Poemas da Pátria

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Mãos Atadas

E eu aqui…

Às vezes penso que tudo aquilo que pode ser mudado é justamente o que não deveríamos mudar, porque já está escrito.

No entanto, ao meu ver, tudo aquilo que parece impossível de mudar é exatamente o que deveríamos transformar, apesar dos sacrifícios, das dores, do choro e até dos fins que isso possa causar.

Levo isso como um raciocínio de uma equação matemática.
Mas sabendo que cada problema possui sua própria equação, cada condição exige um raciocínio diferente.

É triste quando as falhas são conhecidas e reconhecidas.
Sabemos como consertar, mas não podemos — ou não temos poder suficiente — para fazê-lo.

A isso eu chamo de:
“Mãos Atadas.”

Mulheres são Marias, são Franciscas, são Joanas e Anas...
Têm perfume de chão molhado
São remendo, são mil conquistas
Fazem do pouco o milagre sagrado!

Liberdade não grita,
ela silencia tudo aquilo
que já não te pertence.
E, no espaço que sobra,
você finalmente cabe em si.





O Rosto da Fé


Um relâmpago atravessa minha mente, e meus pensamentos tornam-se mais claros. Minhas mãos tremem enquanto ergo os olhos para o céu.

O rosto da fé em um mundo sem fé.

Acredito que, no amanhã, muitos desejarão que as mentiras sejam aceitas como verdades e que as verdades sejam banidas.

Por um breve instante, fiquei pensativa. Apenas uma interrogação perdida entre o meu tempo e o meu espaço.

Mas a dúvida me alcançou:

E se o invisível se tornar visível aos nossos olhos?

Será que entraremos, então, em um novo ciclo: um mundo sem fé, mas com o rosto da fé?

Estaremos realmente preparados para mudanças tão radicais?

Uma interrogação perdida, pairando na noite, faz nascer em mim a certeza de que a fé pode ser o nosso último recurso diante de uma fatalidade emocional.

Questionaram a minha fé.

Minha fé?

Ela é somente minha.

Mas torço pela sua.

Os dois lados da verdade: a que alegra e a que choca.

Em um cenário hostil, procuro ser uma personagem empática, provando que o veneno não sai apenas de uma boca grande. Muitas vezes, ele se esconde atrás de sorrisos, silêncios e aparências que poucos questionam.

Entre Estrelas e Espinhas

Vejo prédios, ruas e, ao fundo, barcos. Ao olhar para o horizonte, noto luzes acesas que, no balanço das ondas, criam a nítida impressão de um pisca-pisca sobre o mar.

Mas, observando de outro ângulo, percebi que, quando o vento tocava a água, levantava pequenas gotas, e eu via o que mais parecia uma chuva de estrelas caindo e mergulhando à beira-mar.

Um sentimento de amor invadiu meu peito, e eu me questionei:

— Será que um coração endurecido, um dia, cai na graça do amor?

Uma nuvem passou por mim, como se aguardasse uma resposta.

E, naquele instante, um pensamento surgiu, leve como espuma de verão. Algo veio à minha mente que considero verdadeiro:

No mar de verdades e mentiras, quem não souber saborear um bom peixe acabará envenenado pelas próprias espinhas.

O Abraço da Fé

Se, em minhas tentativas, eu falhar, não grite, não me critique, não me julgue. Apenas me abrace.

A vida não é feita apenas de prazer; ela é feita de equilíbrio.

Dou o que posso e recebo o que mereço.

Há momentos em que existem motivos para a dor — eu bem sei disso. O coração sofre, e então eu choro.

Mas fico triste e preocupada quando, em minha mente, tenho a certeza de que não há motivo algum, e mesmo assim o coração dói. Nesses momentos, o choro se torna mais intenso, mais profundo, quase desesperador.

É então que a fé me envolve e me abraça, amenizando um aperto em meu peito, cuja origem nem mesmo consigo compreender.

Por isso, vamos ativar a nossa fé. Que ela nos fortaleça quando as respostas não vierem, que nos sustente quando a dor parecer sem sentido e que nos lembre de que nunca estamos sozinhos.

O Sussurro do Jardim
Por que existem abraços que doem?
Penso que o adeus é triste e sombrio, mas não fiques triste. Meu jardim sussurrou que, em tua trajetória, encontrarás jardins e canteiros com flores que aqui não existem, e conhecerás a essência de flores jamais sentidas.

Esse sussurro fala verdades que, às vezes, até esqueço, mas das quais gosto de me lembrar.

E é assim que, em meu ser, a esperança floresce e emana felicidade.

Asas no Céu

Dias atrás, sonhei que, ao olhar para o céu, notei a existência de seres semelhantes a nós. Havia apenas duas diferenças: eles possuíam asas e voavam de um lado para o outro; além disso, todos sorriam, transmitindo uma sensação constante de felicidade.

