Poemas da Pátria

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Até o Lodo Foi Cristalino

No escuro do meu quarto,
levanto as minhas mãos.

Sinto medo.

A escuridão está tão densa que quase posso tocá-la.

E é nesses momentos que choro e clamo ao Criador pela luz divina, muito antes que o torpor me alcance.

Continuo questionando o que vejo, mas ainda acredito no ser humano.

Porque até o lodo, um dia, foi cristalino.

Chocolate Branco

Você tem sabor de chocolate branco, meu Aladim.

Eu me reservo… me entenda.

Qual seria a graça de não te olhar com tanto carinho?
Não chore, apenas olhe para mim.
Minha boca te vê e se anima.

Corra… me abrace e me beije.

Não mergulhe em devaneios nem em pensamentos amedrontados.
Quem, naquela multidão, iria olhar para a menina que se tornou mulher?

Nem Sempre se Pode Blefar

A idade chega para todos, mas, em qualquer fase da vida, quando precisamos, queremos uma chance… depois mais uma, e mais outra.

A vida é louca e, com o passar do tempo, torna-se cansativa.

Existem tantas mentiras no mundo, mas, graças a um Ser maior, ainda existem verdades que soam como um cântico celestial.

Há chances que são como cartas: damos tantas, enquanto alguns insistem em dizer que ainda possuem um trunfo, esquecendo que, na vida, nem sempre se pode blefar. Até porque não existe nada neste universo mais precioso do que a nossa própria vida.

Muitos só não se perdem porque Deus permanece presente em seus caminhos.

Aprendi que a vida é valiosa para quem sabe decifrá-la; do contrário, ela se torna um fardo pesado demais para carregar.

Então, não me faça chorar.

A Paz Que o Poder Não Compra

Dinheiro, poder e política movem o mundo.
Eu os comparo a um campo de batalha, onde alguns são exaltados enquanto outros saem machucados.

No entanto, esses poderes também precisam de nós, meros mortais, para que o movimento continue deslizando neste grande palco. Afinal, somos a alavanca que move o país.

Existe uma realidade simples, e ela é um fato: só há paz quando todos têm o que querem e o que merecem.

Ainda assim, nem sempre possuir aquilo que se deseja — ou até mesmo aquilo que se merece — nos traz a paz esperada.

O Ontem Não Me Abandonou

Há corações que são como insígnias: abrem qualquer porta, mas dificilmente abrem a própria.

Ao olhar meu chacra, minhas auras profundas e os anéis de energia, sinto frio. Curiosamente, isso me conforta.

Sinto saudade da chama que explodia em nossas bocas, aquecendo o meu ser.

Perdoe-me.
Não me chame, não me cobre.
Nada tem me confortado, e nos olhos do hoje você está oculto. Meu pedido de desistência já foi escrito no livro dos meus suspiros longos e profundos.

Espero que isso não soe como uma cobrança.

O ontem e o hoje, em certas horas, se fundem e me confundem.

O ontem não me abandonou por completo, embora o hoje me abrace.

Olhe para mim.
Sua insistência em minha mente não floresce, não me aquece, e o abraço já não se fecha.

É notório que muito dinheiro e poder, às vezes, sejam sinônimos de dificuldade e tristeza.

Acho que o adeus é o mais provável, até porque não quero que nada me magoe. Preciso pensar no meu bem-estar.

Dizem que o tempo faz a gente crescer, amar, rir e chorar.
Dizem que o tempo também nos faz curar e esquecer.

Dizem… dizem…

Vestida de Passado

Estou vestida de passado, mas meu corpo pertence ao meu presente, e você o conhece bem.

Todos precisam ser livres.
Perdoe-me.

Há mentes que não têm permissão para dedilhar corações, até porque a vida não é um truque.

Eu a chamo de “bem maior”, porque o bem, em qualquer circunstância — tanto nos momentos bons quanto nos maus — continua sendo um bem e carrega seu próprio valor.

Bem sei que existem bens cujo valor se torna inexistente, invisível e oculto. E aqui, talvez seja um caso… ou talvez não.

