Poemas de Flor
Felicidade
Diamante esculpido
Um beija-flor de jade
Traço raro e diminuto
Pequena, em pleno espaço
Do nada ... a vida
Pedra sabão talhada
Delapidada
Alheia a toda vontade
As grades de ouro
A liberdade
Resposta que não veio
O início chega ao fim
Sem meio
Um desenho bonito
E que a gente desenhou tão feio
Falha a abelha
Mel de milho
O sorriso é uma fotografia
Uma ausência cortante
À luz do Sol digo, bom dia!
A carta mal escrita
Num papel bonito
Entregue no destino errado
Um grito que se propagou no vácuo
Uma vela que se apaga
O apego à escuridão
Simplesmente aquela
Sempre velha corrente enferrujada
O portão que separa
O passado e o presente
Tempestade linda
Amanheceu
Na madrugada insône
Amanheceu tão descontente
Madrugada, ainda
Um desenho
Quando a gente o desejou bonito
Ficou feio
Edson Ricardo Paiva.
Poesia Sutil.
Eu penso ser muito bom
O fato de a flor não saber
Pois, se a flor dedicasse atenção
À tamanha admiração
daquele que a fita
Pode ser que aconteceria
de a flor então desejar
Querer ficar mais bonita
A estranha rareza a que se busca
Alçada no ver da vaidade
é beleza irreconhecível
Pois o olhar da cobiça a ofusca
Conduzindo almas perdidas
Nos caminhos da ilusão
Felicidade ... rara; querida!
Pobre plágio de alegria
A transforma num fácil jogo
E vem a falsa impressão
de estar dando as cartas
Farta-se em vê-las perdidas
Difícil esse jogo da vida
Perceba a felicidade
em andrajos vestida
Fingindo desenxabida
Morando na casa ao lado
Simplicidade é ter um valor
Invisível aos olhos de ver
Que nem ao menos pára para iludir
Infinita ... reluzente
Milhões de vezes mais cara
Real essência da vida
Modesta, invisível
Contrasta ao que não se basta
Do desejo em possuir
Àquilo que a alma enleva
Palavra jamais aludida
Uma entrave obsessiva
Insistente em mentir pra verdade
Suave arremedo, perdida
Enquanto a beleza mais bonita
É o fato de a flor
Ser bela sem o saber
A beleza mais bela da vida
É aquela que a gente não vê.
Edson Ricardo Paiva.
O livro de Matheus.
Existem lugares onde se caminha
Deixa marcas, escreve histórias
Planta flores que o lugar não tinha
Ruas pelas quais
Nunca mais vai passar
E quando a gente olhar pro céu
Talvez perceba que há coisas suaves
Tão breves, que se vão na brisa
Existe um tipo de tempo
Invisível para os relógios
É o lugar onde essas coisas são guardadas
E te mandam lembranças
Elas vem
Pelo postal da vida
Sobre o qual
A ciência não sabe nada
Não existe mentira que altere o trajeto
Marcas de pegadas
Que por menos se enxergue
Não podem ser apagadas
Nem há paz que as negue
Segredos ocultos atrás do muro
Num lugar que sepulta-se medos
Todos eles, da família das verdades
Chega a ser triste e bonito
Ver seus nomes escritos nas lápides
Existem sons que se fazem ouvir
E silêncios retumbantes
Livros que se quis ler
E páginas viradas
Que a vida escreveu
E não foi sem querer
Aromas, que de tão sutis
A memória desconhece
Não são todos caminhos
Que fogem à Roma
A graça da vida
É não saber que lugar é esse
Respostas que se acerta
Tentando fugir à pergunta
Existe um lugar
Que não se chama vida
Pra onde correm todas as mágoas
É lá que essas coisas se juntam
E onde não podem ser escondidas.
Edson Ricardo Paiva.
A flor.
Ficava ali, no chão do caminho
E todo dia eu passava por ela
Era apenas uma flor, sem cor definida
Entre outras tantas
Não sei dizer quantas
Pode ser, fossem centenas
E eu também era criança, igual a ela
Entre outras muitas, iguais a mim
Num mundo de tantas coisas sempre iguais
A simplicidade as faz diferentes
Não sei por quê
Meus olhos se acostumaram
Olhar pra ela, exatamente
Passado o tempo, é como estar ciente
De quanto a fantasia não se distancia do concreto
De fato, não tinhamos procurado
O ângulo correto para olhar
Mas tudo tem seu lugar
Precisamos encontrar o nosso:
Em muitos casos, que não seja perto
Creio que em tudo na vida
A gente continua sendo sempre assim
Uma casa com jardim, numa grande avenida
Um momento que parece assim; desimportante
Que se repete momentaneamente
Ao longo de toda uma jornada
Que, ao final, se tornará também desconhecida
Uma simples coisa, entre outras tantas
Algum caminho do passado
Onde ninguém jamais voltou
Nem voltará
Nenhum agosto e nem setembro serão eternos
Hoje, olhando esses momentos à distância
Compreendo perene, a inconstância
Mas, alguma coisa permanece
Ali, parada no chão do caminho
Como simples lembrança
A ser replantada, com o carinho da imaginação
Talvez, tornar de alguma forma
Um tantinho assim, mais leve
O caminho, a jornada
Que, ao final terá sido
Breve como flor.
