Poemas sobre o Silêncio
Hoje o meu silêncio fez mais barulho que o mundo.
Sorri entre vozes,
mas por dentro havia um quarto vazio,
onde nem a minha própria companhia
conseguia afastar a sensação de ausência.
É estranho sentir-se só
quando há tanta gente por perto.
Mais estranho ainda
é duvidar do próprio lugar no coração de alguém.
Talvez eu não precisasse de respostas,
apenas de um abraço que dissesse,
sem palavras:
"Você importa. Sempre importou."
Enquanto esse abraço não chega,
guardo a esperança de que até os dias mais nublados
não conseguem apagar a luz
de quem nasceu para iluminar a vida dos outros.
Escrevo para dar voz ao que o silêncio não consegue esconder.
Transformo sentimentos em palavras, saudade em versos e pensamentos em poesia. Aqui, cada texto nasce de um pedaço de mim — das minhas ausências, das minhas esperas e das minhas pequenas esperanças.
Se você chegou até aqui, talvez também sinta demais.
Quando o Silêncio Aprendeu Meu Nome
A casa continuava inteira.
Era eu quem faltava nos cômodos.
Meu corpo atravessava o corredor, mas a alma insistia em permanecer na maçaneta da última porta que nunca tive coragem de abrir.
Descobri tarde que o silêncio não nasce da ausência de vozes.
Ele nasce quando nenhuma palavra aceita morar na boca.
Há dias em que converso com as janelas.
Elas entendem o idioma das pessoas que olham para longe porque perto demais também machuca.
Não espero mais respostas.
Coleciono perguntas como quem guarda sementes sem saber se ainda existe primavera.
E, curiosamente,
foi depois de perder quase tudo
que descobri
que algumas ruínas também sabem florescer.
_Lucci Santz
*Poeminha de casa arrumada*
Casa limpa, silêncio lavado
roupa no varal dançando pro vento
chá de hortelã, a chaleira apita, um som com cheiro
desenhando e a tua ausência em espiral pelo bico evapora.
Torrada estala, geleia vermelha,
espalho no pão, não espalho a falta
porque tem vazio que não cabe
nem na mesa posta pra um.
O dia tá organizado por fora, mas cá dentro tem um cômodo com a porta e janela abertas esperando,
só que hoje! ela não vi passar.
(Saul Beleza)
Coração vazio tem respiração curta, quase em silêncio. Mas a solidão grita alto dentro da gente... acelera os "ais" e, de madrugada, o frio só faz o peito batucar mais forte. Não deixa a gente esquecer que tá vivo, mesmo doendo.
É nessas horas que a gente lembra que pulsar, mesmo que machuque, ainda é sinal que tem algo aí dentro esperando amanhecer.
(Saul Beleza)
Minha saudade calada me faz gritar.
A companhia da solidão fere minha alma.
E o meu silêncio...
o meu silêncio grita
bem alto dentro dos meus pensamentos.
Onde ninguém escuta. Somente eu.
(Saul Beleza)
"Meu silêncio vai te respeitar sempre" ... isso vale mais que mil gritos. É maturidade pura.
Quando se chama alguém de "Cora Coralina" é elogio do tamanho do mundo. Cora era poesia, força, mulher que viveu muito e entendeu a vida. Quem ganha um título desses é porque deixou marca boa.
Escolhi o silêncio que protege em vez do grito que machuca. Isso é amor que virou respeito.
(Saul Beleza)
Ah! Tristes olhos
Por que chora em silêncio a dor que ninguém ver?
Por que deposita tuas lágrimas no oculto do teu vazio?
Por que corre?
Por que foge?
Por que se esconde?
Por que se disfaça?
Quando escuridão cobrir teus olhos e não enxergar mais nada, porque não volta seus olhos ao criador?
Há momentos em que o silêncio entra na vida como quem não quer nada, mas, pouco a pouco, ocupa todos os espaços. Ele se senta entre duas pessoas, paira sobre uma lembrança, repousa no canto de um quarto vazio e, sem dizer uma sílaba, revela o que nenhuma palavra consegue alcançar. O silêncio também fala, e muitas vezes fala com verdade do que qualquer discurso.
Ele se manifesta no olhar cansado de quem pede ajuda sem coragem de pedir, na pausa de quem guarda um sofrimento antigo, no abraço que dispensa explicações. Há silêncios que são muralhas, erguidas para proteger feridas. Outros são pontes, construídas com afeto, compreensão e presença. Em ambos, existe linguagem.
Ser humano aprender a escutar o que não foi dito. Nem todo silêncio é ausência; às vezes, é excesso. Excesso de dor, de amor, de medo, de saudade. Por isso, ouvir alguém vai além de prestar atenção às palavras: exige sensibilidade para perceber o que a alma sussurra quando a boca se cala. E talvez seja nesse espaço invisível que nascem as verdades profundas.
Não espere o grito virar silêncio,
nem a ameaça se tornar agressão.
Quando o medo entrar pela porta,
proteja primeiro o coração.
Medida protetiva não é vingança,
é um pedido legítimo de proteção.
É dizer: “Eu quero continuar viva,
quero ter direito à minha própria direção.”
