Poemas de Loucura
EU NÃO ENTENDO! Por medo da loucura, renunciei à verdade. Minhas ideias são inventadas. Eu não me responsabilizo por elas. O mais engraçado é que nunca aprendi a viver. Eu não sei nada. Só sei ir vivendo. Como o meu cachorro. Eu tenho medo do ótimo e do superlativo. Quando começa a ficar muito bom eu ou desconfio ou dou um passo para trás.
Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dela.
(...) a mesma mansa loucura que até ontem era o meu modo sadio de caber num sistema. Terei que ter a coragem de usar um coração desprotegido e de ir falando para o nada e para o ninguém? Assim como uma criança pensa para o nada. E correr o risco de ser esmagada pelo acaso.
Hoje tenho grande urgência de viver.(...) Todos trabalharam loucamente. Não há tempo para perder com gente chata, coisas chatas...
Uma vitória louca, uma vitória doente. Não era amor. Aquilo era solidão e loucura, podridão e morte. Não era um caso de amor.
Agora, suponho que sim: tanto o filme quanto o poema ou a música falam dessa nossa louca necessidade de ilusão. Porque a imaginação do homem foi feita, acho, para imensamente mais do que aquilo que o cotidiano oferece.
Já que não tenho coragem de assumir minha loucura, queria que ao menos algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do mundo que nunca me dissesse ‘’ei, você se expõe demais’’ e que me deixasse ser assim e apenas me deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo resolvesse me magoar porque eu sou briguenta, mas sou mais sensível que maria-mole na frigideira.
Sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.
Lembra? Oh, eu não faria isso! Lembrar é perigoso... Eu vejo o passado com um lugar cheio de ansiedade. As lembranças são traiçoeiras! Num instante vc está perdido num carnaval de prazeres, com aroma da infância, os neons da puberdade... No outro, te levam a lugares aonde vc não quer ir... Onde a escuridão e o frio trazem a tona coisas que gostaria de esquecer! As lembranças podem ser vis, repulsivas e brutais....
Mas podemos viver sem elas? A razão se sustenta nelas. Não encarar as lembranças é o mesmo que negar a razão! Mas e daí? Quem nos obriga a ser racionais? NÃO HÁ CLAUSULA DE SANIDADE! Assim quando você estiver dentro de um desagradável trem de recordações, seguindo para lugares do passado onde o risco é insuportável.... Lembre-se da loucura. Loucura é a SAÍDA DE EMERGÊNCIA!
Quando aprendemos enfim a viver sozinhos, descobrimos que pessoas comuns não servem pra muita coisa. E passamos a admirar os loucos.
Prefiro morrer deitado a mais de 140km/h em cima de uma moto do que deitado em uma cama de hospital há mais de 140 dias!
"Quando eu me assumi louca, percebi que não existe outra possibilidade. Não existe pessoa normal. A vida ficou mais agradável. Desisti de procurar qualquer normalidade, qualquer fórmula. Eu tenho uma mentalidade e um universo muito próprio, muito pessoal."
Alguns me chamariam de boba por escrever coisas tão loucas pra alguém que quer ficar tão longe. Mas a vida é muito curta e o silêncio nunca vai te mostrar o que eu quero te dizer, mesmo que você não queira escutar. Por isso eu escrevo.
O sentido disso tudo é que não há sentido em tentar enlouquecer para impedir-se de ficar louco.
"Eu acho que qualquer pessoa que se apaixona é uma aberração. É uma coisa louca para fazer. É mais ou menos como uma forma de insanidade socialmente aceitável."
Eu sei que parece loucura, mas tenho medo de um dia eu acordar e não te ter do meu lado, não ouvir sua voz e nem sentir teu cheiro. Tenho medo de que a vida nos afaste e eu nunca mais consiga me acostumar com outra pessoa, pois todo amor que existe em mim, já foi dado a você. Tenho medo de não poder mais olhar nos teus olhos, nem ter mais seu abraço para me proteger dos meus medos.
Enfim, tenho tanto medo de te perder que luto todos os dias para que nosso amor seja eterno e que eu possa sempre amanhecer contigo.
Invente uma boa abobrinha e ria, feito louco, feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada.
(Pequenas Epifanias "Deus é naja", O Estado de S. Paulo, 15/7/1986)
Se acaso me quiser sou dessas mulheres: complicadas, determinada, meiga, sincera, louca, carinhosa, arrogante, desajeitada, engraçada, brincalhona, melhor amiga, ácida, apaixonada, sonhadora, sorriso sarcástico e um leve tom de ironia, sou muito boa, mas como toda garota boa também sei ser má.
