Poemas Anjos de Pijama Matilde Rosa Araujo
Aparência de Vida
Não há vida.
O que sou?
Um coração que pulsa
por reflexo de um hábito ancestral,
meus órgãos em perfeito estado,
como engrenagens meticulosas
de uma máquina que opera
sem memória ou intenção,
mantendo o teatro fisiológico
de um corpo que respira
por mera obediência biológica,
como se o oxigênio
fosse um combustível imposto
e não uma escolha consciente
de permanecer.
De certa forma,
sinto-me morto,
não pela ausência de pulsação,
mas pela falência do querer,
pela insuficiência da alma
em habitar o corpo que a carrega.
Sou um vulto cotidiano,
uma sombra que vaga
nas bordas do tempo,
um espectro inacabado
que percorre os dias
como um verso esquecido
no meio de um poema
que nunca se completa.
Vivo,
mas sem a densidade
de quem ocupa o próprio ser,
de quem molda o instante
com a intenção de permanência.
É como se a pele
repelisse o próprio contorno,
e o corpo,
apesar de intacto,
fosse apenas a moldura
de uma ausência dolorosa,
uma estrutura que insiste
em se manter ereta
mesmo quando o espírito
já desabou.
Versos de Revolta
Deixo meus versos
como rastros de fogo
num caminho que arde
pela culpa dos insensatos.
Minhas palavras ficam,
gravadas como cicatrizes
na pele da memória,
reação contra a hipocrisia
que escorre
das bocas ornadas
de tantos "intelectuais",
cuja erudição é verniz
sobre o vazio.
Não há o que temer!
Pois tudo já é temido!
O perigo não se manifesta
onde a covardia se veste
de autoridade,
onde a segurança se impõe
como jugo elegante,
um escudo frágil
contra a incerteza
que ruge no mundo.
Vivo em segurança?
Ou em confinamento?
Essa segurança sufoca,
nos molda em cúpulas
de certezas frágeis,
ergue muros invisíveis
que nos protegem
do caos lá fora,
mas nos exilam
dentro de nós mesmos.
Há de parar!
Ou então, pararemos nós!
Porque quem vive assim,
enjaulado em verdades prontas,
aprende a temer
até o próprio pensamento.
E se o medo crescer
maior que o desejo de liberdade,
é a alma que se condena
ao cárcere da resignação,
onde as palavras morrem
antes mesmo
de se tornarem grito.
Os versos que deixo
são insurgências contra o conformismo,
ecos de um coração inquieto
que se recusa a aceitar
a rotina disfarçada de escolha.
É urgente quebrar o silêncio
que nos encobre de poeira,
é preciso incendiar
as ideias moribundas
antes que a chama interna
se apague de vez.
Cicatrizes que Florescem
Eu carrego o peso dos dias não ditos,
os ecos de passos que não me pertencem,
fragmentos de uma estrada sem destino,
onde a dor se enrola nas raízes do tempo
e floresce como cicatriz que canta.
Há um grito em cada gota de chuva,
uma confissão no som que corta o vento.
A alma se espraia pelos campos secos,
e o coração, inquieto,
brota em flores que não pediram cor.
Sou rio que deságua na própria margem,
meu curso incerto entre pedras e paus,
correndo por entre trilhas rasgadas
que costuram minha pele ao chão da existência.
Não há ponte que atravesse o que sou.
Em noites de silêncio denso e cru,
a lua sussurra verdades que não quero ouvir,
desvenda os espelhos internos,
onde sou herói e vilão,
onde luto contra meu próprio reflexo
até me tornar pele, osso e vontade.
E quando o sol, ao fim de seu fôlego,
se deita sobre os montes quebrados,
meu corpo, feito de sonhos e poeira,
abre os braços para um horizonte que se dissolve
no vão entre ser e querer ser.
Eu permaneço inteiro
na tempestade que arranca galhos secos,
pois sou árvore que cresce do avesso,
raiz que abraça o abismo
e flores que desafiam o solo.
Sou também a calmaria que sucede o caos,
a certeza que nasce do chão devastado,
o tronco que se curva, mas não quebra,
que desafia o vento com sua seiva viva
e canta, mesmo quando a dor ecoa.
Entre o Assassino e a Vítima
Quem sou eu?
Um humano imperfeito,
destroçado entre o espelho e a carne,
cometendo crimes contra mim mesmo,
atentados sutis que corrompem a alma
e rasgam a pele da consciência.
