Poemas de Janela
RONDA SILENCIOSA
Solidão cerrada, aquietada, escura
Afora a janela, o cerrado tão calado
Na imensidade do céu não fulgura
Um só brado, um ermo imaculado
Cá dentro, a mudez flébil murmura
E a melancolia no vento é fustigado
Escoriando a alma, áspera candura
Em um rasgar do silêncio denodado
Ecoa surdamente sôfrega bofetada
De escora frouxa, completamente
Aflando ali a apertura tão abafada
E, a letargia, assim, vorazmente
Faz tácitos claustros de morada
Em ronda silenciosa, lentamente
© Luciano Spagnol- poeta do cerrado
Cerrado goiano, 5 de dezembro, 2019
Olavobilaquiando
Abra a janela do coração.
Jogue fora a tristeza
Abate o semblante
E torna embaçada a sua visão.
Deixa Deus fazer tudo novo
É um novo dia
Experimente descortinar a alma
E entoar ao Senhor uma nova canção.
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
evangelista da silva
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Um garoto maltrapilho entregue a desordem
Adotado pelo narcotraficante de alhures...
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Bêbado, vomitando e cheio de crack, - alucinado
Entregue às mãos podres dos desgraçados.
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Acorrentado para nunca mais libertar-se dos algozes
Entrincheirados conduzem o nosso povo à desgraça.
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Estuprado e condenado à prostituição faminto e só.
E assim, conduzido à tortura, certamente, morrerá.
Da janela de onde moro eu vejo o Brazil
Desmaiado sugam-lhe o sangue e vida
Na estúpida violência de roubar a nossa beleza e viver!
Bahia, 13 de maio de 2019.
às 19h 30min.
Lembrança de Infância
evangelista da silva
Aqui do alto à janela vejo o Uni(verso)
Encoberto de nimbus sobre a minha cabeça
A desfazer-se em chuvas, e choros e gemidos.
Ainda ontem, e faz muito tempo...
Eu sentia este ventinho frio e a cara do tempo nublada,
Cheia de solidão. Mas eu, somente eu, era amado e...
Ao lado da minha avó sentia-me amparado
E forte, e consolado, e cheio de calor...
O amor tudo pode. Assim foi o meu tempo de menino.
Recordar é a maior das razões de viver...
Faz dezenas de anos que não revivo cena tão igual.
Estou no passado ao lado da minha avó esperando a hora de dormir...
Como hoje uma lâmpada acende, não é preciso apagar o candeeiro...
Já não tenho mais a coragem de encarar a luz,
Visto que a minha avó já não dorme ao meu lado.
Santo Antônio de Jesus, 03/12/2018.
Às 18h 12min
Eu e nós outros
evangelista da silva
Recolho-me!......
Da janela vejo o silêncio mórbido das ruas.
Encontro-me frente a frente à tv.
Observo o carnaval.
Um surto psicótico explode!...
E as almas decaídas aprisionam os possessos
Endiabrando os corpos em estereótipos catatônicos
Que são conduzidos aos infernos.
É carnaval!...
A maioria dos mortais se desequilibram
Enquanto atentos outros usurpam o transe infernal.
E tudo acontece nesse instante:
Cenas macabras desfilam em sangue e mortes... Dessa forma a infelicidade aumenta:
Torturas, toxicodependência, e melancolia.
É carnaval!...
Das prisões às avenidas
Favelas e nobres bairros...
É um urro agonizante de desrealizações.
E, nesta fúria satânica e neutralizante,
Onde tudo se confunde,
Vê-se alegorias, fantasias, arte, circo e palhaçadas!...
Religião, zoada e perturbação musical.
Sim, é carnaval!...
Nesses instantes esquizofrênicos
Ninguém para nada serve
A não ser para lambuzar-se em merda.
Vai-se indo mais um carnaval!...
E neste frenesi torporizado
Entre o real e o imaginário,
Os manipuladores da emoção
Deformam a realidade.
Vendem felicidade e beleza.
Pregam em tudo, pureza e simplicidade
Enquanto a turba agitada e enlouquecida
Agita-se em movimentos bruscos
Ouvindo um som que vem dos infernos
Criando a sinfonia perturbadora das notas musicais.
Santo Antônio de Jesus, 27 de fevereiro de 2017.
Às 16h 03min.
