Poemas de saudade que traduzem memórias em versos
O tempo e a distância
não são longos para o pensamento e,
no silêncio dele,
te encontro
todos os dias.
Estou cansada de me sentir assim, quero para de ter sentimentos por você, quero acabar com essa saudade, a dor no peito vem sempre que penso em você, sério, não tô mentindo.
Você ao menos sente o mesmo?
Você sente minha falta?
Sente a mesma dor no peito?
Fica relembrando nossos momentos?
Pensa em mim? Chora por mim?
Porque, sim, eu choro por você, não queria, é humilhante chorar por alguém que nem sequer se importa com a sua existência.
Não aguento mais estar apaixonada por você, do que adianta amar se não sou amada igualmente?
Enquanto a cidade dorme eu te espero
Noite e noites em claro esperando você bater na porta
Mas com a certeza que não acontecerá
Saio pelas ruas com apenas a lua de companhia
Em cada esquina procuro seu olhar
Na esperança de novamente te amar
Sentir teu corpo todo suado no desejo e na ânsia de me amar
Seu toque, seu cheiro, seu gosto
Em cada pessoa nessa noite vejo teu rosto
Mas não passa de pura imaginação de alguém apaixonado
Preciso tanto de um olhar sincero o bastante pra me dizer se a direção esta certa ou errada... De um abraço forte que me mostre que ainda existe um lugar seguro no mundo...
De uma palavra doce que me mostre que a vida não é só palavras que o vento leva...
De um amor puro e forte pra suportar o balanço do mar e a chuva que cai la fora...
De um ser importante e inesquecível que me traga motivos pra existir...
De um ser importante e difícil de encontrar preciso de alguém especial que me faça saber que no final de tudo ainda posso sorrir como antes.
Avenida lenta,
No meu caminhar tão agitado,
mas numa avenida tão lenta…
nesse domingo de manhã,
um café amargo,
um gosto saboroso
de um sonho tão esperado,
vi fotos, brilho no olhar,
vi um aconchegante sorriso,
esse que acalma o meu corpo,
adormece minha insatisfação,
exalta minha esperança
e me faz repensar na minha lida,
nas minhas companhias.
Nesse sorriso que se alarga,
mas se cala, e não me permite
entendero que se passa no coração,
passo horas,dedico toda minha atenção.
Mas o corpo não pode perder
a noçãodo tempo,
nem a razão do destino.
A alma precisa tomar decisão,
criar um espaço para que a unicidade domine,
para que os nossos corpos se aproximem
e prosperem.
Nessa manhã de domingo,
nada pode ficar ao caso, ao esquecimento,
porque a recordação que vem agora,
ela não deve ser esquecida,
não pode ser adormecida.
Meus olhos alcançam os seus e, você,
nesta manhã de calor e de monotonia,
poderia mergulhar nas águas frescas
dos meus pensamentos,
das minhas vontades de estar
ao seu lado.
Entre mágoas sombrias e lampejos de lembranças tristes
De desenlaces e do ouro fluido como um verso de amargura
Surge a moldura do amor recôndito, dentre frutos de risos, de loucuras de elementos unidos... de moléculas de vida
Do divino lugar, onde a saudade traz a lembrança da ausência, da fragância da transparência
A alma voa, o coração soluça na amplitude da distância...
Na constância da esperança, a saudade seja fluida e de lugar a tua voz macia no ouvido, trazendo a doçura da mudança
Da presença inteira, da paixão colorida, do amor correspondido, e a saudade? Ah apenas na lembrança!
Sabe aquele dia que fugi de você?
Eu queria te abraçar, te beijar, te olhar.
Perdoe-me pela minha covardia, mas eu te amava com todas as minhas forças.
Ahh...
Não sabia! A merda que aconteceria, depois daquele dia.
Se eu soubesse que com aquele beijo me apaixonaria... ahh! Eu não te daria!
Se eu soubesse onde aquela ansiedade que me causava aflição na barriga me traria...
Eu nem te conheceria!
