Poemas de Luto
As aparências enganam sim,
o roto retalho que somos,
fica entre as nuvens dos olhos
que nos alcançam.
É preciso mais que olhos,
é preciso alma,
é preciso ir além
desse "eu" recoberto
e encrustado na pele
já tingida por tantas máscaras!
Depois que passou doeu menos
E a faca cortante partiu
Um ferimento profundo
Doído de se ficar senil
Não pude prevenir
Estourei minha idade
E a felicidade Divergiu
Fugiu correndo da felicidade
O que ficou
Pássaro levou
Para outros ares
Longos Lírios afastados do céu
Não sei o que senti
Só sei que parti
Na direção da melodia
Entre fermatas e curtas pausas
Me apaixonei pela vida
E me acompanhei de meu amor inócuo
Um deleite que não me priva
Meu constante amor próprio
PEQUENAS GOTAS
O amanhecer chegou tímido
Trazendo memórias passadas...
Como gotas definindo
As nossas longas pegadas.
A vida de repente mudou;
Arremessamos os papeis amassados;
No lago de sentimentos que inundou;
Nossos olhares distantes e abreviados.
As gotas caem tão transparentes
E são transformadas em absinto...
Sentimentos são nostálgicas correntes
Que resumem o que eu sinto.
É intenso o inverno que semeia
A saudade de uma flor esquecida...
Uma pequena gota em ti permeia
Figurando uma emoção atrevida.
Guimarães Júnior
CADÊNCIA
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TIC… TAC… TIC… TAC…
O tempo desmarca-se
da cadência do relógio…
TAC… TIC… TAC… TIC…
O dia raia
nos ponteiros despontados
dos nossos braços…
TIC… TAC… TIC… TAC…
Somos sol e vento
de pura essência…
TAC… TIC… TAC… TIC…
Somos centro e cerne
doutra cadência!...
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2016
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📜© Pedro Abreu Simões ✍
(y) facebook.com/pedro.abreu.simoes
Cala-te no instante e na hora
que se faz tarde, falar...
Não se desarvore diante do vozerio
que te grita dentro;
acolha-os em real sentimento
e veja-te ali recolhida(o),
silenciada(o) e tanto, tanto, tanto...
...de você, ali!
Mesmo quando o tempo é rude,
não há vento que não mude!...
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📜© Pedro Abreu Simões ✍
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PAPOS
Numa conversa animada sobre a natureza
Cada qual queria ser um bicho
Alguns violentos
Outros bem dóceis
Eu?
Eu só queria ser uma nuvem
Me deixar levar pelo vento
Ora ser tempestade
Em outro chuva bem fina
Ter a forma que eu quiser.
Elis Barroso
ENCAIXE
O encaixe perfeito do seu corpo
Deixaram marcas
Um vazio
Ás vezes sinto
Ás vezes minto
Em outras sou a própria saudade.
Sobre a verdade ...
Quero o aconchego desse abraço por onde sinto, firmada além desse pilar que me firma e me contorna, além desse barco que nas ondulações flutua, no aguardo e de mãos postas!
MULTIFORMIDADE
Sou pequeno,
pequenino,
grão de areia,
pó de sal…
Sou enorme
sem as normas
normativas
do normal…
Sou menino,
sendo enorme,
sem destino,
desconforme…
Natural!...
Sou disforme…
Multiforme…
Não faz mal!...
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17/05/2018
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📜© Pedro Abreu Simões ✍
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RIOS E FONTES
Os rios correm
depressa ou devagar
em direção ao mar...
As águas que desfilam
são sonhos e cansaços
prestes a desaguar!...
Três mil rios passarão,
condenados a ser mar...
Três mil fontes nascerão,
sem sair do seu lugar!
Os rios morrem
depressa ou devagar
quando os vemos passar...
Mas as fontes,
que não saem do lugar,
inundam a sequidão
e não param de jorrar!...
Três mil rios passarão,
condenados a ser mar...
Três mil fontes nascerão,
sem sair do seu lugar!
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03/07/2015
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📜© Pedro Abreu Simões ✍
facebook.com/pedro.abreu.simoes
SENTIDOS
Todas as palavras
que, de tão sentidas,
já estão velhas e desgastadas,
podem ser frutos novos
na árvore sempre fecunda da Poesia!...
Nas entrelinhas dos versos
dum poema que ganha raízes,
revelam-se os verdadeiros sentidos!...
📜© Pedro Abreu Simões ✍
Que o dia não nos seja traço, risco, marco...
seja ele habitado pela abstrata insegurança
de um poema sem letras
E ali, ouça-se em magia o que nos é único,
inteiro ... faroleiro, oculto em poesia!
É preciso encanto no olhar
ao reino delicado da natureza,
lendo as sutilezas da vida,
vendo-se acolhido, entrelinhas
No Ritmo do Passacale
Sou natureza
Tua presa
Com planícies e montanhas,
Cerrados, ilhas e lagoas.
Na sedução tu não me ganhas
Eu oferto e tu me doas
Escalas os picos, passeias no vale,
Mapeias no ritmo do passacale.
Descortinas o véu
Exibo meu céu
Nadas em mim
Exalo jasmim
Deitas nas pedras
A seiva medra
Sorves nas fontes
Gritas nos montes
Ecoa num rio de paz
Cavaleiro audaz
És minha presa
Sou tua natureza
Em meio a correria do dia, ainda há que se permitir meditar para a mente e o coração aquietar.
Em meio ao dia de labor,
ainda há que se ter olhos para ver o sol extraordinário nascer ou se pôr.
Em meio as atribulações da vida ainda há que se perceber as lições delas extraídas.
Em meio as alegrias inesperadas ainda há como se revigorar de energias qualificadas.
Bonecos sem vida
Sem humor, melancolia
Tristeza, raiva, alegria
Sentimento não combina
Coração, casca vazia
A nicotina que alivia
A droga chega e vicia
Mata aquela que vivia
Condena sua família
Tudo só por rebeldia?
Acha que tudo é historinha
Nem sabendo o que fazia
Com a vida não se brinca
A saúde não se arrisca
Foi tentar experimentar?
Toma, agora tá perdida
"Lagrimas"
Vou enxugar as lagrimas
Que derramei por você.
Se tu lembrastes de mim
Poupe as palavras, elas
Voltaram vazias para a casa.
Nas veredas escuras sempre
Fui tua luz.
Quando o silêncio tomastes
Eu lhe distrai com as batidas
Do meu coração.
Quando o teu sorriso era vazio
Eu o preenchi a dedo.
É hora de partir: o coração,
de casa, de vida. de amor.
Deixe-me olhar nos teus olhos
Apenas alguns segundos.
Quando o fecha-lo procura-te
Pensar que foi apenas um sonho.
Aos olhos e ouvidos, sementes.
À terra, o germinar.
E à flor, florescer.
Conexões invisíveis, mas essenciais,
movimentos ignorados, não visíveis,
mas vivos e presentes aos que sentem!
Faça uma viagem, retorne ao começo onde tudo é, onde és só, sozinho mesmo, de malas vazias e nu ...
saiba-te, sinta-te, acolha-te ...
e agora, recomece com tudo aquilo que ali encontrou:
malas vazias, nu e você, tão somente, você.
E se os "por quês" e "não é assim" vos chegar, sinta: estes, estiveram lá com você? Se sim, não haverá perguntas. Se não, não há resposta. Sorria dos moldes, a nudez é para quem viaja por dentro e ver requer esse passaporte.
Permita-se!
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