Olhando de minha janela vejo pessoas
Todas padronizadas caminhando igualmente
Seres controlados seguindo seus dogmas
Priorizando sempre suas próprias normas
Escondendo suas asas pois são parasitas
Que sempre vivem famintas
Se alimentando de diferenças
Se apropriando de crenças;
Por que tudo isso?
Será que esse foi o resultado da "evolução" ?
De toda maneira ainda vejo o horizonte
Um horizonte de decepção
Um mar sem vida
O remédio que não cura nenhuma ferida.
#FLOR #AMARELA
A flor amarela...
Que vejo de minha janela...
Me faz muito pensar ...
Como a vida é singela...
Hoje aqui...
Amanhã não mais...
De modo triste venho notando...
Como andamos nos afastando...
Então venha cá,comigo falar...
Lhe espero no portão...
Traga um lindo sorriso...
Em troca do meu coração...
Onde está a fantasia...
De sonhar todos os dias...
Da amizade sincera...
Do bem...
De se dar...
Falar em gesto que oferta...
Pra lembrar que o amor é tanto...
É dando que se recebe...
Recebendo...
Vira encanto...
Uma flor ao cair no chão...
Pelo tempo que passou...
Tudo virou saudade...
De quem foi...
Me deixou...
Não se assuste se não por acaso eu lhe digo...
Do que ainda sinto...
Para mim ...
Não acabou...
Na pureza do espirito perfeito...
Com a dor na alma eu clamo...
Vem a mim...
Vou ao seu encontro...
Fazendo meu coração renascer...
Flor amarela...
Dou a você...
Sandro Paschoal Nogueira
FREYA
Voando no Pégasos entrarei pela janela do seu quarto escuro,
Minha imaginação também voa alto,
Voando no Pégasos sou poderosa,
Voo através dos meus sonhos mais loucos até você,
Pégasos não fará barulho com suas asas,
É o meu cavalo alado que me leva aos lugares mais longes do prazer,
Ele me conduziu hoje até você,
Por entre devaneios cheios de frenesi,
Invadirei teus sonhos,
Serei Freya deusa do sexo,da luxúria, da beleza, do ouro...
Entre beijos e carinhos te possuirei em sonhos,
Nesse mar de devaneios, acordarás,
Me pegarás no colo,
Como criança me embalarás até o raiar do dia,
Depois meu cavalo branco me conduzirá por entre nuvens,
E tu, louco de amor gritarás o meu nome,
Ouvirei o eco por entre vales e montanhas,
Mas só a noite voltarei a te encantar...
Dias cinzas...
Pela janela vejo a chuva,
seus pingos tocam o vidro no ritmo do coração, quase se achegando nele.
Chove aqui dentro também...
Quem é ela que estilhaça minha janela
Que pinta meuvidro como se usasse aquarela
Que tilinta suave e estridente ao mesmo tempo, como se tentasse, sutilmente, desafiarminha inquietude com leve espiadela.
Rajadas frequentes como se estivessem voltando os bravos sentinelas
Só pode ser ela, trazendo renovação e calmaria em meio ao caos, como se a colher de pau surrrasse a desgastada panela.
Oh, chuva! Peço que não caia devagar, que molhe esse povo e os deixe chorar! Mas nãoos deixe largados em qualquer viela.
Suas lágrimas devem confluir com suas gotículas e inundar as mazelas que por aqui se instalaram por pura falta de amor, cravo e canela.
E ela parece brava, do jeito que Yansã gosta.
Senhora do amanhecer, onde sua espada brilha, pra nos proteger.
Enquanto aqui permaneço, jogando mais tinta na tela, tentandoadmirar intra-janela, me dou faltada cor amarela.
Nada é tão mágico se não tiver amarelo.
Um colorido sem amarelo é um pé doente sem sua chinela. Parece completo. Parece.
Olha lá, além da favela, ao leste Ele surge me dando logo uma vívida e escaldante piscadela.
Pronto, agora não falta mais nada
A paleta da natureza está completa
Posso voltar a dormir.
A chuva ainda cai
E eu posso fechar minha janela.
Meu girassol,
Sempre se exibe debaixo do sol
Vive no campo ou na janela de uma garota
Assim ela a observa embaixo do lençol.
