Poemas Desconhecidos
O desconhecido
mostra-se atraente —
ou inspira temor?
Olhar através
do breu,
traz consolo
ou traz desespero?
No fundo d’Alma,
importa não
permitir o breu,
ao que restou,
resta apreciar.
Revela-se encanto
até mesmo em momentos
onde não se pode
a luz vislumbrar.
O sofrer se transforma em amar
O sofrimento é algo tão complexo que faz brotar algo desconhecido
Esse algo, com o amor pode ser parecido
Veja só esse paradoxo, para florescer é preciso sofrer
E quem passa por um caminho tortuoso
Pode chegar a um destino brilhoso.
Como a luz que faz o girassol virar
O sofrer até o destino, se transforma em amar.
Morte
Devemos abraçar o desconhecido,
E embarcar em uma viagem até o final;
Pode parecer mórbido, mas ouça-me,
o caminho para a morte pode ser divertido, sem dúvida;
Pois a vida é apenas um momento fugaz e a morte, seu final inevitável;
Portanto, vamos viver plenamente, sem nenhum lamento,
abrace cada momento e cada detalhe;
Vamos fazer memória, rir e amar,
Buscar aventura, viajar e explorar;
A morte pode vir, mas não tenhamos medo,
Pois temos vivido uma vida pela qual vale a pena morrer;
Vamos recebê-la de braços abertos, pois na morte, encontraremos a paz,
Enquanto nossas almas voam e encontram libertação;
Portanto, vamos seguir viagem com alegria e graça,
E se divertir com a beleza deste espaço fugaz;
Pois a vida é fugaz, mas a morte é certa,
Portanto, vamos viver corajosamente e sem nenhum ônus;
E quando chegar a nossa hora, vamos com um sorriso,
Ao embarcarmos em nossa milha final;
A morte pode parecer assustadora, mas não é o que parece, pois é apenas uma parte da vida e de seus misteriosos sonhos.
Buona fortuna!
Que bons ventos o levem
rumo ao desconhecido
e esses mesmos ventos o tragam
de volta ao lar.
E que na sua volta esteja pleno em experiências
e sabedoria.
Que dos seus lábios apenas escape
aquele sorriso manso de quem viveu
o que havia para ser vivido.
E que embora singrando rotas onde vórtices
de espumas do inesperado retorcem
as entranhas mais viris,
o mar te devolva com os olhos
ainda mais brilhantes.
Reluzentes por ter voltado
e também para nos contar
o que desconhecemos.
Não sei se sou capaz
de encarar o desconhecido
Mas a certeza que tenho
é que jamais conseguirei fugir.
Você
Você é a canção doce de um amanhecer desconhecido – é o lamento dos pássaros que cantam, sinalizando, em meu coração descompassado, o amor. Amo-te assim, neste silêncio contemplativo, quase impassível, um tanto cálido, como o chão quente de quem pisa e sente. Esse menino espevitado, de sobrenome Diligência, escala os troncos das veias do corpo e, tenaz, na cavidade do peito, desembuça presença, agita tudo por dentro, na incoerência que desfaz a razão: ora paz, ora torrente, dias que me deixa dormente, sem mente para naufragar em outros barcos soltos no mar. Ávida por chegar aos braços do nada, desmancho-me, ancorada, entre fios de água que formam contas de terço, difundem-se em fé, correm pelas bocas castas como ladainha de beatas e rogam, como quem pede a santos, ateando-me nos braços da esperança, que vai de encontro à serenidade do seu corpo. E, assim, por fim, reencontro-me na lucidez do seu gosto e no chão firme da sua alma.
Todos, um dia, hão de partir para o desconhecido —
uma travessia sem retorno,
um silêncio onde nenhum viajante voltou para narrar.
Nada sabemos do outro lado:
se é luz, se é paz, se é abismo ou eternidade.
Quem foi, não fala.
Quem está aqui, não lembra.
Vivemos entre rumores e crenças,
mergulhados em histórias que o tempo sussurra,
mas, na essência, não sabemos nada.
Neste círculo vicioso da busca,
somos aprendizes do infinito,
almas sedentas que descobrem, a cada passo,
que a verdadeira ignorância
é acreditar que conhecemos algo que não sabemos.
Invenção
Ilusões do navegar sem destino
Viver essa energia do desconhecido
Extensão de mares revoltados
Vastidão das sensações
Laços intensamente marcados
Por nossos encontros diante das maresias.
