Poemas da Pátria

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O Pintor de Sua Própria Dor

Um olhar triste carrega uma alma machucada.
Por mais que os lábios se exponham, os olhos não acompanham.

É triste olhar pela janela e ver uma paisagem igualmente triste.
Como proteger os quadros que vejo? Como servir de ombro ao pintor que encanta, mas em quem a felicidade não habita?

Os sinais de pânico explodem, e meu coração dói.
Não consigo conter o rio que escorre.

A ferida é grande e talvez não venha a sarar.
Por isso, é fácil a tristeza se instalar; difícil é consolar.

Compartilhar a dor também faz parte e, mais importante, é saber que não se está só.

Entre Luzes e Fragmentos

Em minhas memórias, eu lembro.
Entre luzes e fragmentos, eu vejo.

Antes, eu me considerava um forasteiro,
sempre só, e minhas lágrimas deitavam ao cair.
Entorpecida por amor, esquecia até onde vou;
meu nome não existia, pouco se ouvia, até porque “querida” era o meu codinome.

Mostrei e provei que somos um só,
apesar de sermos dois.
E, nua de pensamentos,
você possuiu a minha mente,
e este amor não sai mais de mim.

Mas, às vezes, o inesperado acontece:
o cupido atravessa o coração
e tira a magia de uma vida.

Por causa do amor absoluto,
acreditei que ele voltaria.

Em minhas memórias, eu lembro.
Entre luzes e fragmentos, eu vejo.

Insano…
mas minha prioridade foi silenciar
para apreciar sua face,
mesmo que naquela sala gelada.
E agora, sua natureza invisível me consumiu.

Sou uma ótima atriz no teatro da vida,
mas o final da nossa cena foi triste:
eu meio morri
e meio ainda estou aqui.

Vi, com meus próprios olhos,
que, se eu me esforçasse mais,
o limite se abriria
e a loucura seria certa.
Não faz bem —
é ruim para o bem-estar da minha sanidade.

Aquele que se acha um Deus não teme,
pois se julga o maior
e nem imagina
que, às vezes, os dias estão contados.

Em minhas memórias, eu lembro.
Entre luzes e fragmentos, eu vejo.

Mesmo sabendo que você se foi,
eu continuo a vagar
na lembrança do seu olhar…
E foi assim
que o vento da morte te levou de mim.

Raiz, Não Rótulo

Ouvi dizer que fui narcisista.
Nunca concordei, e hoje tenho a certeza de que sempre fui raiz.

No amor, há muitos amores,
e cada vida é única em seus ensinamentos e espelhos.

Tudo teve, e ainda tem, o sabor de um amor sincero.
E a minha sensação, tão importante para mim,
carrega o gosto sereno de missão cumprida.

A mão que ampara, a mão que solta

Quando alguém estende a mão para você em sua pior fase, é reconfortante. Quando oferece o ombro, é maravilhoso. E, quando vem acompanhado de um abraço forte, é como se a segurança se instalasse, envolvendo sua vida em um mundo protegido.

Mas, quando essa mesma mão solta a sua, o desespero e a dor surgem como estilhaços de aço no peito. A mente vai se apagando dia após dia, fazendo toda a estrutura ruir, até que o seu mundo se transforme em pó. Em questão de tempo, tudo pode se dissipar como fumaça no ar.

Que todos nós possamos ser sensíveis aos que estão em apuros, em desespero ou aflição. Que sejamos acolhedores e atentos aos sinais, porque o olhar não consegue esconder o que presencia. A boca se torna insegura, as lágrimas muitas vezes denunciam, as mãos revelam códigos… enfim, o corpo não mente — o corpo fala.

A Pirâmide que Observamos

Nesse mundo, existem camadas sociais que vão do miserável ao bilionário — e, futuramente, talvez alcancem os trilionários. E existe eu, que daqui observo essa pirâmide mal estruturada e me pergunto: o que foi feito para chegarmos a um patamar tão desalinhado e desproporcional?

Um lugar onde, muitas vezes, dificilmente teremos a chance de evoluir. Um triângulo que, para mim, é escaleno — desigual em todos os lados.

Para aqueles que, como eu, conseguem enxergar e têm a certeza de que não podemos nos desassociar dessa pirâmide — até porque sabemos que, quase sempre, é o dinheiro e o poder que definem essa estrutura —, surge um pensamento inquietante: passamos a vida inteira lutando para nos encaixar no ponto mais alto possível desse triângulo de lados desiguais, que não se iguala a nada.

E, ainda assim, o impossível insiste em acontecer.

Então me pergunto: onde nos encaixaríamos, se a vida realmente nos desse uma chance?