Se eu soubesse que aquele "sim, vou me arrumar e já vou" me enlouqueceria... eu não ia!
Se eu soubesse que o céu, o mar.. os papos naquele terraço, a primeira noite de conchinha, o tanto que me torturaria.. eu não subia!
Mas ainda bem!! Ainda bem que eu não sabia...
Pois é
já tive monaretta
sou do tempo que briga era treta
já fui em mattineê
já fui jovem como você
andava de Barra Forte
cruzava a cidade de sul à norte
joguei pelada
brinquei na enxurrada
andava descalço
brincava no mato
já tive pintinho e
porquinho da índia
já almocei na vizinha
roubava fruta
laranja manga
nunca usei drogas
sou de uma época
que isso era prosa
colhi mamona
vendi jornal
não fui engraxate
mas fiz todo tipo de mascate
sou orgulhoso
não me envergonho de nada
a vida não era fácil
era um empreendimento da pesada
já usei boca-sino
já fui menino
não fui coroinha algum dia quem sabe
mas minha mãe queria
que um dia eu fosse padre.
Até mais com gosto de adeus
Um sorriso de lagrimas
Da realidade meu sonho, você
Faz a falta, minha falta
Do meu sonho, não real, eu
Hoje sou outono,
quarenta e oito vezes.
Há em mim o peso das folhas,
mas também a promessa das raízes
que nunca deixaram de se agarrar à terra.
Não conto os anos,
conto os abraços,
as vozes dos amigos que resistem
como rochedos ao vento.
A família,
são os rios onde mergulho o coração,
sempre frescos, sempre certos,
a correr pela alma
como um alívio antigo.
Olho o horizonte e há luz,
mesmo que o inverno venha,
há calor guardado nas mãos,
como sementes que esperam a hora certa.
Sigo em frente, confiante,
porque cada estação traz consigo
a promessa de um recomeço.
Agradeço a todos que se lembram de mim
neste dia simples,
e aos que partiram,
carrego-os comigo,
como sombras que dançam ao sol,
um eco de memórias que nunca se apaga.
O mundo é para todo mundo, mas nem todo mundo é para o mundo.
No dia em que você sair de suas raízes, vai deixar muito mais do que uma vida para trás. Vai deixar cheiros, vozes, risadas que se perdem no vento. Vai sentir o vazio de quem partiu carregando a esperança no peito, mas também o peso de não saber se, ao voltar, encontrará tudo do jeito que deixou.
Quando você conquistar o que veio buscar, quando finalmente decidir retornar às suas raízes, perceberá que o lugar que um dia foi seu porto seguro não existe mais do jeito que você lembrava. Talvez as ruas sejam as mesmas, as casas de portas abertas ainda lá, mas dentro de você, um silêncio se instalará. O tempo passou para todos, e as marcas que ele deixou são mais profundas do que imaginávamos. Talvez você perca alguém importante no caminho, ou talvez perceba que os amigos, aqueles de infância, já não riem das mesmas piadas. Quem sabe a saudade que você sentiu por tanto tempo se torne agora uma presença distante, como uma sombra que você não consegue mais tocar.
E aí, nesse retorno, você vai entender que não foi só o mundo que mudou. Foi você. Você já não pertence mais ao lugar onde cresceu, porque os seus olhos enxergam mais longe agora. Voltar para onde tudo começou é perceber que a única coisa que não mudou foi o cenário. Mas você? Você se transformou. O que um dia foi o seu ‘eu’ já não existe mais. E aí você chora, não por tristeza, mas porque crescer também dói. Dói deixar para trás quem você foi, os sonhos que já não fazem mais sentido, e as memórias que vão ficando embaçadas.
Você amadureceu. E no fim, percebe que o maior desafio não foi ter deixado suas raízes, mas aceitar que, mesmo voltando, nunca mais será o mesmo. E talvez, isso seja o mais difícil: entender que não há retorno para quem se perdeu ou se encontrou pelo caminho.
