Poemas de Charlie Chaplin Saudade
Saudade!
Palavra de grandeza inexplicável!
Sentimento único e perturbador...
Emoção forte e irrespirável...
Angústia que passa a dor!
Soneto da saudade
Quando de saudades eu viver
E a solidão me assombrar
A certeza do incerto acontecer
E essa peleja começar
Essa angusta ao anoitecer
Afligindo o meu pensar
Me levando a perecer
Sem quer reanimar
Oh que dor sufocante
Tire de mim agora!
Remova neste instante
Se Deus me levasse embora
Seria reconfortante
A esse coração que chora
" Hoje a saudade veio me visitar, veio sem aviso prévio, com um acréscimo de carência e solidão..."
Saudades dos meus velhos amigos...
Amigo velho amigo
Muita saudade tenho de ti
Incide em min lembranças boas
Guarde-me em teu coração
Obrigado por me proporcionar momentos
Não é na dor de uma saudade
Que depositamos a esperança
De uma nova convivência
De uma ilusão desenfreada
De um amor arrependido
Em busca do nada
Nada que possa valer a pena...
Hoje choveu, após muito tempo.
Chorei ao ver a chuva, dela sentia saudade.
Chorei ao olhar a vida, lembrar dores passadas.
A chuva me fez voltar ao finito, vez por outra arrepender-me de verdade.
Das coisas feitas sem medo, das frases ditas em partes, dos sonhos partidos ao meio e das metas não alcançadas.
Depois a chuva passou, restando seu cheiro no ar, o choro então cessou, a vida voltou ao normal, até chegar outra chuva, ou, até um novo final.
SOBRE A SAUDADE
Nem me fale da saudade
Que arrebenta com a gente
Neste tempo diferente
Que a ausência se firmou
Como alma penitente
Sempre ao lado do senhor.
A saudade roí sem pena
Fez morada aqui no peito
Nem por força vai embora
Já não tenho este direito
De viver as alegrias de outrora
Quando o mundo era perfeito.
Hoje só respiramos por sorte
Quando a dor não está presente
É a saudade dos amigos
Dos filhos-netos e de parente
Mas o que de fato doí é saber
E viver como indigente.
Desprezado sem um abraço
Já que somos feitos assim
De carne e osso, sangue e afeto
Precisamos de carinho, olho a olho
De um sorriso bem contente
De alguém que esteja perto.
Evan do Carmo
Me permite ser quem você sente saudade
Eu quero ser a sua metade
Me deixa ser quem você sorri ao lembrar
Me deixa ser seu ar
Invasão
A saudade quando invade
não escolhe hora, lugar ou idade.
Ela chega avassaladora e desmedida.
A respiração é um soluçar.
Quanto mais pensamentos,
mais vontade de chorar.
A saudade é traiçoeira.
Cabeça vazia é hospedeira
e nas noites solitárias,
sua amiga é a cabeceira.
Ó SAUDADE QUE PASSAIS
Ó saudade que passais, ao sol poente
Pela estrada da lembrança, a suspirar
E na solidão vais em uma vertente
Sugerindo o aperto pra nos sufocar
Deixai-me, aqui, assim, indiferente
O sol que tomba, notando o pesar
O mesmo que já declinou contente:
- na graça, no vinho, no alvo luar...
Deixai! Deixai ir com as cantigas
Do entardecer, as dores sem fim
E contigo todas as ilusões antigas
Que eu quero dormir no descanso
Com anso, calmo e que nada digas
Adormecer num voo leve e manso
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
13/10/2020, 18’00” – Triângulo Mineiro
sinto saudade
ela pediu, eu concordei
dentro de mim, eu relutei.
Por muito tempo esperarei
e depois disso, mais conversas
que começam com um simples "ei"
Opção
Bem perto do amor estar
e desistir.
Passar a viver de sonhos,
ser vizinho da saudade.
Viver de esperanças que não
morrem, ver a quem se quer,
em todos os lugares.
Assim vive quem opta,
por querer o impossível.
Assim vive quem anseia
atingir o inatingível.
Assim vive quem espera de
suas entranhas nascer o amor
incomparável que brota,
com a força das coisas impossíveis,
mas com o calor de uma amor
indescritível
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
RIMAR DUMA SAUDADE
Teve um tempo que mandava
Nas poesias que eu escrevia
Cada versar uma companhia
E em cada linha festa bordava
Com emoção, assim, andava
Nas mãos a imaginação ia
E em toda a obra que fazia
A ventura, ao lado, ajudava
Pobre a poesia, sem aquarela
Sem fantasia, um dia tão bela
E hoje, pedinte de qualidade
E, no amor, sem substância
Sobre o vazio da distância...
Só o rimar duma saudade!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
18/10/2020, 09’29” – Triângulo Mineiro
Ainda ontem chorei de saudade
Foram várias lembranças de você
Sei que só me restou sua amizade
Juro que estou tentando te esquecer
Saudade que mesmo de longe parece perto
Saudade que mesmo não vendo te v ejo
Saudade de quando não falava mas eu ouvia
Saudade de saber que você existe e insisti
Saudade do que foi mais do que ficou
Saudade das perguntas mas nem se fala das respostas
Saudade disso tudo que ficou na saudade.
Caroldi
Quem sabe no caminho da saudade
os nossos pensamentos encontrarão
e falaremos das mesmas saudades
e das lembranças de um tempo bom...Liko Lisboa
Saudade
A saudade não se explica,
É coisa de só sentir.
Não sei se é muito que fica
Ou tudo longe daqui...
Mal secreto (soneto)
Se o vazio que sente, na saudade que mora
No peito, e sufoca cada gesto recordado
Cada olhar do passado, que a dor devora
Pouco será a imensidão do vasto cerrado
Pra que se possa ecoar tal tristura sonora
A sensação que chora, e a lágrima da face
Que escorre, e que chameja a toda hora
Na recordação, sem que haja desenlace
Se se pudesse, do ser a ventura recrear
Da alma só felicidade então aí dimanar
Tudo seria melhor neste amor inquieto
Mas, está cólera que espuma, e jorra
Da ausência, e a solidão que desforra
Nos cala, e estampa um mal secreto...
(2020, 01 de agosto)
Desculpas à saudade
.
Oh! Saudade injustiçada
Rogo a te o teu perdão,
Pelas reclamações das noites
Nos cantos de solidão
Pois sei que és inocente
Te chamei de inclemente
E outras culpas que te dão.
Isenta de piedade
Causticante, e renitente
Devoradora de gente
E mãe da calamidade
Doadora de sobejos
Madrasta dos meus desejos
Matadora de vontade
És da dor a promotora
Outro adjetivo teu
Causadora de gemidos
Flechando corações feridos
Acerta ricos e o plebeus
Da angustia fonte perene,
Do desespero és a farra
Onde a tristeza desgarra
Mãe noturna dos gemidos
Amores desconstruídos
Inspiração da cigarra
Mas na verdade Saudade,
Tu não tens culpa de nada.
Sempre é a paixão safada
Que diz que só faz o bem,
Roubando de quem não tem,
Assim usando o teu nome
Cria sonhos e não mata a fome
Dos sentimentos guardados
Paixão e dor são aliados
No maltratamento de gente
E nós que aqui te sente
Atravessa a madrugada
E tu, pobre coitada
Nos abraça e acalenta
E o ser que te sustenta
Prova do bem e do mal
Desculpe os meus insultos,
Acusas e maldições.
Eu defendo os corações
Do desespero e a mágoa
Quando dos zói cai a água
Quem sente assim se comove
Quando as dores das madrugadas
Com carinho são lembradas.
Só tu, saudade, resolve.