Pode ser que o Criador
Com o amor de quem se recorda, nos replante
Num jardim gigante, onde seja permitido
A criança sair da fila, a caminho da sala de aula
E sentar-se à borda do jardim, pra dizer àquela flor
Que, pra mim, ela era importante
e seria pra sempre lembrada.
Edson Ricardo Paiva
Livro: Não Há Arco-iris no meu Porão.
Capítulo 5 —
A Flor e o Filósofo no Abismo.
A flor estava sentada no limite do porão, onde os tijolos se desfaziam como lembranças mal digeridas. Seus olhos, enevoados de luto prematuro, fitavam o vazio que morava dentro dela — e que não era só dela.
Ali, no breu quase simbiótico, surgiu ele: Friedrich, sem o tempo nem a barba. Não como homem, mas como ferida.
Trazia no olhar a exaustão dos que pensam demais, e nos lábios o tremor dos que já perderam o direito de acreditar.
Ela não se assustou.
Ele também não.
— “Você também caiu?”, ela perguntou, sua voz como se viesse de um sino partido.
— “Não, pequena... eu apenas nunca mais consegui subir.”
Ficaram frente a frente, ambos em silêncios que diziam mais do que qualquer aforismo.
Ela estendia os dedos manchados de pó e sangue velho. Ele hesitou. Nietzsche sabia o preço de tocar a dor alheia. Mas, ainda assim, quase tomou sua mão.
— “Eu carrego dons que doem”, disse a flor.
— “E eu carrego verdades que me isolaram de todos”, respondeu ele.
Acima deles, os sorrisos vazios dos que acreditam ter vencido a vida tremeluziram como cacos de luz.
Mas no abismo, não havia luz — apenas lucidez.
E uma flor lutando para sustentar as Notas.
— “Eles acham que estou louca… porque ouço o que ninguém mais ouve…”
Nietzsche inclinou-se, sua sombra tremendo como um pensamento prestes a ruir.
— “Louca? Ah, criança… eu desejei ser louco muitas vezes. Ser louco é menos doloroso do que ver demais. Você não está louca. Você está vendo um mundo que finge ser cego.”
Ela não sabia se aquilo a consolava ou a condenava ainda mais.
Ficaram ali. Dois seres de fronteira.
A flor que não florescia.
O filósofo que não acreditava mais na primavera.
E, por um instante que talvez nunca tenha existido, tocaram-se.
Não com as mãos, mas com a dor que se reconhece.
Assim como a borboleta aprende a voar,
Mas precisa encontrar uma flor para pousar.
Você também pode aprender a voar;
Mas não se esqueça...
De garantir um cantinho de paz
para também repousar.
Ela é a brisa suave e a tempestade feroz,
O início e o fim, a semente e a flor,
E com cada passo que dá, a terra treme,
Porque ela sabe que o futuro pertence a quem o cria.
Ela é todas nós, e somos todas ela,
Um coro de vozes que se ergue,
Inabalável, irrefreável,
Até que o mundo reconheça: somos a revolução.
Plantei uma flor que não pode florescer
Construí na minha mente
Terra fértil pra plantio
Impossível suportar a tempestade dentro do meu peito
A água e os ventos
Tudo destroem
Já está difícil segurar as raízes
Absorver o que é bom
Eu estou com medo
No jardim já tudo se desfez
O dia escurece a cada segundo
E com mais força
Tudo se repete
Vamos conseguir superar?
Essa catástrofe é natural
O sol tímido logo vai aparecer
Queimando as memórias remanescentes
E tudo
De todo o meu amor, seja por quem for, que seja tão belo como uma flor.
Que traga alegria e leve a dor.
De todo meu amor, seja por quem for, que seja como uma manhã de primavera e seu frescor.
Que venha, para nunca mais se for.