Às vezes, fico pensando… será que, no futuro, poderá existir uma outra pirâmide — um espaço à parte, mais justo, mais humano, onde alguns possam ser acolhidos?
Ou será que sou eu quem está atrasada nesse pensamento?
Utopia?

Horizonte de Linhas Indecisas

Às vezes, me bate uma nostalgia retrô, poeticamente falando.
Uma vontade de cobrir meu corpo com as ondas do mar e ver meus olhos marejarem enquanto olho o céu, flutuando nas mãos profundas do oceano.

Meu horizonte é feito de linhas indecisas, mas, ainda assim, libertador.

Dá vontade de abrir as nuvens como se fossem um livro e dizer às gotas da chuva que, ao cair no mar, não me acordem.

Às vezes, essa nostalgia retrô me envolve, poeticamente…
Entretanto, há dias em que nem o céu nem o mar conseguem me animar.

Presença em Silêncio

Sua voz, sua riqueza, mesmo em dias ásperos.

No entanto, não ore assim; ore em silêncio. Ficarás estarrecido ao saber que permaneço em meu canto, a te observar. Não fiques triste pela distância aparente, pois até aquele que está longe não imagina o quão perto está dos meus sentidos.

Teu perfume, teus braços e abraços firmes e quentes lembram-me que o bem-amado será sempre amado.

Ainda lembro.

O barco da esperança

Não é o brilho dos seus olhos que me ofusca e fascina,
mas o seu sorriso.
Esse, sim, me quebra e me alegra.
É como um barco — o da esperança — que jamais abandonarei.

À Beira do Amor

O amor surge até na escuridão. Até as sombras que ali habitam se inquietam, desejando se aproximar dessa luz chamada amor.

No entanto, as interrogações se instalam em mim, e quanto mais me aprofundo na tentativa de entender o amor, mais me vejo à beira da praia.

O Peso do Silêncio

Amo escrever.
Escrevo conforme a minha alegria ou a minha dor, e quanto mais vozes eu ouço, mais forte eu fico.

E não me subestime. Tema o meu silêncio, pois é nesse momento que estratégias e planejamentos estão sendo traçados — para abraçar ou ignorar, refletir ou questionar.

Eu sou o meu time.
Eu sou a minha prioridade.

Sim, não são apenas histórias.
Se temes, não me teste, pois a verdade mascarada que te envolveu agora recorre a mim — e eu nem mesmo a planejei.
Porque, no silêncio, até as verdades aprendem a falar.

Negociação Silenciosa

Vejo aqueles que tiram a própria vida como quem, consumido pela dor, entrega a própria existência em uma negociação silenciosa com o fim.

Que a luta pela vida continue, e que essa troca de destinos deixe de existir.
Esse é o desejo de todos nós.

Quando a Química Grita

Como controlar um homem e uma mulher quando a química grita e a pele, em lágrimas, clama por um abraço apertado, repleto de trocas intensas e quase explícitas?

Mesmo que o céu se pinte e a brisa testemunhe, nada poderá mudar, pois o descontrole já estará instalado.

Porque há encontros que não pedem permissão, apenas acontecem.

Vida paralela existe, com certeza.

Vejo o celular como a porta de entrada para um mundo universal — um mundo digital onde todos se encontram, se mostram, se escondem… e, de certa forma, se reinventam. Para mim, esse universo virtual é o verdadeiro mundo paralelo que tantos procuram, e o celular é o portal silencioso que nos conduz até ele.

Veja bem: eu existo nesses dois mundos. Transito entre eles. Sinto em ambos. Mas há um limite invisível que não posso atravessar — não posso tocar o meu “eu” do outro lado, não posso dar as mãos a essa versão que também sou.

E então me deparo com uma verdade simples e implacável: dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço.

Talvez seja apenas uma teoria… uma reflexão de uma leiga no assunto.
Mas, ainda assim, carrega um certo peso de realidade.

E aqui estou eu…
Rindo — ou talvez pensando demais — dentro do meu próprio mundo.

Reflexo da Alma

No seu olhar, espelha-se o meu eu, aquele que, muitas vezes, não consigo enxergar.

É uma pena não podermos ver a alma das pessoas, principalmente daquelas que amam. Talvez, se isso fosse possível, seria mais fácil compreender o que é o amor — e também a sua dor.

Antes do “The End”

O ontem está em paz — e é por isso que hoje eu sorrio e vivo em serenidade.

Dizem que os anjos fazem parte daqueles que desejam o bem.
Ele me pede para sorrir, para ter um dia feliz.
Admiro muito os anjos.