Às vezes, o tempo engana; veste-se com máscaras que até eu desconheço.

Por estratégias da vida, há bens que são exilados e males aclamados.

O tempo é o verdadeiro lobo mau!

O Barulho do Silêncio

O barulho do silêncio em meus ouvidos é um cântico profundo de uma luta sem fim.

Ou talvez esse barulho seja tão alto, intenso e veloz que eu, em meus devaneios, ainda não tivesse percebido o quão forte me torno na presença do silêncio.

Meu silêncio sempre está comigo.
Meu silêncio fala, grita e chora.
Meu silêncio sussurra, acolhe e abraça.
Meu silêncio eu não divido, não compartilho com ninguém.
Meu silêncio é meu, somente meu.

Foi assim que decidi certo dia.

Mas nem tudo acontece conforme nossos pensamentos ou decisões tomadas nas horas mais nebulosas de nossas vidas.
E foi assim que comecei a abrir as janelas dos meus olhos e a porta do meu coração.

O silêncio não mata.
No entanto, pode presenciar a morte chegar.

Cheiros iluminados

Nunca gostei de interromper o choro de uma alegria existente em você, até porque sentimentos não são tão simples assim. Quando são puros e verdadeiros, não é fácil esquecer.

Seus cheiros e suas nuances fazem o mundo dar voltas, e eu retorno ao tema dos cheiros porque sou viciada em sua essência. Talvez seja porque eu ainda acredite nos sentimentos.

É um assunto interessante, curioso e misterioso.

Então, hoje, envie um sachê de amor para quem você ama.
Cheiros iluminados e beijos dourados para você.

Contudo, sou só

Só eu e você.
Contudo, é você.
Contigo, só eu.
Com todos, é só você.
Com você, somos nós.
Contudo, sou só.

Ainda sei o seu nome

Seu sorriso…
Seu sorriso já me salvou.

Houve, no meu mundo, um espaço chamado você.
Um templo que ainda me dá forças.

Ali, a hostilidade era sinônimo de adeus.
A hostilidade não encontrava entrada, porque os sentimentos só têm valor quando são verdadeiros.

Mas, depois daqui, quando tudo termina, esse espaço e esse momento se dissipam. O coração dá a ordem, e o manto do fim surge em uma bifurcação do caminho. Agora, sigo só.

Foi como uma explosão diante dos olhos. E foi nesse instante que senti ter doado meu sono ao tempo.

O momento doce acaba.

A sensação é a de uma esfera que se abre, e entrar nela é a única opção possível. Então, você vê o seu mundo girar, enquanto é lançado na estrada da vida.

Sem saber quando outro porto seguro surgirá e quando virá o sinal para que a esfera pare de girar; tampouco onde o renascimento do amor poderá acontecer novamente.

Ou não.

Entre Lágrimas e Visões

Há fases em que meu coração bate tão alto e tão forte que me assusta. Não consigo dormir, e meu sono se fragmenta em breves minutos de descanso.

Caio em lágrimas como uma criança que desaba ao chão quando percebe que a mentira também sabe vestir-se de paixão.

Há momentos em que meu rosto e meu coração se enrijecem pelo frio, pelo medo e pela decepção.

No entanto, tenho a certeza de que não são sonhos. São visões do passado. E, longe de me adoecerem, elas me enobrecem.

Brasil: Muito Além da Vitória

Às vezes, nós, brasileiros, não precisamos apenas ganhar. Afinal, o Brasil é sentimento, é alegria compartilhada, é empatia. Somos um só time, e cada brasileiro faz a diferença, em qualquer lugar do mundo.

Mas, quando a bola rola, os brasileiros se unem. Meu coração se aquece e se emociona.

Não ganhamos a Copa. E foi justo, porque vence quem está na melhor fase e também conta com a sorte na ponta dos pés.

O povo brasileiro precisa aplaudir e acolher, não xingar.

Devemos ter orgulho de termos conquistado tantas Copas do Mundo e de termos proporcionado tantas alegrias ao povo brasileiro e ao mundo inteiro.