Meu girassol,
Vejo seu corpo dourado e radiante
Todos os outros te acham excitante
E desejam arrancar te do vaso da minha janela
Mas eu jamais permitiria,
Jamais te deixaria.
Meu girassol,
Eu só queria viver o suficiente
Para poder admirar mais uma vez
Debaixo do meu lençol
E ver o corpo dourado do meu girassol mais uma vez
Brilhando no sol.
BOM DIA, MANHÃ!
(JANELA)
O astro-rei, ainda triste e fechado,
Esperando abrir a janela,
Nunca vira um diatão triste e fechado
E manhã tão fechada e triste quanto aquela...
Mas quando ela acordou e sorriu,
E saudou o sol, abrindo a janela,
A manhã inteira se abriu
Com o sol que sorria no rosto dela.
FIADO (soneto)
Espiando na janela, a sorte vai em bando
E as nuvens levedando o pensamento
E pelo vento a rapidez vai multiplicando
E a poesia urdindo o vário sentimento:
Pranteio, rio, apresso, acalmo.... Ando
Descanso, me cubro, e fico ao relento
Assim, cada tento, tento sem mando
Neste lugar secreto, óbice e fomento
Apressa-te, sonho, amanhã é seguinte
Um novelo em turbilhão e de requinte
Pois, o que mais importa é estar amado
Não te fies da dor nem da arrogância
O destino tem a sua real importância
E a vida, não, e nunca negocia fiado!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/07/2020, 07’29” – Triângulo Mineiro
Vento, pássaros cantando, brisa do mar, folhas verdes, céu azul e uma janela - janela da alma? vidraça? um simples vão no imaginário?
Cachorro latindo, caminhão passando, coração a pulsar;
Teclas sendo pressionadas, respiração ofegante (ansiedade?);
Pequeno momento de percepção e reflexão na solidão criativa.
Pintassilgo
Um pintassilgo pousou na minha janela
Numa manhã de sol esplendorosa!
Ave de beleza singular
Que lindo o seu colorido!
Com a sua máscara vermelha
Cheio de energia e excitação!
Cantava a sua doce melodia
Como se quisesse chamar a minha atenção!
Canta o meu ilustre visitante,
com alegria e fulgor
Tu és pássaro viajante
Mensageiro de esperança e amor
Fiquei aprazerada e encantada
Com tal visita extasiada!
Numa grande ópera cantava como um tenor!
Intérprete de obras extraordinárias!
Na chegada do crepúsculo,
no fim do último ato.
Fecharam-se as cortinas.
É findo o espetáculo
E num voo magistral
Recolheu-se o tenor no espaço celestial!
Aguardo-te na alvorada nobre cantor.
Lindo pintassilgo de canto sedutor!
Abro a janela, deixo a luz chegar
E iluminar os pensamentos que aqui dentro há
Lavo as palavras, reflito com meu reflexo
Vou buscar um nexo e tem quente já
Alimento a mente, dou ração pra alma
Pacientemente dou razão pra calma
Rego as sementes, cuido bem do jardim
E cada flor ali presente é importante pra mim
O que você quer meu amor?
Que eu rasgue a roupa vá pra janela e grite seu nome?
Que eu chore a noite inteira por saudade? Quantas noites mais?
Que eu diga que eu te amo em todos idiomas?
Sim eu te amo, eu te desejo e eu te quero.
Agora só consigo falar a linguagem do amor.
Vem sentir nos meus braços o que é ser amado, navega no meu corpo e morrer em mim. Me faz nascer 10 vezes antes do amanhecer.
|• Em um belo dia, a moça olhou para o lado de fora através da janela em seu quarto, o dia estava nublado, frio e gélido
mas isso não a assustou, o tempo estava apenas parecido com o seu coração.
- Ela sábia que, mudanças precisariam serem feitas, e que deveria aquecer o seu coração e deixar a primavera entrar novamente em sua vida...
ENQUANTO ISSO LAVE AS MÃOS
Da janela vejo vultos no horizonte
Desviamos na contramão
Noite silente
Mãos de oração
Mãos de sedução
Sinto fome de beijos, sede de amor
Mundo de realidade nunca visto
Lave as mãos
Mãos de edificação
Mãos mostram o caminho
Breve caminharemos de mãos dadas
Lave as mãos
Cinco de maio
Dia mundial de higienização das mãos
Lave as mãos
Nosso destino está em nossas mãos.