Eles não desciam ao chão nem conversavam com aqueles que os observavam. Apenas lançavam ondas de segurança, paz e alegria.

Percebi que, a partir daquele dia, todos nós caminhávamos pelas ruas olhando para o céu. E, sempre que fazíamos isso, éramos alcançados por aquelas ondas de felicidade, que nos faziam sorrir.

Acordei com a sensação de que estamos deixando, cada vez mais, de olhar para cima.

Talvez estejamos dando importância demais ao supérfluo e desaprendendo a sorrir com a alma.

Talvez o mundo precise de menos disputas, menos crueldade e mais humanidade.

Talvez estejamos, cada vez mais, deixando de acreditar no invisível, em nosso Criador.

É triste imaginar um mundo onde a fé esteja em extinção.

Prefiro pensar assim

É difícil descrever a lua através dos meus olhos.

É impossível sentir, em meu corpo, o calor do sol como antes.

Penso que a lua se deslocou, mudou sua trajetória, e que o sol já não é o mesmo; seus raios agora são como chicotes ardentes.

Prefiro pensar assim.

A Voz do Meu Rio

Ultimamente, o sol está como um arqueiro; seus raios são flechas capazes de abater até mesmo o mais puro sentimento.

E foi assim, sem aviso, que você me despertou.

Acordei e pensei ter visto um sinal. “A esperança”, foi o que pensei.

No meu silêncio, eu lia você, e a sua voz comandava o meu rio.

O seu olhar pulsa em mim. Sinto medo.

Mas o frio cobriu você, e as ondas do mar se recusaram a quebrar.

E naquela rocha eu vi, em soslaio, o seu nome, como o eco do vento a me chamar.

Às vezes, é tão difícil manter-se a salvo do mal que até o ar nos falta.

Enquanto Ainda Há Tempo

Será que ninguém percebeu que a Terra se tornou uma grande ferida e que todos nós somos responsáveis por cuidar dela?

E se insistirmos nos mesmos erros, será que a extinção será o último capítulo dessa história?

Que a consciência humana desperte enquanto ainda há tempo, e que Deus esteja conosco em cada escolha que fizermos.

Enquanto ainda há tempo.

As Cicatrizes da Boa Intenção

Certa vez, conheci uma pessoa muito boa, uma verdadeira amiga. Ela gostava de plantas e possuía uma coleção com diversas espécies. Quando as folhas acumulavam poeira, ela passava um pano limpo e macio por toda a sua extensão.

As folhas ficavam renovadas e brilhantes. No entanto, ela utilizava uma força quase imperceptível, que não sentia e nem imaginava ser prejudicial. Apesar de seu gesto nobre e bem-intencionado, com o passar do tempo surgiam finas marcas na superfície das folhas, como pequenas cicatrizes. Aos poucos, elas adquiriam um aspecto envelhecido, frágil, seco e sem vida.

A intenção era boa, mas a falta de informação fez toda a diferença. Sem perceber, ela não avaliou que sua forma de agir poderia causar danos. Acabou machucando as folhas sem imaginar que um ato bondoso, porém sem conhecimento, planejamento ou reflexão sobre os possíveis efeitos, poderia expor sua fragilidade e prejudicá-las.

Por isso, até mesmo os atos de bondade exigem consciência, prudência e sabedoria. Nem sempre querer fazer o bem é suficiente; também é preciso compreender como fazê-lo.

O Mundo Dentro do Meu Gloss

No amor bastam lábios e gloss?
É uma matemática com regras e fórmulas?
Uma literatura avançada?
Uma parte do direito, com regras e cláusulas a serem seguidas?

Interessante… talvez tudo faça parte do amor e dos sentimentos.

Fingir e dançar para o mundo, confrontar os lados e descobrir que a complacência, às vezes, dói; que a igualdade nem sempre existe; que o direito de ir e vir pode ser apenas uma balela. Quantas dúvidas!

Mas quando a ficha vai caindo, uma peça de cada vez, outro mundo se forma em minha mente.

E é nele que penso: será que os espíritos também sofrem?
Tudo o que sentimos aqui, eles também sentem?
Mas quem ratifica a minha tese?
Talvez sejam somente histórias.

É… realmente o amor tem muito a ver com a matemática. Tem a ver com equilíbrio. Tem a ver com cumplicidade. Um leque de suposições, comentários certos, errados, duvidosos e teses que nunca se fecham.

Então o susto vem e bate à minha porta.
Fico sem direção e peço opiniões, mas elas não vêm, e isso dói.

Viro as costas. Queria enxergar outro rosto, mas o sopro da crua realidade chega.

E o amor virou um gloss que mal disfarça a imperfeição dos lábios.