Tenho orgulho de ser brasileira, porque somos um povo que faz da vida uma festa e que está sempre em busca da felicidade, mesmo em meio às maiores tempestades.

Palmas para nós! O mundo reconhece, cada um à sua maneira, o valor da nossa nação.

Agora é seguir em frente e aguardar, com esperança, a próxima Copa.

A Menina que Montava Sonhos

Dias atrás, durante um voo cansativo, uma mãe e uma criança conversavam.

O menino estava triste pela ausência do pai. Em voz chorosa, dizia que seria magnífico se o pai estivesse ali com eles.

Percebendo que a tristeza começava a tomar conta do filho, a mãe rapidamente sugeriu:

— Levante os braços, como se fossem asas, e imagine que você está voando nesse céu imenso.

E assim ele fez.

De repente, o menino se transformou. Sorria enquanto observava as nuvens sendo banhadas pela luz do sol.

Pouco depois, a mãe percebeu que o encanto daquele momento começava a se desfazer e propôs:

— Agora feche os olhos e monte um sonho.

Mais uma vez, o menino obedeceu.

Vi a mudança estampada em seu rosto. Ele sorria, editava seus sonhos, gargalhava até seus olhos lacrimejarem. Algum tempo depois, adormeceu. Seu rosto transmitia paz, alegria e uma inocência angelical.

Quando acordou, suas primeiras palavras foram:

— Mamãe, se o papai estivesse aqui, ele estaria rindo da montagem do meu sonho.

Não soube qual era aquele sonho, mas fiquei pensando…

Por que nós, adultos, com o passar do tempo, perdemos a essência da criança que ainda vive dentro de nós?

Por que não recorrer, nos momentos difíceis, à inteligência, à criatividade e à inocência da nossa criança interior? Não para fugir dos problemas, mas para aliviar o peso da alma, extravasar aquilo que nos machuca e, só então, enfrentá-los com mais serenidade. Às vezes, é preciso primeiro esvaziar o coração para depois encontrar forças para seguir.

O menino não esqueceu o pai. A dor continuava ali. Mas a sensibilidade daquela mãe, compreendendo o momento, o lugar e o tempo, conseguiu amenizar um sofrimento que, para ele, parecia imenso.

Então fico pensando…

Houve um tempo em que existia uma menina que tinha um guarda protegendo suas costas. Ela já montava sonhos. Sonhava, até mesmo, em ser pobre.

Sonhar

Sonhar é maravilhoso, pois os sonhos são feitos de lembranças e de desejos.

Sonhar é ter, ainda que na imaginação, aquilo que ainda não se possui.

Sonhar traz alegria, e isso é bom. Mesmo que não seja a realidade do presente, pode tornar-se a realidade do futuro.

Sonhar faz parte da vida de todos. Afinal, no hoje, não se paga taxa nem imposto para sonhar.

E nem é preciso estar dormindo. Temos o privilégio de sonhar acordados.

Muitas vezes, o sonho torna-se o escudo contra as batalhas que travamos dentro de nós. Há momentos em que ele se funde com a fé, os desejos se realizam e os sorrisos se multiplicam.

O meu peito é assim: abriga uma fé onde não existem correntes. Meus desejos são como cobertores de sonhos, porque, para mim, tudo nesta vida começa por um sonho.

A Inocência e os Predadores

A inocência de um mundo que sorri para predadores de colarinho branco e olhos sonhadores.

O doce mais caro e mais amargo que ganhei, eu, a inocente, foi justamente aquele oferecido por você, digníssimo “predador”.

Recebi-o pelas mãos de uma criança, também inocente.

No entanto, por ironia do destino, pela vontade divina ou por escolha minha, o ato que cometi naquele momento me trouxe uma imensa felicidade. Ainda me recordo da emoção que transbordava em mim, da alegria genuína que senti. Afinal, aquilo que recebi, presenteei, entregando-o às mãos de um jovem inocente.

