Poemas de Amor de Fernando Verissimo

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A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado.

Renunciar ao amor parecia-me tão insensato como desinteressarmo-nos da saúde porque acreditamos na eternidade.

O amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento.

O amor não é senão o desejo; e assim, o desejo é o princípio original de que todas as nossas paixões decorrem, como os riachos da sua origem; por isso, sempre que o desejo de um objeto se acende nos nossos corações, pomo-nos a persegui-lo e a procurá-lo e somos levados a mil desordens.

Falta-nos o amor-próprio suficiente para nos não importarmos com o desprezo dos outros.

Não é o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos. Não é o quanto damos, mas quanto amor colocamos em dar.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.

Paulo de Tarso
Bíblia, 1 Coríntios 13:13.

A vida é um sono de que o amor é o sonho, e vós tereis vivido se houverdes amado.

Quando se ama, o amor cerra o coração a todos os prazeres que não decorram dele.

Custa menos ao nosso amor-próprio caluniar a sorte do que acusar a nossa má conduta.

O amor, que não é mais do que um episódio na vida dos homens, é a história inteira da vida das mulheres.

Saboreiem do amor tudo o que um homem sóbrio saboreia do vinho, mas não se embebedem.

Um homem só se conhece em duas situações: quando está sob a ameaça de uma arma ou quando quer conquistar uma mulher.
Você pode argumentar que ambas são situações de descontrole emocional.
Errado: o descontrolo é o homem. O controle é um disfarce.
Você deve se julgar pelo seu comportamento quando enfrentou
a possibilidade de morte ou quando estava a fim da (o nome é hipotético)
Gesileide. Aquela vez que você se escondeu atrás de um poste para ver se
ela chegava em casa com alguém.
Meia-noite e você atrás do poste,
sob o olhar curioso de cachorros e porteiros,
fingindo que lia a lista do bicho no escuro.
Aquele imbecil - e não esse cidadão adulto, respeitável,
razoável, comedido, talvez até com títulos - é você.
Tudo o mais é a capa do imbecil essencial.
Tudo o mais é fingimento.
Você nunca foi tão você atrás daquele poste.
Pense em tudo o que você já fez para conquistar uma mulher.
Os falsos encontros casuais, cuidadosamente arquitetado.
Os falsos telefonemas errados, só para ouvir a voz dela.
As bobagens que você disse, tentando impressioná-la.
Pior, as bobagens que você ensaiou em casa e disse como se
tivesse pensado na hora.
O que você escreveu, sem revisão ou autocrítica.
Aquele ridículo era você.
Os dias e dias que você passou só pensando nela.
O país desse jeito, e você só pensando nela.
Sem dormir, pensando nela.
Tanta coisa pra fazer, e você escrevendo o nome dela sem parar.
E as mentiras?
E aquela vez que você inventou que era meio-primo do Julio Iglesias?
E o que você sofreu quando parecia que não ia dar certo?
Como um adolescente. Aquele adolescente era você.
Isso que você é agora é o disfarce, é o imbecil essencial em recesso provisório.
Só o vexame é autêntico num homem.

Oração dos Desesperados

Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tive que matar por estarem me enchendo o saco.

Também me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.

Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho...
- 12% na segunda-feira,
- 23% na terça-feira,
- 40% na quarta-feira,
- 20% na quinta-feira,
- 5% na sexta-feira.

E... Ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco, que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar...

Que assim seja!

Viva todos os dias de sua vida como se fosse o último.
Um dia você acerta.

Desconhecido

Nota: A autoria do texto, conhecido também por "Oração dos Estressados" ou "Oração dos estressadinhos", é muitas vezes atribuída erroneamente a Luis Fernando Verissimo.

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Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?

A Viagem

...E quando eu partir,
quero ir com dignidade.
Assim,
sem louça suja na pia,
o banheiro e o quarto,
todos bem arrumadinhos.
Na sala, porém,
que deixem a TV ligada,
e que seja num Telejornal,
porque a vida segue.
Nada acabou.
Sou eu apenas que vou passear,
alí, naquele outro mundo,
sem mala, nem passaporte,
levando só comigo
o cheiro infinito do nosso amor...

(Dinho Kamers)

Muro de lágrimas
Renato Nova– 05/12/2007

Não vejo mais a beleza do luar pela janela
O coração já não bate mais contente
Tudo esta frio, insano, frágil, diferente!
A chuva molha o concreto da parede
Muro de minha prisão, minha única visão.

Momentos belos estão sendo esquecidos
Apenas sombras estão ao meu lado,
Sinto-me só, triste, vazio, abandonado.
Mesmo não havendo mais motivo
Neste quarto escuro, pela janela, só o muro...

Tento ser forte, escondo minha dor.
Uso falsas máscaras de felicidade
Porém este sofrimento não tem piedade...
Olho pela janela, não há luar, apenas um muro!
Molhado pela chuva e por minhas lágrimas.......

Renato Nova

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.

Machado de Assis
Ressurreição (1872).

Os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres, pelo que levam os homens a fazer.

Carlos Drummond de Andrade
"O Avesso das Coisas: Aforismos". Rio de Janeiro: Editora Record, 1990.