Confrontar, afrontar ou simplesmente amar? Porque, às vezes, nada tem a ver com o que parece ser.

Brasa, Ar e Cicatrizes

Sou brasa, mas também sou ar.
Sou resistência, mas me rendo ao amor.

Há um relógio correndo, mas você não entende: às vezes, tudo faz doer, até a própria liberdade.

Respeitem a minha dor.

Quem parte deixa espaços na memória que as lembranças tentam, em vão, preencher.

A minha sorte foi um azar? Talvez a vida seja assim: em alguns momentos ganhamos, em outros perdemos; às vezes a felicidade nos abraça, e em outras a tristeza se transforma em um escudo contra ela.

Na bíblia do amor deveriam existir causas e ressalvas mais específicas. Não nascemos com um manual, mas, às vezes, acontecimentos arrebatadores atravessam a nossa vida, deixando a sensação de neurônios rompidos e cicatrizes profundas.

E quando sentir que está caindo em um torpor, lembre-se do seu super-herói e vista a sua máscara do tempo. Porque, no fim, a paz ameniza a tristeza e ajuda a alma a continuar caminhando.

Todos Merecem Paz

Descer a serra para apreciar a beleza do mar, mesmo revolto, com sua brisa molhada, é admirar e reconhecer sua beleza em qualquer estado.

Vento no rosto, cabelos ao vento, garoa fina, pés de borracha, árvores passando diante dos meus olhos e a música, companheira fiel que fala em sussurros aos meus ouvidos.

É… descer a serra é bom.
Descer a serra é muito bom.

Mas, pensando aqui — e por favor, me ouça — no mundo existem pessoas más; contudo, existe também uma imensidão de pessoas boas e empáticas.

Então, qual seria a razão de deixarmos de orar e confiar que Deus, em sua magnitude, continue protegendo-nos da maldade humana?

Porque, mesmo quando alguns monstros caminham entre nós, ainda existe uma estação chamada justiça, exaltando a inocência e lembrando que o bem jamais deixa de existir.

Viver em paz não deveria ser um privilégio; deveria ser algo natural entre nós.

Rua Chamada Passado

Estou andando pela rua chamada passado.
Às vezes, penso que sempre amei estar lá, não por querer permanecer presa a ele, mas porque foi uma época muito boa.

Não estou vivendo lá; estou apenas a passeio.
É um passeio que me faz bem. A gente sempre retorna, ainda que em pensamentos, aos lugares que amamos.

A gente ri e gargalha.
A gente suspira e sorri.

É um toque acolhedor.
Lá, confiamos em quem amamos. Lá existe o amor, esse poder que o mundo, tantas vezes, tenta nos ensinar a perder, mas que jamais deveríamos abandonar.

Há lugares que não voltamos com os pés, mas com a alma.

Ciclos da Existência

As sombras são como véus finos, frios e escuros. Quando a tristeza chega, elas te acolhem, te envolvem, te apertam e, às vezes, parecem até te sufocar. As sombras podem ser pesadas e deprimentes.

Todos nós, ao longo da vida, atravessamos momentos de escuridão, de claridade e de serenidade. Ninguém fica imune aos ciclos da vida.

Ondas nos Olhos, Mesmo Sem Amanhã

Minha presteza não o salvou e, hoje, vejo que nada podia fazer, a não ser te abraçar e dizer, em sussurros, aquelas palavras doces indicando um caminho, sem saber se havia ruas ou montanhas.
Para onde o seu destino caminhava? Será que havia mar ou céu?
Bem… eu só sabia que o lugar era desconhecido e que você não voltaria mais.

Lembro que a preocupação de que você sentisse frio corroeu minha alma durante anos.

Tentei bloquear tudo, guardar em uma caixinha e zelar pelas imagens das brincadeiras, dos sorrisos, dos beijos e dos abraços.
Você me ensinou que a cor do amor não é para todos e que fomos privilegiados.

Até fui às caminhadas, aos parques e às festas, para amenizar o hoje incerto.
Dancei e cantei sob o vento uivante e sob a chuva forte, para que ninguém visse as ondas se formando em meus olhos.

Estávamos predestinados. Veio escrito nas estrelas.
Então, destino, diga ao tempo que me ensine a ser bela, até porque eu ainda sinto o gosto do amor.

Ensina-me, mesmo não havendo, para nós, o amanhã.

Até o Lodo Foi Cristalino

No escuro do meu quarto,
levanto as minhas mãos.

Sinto medo.

A escuridão está tão densa que quase posso tocá-la.

E é nesses momentos que choro e clamo ao Criador pela luz divina, muito antes que o torpor me alcance.

Continuo questionando o que vejo, mas ainda acredito no ser humano.

Porque até o lodo, um dia, foi cristalino.