Poemas de Luto
BRILHO DA INOCÊNCIA
Passos dados, dados jogados
a mesa esta coberta de horror
Você aposta eu aposto
esperamos que as ofertas
abra a nossa, trancada porta.
Eu vou sorrir para ludibriar...
Eu vou chorar para você cair,
eu só quero ganhar!
Se possível chorarei por você
farei de tudo para me propagar,
nos degraus do seu tre-le-le.
Vou ofertar p'ra te pegar!
Me fingir de bom...
Assim como doce bombom
o qual, primeiro você sente o gosto...
depois, perderá o brilho do seu batom.
Antonio Montes
A ausência do mesmo
É o sinal do não
A carrasca do destino
Não explicar a paixão
No momento da morte
Abraço feliz ao chão
As pessoas em sua volta
Compreendem a felicidade
Mas a tristeza em teu rosto
Só Deus saber a intensidade
Nos momentos adiantes
Que venha logo a fatalidade
A VOZ DO SILÊNCIO
Os degraus são da dor e do sofrer,
Só os calam as vozes da virtude,
Mas o lodo da vil vicissitude
Faz o tolo, de início, esmorecer.
Quem se prende a esta lama sem saber,
Gasta muita beleza e juventude,
E, depois da total decrepitude,
Se despede da vida sem viver.
O brotar dos sagrados germes n’alma
Do andarilho, na dor e paz, o acalma
Entre os juncos do ser que é sua senda.
Cada vício é o riso de uma hiena,
E a virtude é a voz meiga e serena
De quem forja na queda a própria lenda.
Posso roubar beijos de você
Posso roubar sorrisos
Posso roubar tua inocência.
Só é uma pena
Eu não poder roubar suas dores
Para que estas não te perturbem mais.
CARA TORTA
Há um sinal atrás da porta,
piscar de uma cara torta
uns entram, outros entortam
Psiu! Você ouviu?
Será uma voz ou,
corrente macia de um rio...
Rio, sem elo, sem velo
sem linha, sem novelo...
Seria melhor telo.
Cadeado sem cuidado
passos, alinhados sem fado,
vamos marcar a musica...
Rodopiando no quadrado.
A noite assim é pequena
como uma menina serena,
sereno de uma brisa fina
lua cheia, noite rima...
ouça o pio da coruja
enquanto a estrela brilha
junto a lua, lá em cima.
Antonio Montes
CONGELO DE FELICIDADE
Eu vou tirar, a foto do seu rosto,
um prisma, meigo, contente, rindo...
E d'essa forma, eu congelarei a sua
alegria. Quem sabe assim, eu terei
a sua imagem de felicidade, tal qual
um arco-íres, escancarado só para
mim. Eu vou colocar, a sua foto
na moldura, e logo, pendurarei, na
parede do meu quarto. E quando
lá eu me achar só... Eu tenho certeza
que minhas lagrimas caindo se
levantarão só para fitar na parede...
O sorriso da minha paixão.
Antonio Montes
Corrente, fivela, argola,
Picinez, óculos, anel,
Livro, revista, papel,
Arame, bordão, viola,
Mala, maleta, sacola,
Perfume, lenço, troféu,
Roupa, sapato, chapéu,
Eu não posso conduzir
Quando for para eu subir
Na santa escada do céu.
Na loteria da vida,
Cada um faz o seu jogo
E o ponteiro da sorte
Empurra todos no fogo
Dá a cada um seu prêmio,
Sem ninguém lhe fazer rogo.
Levantai-vos, Castro Alves
Do túmulo onde dormis,
Vinde já nesse momento,
Com vossa lira feliz
Permutar as Vozes d’África
Pelas de vosso país.
QUA, QUA, QUA
Nem que, que, qui
nem, cá qua, qual...
O que p'ra que?!
aqui acolá, de quem?
P'ra que vão, onde não cabe,
p'ra que ficar p'ra bailar,
se a zica é covarde...
Compadre, deixe rolar.
A noite densa, se faz crua
soluço lagrima na rua
promessa aos pés da lua
na encruzilhada... sarava.
Se o rio se faz corrente
canoeiro passa remando
e o amor de lá, de cá, dá li...
Qua, qua, qua!
Antonio Montes
ALARIDO
Lá vem a boca da noite...
Vem de baixo, vem de cima
vem para eles, vem para elas...
vem tecendo a sua, fúnebre rima.
Mandíbulas abertas, sem trela...
Rápida arisca, como se fosse uma gazela.
Ela vem mordendo o tempo,
sem seus dentes, mascando vida...
Toda banguela! Vem...
Dando dentadas pelas ruas escuras
espreitando figuras, de agruras,
sombras que assombram, almas inseguras.
O bêbado, de bafo azedo, cospe,
e fala grego, todo abobado...
O menino no lixo, chora congelado
ladrar de cão, frio de lua...
Ninguém viu nada!
Todos estão na casa, na sua.