(Menina do Meu Jardim)
No Jardim da minha vida,
um dia você nasceu,
menina, primeira a flor mais linda que me apareceu
A florzinha cresce depressa,
Sorridente, meiga, esperta,
Uma jóia rara que meu lar enriqueceu
Nos cachinhos dos seus cabelos,
deslizam meus sonhos e planos,
Minha filhinha querida, posso tudo, faço tudo em ti pensando
Seu sorrisinho sempre aberto,
desmonta meu coração, Você é tão sapeca...
Sou um verdadeiro corujão.
Seu abraço me quebranta,
suas palavrinhas derretem meu coração.
Amo-te tanto minha menina, a você direciono todos os meus cuidados e atenção
Mais um sorriso menina,
você sempre sorri,
Seu sorriso me liberta, não deixa esquecer que sou feliz.
Mulher linda
De pele macia
Como pétala de flor
Em que minhas mãos
Insistem em buscar
O néctar do amor
Olhos azuis,
Como estrelas,
Cabelos dourados,
Rosto de menina,
Corpo de mulher
Quero envolvê-la em meus braços
Viver este sonho...
Seguindo os seus passos...
Desejo sua pele, como quem quer sentir a delicadeza de uma pétala de flor suave... pura... macia...
Nossos corpos trocam deliciosos segredos... sensações... descobertas ...
E deixamos fluir o melhor de nós...
Em nós
Do ventre ao fruto da terra em flor,
Tudo bendito por Teu amor.
Até meu rebanho, meu alimento,
Carrega em si Teu livramento.
Páscoa é vida que renasce em flor,
É graça, é paz, é puro amor.
É o Rei que vence, é luz que invade,
Trazendo ao mundo a eternidade.
Um olhar
Nos olhos das crianças a pureza
Na flor, a natureza mostrando que és bela
No rádio uma linda canção
No peito a emoção de ser tocado pelo amor
Minhas palavras são escritas com carinho
Sei, não estou sozinho
Pois sei que estás aqui
Guardada no meu coração
É maior do que paixão
Esse amor é pra você
Seja minha flor
Serei o seu vício
Arranco a dor
Na paz acredito
Seja onde for
Um lugar bonito
Prometo te dar
Ser mais que um alívio
O que eu fiz de errado?
Comprei uma flor linda pra te dar
Nas ruas tão feliz, sai correndo para te encontrar
No caminho parei pra te ligar
Você não atendeu, acreditei estar ocupada .
E estava, mas não imaginava que assim
Não esperava que você pudesse nem pensar em mim
E eu com uma rosa na mão
Te vejo com outro alguém
Cai flor, ficha e razão, me faz chorar
Pensando no que fiz de errado
Ao ser seu namorado
Já apaguei todos erros do passado
Eu quis é te ter do meu lado
Mesmo sendo um fracasso
Acreditei ser dono desse abraço
Se te fazia "tão bem" por que está sendo assim?
O que é que ele tem? vai diz pra mim
Se é só trair por trair, se queria um fim
Por que que respondeu um sim pra mim?
Nesse namoro de ilusão, você quem sai feliz
E eu saindo aqui sem coração
Mina se era pra ser assim
Bem melhor dizer não
Fica com ele
E eu com a solidão
Pensando no que fiz de errado
Ao ser seu namorado
Já apaguei todos erros do passado
Eu quis é te ter do meu lado
Mesmo sendo um fracasso
Acreditei ser dono desse abraço
Carta I
De: Mirla Cecilia
Para: A Flor amiga e hóstil
Não me culpe pela hostilidade do mundo, que eu não te culparei pelos buracos dos pregos cravados e removidos, que marcam o meu corpo.
Não exceda repugnâncias sobre minhas afeições a ti aplaudidas, que minha urgência sentimental não perfumarás de desamor tua flor híbrida em mim.
Se cansas do singelo, deixes tua natureza cultivada, para se tornar fóssil da agressividade aleatória que inflamas sobre outros. Ontem um desconhecido a incomodou, hoje é o meu amor que se torna desconhecido em ti.
"A falta de confiança faz até mesmo um grande amor acabar"
@M.FLOR.OAMOREMCARTAZ
Eu acho que é verdade. Mas será que o problema não começa na infância? O mundo não está preparado pra ser bom com ninguém. E a infância é a principal seta de escolhas do futuro...Mas principalmente de opções que foram determinadas na infância ou até mesmo muito antes de nascermos. No final a ausência de confiança pode não ser culpa de ninguém, e vice e versa.
Como lidar com algo assim?
Sei que se permitir amar mesmo que soframos é uma das opções mais eficazes. Ainda sim, antes de qualquer coisa nesta vida é preciso muita, mais muita coragem mesmo.
Tem que ter coragem para amar, para confiar....Ainda mais nas condições do mundo atual.
