mestra divina
mão que guia
mel que adoça
madona
madrinha protetora
magnitude
maestria
majestosa
manhã de sol
mansuetude
mantenedora
manto que nos aquece
mar de tranquilidade
margarida do coracao
melodia da nossa vida
mensageira de Deus
minimiza nossas dores
ministra das alegrias
minora nossos sofrimentos
missionária do amor
modelo de perfeição
modifica nosso ser
motivação para o perdão
multiplica nossas alegrias
monitora nossas sensações
me coloca em seu colo
me afaga com seu carinho
me aconselha
me ama
me ensina
me auxilia
me exemplifica
me tolera
me aceita
amém!!!
minhas asas me aquecem
me permitem voar
me protegem o espírito
me levam a amar
me enfeitam a alma
me pairam no ar
me sinto plena de tudo
me disparo a sonhar!!!
nunca fui boa com números
a minha relação com eles
sempre foi dramática
e já que eu não pude com eles
resolvi mudar o rumo da história
então passei a amar as letras
que quando juntas formam (doces) palavras
com todos os acentos
com todos seus significados possíveis
com toda emoção causada
que quando juntas formam um verso
e depois uma estrofe
que quando juntas formam poemas
ou então um soneto
ou uma poesia
que quando lida e sentida
tocam o meu coracao
e minh'alma
até o meu espírito se encanta
quando estou em outro plano
dormindo ou sonhando
sorrindo e rimando
flores com amores
paixão com coração!!!
enquanto estivermos presos
ao nosso egoísmo
ao nosso narcisismo
ao nosso fanatismo
ao nosso perseguismo
ao nosso sofismo
ao nosso abismo
ao nosso modismo
ao nosso psiquismo
ao nosso racismo
ao nosso cinismo
ao nosso idiotismo
ao nosso sadismo
ao nosso alarmismo
ao nosso banditismo
ao nosso brilhantismo
ao nosso canalhismo
ao nosso centralismo
ao nosso negativismo
ao nosso sensacionalismo
ao nosso comodismo
ao nosso conformismo
ao nosso terrorismo
ao nosso vitimismo
ao nosso consumismo
ao nosso cretinismo
ao nosso dramatismo
ao nosso esnobismo
ao nosso extremismo
ao nosso derrotismo
ao nosso masoquismo
ao nosso pessimismo
ao nosso falso moralismo
ao nosso exclusivismo
é como se tivéssemos
uma âncora nos pés
ou algemas nas mãos
é o mesmo que irmos
contrários à evolução
é se perder sem noção
é ficar sem razão
é se entregar à depressão
é nadar contra a correnteza
é viver sem firmeza
é se depreciar
é deixar de voar
de sonhar
de realizar!!!
e se Deus quiser
eu vou
espantada
silenciosa
atônita
surpresa
catatônica
silenciosa
(in)segura
calada
amordaçada
nem que seja dentro
de uma camisa de força
à força
mediante força divina
e a expressão: "não vou nem amarrada"...
cai por terra
ou melhor
jogam terra por cima de mim
do meu imperfeito ser
da minha consciência pesada
da minh'alma atrasada
do meu coracao angustiado
e eu fico ali parada
refletindo tudo o que eu fiz
para merecer, e pior
tudo o que eu deixei de fazer
o tempo que perdi
e não mais encontrei
porque eu não procurei
e tenho a certeza
que quem procura acha
então eu só acho
mas não tenho certeza de nada
e eu nado nas profundezas
das minhas lágrimas
e eu lamento e lastimo
reclamo e estimo
pela hora da partida
e também a hora da chegada
no plano divino
Ele sabe da minha hora
e nem de relógio precisa
basta ver quantas vezes
eu vi o nascer e o por-do-sol
é assim que eu também sei
que chegou a minha hora
e eu contei os segundos
para o suspiro final!!!
GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA
Essa nação que só tem coração
Não têm olhos nem têm ouvidos
Mal se compadecem pelo seu cidadão
Sofrendo e chorando morrendo aos gritos
Ouve-se, então, um pedido de socorro
Lapidado no tom de uma voz pueril
Do fundo da garganta de um corpo febril
Mas ninguém pára, ninguém quer, ninguém vem ajudar,
estão todos ocupados pra se preocupar
E de pouco em pouco morrem os nossos cidadãos
Manchados de sangue sem justiça nas mãos
Homens que traçam seu próprio destino
Com tempo e suor verdadeiros artesãos
Infelizmente permanecem reclusos
Escondidos nas sombras de seus desvãos
Queria eu poder sonhar com a revolta do pião
A quebra do tabuleiro e o fim da disputa
Nem branco nem preto, nem cutia nem gavião
Nem rico nem pobre, nem cético nem cristão
Apenas pessoas, frutos do mesmo embrião
Mas com esse jeitinho brasileiro
Que é quente no frio e frio no verão
Tanto pode ser ruim como também pode ser bão
Que ajuda seu josé mas prejudica seu João
Que esconde os erros embaixo do colchão
Esse jeitinho brasileiro
Que temo que seja nossa problema
mas também nossa solução
Nada hai de mudar por ele senão
Até lá, vejo fome surgir e corrupção se espichar
O povo que come milho se debulhar
Que engole verdade sem questionar
Que ve os estragos sem se assanhar
De nada adianta “Deixa pra lá”
Afinal, se não for futebol, samba e novela
Nem é brasil, só mais uma remela
Pois eu lhe digo: tenha muita cautela
Limpe seu olho e acenda essa vela
Cuidado pra não ser pego pela própria rela
Pássaro de asa cortada é prisioneiro de sua própria cela
Aquele que se conforma é barco sem manivela
Vive pra ser guiado sem direito a sua tutela.