Um gesto de bondade que, mais adiante, transformou-se em revolta, indignação e tristeza.

Há atitudes praticadas por seres destrutivos que jamais deveriam existir.

Porque certos mimos, embora pareçam inofensivos, podem tornar-se gatilhos para desavenças, raiva e lágrimas.

Estou Livre

Bênção divina, escarlate que vibra.
Amor que grita e faz bem.

Estou estourando e desfalecida.
Amor que não dói.

Estou amando!

Amor que respira.
Amor que vem e fica.
Amor que dura pouco.
Amor que existe em mim.
Amor que resiste e chora.
Amor que cobra.
Amor que isola.

Tantas são as espécies que não consigo relaxar.

São tantas mudanças de rostos que acredito que o nosso mundo já não é o mesmo.

O Azul que Veio com a Felicidade

Hoje vivi algo que ainda não sei explicar.

Estava em um laboratório para realizar um exame. Assim que a médica entrou na sala, vi uma cor azul surgir ao redor dela. Era como se o azul saísse do seu corpo, permanecesse no ar e depois se espalhasse pela parede, pulsando suavemente. Ao mesmo tempo, senti uma mistura intensa de ansiedade e felicidade.

Sem entender o motivo, perguntei:
— Você está feliz? Está aguardando alguma notícia?

Ela me respondeu:
— Estou aguardando uma notícia que pode mudar o rumo da minha vida, depois de muito caminhar e sofrer.

Em seguida, perguntou:
— Por quê?

Então contei o que havia percebido. Com lágrimas nos olhos, ela me perguntou:
— Você acha que vou conseguir?

E eu respondi:
— Sim, você vai conseguir.

Ela me abraçou. Um abraço quente, sincero, cheio de esperança. Um abraço que parecia carregado da mais pura felicidade.

Não sei explicar o que aconteceu. Não sei se foi apenas uma percepção, uma sensibilidade que carrego desde criança ou algo que ainda não compreendo. Sei apenas que vivi aquele momento de forma verdadeira.

Desde muito pequena, às vezes percebo cores surgirem por alguns segundos — no ambiente ou ao redor das pessoas. Nunca perdi o contato com a realidade por causa disso, nem transformei essas experiências em certezas absolutas. Apenas observo e guardo comigo.

Talvez cada ser humano carregue dentro de si capacidades que ainda não entende completamente. Talvez algumas pessoas descubram certas sensibilidades por acaso, enquanto outras jamais percebam as suas.

Não tenho respostas. Tenho apenas a honestidade de contar o que vivi hoje.

E você? Já viveu alguma experiência que até hoje não conseguiu explicar?

Do Choro por Dentro ao Riso que Transborda

Ouvi dizer que a pior lágrima é aquela que escorre para dentro.

Expressão mutante.
Olhos vazios.
Risos sombrios.
Corpo doente.

Vou deletar dos meus pensamentos dias assim.
Para mim, eles nunca existiram — nem nos meus olhos, muito menos no meu coração.

Agora, minhas risadas são molhadas.
Minha teimosia, quieta.
Minha alegria, barulhenta.
Minha sensação, contagiante.

Sim, o tempo é meu amigo.

Asas para o Improvável

Muitas vezes coloquei asas em meus sonhos. E quer saber de uma coisa? Minha atitude fez toda a diferença, até porque o improvável nunca acontece sem que exista uma diferença palpável, mesmo que ainda invisível aos olhos.

Porque, antes de qualquer mudança visível no mundo, acontece uma mudança invisível dentro de quem decide acreditar e agir.

Entre o “Não” e o “Sim”, Permaneça Comigo

Na escuridão tão densa que, pela persistência, acaba por se tornar transparente, a neve continua a chorar como antes.

E aquela porta continua fechada em sua memória — mas somente a do ontem.

Uma verdade que merece ser dita:

Mesmo com a chuva do “não”, existe o sol do “talvez”, o “quem sabe” e, quem sabe um dia, a brisa suave do “sim”.

Mas, mesmo assim, esteja sempre comigo.