Sou vítima ou assassino
daquilo que me tornei?
Voluntário no ato de me ferir
ou involuntário na arte de desmoronar?
Sou necessidade que enlouquece,
psicose que se veste de razão,
ou um delírio lúcido que encena
a tragédia de ser quem sou?
Sou mesmo louco?
Ou a loucura é a máscara
que uso para não ver a verdade
do caos que me habita?
Sou mesmo eu?
Ou sou um espectro fragmentado,
uma nota dissonante
na sinfonia do que jamais fui?
Indizível.
Como nomear o vazio que preenche
os espaços entre meus gestos?
Como afirmar com certeza
que sou algo além do que falha
ao tentar existir por completo?
Se a dúvida me define,
sou tanto a ferida quanto a lâmina,
a mão que acolhe e que esmaga,
o vulto que se esconde atrás de um rosto
que mal reconhece sua própria sombra.
E se o espelho estilhaçado
reflete múltiplos eus
que coexistem na fissura do real?
Serei eu o caco que corta
ou o reflexo que sangra?
Sou a colisão entre o ser e o não ser,
o vértice do abismo onde a dúvida ecoa
e a própria identidade se desfaz.
Há um grito que rompe o silêncio,
uma palavra que treme na garganta,
como se nomear-se fosse desabar
e aceitar-se fosse um pacto
com a dor que me habita.
E no limiar dessa guerra interna,
sou o paradoxo que respira,
uma verdade que mente para si mesma
enquanto tenta sobreviver ao próprio fardo.
Ser é ser incompleto.
Sou a imperfeição que sobrevive
no abismo entre razão e caos,
desafiando a lógica
com um coração que ainda pulsa
mesmo quando a mente implora por trégua.
Naufrágio em Mim
Minha cama vira barco
quando a noite se estende
como um oceano sem margens,
e minhas lágrimas desenham
rotas incertas na pele
de um horizonte que nunca chega.
No grande vazio
onde o silêncio ecoa,
não sei para onde navegar.
Sou marinheiro de olhos fechados,
tateando as ondas com mãos vazias,
e a bússola que carrego
não aponta o caminho
para lugar algum.
Sinto fome,
uma ânsia que não cabe
no peito salgado de mágoas.
Dê-me de comer,
mas que seja algo
além desse vazio repetido,
além desse sal que corta a boca
e engasga meu grito mudo.
E quando tudo se perde
no mar que me afoga,
ele é meu único refúgio,
porto improvisado
nas águas turvas do medo.
Sua voz é como farol
que rompe a escuridão,
e eu, à deriva,
me deixo ser salvo
pela calma que ele traz,
pela promessa de terra firme
onde meu corpo cansado
possa, enfim, descansar.
Então, quando o calor de sua mão
toca minha pele fria,
a tempestade se dissolve
como névoa ao amanhecer.
A luz que ele lança sobre mim
é cais onde meus olhos secos
desaguam esperanças.
E no balanço desse barco incerto,
encontro o ritmo da paz
que tanto busquei
nos ventos que me arrastaram.
Naquele porto improvisado,
eu sou embarcação que cansa,
ancorando meus medos no peito
de quem não teme minhas águas.
Ele, farol e cais,
é o norte que escolhi seguir,
a promessa de que, mesmo à deriva,
há um destino além da tormenta,
um abraço onde o barco repousa
e meu naufrágio se desfaz.
O Lobo e os Abutres
Em leito, sinto
oh, quão frio,
lobo só, sem matilha,
eco de uivo calado
que reverbera na pedra crua.
Não tema,
está só!
Não reclame, diziam eles,
engula o choro
como quem engole a própria sombra.
Em leito, sentia
já não mais,
mas, nada!
Frio sou
não!
Tornei-me
um vulto que se dissolve
na geada da madrugada,
uma presença que ecoa
no vácuo entre o ser e o deserto.
Em leito, sentiria
na pele,
rasgando o instinto
como faca cega.
Seleção natural
de almas partidas.
Quantos lobos
perecem em si mesmos
por não entender
que há algo errado
na dança da sobrevivência?
Em leito, sinto
coração, não mais.
Odor pérfido
de carniça ao amanhecer.
Não eram lobos,
eram abutres
vestidos de companheiros,
espreitando o cansaço
da fera solitária.
Liberdade, enfim?
