As Cicatrizes da Boa Intenção Certa... Yonne Moreno (BRASIL- )

As Cicatrizes da Boa Intenção

Certa vez, conheci uma pessoa muito boa, uma verdadeira amiga. Ela gostava de plantas e possuía uma coleção com diversas espécies. Quando as folhas acumulavam poeira, ela passava um pano limpo e macio por toda a sua extensão.

As folhas ficavam renovadas e brilhantes. No entanto, ela utilizava uma força quase imperceptível, que não sentia e nem imaginava ser prejudicial. Apesar de seu gesto nobre e bem-intencionado, com o passar do tempo surgiam finas marcas na superfície das folhas, como pequenas cicatrizes. Aos poucos, elas adquiriam um aspecto envelhecido, frágil, seco e sem vida.

A intenção era boa, mas a falta de informação fez toda a diferença. Sem perceber, ela não avaliou que sua forma de agir poderia causar danos. Acabou machucando as folhas sem imaginar que um ato bondoso, porém sem conhecimento, planejamento ou reflexão sobre os possíveis efeitos, poderia expor sua fragilidade e prejudicá-las.

Por isso, até mesmo os atos de bondade exigem consciência, prudência e sabedoria. Nem sempre querer fazer o bem é suficiente; também é preciso compreender como fazê-lo.