Poemas de Luto
… o poema não está fora do tempo. Ele pretende certamente o infinito, mas ele busca passar através do tempo – através, não acima.
Minha poesia não é neutra e muito menos silenciosa, minha poesia é o grito de muita coisa que calei.
Creio que o fim último e a causa primeira da poesia seja preparar o homem para o contato COM e a compreensão DO Divino. Gosto de entendê-la, por isto mesmo, como a própria antecâmara da fé. Seu sentimento é sem paralelos dentre aqueles aos quais os homens são suscetíveis... O sentimento poético é a intuição continuada de (que há um) Deus.
O anseio ou engodo supremo da poesia, essa arte suprema do verbo, é, paradoxalmente, acessar a dimensão pré-verbal, aquela que o verbo mesmo nos roubou. E Sísifo fantasia-se de Orfeu, e Narciso, de Jasão, e embriagam-se de desespero e máscara.
Um poema rabiscado pode parecer imperfeito, suas linhas tortuosas fugindo da simetria. Palavras fora do lugar, letras que se perdem na pressa de quem escreve. Mas, ainda assim, ele carrega a essência do que realmente importa: o sentimento. Não é a caligrafia limpa que toca a alma, mas a verdade cravada entre as linhas, por mais desordenadas que sejam. Cada rascunho, cada verso mal arranjado, guarda uma sinceridade bruta que, de alguma forma, encontra o caminho para o coração. Afinal, o que é um poema, senão uma expressão da alma? Mesmo rabiscado, ela (você) é poesia.
Quando estou angustiada, infeliz ou com medo é para a poesia que eu peço abrigo, como criança assustada que corre para o colo da mãe pra chorar. É nela que busco a segurança que preciso para arrancar os sentimentos um a um, como se fossem espinho cravado no peito e transformar toda a minha dor em palavras, reconciliando-me com a paz, o equilíbrio e a leveza que a vida pede.
Sei que a vida e tudo que há nela, não são coisas que eu possa limitar com poesia. Mas seguirei no eterno retorno de dizer o que a maioria das pessoas não conseguem.
A poesia indica a ideia de CRIAR algo da imaginação e dos sentimentos. De dar vida e movimento a alguma coisa...
O movimento da escrita cria músculos nos versos,
reversos que fortalecem a poesia...ato de ousadia.
"Ele cantarolou um trecho do poema de Manuel Bandeira no pé do meu ouvido enquanto me abraçava pelas costas. Ao mesmo tempo, sentia a espuma do mar afogar meus pés e depois deixei-os ali, expostos e salgados. Fechei os olhos num arrepio. Sua voz era grave. A visão daquele azul quase me ofuscava." Trecho de Amor nos Tempos de Quarentena
O poeta, de tanto escrever agora está morto em sua própria ilusão. E calou-se a poesia diante dos próprios versos que ao poeta matou. E o que restou foi só mais uma poesia quase apagada em uma folha jogada à beira da estrada... Que o vento levou sem direção. - Um triste poema que ninguém viu, nem declamou! Um pensamento que o tempo levou! Um Pensamento igual folhas ao vento que ao alto voou e depois caiu ao chão. Na embriaguez mais forte da dor e da saudade o poeta viu a perfumada morte... Rompeu-se em mil versos o coração... E dançou rodopiando no ar a folha poética querendo roçar o infinito. Aflito, morreu o poeta num soluço e num grito... de tanto amar!... - Deixando os seus cortantes versos escritos em uma poesia flutuante ao vento em uma tarde cheia de monotonia, pálida, silenciosa e fria ... O poeta enfim, pôde descansar!
A chuva é uma poesia líquida que toca suavemente o solo, renova a natureza e acalma a alma. Em seu ritmo cadenciado e em seu som melodioso, podemos encontrar a beleza e a paz que às vezes nos faltam.
Poesia, vivendo a simplicidade do amor.
Quão mais suave, completa e plena seria a nossa vida se vivêssemos a simplicidade das virtudes do amor, que nos ensina por meio da alegria, e também pelos ensinamentos que trazem consigo a dor. Dor essa, que revela feridas não tratadas pelas virtudes desse amor-perfeito, que em sua essência traz consigo uma realidade de graça capaz de desfazer todo mal. Essa mesma graça, sendo a manifestação desse amor-perfeito em ação, trabalha em cada coração, harmonizando a nossa desarmonia interior. Nessa harmonia interior, percebemos que esse mesmo amor jamais perde a simplicidade de sua essência, que nos revela a magnitude de nossa carência dele em nosso interior.
Poemas são coisas que eu invento, as conto para mim, que são
verdades de muita gente! Ainda vira poesia!