Eu pareço tão diferente no espelho
Devo ter sido ferida pelo mundo
Meu nome parece desconhecido
Mas espero que ele chegue até você depois do amanhecer
Insciência
Por que o desconhecido lhe assombra?
Por qual razão lhe apavora a liberdade de uns?
Falo a ti da vida, se quiser falo da morte, da luz, da sombra...
Mas não espere lógica quando lhe falar de emoções,
Não espere um céu quando lhe falar do inferno!
Entretanto, do que adianta falar de amor?
Do que adianta se tu não ouviu Fernando e ainda queres para ti o mar?
A tua glória, ó senhor, será a de muitos a majestosa dor
Enquanto te afogas no conforto do que pensas, morrendo está quem pensar,
Quem enxergar o absurdo, mesmo com teu escuro, sobre dores entenderá.
Loucura é debater com sóbrios que nunca se embriagaram do saber
Mas o mundo precisa de mais loucos sem medo de falar,
Aqueles que denunciam reis que estão confundindo política com lazer.
As melhores pessoas serão loucas o suficiente para entender, mesmo em teu lugar.
Por que queimas bruxas em fogueiras?
Tens medo do sobrenatural ou é falta de boas maneiras?
Não espere compreensão de tolos, políticos ou altezas.
Procure a justiça, lide e aprenda com fatos, mentiras e incertezas.
Não me peça pra te seguir
se nem você sabe onde pisa.
Caminho desconhecido não é convite,
é risco disfarçado de promessa.
Tua estrada não aponta destino,
só gira em círculos de dúvida e ilusão.
Eu não nasci pra andar perdido
nem pra apostar meu futuro na tua confusão.
Respeito quem anda sem rumo,
mas eu escolhi direção.
Não me peça lealdade ao vazio
nem fé onde não existe chão.
Quem não sabe aonde vai
não pode exigir companhia.
Eu sigo em frente —
com verdade, com coragem,
e com o passo firme de quem sabe
que caminho sem propósito
não é caminho, é desistência.
Minha alma estava quieta dentro de mim quando o desconhecido chamou, apresentou-se como "Amor Eterno", desde aquele dia não sou mais o mesmo.
-Flávia Abib
Desconhecido conhecido
Se te digo
"Tenho medo do desconhecido"
Minto.
Tenho medo de tentar...
Na verdade...
De errar
Medo do desconhecido não existe
Teríamos nós medo de tudo?
O próximo segundo
É desconhecido
O próximo minuto
O próximo ano
Desconhecidos
A origem! O fim! O sentido...
De tudo...
É desconhecido.
O conhecimento é desconhecido
Você se conhece?
Tipo...
De verdade?
Lógica e ignorância
Agilson Cerqueira
Ao saber o desconhecido,
me contive...
Fiz uma reflexão, e me curvei agradecido!
Lucidez sensata ou sabedoria?
Fiquei em silêncio!
Fiz o controle da respiração!
O tempo e a paciência angustiantes...
Um corpo ocupando o espaço desconhecido!
Enfim, a certeza das limitações!
Ignoro a lógica...
Continuo em silêncio!
(Des)conhecido
Há pessoas que só conhecemos realmente
Quando paramos de conviver com elas
E deixamos de ser importantes a elas
De modo que sejamos substituíveis
O amigo de outrora agora já não é mais
Tornou-se vagamente outro conhecido
Na falta de classificação adequada
Para preencher um espaço vazio
Quando os sentimentos não vêm à mente
Notamos que não adiantam chorumelas
E é natural que a vida feche janelas
Ainda que existam seres incríveis
Se tratando de tempo, pouco vira demais
Basta pensarmos em um mal-entendido
Que sem possuir uma decisão acertada
Tem a sua conclusão de um jeito frio.
Toda vez que vejo um desconhecido
Um perfil fake, uma conta estranha
Lá no fundo, torço pra ser você
Descobrir que está me acompanhando
Que comentou algo
Que de alguma forma se lembra
Do presente e do passado
Que escuta as milhões de músicas
Meus versos dramáticos, exagerados
Onde não há exagero ou drama.
Apenas a verdade.
- Marcela Lobato
Somos breves,
somos passageiros,
em um tempo
desconhecido,
sem fronteiras
e livre...
somos breves.
BMelo✍️
Migrar é o ato divino de plantar raízes em solo desconhecido com a mesma fé de quem acredita que qualquer chão pode ser fértil.
Marcilene Dumont