No entanto, questiono por que, às vezes, a tristeza tenta se esconder em mim e, de repente, surge como se fosse minha dona. Ainda assim, me permito sentir — e me delicio com romances, com o coração pulsante.

Entenda: não se trata de lançar uma rede e pescar à beira do rio. Trata-se de um amor que pode se tornar um grande romance, uma cumplicidade que permanecerá na memória.

Como aquela casa à beira da praia… Nunca mais voltei lá. Penso que ninguém mais cortou a grama verde, e que hoje as cores já não vivem mais naquele lugar.

Muito antes do ontem, já esperávamos um grande romance — um amor feito de risos e abraços.

Penso nas vezes em que, ao assistir a um filme de romance, deitados na relva dos lençóis, nos tornávamos protagonistas de uma história em que acreditávamos no “felizes para sempre”.
Mas o the end chegou antes — e tomou o lugar do protagonista.

A taça Azul
(porque nem tudo que vemos, compreendemos)

E, ao lembrar — apenas recordar — daquela taça azul, percebo que já não a vejo como antes, pois ela está meio limpa e meio suja; meio eu a vejo, meio eu a entendo.

Às vezes, as palavras se aprisionam em nossa mente, e nem precisam ser ouvidas. É justamente nesses silêncios que, tantas vezes, os problemas vêm ao nosso encontro.

Entre Ensaios e Sonhos

Às vezes, penso que a vida é um ensaio; quando acordo, porém, parece um sonho.
Mas sigo em frente. A chuva, por vezes, vem apenas para me afrontar — e depois vai embora.

Ainda bem que me respeitam. Afinal, carrego a chave da integridade: notem a força do meu ímpeto.

No entanto, fico incrédula… é difícil acreditar como a seta do amor pode transformar o mundo íntimo de um ser. Tudo fica gravado em nossas mentes:

Memórias. Lembranças. Destino.

Vestida de Mim

Deitar na cama dos sentimentos, apoiar a cabeça em um travesseiro feito de música, cobrir-me com a manta das lembranças e sentir, em mim, a brisa chamada amor.

Amo tudo isso — e muito mais. Até porque meu coração entende que a pílula do meu sono tranquilo é você.

Fui ontem uma princesa que, no hoje, foi coroada.

Nunca se esqueça: o tempo nos presenteia, muitas vezes, em épocas desiguais — justamente quando, em nossos pensamentos, acreditávamos ter sido esquecidos.

Entenda: tenho os pirilampos para iluminar o meu espaço, iluminar o meu mundo… e tudo corre bem no meu tempo.

Carrego em mim uma fábrica de sonhos — algo que muitos não têm — e, por isso, sinto muito.

Hoje, trago uma coroa em minha cabeça que muitas, até agora, não tiveram a chance de usar.

Crio minhas expectativas… não as criando.

Quem eu sou?

Sou alguém que se veste de nudez — crua em sentimentos e justa em meus atos.

Sou: eu.

Prazer em conhecê-los.

Ainda Vejo Você

Você dizia “eu te amo”, mas não embalava as palavras em nuvens negras.
Era sempre luz cintilante.
Era puro — até um tanto ingênuo.

Ali não era o ator falando, e sim o ser humano em sua mais pura essência.
Ali, eu era sua.

Agora, sentada na relva do meu jardim, eu te vejo.
E, com água nos olhos, você não me enxerga.

Vejo seu esforço, suas quedas, seu desespero e sua solidão.

Ontem, você disse “eu te amo”.
Eu sorri.
Hoje, o amor inexiste.

No entanto, ainda há amigos verdadeiros, amizades sólidas
e responsabilidades conduzidas com dedicação.

Entre o Despertar e a Espera
(Quando o silêncio vira cúmplice)

Cinco seres, quatro monstros e um cachorro.
Até quando fecharemos os olhos para a maldade humana?

A justiça precisa prevalecer, pois é ela que sustenta o bem comum.
Em nossas vidas, precisamos da verdade. Precisamos acreditar na humanidade. Precisamos acreditar na justiça.

O ser humano deve possuir integridade moral e respeitar as diferenças.
Se o cachorro é um ser tão fiel e amigo, por que ainda existem pessoas tão maldosas, mesmo tendo consciência?

O ser humano de bem reconhece o valor do afeto, um abraço sincero, um olhar limpo, um “lambeijo” cheio de verdade…de seus amigos de quatro patas.

Aguardar um desfecho e lutar por um ser é algo digno — é, acima de tudo, um ato divino.

Na minha orelha, não carrego apenas um brinco —
carrego um símbolo:
justiça.