Segundas…
Nossas segundas,
Da vontade de te reencontrar,
O frio na barriga ao te olhar
Tenta minha mente enganar, dizendo
"Você precisa parar."
Chega o bom dia acanhado,
O olhar meio de lado.
Com os olhos cerrados,
Procuro desviar o olhar.
Na segunda metade do dia,
Mesmo consciente, tentando enganar,
Vem uma vontade enlouquecente
Dizendo: "Vai lá."
O olhar, antes acanhado, agora é desejo;
O frio na barriga, apenas um lampejo.
Na mente, a vontade ardente
De estar ao seu lado,
O toque no braço,
A ânsia dos teus abraços.
Eis que aquele pensamento da manhã,
Antes consciente,
Agora é desejo ardente
De me entregar.
Me entregar aos teus abraços,
Aos teus beijos molhados,
Ao teu cheiro suado,
Meu corpo cansado
Quer no teu repousar.
Segundas…
Certa manhã alguém me falou que eu era um pássaro
Que a verdade alguém me roubou
Que eu era livre
Que eu precisava de mais
Que eu não entendia
Achava que voar não poderia jamais
Achava assim que era proibido
Mas meus instintos eram inibidos
Sobre a liberdade, não sabia o que era verdade
Entre tantos medos e mitos
Meus desejos eram oprimidos
Mas de repente eu estava voando
Respirando a liberdade
O mundo conquistando
Pássaro que voa
Asas que batem
Canto e alegro
Ante esse mundo selvagem
Abra sua mente, ouça seu coração
Voe pra bem longe da opressão
Use suas asas pra voar
Pra amar, pra se libertar
Abra sua mente, ouça seu coração
Voe para bem longe da opressão
Use suas asas para voar
Para amar, para se libertar
Que crueldade
Você vai me desculpar
Mas esse fogo amigo não tem perdão
Você se foi e me deixou no chão.
Não há reinícios, não há kit médico, não há desfibrilador
Que te cure e alivie a sua dor.
Estou no chão
E enquanto agonizo indefinidamente
O seu corpo esfria diante da gente...
A ventania chegou rebelde
― tudo balançou ―
foi geral a tremedeira
sopros assustadores...
a terra em fuga
encheu o ar de poeira
nuvens escuras
cobriram de medo
o universo
não foi dia de inspiração
nem de compor versos
a água inundou a paisagem,
as casas e os
corações
os pátios, os jardins
os porões
choveu tanto
tanto,
mas tanto
que os rios soluçaram
em áreas desconhecidas
dentro de cada peito humano
vertiam tristezas
e o barco da saudade
partiu
― lotado.
Olhos pretos, voz suave
Sorriso que me invade
Beijo pela metade
no meio da escada
no fim de uma tarde
Se ao menos por um instante fosse permitido
Tudo faria muito mais sentido
Se nesse momento o relógio marcasse mais lento
O tempo ficasse mais frio
E a nossa distância fosse por um fio
Eu iria matar toda essa vontade de ti
Que senti e não vivi
Costura…
Unir dois lados
Distintos ou semelhantes
Com a linha tênue da vida
Ou o fio perene da alma
Costura
Por vezes uma sutura
Pra conter as fissuras
Transformando os traumas
Em doce calma…
Costura
Remendos no peito
Antes que esfarrape
Antes que rasgue de vez e não mais ame
Mesmo dilacerado
Pouco a pouco cerzindo
Até que se veja uma colcha de retalhos
Retalhos feitos de reminiscências da vida
Amores, dores, perdas, fracasso e alegrias
Costura
Não antes sem o encaixe perfeito da linha na agulha
A cada ponto
A junção das partes ajusta o tecido
Alinhavo não serve …
Com o tempo esgarça
Tem de ser ponto cruzado
Para unir com solidez os lados
Costura
Sem pontas soltas
Tua vida na minha
De que serve a agulha sem linha?
Faz comigo o mais lindo traje
Com a seda mais pura
Arrematando com um laço de fita e ternura
Nosso encontro pra eternidade