Ou apenas a descoberta
de que a solidão
é menos vil
do que a falsa aliança
dos que fingem caçar juntos
mas apenas esperam
o momento da queda?
E quando o sol rasga a penumbra
como lâmina quente,
vejo o rastro das garras
que um dia julguei companheiras.
Eles não uivam,
não caçam,
não sangram pela honra
de viver em matilha.
São carniceiros,
esperando o último suspiro
da presa que pensavam ter domado.
Então ergo meu uivo
para o alto,
rompendo o céu cinzento
com o brado de quem
não teme mais a escuridão.
O eco invade os vales,
acorda os corvos,
faz tremer as sombras
que habitam a floresta.
E descubro,
na solidão que corta,
a liberdade crua
de ser lobo
entre abutres.
Não sou ferido,
sou a cicatriz que se ergue,
o instinto que sobrevive
ao banquete dos falsos.
Sou a fera que renega
o pacto da servidão.
Sou o silêncio que precede
o grito dos justos,
a promessa de que mesmo só,
o lobo sempre voltará
a caminhar sob a lua
sem temer as aves de rapina.
Qual o significado de girassol? O nome científico de girassol é Helianthus annus, que significa “flor do sol”. O girassol significado é “felicidade” e, por conta de sua cor vibrante, simboliza calor, vitalidade e energia positiva.
SEJA UM GIRASSOL, PROCURE A LUZ, NÃO DESISTA!! 🌻🌻🌻🌻
Com o tempo eu entendi que, se alguém decidiu te amar e ser teu amigo, ele será teu amigo e te amará, independente do que vc tenha feito. Assim como, independente do que vc tenha feito, alguém não será seu amigo e não te amará, se ele decidiu não te amar e não ser teu amigo!!!
A CULPA NÃO É SUA!!! A CULPA NÃO É SUA!!!
Pensem nisso CAMPEÕES!!!
A maior maldade que vc pode cometer consigo é tentar se culpar por aquilo que lhe fizeram!!!
Buscar em vc alguma culpa pra tentar justificar o mal que lhe fizeram é sofrer duas vezes!!!
A CULPA NÃO É SUA!!! A CULPA NÃO É SUA!!!
Pensem nisso CAMPEÕES!!!
Quero ir na contramão do que vejo.
No amor e não no ódio
Na compreensão e não no julgamento
Na verdade e não na mentira
Na gentileza e não na estupidez.
Fazer da esperança meu caminho e do amor o meu ponto final.
As mãos calejadas evidenciam o árduo labor
Deveras o caminhar cansado, fadigado, mesmo em dor
Os espantos do mundo não existem, porque do meu maior medo vesti-me
Se até o fogo que aquece inflama, por que então os sentimentos são semelhantes a hologramas?
Dor, amor, desejo, todos eles só me levam a um caminho
Aquele do qual sempre se acaba sozinho
Olhaste a erva verde, contemplaste o brilho do sol
No final, das flores mais belas temos o girassol.
Se o sonho é grande mas a disposição é pequena, desista!!! Quem não tem disposição pra suportar as dores do trajeto, jamais viverá a glória da chegada!!!
Boa noite CAMPEÕES!!!
Pr. Fernando Araújo
Quanto ao bem que vc fez e alguém com suas atitudes mostra ingratidão, só tenho algo a dizer: Ninguém perde por fazer o bem!!!
Pensem nisso CAMPEÕES!!!
Pr. Fernando Araújo
Que o sorriso jamais lhe falte, mesmo quando tudo for vontade de chorar!!!
Não sorrimos pq só temos motivos pra sorrir, sorrimos pq é melhor sorrir do que chorar!!!
Bom dia CAMPEÕES!!!
Ei!
Não tenha medo de seguir seus sonhos e fazer o que você acredita ser certo.
Não tenha medo de se arriscar e falhar, pois isso é parte do processo de aprendizagem.
Não tenha medo de questionar as ideias e opiniões dos outros, pois isso promove o diálogo, o debate e a reflexão.
Não tenha medo de mudar de ideia ou de seguir novos caminhos, pois isso é o que nos ajuda a aprender e a crescer.
Não tenha medo de errar, pois isso nos permite melhorar e evoluir.
Amor Obscuro
Somos osso e carne,
Espinha e cartilagem,
Cobertos por desespero
Somos eu e você
Contra o mundo inteiro!