não era esta a independência que eu sonhava
não era esta a república que eu sonhava
não era este o socialismo que eu sonhava
não era este o apocalipse que eu sonhava
partido: o que partiu
rumo ao futuro
mas no caminho esqueceu
a razão da partida
(só perdemos
a viagem camaradas
não a estrada
nem a vida)
Quando Cabral o descobriu,
será que o Brasil sentiu frio?
Diz a História que os índios comeram o bispo Sardinha.
Mas como foi que eles conseguiram abrir a latinha?
Qual o mais velho, diga num segundo:
D. Pedro I ou D. Pedro II?
De que cor era mesmo (eu nunca decoro)
o cavalo branco do Marechal Deodoro?
MULHER SOFRIDA
Ela é eclíptica
Elíptica,
Assíndeto fantástico
No meio das frases
No pé joanete viril
Nos dedos pelos claros
Nas mãos: safira delicada
Joelhos, ainda, ralados
Nas feições: alegria constante
No coração: um grande calo
Sorriso de ternura e simpatia
Dureza dos chás de realidades .
Já nem dói as saudades,
Já não dói o vexame,
Nem o balde d’água fria
.
A marca de desprezo…
O descaso, rebeldia,
Tentativas de sabotagens
Com fins de nó no peito
Mágoas, brigas, tortura…
Nada dói como já doeu
Tão pouco alegra muito o elogio
Carrega a dor apenas
De suportar nos ombros
Seus sonhos profundos
Calejou, amorteceu,
Salinizou bastante a terra
Ainda assim floresceu
Para o algoz ela sorri
Para o amor ela sorri
Para o terror ela sorri
Segue nesse deboche
{sorriso
Transbordando paz. .
Qualquer drama, briga
ou encrenca
Agora são café ralo
em xícara pequena
Em uma dose se bebe
Nem se sente o sabor
O torpor do constante
sofrimento
A fez fugir para a Lua,
Lá despertou a felicidade
Cozinhou a garotinha crua
Só precisava de um clique
Estava dentro dela…
Ninguém a rouba mais.
Está bem mais esperta…
Ela já viveu muitos invernos
Sobreviverá a qualquer frio trépido. .
Já enfrentou níveis de polimento
Deixou o escarcéu por marolinha
E choro pela morte da Bezerra
Sou peito é escudo forte
Sua mente fincou no que acredita
Nenhuma arma de doces
Muda as mais fortes certezas
Ninguém a tira o amor
Ninguém a tira o calor
Ninguém a tira a delicadeza
Mulher sofrida
Pérola polida
A sua alma brilha
Em diamantes cintila.
Perspectivas
A libertinagem intesifica a reciprocidade
Não há sentido demonizar quem vive para o prazer
A religião que tornou a conduta profana
Esconde Deuses libertos alados às camas
Do que adianta dar asas aos anjos
se a ética não lhes permitir voar?
Bonecos moldados por uma falsa moral
Guardiões de um exército falido
Travestidos de bem, praticando o mal
Discussões evitadas, palavras não ditas
Quem sempre nega a culpa
Há de amargar o arrependimento
A dor do coração partido
Ao ver ela partir
Me revelou ser inútil
Enquanto esteve aqui
Todo amor vira ódio
Quando vencido pelo tédio
Consciência de inércia
Me fez assim tão só
Eu não te ordeno, te peço,
Não é querer, é desejo;
São estes meus votos - sim.
Nem outra cousa eu almejo.
E que mais posso eu querer?
Ver-te Camões, Dante ou Milton,
Ver-te poeta - e morrer.
Ela! minha estrela, viva e bela,
Que ameiga meu sofrer, minha aflição;
Que transmuda meu pranto em mago riso.
Que da terra me eleva ao paraíso...
Seu nome!... Oh! meus lábios não dirão!
Nas Praias do Cuman / Solidão
Aqui na solidão minh'alma dorme;
Que letargo profundo!... Se no leito,
A horas mortas me revolvo em dores,
Nem ela acorda, nem me alenta o peito.
No matutino albor a nívea garça
Lá vai tão branca doudejando errante;
E o vento geme merencório - além
Como chorosa, abandonada amante.
E lá se arqueia em ondulação fagueira
O brando leque do gentil palmar;
E lá nas ribas pedregosas, ermas,
De noite - a onda vem de dor chorar.
Mas, eu não choro, lhe escutando o choro;
Nem sinto a brisa, que na praia corre:
Neste marasmo, neste lento sono,
Não tenho pena; - mas, meu peito morre.
Que displicência! não desperta um'hora!
Já não tem sonhos, nem já sofre dor...
Quem poderia despertá-lo agora?
Somente um ai que revelasse - amor.