Helaine machado
Essa é a Minha Mãe
Minha mãe nasceu no regime machista,
onde o silêncio era educação,
onde mulher aprendia cedo
que obedecer também era obrigação.
Ela cresceu ouvindo que homem manda,
que mulher deve compreender,
que certas portas não eram para ela,
e que questionar era aprender a perder.
Hoje ela cultiva o machismo,
não porque inventou suas raízes,
mas porque algumas correntes antigas
parecem familiares demais para serem vistas.
A visão dela é machista,
e talvez ela nem perceba.
Carrega dentro dos próprios olhos
a mesma prisão que um dia a cercou.
O feminismo nunca existiu na vida dela,
não como escolha, não como caminho.
Talvez porque, quando ela era jovem,
ninguém lhe mostrou que havia outro destino.
Talvez ela nunca tenha conhecido o feminismo.
Talvez nunca tenha precisado desse nome.
Talvez tenha apenas aprendido a sobreviver
com as regras que lhe deram.
Não uma vilã.
Não uma santa.
Apenas uma mulher moldada pelo seu tempo,
que carregou o passado para dentro do presente.
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Beijo que Não Devia
Havia silêncio entre nós,
Mas de repente, algo escapou.
Um beijo roubado, inesperado,
Que não queria acontecer…
e aconteceu.
Teu gosto ficou marcado,
Mesmo sabendo que era errado,
Mesmo sabendo que era impossível,
Ainda assim, não pude resistir.
No instante em que nos tocamos,
O mundo inteiro desapareceu.
Só restou o que sentimos,
Só restou nós,
mesmo que proibidos.
Não sei se foi loucura ou desejo,
Mas sei que cada vez que
penso em ti,
obeijo vem de volta,
inteiro e urgente,
como se pedisse pra
nunca ser esquecido.
Entre versos quebrados
O silêncio virou música quando você partiu, cada passo teu ecoou como um refrão tardio.
Meu peito aprendeu a tocar saudade em tom menor, e o amor, que era festa, virou solo de dor.
As lembranças giram como vinil riscado, promessas pulam, repetem, não seguem o combinado.
Teu nome ainda dança entre notas e ais, é a canção que insiste em não terminar jamais.
No meio da noite,
o coração muda o ritmo,
tenta ser forte,
mas falha no próprio compasso.
Entre versos quebrados
e acordes perdidos,
aprendo que amar também
é saber ficar só no espaço.
E quando o último acorde
enfim se desfaz,
não é o fim do amor
— é só o fim de “nós dois”.
Guardo essa trilha como parte de quem fui, porque toda despedida também ensina depois
Enquanto te olhava
Enquanto te olhava
Eu pensava como o
silêncio entre nós dizia tudo,
no jeito simples do teu sorriso
que fazia o mundo desacelerar só pra eu te sentir.
Enquanto te olhava
eu pensava que alguns
encontros não pedem pressa,
pedem coragem —
porque o coração reconhece
antes da razão.
Enquanto te olhava
eu pensava se você também
sentia esse nó doce no peito,
essa vontade contida de ficar,
mesmo quando o tempo
insistia em ir embora.
Enquanto te olhava
eu pensava que amar
às vezes é só isso:
guardar alguém no pensamento
como quem guarda um segredo bonito demais pra perder.
Vencer com o Bem
Não carrego a vingança nas mãos,
nem afio o ódio no silêncio do peito.
Entrego a Deus o peso da justiça,
porque há batalhas que não são do meu jeito.
Quando a dor pede resposta em grito, aprendo a responder com oração.
A ira que o mundo quer que eu abrace eu deixo escorrer pelas mãos da redenção.
Se o inimigo vem faminto de amor,
é pão que ofereço, não desprezo.
Se chega sedento de paz,
é água viva que derramo sem medo.
Pois sei:
o bem que nasce do perdão
arde mais forte que qualquer punição.
São brasas que queimam a consciência, não para destruir,
mas para trazer reflexão.
Não me deixo vencer pelo mal que machuca, nem pela sombra que tenta ficar.
Eu venço quando escolho a bondade,
quando deixo Deus julgar.
Porque a justiça não falha em Suas mãos, e o amor sempre vence no final.
Quem caminha com o bem no coração nunca perde
— mesmo ferido pelo mal.
Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.
Quebra o silêncio
Quebra o silêncio
Antes que ele diga por você
Leio o ar nos teus pulmões
Descompassado
O corpo chega onde
a palavra não ousa
Quebra o silêncio
Sustenta o olhar
O medo é só
O nome errado
do que insiste
Quebra o silêncio
Fica
Eu escuto o que
não vem inteiro
Sem urgência
Sem escudos
Te toco
— o tempo perde função
Te cerco
— algo em ti repousa
Revelo o que nunca
Foi pedido
Esse intervalo
Onde a alegria aprende a ficar
O Beijo
Te calculei em silêncio
Tentando manter distância
Mas você acontece
Fora de qualquer previsão
Quando chega
Meu corpo responde
Antes da lógica
Terminar o raciocínio
Teu beijo altera o curso
Do que eu achava estável
E tudo que era linha
Vira movimento
No fim, entendo:
Não é sobre resolver
Você é sobre aceitar
O beijo