Mendigos? Estão perdidos, largados
como se fossem descarte de mercado.
Assovio estridente, de um beco qualquer...
arrepios, desencadeia um aviso
Mulheres vagam pelas áreas de riscos
balas sem nome, nem código de barras
saindo, sem asas com seus estampidos!
Mais um projétil esta perdido.
um caso para o seu doutor, espanto, alarido...
Mais uma fêmea sem marido.
Antonio Montes
O peso do meus anos,
não é fardo teu,
ele é só meu.
O tempo teu
não quero como meu,
o meu há muito já usei.
De teu só quero
um segundo do
teu um olhar
e se tempo te sobrar
um segundo olhar.
Grãos de areia ao redor de imensas praias.
Gotas em um oceano profundo.
Quando percebemos isso...
Somos tão pequenos!
NOITE ROUBADA
Essa noite, não deve ser minha,
não! Não é minha... Não pode ser!
Essa noite, já passou pelo coração
do sono, rompeu pela madrugada,
corujas, já pararam de voarem por ai,
passos encurtaram as passadas pela
calçada, e eu aqui como se fosse um
moribundo de olhos abertos, sem dormir.
Essa noite, meus sentimentos me cutucam
como se fossem espora sob as ancas
do animal açoitado, acuado...
Estou aceso, como labaredas em fulgor
tilintando impregnado pelo gosto gostoso
do seu amor. Todavia aqui, eu me
encontro viajando até ai, até há ti...
Quanto há você... Essa noite, deve ser
sua, com certeza você, já passou pelos
anéis de saturno, viajou pelos estases
empoeirado da lua, galgou o sabor dos
seus sonhos e agora encontra-se...
Absolta sobre o castelo inebriado do
seu sono. Não! Essa noite, não é minha.
Antonio Montes
SONHOS SATISFEITOS
Você tem a chave para abrir a porta
de tudo! Abra... Abra para o nosso mundo!
Vamos esquecer os nossos termos...
E se lambuzar no mungunzá dos nossos
segredos, induzir o gosto ao esboço da nossa
anciã, estatelar-se em nossas vontades, e
em trepido anseios de desejos... Galgar pelos
feromônios dos nossos corpos.
Venha, entre no tic-tac da nossa paixão,
vamos ouvir os gemidos do nosso frenesi,
e com o suor da nossa perdição... Vamos
se misturar ao torrão do nosso nascimento.
Vamos... Venha farofar a farofa do nosso
delírio, vamos viver tudo aquilo que nos
enche de grilos... Voar n'essas asas encantadas
e pousar sob os castelos dos Deuses e viver
o momento que nos pertence, por direito....
Venha, vamos sentir um mundo, que nos
enche de sonhos... Satisfeitos.
Antonio Montes
NÃO FICO
Do que adianta você...
Se afastar de mim.
Não vê que eu não consigo
me afastar de ti...
Sem você eu não vou,
nem vivo.
Se você não está aqui...
Meus trilhos só se apresentam,
com espinho, e eu, não consigo
andar por nem uma caminho!
Nem tenho passos para passadas,
nas estradas, nem futuro.
Em vez de mundo...
Eu estarei no escuro
com a cara pregada no muro.
Sem ti, não vejo estrelas nem luar,
não vejo arco-íres sob o céu,
nem horizonte,
sobre o remanso do mar.
Antonio Montes
A arte de amar
Dos sentimentos mais belos,
serenos e singelos
O amor está em primeiro lugar
para um sentido na vida nos dar
É sentimento que comove
aquele que o absorve
O amor é envolvente...
é feliz o homem que o sente
A vida se torna mais bela
quando o amor se revela...
A paz reina no coração
trazendo a união
A arte de amar é tão sublime,
Veja quanta beleza exprime!!
basta saber conjugar...
Eu amo, tu amas, ele ama,
e no plural esse amor desfrutar...
Amor Ágape, amor Eros
amor Philos,
várias formas e estilos
Sem esquecer de amar a si todo dia, pra que haja harmonia
Deixe o amor de você fazer parte!
Pois, ele revela a mais bela arte
A ARTE DE AMAR!
Li Maranhão
Teus olhos verdes
Teus olhos tem cor que me fascina
Que fita, que ilumina...
Tem cor que acalma
São verdes, invadem minh'alma.
De tão verdes, traz prazer
Prazer que me faz viver...
Teus olhos são sedução
Traduz doçura e paixão
Verdes olhos que inebria
Olhos verdes que me fazem sonhar
Viver sem esses olhos? Ah! meu Deus, não quero nem pensar...
Me perco no teu olhar de mistério, viajo nesse teu verde olhar...
E, quando meus olhos castanhos, teus olhos verdes encontrar...
Seremos um só amor e dele vamos desfrutar...
Aí, então, tu me dirás
Palavras que nunca ouvi
Aquelas que só através
Dos teus verdes olhos senti
Li Maranhão