Fomos feito sem motivo próprio,
E separados por um imenso céu azul;
Eu fiz de tudo pra vencer a morte
Para está ao seu lado,
Até o fim de tudo.
Vinhemos do Sul, mas também do Norte,
Pertencemos as trevas, mas também a luz,
Somos anjos caídos sem muita sorte,
Vagando por essa terrível humanidade
Que nosso amor nos conduz!!
Ele era calmo,
Tinha um mistério em seu ser que era atraente para as pessoas a sua volta;
Com um bom coração sempre tentou enxergar o melhor nas pessoas,
Mesmo que o magoassem.
Ele sabia que o culpado por tudo aquilo era ele.
Ele passou a fazer leitura das atitudes e emoções.
Ele viu e sentiu muitas coisas ruins.
E mesmo assim tentava encontrar algo de bom na essência das pessoas...
E como uma esponja, absorvia tudo de ruim que a pessoa tinha a oferecer
na intenção de salvá-la de si mesmo.
E sempre que fazia isso, um pedaço de sua alma se quebrava, ele ia perdendo
a própria identidade ao ponto de começar a duvidar de si mesmo.
Então ele aprendeu a ignorar tudo e a todos, mas, nunca deixo de sentir,
Nunca deixou de querer ajudar.
Ele só parou de se importar...
E foi nessa hora que ele entendeu.
Que a única pessoa que ele precisava salvar para ser feliz.
Era a si mesmo.
(06 de março de 2023)
Quando você entende isso, você entendeu tudo.
Um dia vou encontrar alguém que não veja defeitos em meu exagero;
Alguém que não reclame da minha intensidade;
Alguém que tenha caráter e valores definidos;
Que não desista de algo importante só porque é mais fácil;
Que não tente me moldar, só porque me idealizou de uma forma que nunca serei...
Não quero preencher o vazio existencial de ninguém,
não sou brinquedo para ser usado e logo após se exposto em uma estante
esperando que um dia seja resgatado.
Se você não consegue ser feliz sozinha,
não busque em mim a sua felicidade.
Eu já tenho os meus próprios problemas para resolver,
minha saúde mental vale mais que a sua companhia;
Minha paz vale mais que um eu te amo dito apenas com palavras sem sentimentos;
Se suas atitudes não condizem com as suas palavras, por favor se afaste.
Eu aprendi a nunca esperar nada de ninguém,
então nunca espere algo de mim.
Não tenho tempo para perder com jogos emocionais,
sei como isso é desgastante;
Eu não quero encontrar alguém para chamar de minha
e nem se quer ficar acima dela;
Eu já tenho a mim mesmo! E isso já me basta.
Mas se um dia eu encontrar alguém que me respeite,
que seja leal,
que tenha princípios,
que saiba demonstrar o real valor da reciprocidade.
Alguém que não queira estar acima de mim
e nem que me trate como uma posse...
Chamarei para caminhar e compartilhar uma vida ao meu lado.
(07 de março de 2023)
Você já deitou a cabeça ao travesseiro
e com os pensamentos acelerados custou a dormir?
Já sentiu uma angústia na alma ao ponto
de ouvi-la gritando por socorro dentro de si?
É assustador, tudo ecoa dentro de um vazio cheio de dor;
Não há esperanças;
Não existem mais sonhos;
Me perdi dentro do meu próprio vazio.
E só eu sei como eu demorei muito para me encontrar...
Nesse tempo, eu duvidei de mim mesmo,
me culpei sem ter culpa;
pedi desculpas sem se quer ter feito algo de errado;
Me senti um lixo.
Desejei que a dor tivesse fim, mas,
com o passar do tempo ela só ficava mais forte.
Eu cheguei ao ponto de admirar a dor física.
Tudo por que ela me trazia alívio,
eu até pensava com um sorriso no rosto:
Ainda bem, ainda estou vivo...
Era como se aquela sensação de vazio
fosse preenchida com uma gota de esperança.
E de gota a gota fui transbordando;
Fui me levantando e caminhando devagar,
dando um passo de cada vez.
Hoje eu sei que aquela agonia ficou gravada em mim.
Cada minuto,
cada segundo...
Eu ainda lembro dos gritos e o sabor do desespero.
Mas, hoje eu posso contar essa história em paz,
porque sei que isso não me machuca mais.
A angústia que outrora me escravizava, hoje,
É só mais um sentimento que eu dominei dentro
de mim.
(10 de março de 2023)
