Poemas Curtos de Autores Famosos
Engana-se, senhor, trago essa máscara risonha, mas sou triste. Sou um arquiteto de ruínas.
Havia talvez debaixo da cinza uma faísca, uma só, e essa bastava a repetir o incêndio.
Eu amava Capitu! Capitu amava-me! [...] Esse primeiro palpitar da seiva, essa revelação da consciência a si própria, nunca mais me esqueceu, nem achei que lhe fosse comparável qualquer outra sensação da mesma espécie. Naturalmente por ser minha. Naturalmente também por ser a primeira.
O tempo, esse químico invisível, que dissolve, compõe, extrai e transforma todas as substancias morais.
A franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência
A velhice ridícula é, porventura, a mais triste e derradeira surpresa da natureza humana.
Nesse ramo dos conhecimentos humanos tudo está achado, formulado, rotulado, encaixotado; é só prover os alforjes da memória. (...) Proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade...
Mas a natureza não os fez um para o outro. São duas almas excelentes que seriam infelizes unidas.
Curiosidade e gratidão; – veja se há duas asas mais próprias para arrojar uma alma no seio de outra alma, – ou de um abismo, que é às vezes a mesma coisa.
Havia ali a massa de um homem futuro, à espera que os anos, cuja ação é lenta, oportuna e inevitável, lhe dessem flacidez ao caráter e virilidade à razão.
Os corações discretos são raros; a maioria não é de gaviões brancos que, ainda feridos, voam calados, como diz a trova; a maioria é das pegas, que contam tudo ou quase tudo.
A impunidade é o colchão dos tempos; dormem-se aí sonos deleitosos. Casos há em que se podem roubar milhares de contos de réis... e acordar com eles na mão.
A emoção era doce e nova, mas a causa dela fugia-me, sem que eu a buscasse, nem suspeitasse.
...a beleza passara, como um dia brilhante; restavam os ossos, que não emagrecem nunca.
Muitas vezes quis dizer-lhe o que sentia, mas as palavras tinham medo e ficavam no coração.
É certo que receava perder Capitu, se lhe morressem as esperanças todas, mas doía-me vê-la padecer.
E não refletiu só, devaneou também, soltando o pano todo a essa veleira escuna da imaginação, em que todos navegamos alguma vez na vida, quando nos cansa a terra firme e dura, e chama-nos o mar vasto e sem praias.
A vida é tão bela que a mesma ideia da morte precisa de vir primeiro a ela, antes de se ver cumprida.
