Poemas Anjos de Pijama Matilde Rosa Araujo
"Me olhei no espelho e perguntei; 'Quem és?'
E ele sussurrou: 'Teus passos me moldam, sou tuas escolhas.'"
"Nosso comportamento, valida nossa fala"
Não adianta falar bonito e não ter compromisso com o que fala!
Dos cordéis cito elementos
Tidos como essenciais
Todos tão fundamentais
Que elevam meus argumentos
Autentico ensinamentos
Cito a métrica fiel
A rima com seu papel
E a oração feito luz
Trilogia que introduz
Este ABC do cordel!
Seja luz de intensidade,
De sublimidade e amor,
Seja luminosidade,
Seja sol abrasador,
Avante, siga adiante,
Seja luz impactante,
Girassol libertador.
Quanta luta que se abraça
Na educação que liberta,
Que oferece porta aberta
Na linda lição que grassa.
É pela fé que arregaça
As mangas, com tanto amor
Neste pacto regedor
De sentido insofismável,
Por conduta elogiável,
Meus parabéns, professor.
Por ser mestre incontestável
Nos gestos do dia a dia
Por toda luz que irradia
De maneira indubitável.
Pela fonte inesgotável
Frequentemente ao dispor
No modo libertador
De ensino tão respeitável,
Por conduta elogiável,
Meus parabéns, professor.
Pela ação de qualidade
Nos mais que incontáveis gestos
Ou desejos manifestos
De tamanha intensidade,
Por notável imensidade
De caráter benfeitor
Deste ser transformador
Certamente admirável,
Por conduta elogiável,
Meus parabéns, professor!
Eu comungo da força positiva
Que energiza o amanhã de todos nós
Cujo efeito se iguala aos dominós
Em fileira de luz substantiva
Comunhão é palavra que cativa
Não carece deixá-la se perder
Que se faça, portanto, acontecer
A vitória estampada na aliança
Que o natal retempere a temperança
E alimente de paz o teu viver.
Compartilho da crença inabalável
Que o Senhor lá dos céus iluminou
Pois comporta a certeza que adubou
Nossos sonhos de modo indubitável
Sendo sonhos semeiam respeitável
Pensamento que faz compreender
Que é preciso empenhar-se pra prover
O processo desta autoconfiança
Que o natal retempere a temperança
E alimente de paz o teu viver.
Penso assim face à fé que me acompanha
Sob a égide do Cristo Salvador
Todos nós somos frutos deste amor
Que dos céus nos provoca e nos assanha
Quem percebe este gesto logo apanha
A promessa de um novo amanhecer
E a coloca no berço do seu ser
Sempre imerso em louvável confiança
Que o natal retempere a temperança
E alimente de paz o teu viver.
Nas palavras bem pensadas
Um tributo ao bem querer
O dom da vida é viver
O canto das alvoradas
Jatos de luz em jangadas
Joias de vida e em flor
Em preto e branco ou em cor
É minha alma que alumia
Meu coração vivencia
Reverencia o amor.
O meu jeito já diz tudo
Meus olhos falam por si
Sonhos que me levam a ti
Mesmo que calado ou mudo
Te chamo, mas não te iludo
Arremesso arpoador
E tal qual fio condutor
O meu corpo denuncia
Meu coração vivencia
Reverencia o amor.
Falta chão por tua falta
Meu dia pede você
No coração o porquê
Dessa sensação que salta
Subindo a rampa, ribalta
Fui homem por ser autor
Iluminado na cor
Pois o amor irradia
Meu coração vivencia
Reverencia o amor!
Quantos amantes serenos
Queridos, monumentais
Quantas figuras no cais
Desembarcando tão plenos
Quantos acordes amenos
Enaltecendo harmonia
Irradiando euforia
Na via dupla que planto
Recanto de ouro, encanto
No canto da poesia.
Planície surpreendente
Planalto-luz fervoroso
Cativante, montanhoso
Convidativo, envolvente
Maravilha de expoente
Que remete à melodia
Oh mar, amar e magia
Sem palavras, sei que é tanto
Recanto de ouro, encanto
No canto da poesia.
Pôr do sol exuberante
Recôndito de conquistas
Atônito, vi nas pistas
Avistas, tão refrescante
Tudo significante
Furacão de profecia
Montanha de simpatia
Ocasionando acalanto
Recanto de ouro, encanto
No canto da poesia.
Desabrochar da aurora
Que deslumbrar de magia
Um esplendor, euforia
Qualquer lugar, mundo afora
É tudo escrito na hora
Poema feito alegria
Abrigo de ventania
Que reconhece acalanto
Recanto de ouro, encanto
No canto da poesia.
Nada mais tão confortante
Nada mais de tanta raça
Que faça erguer esta taça
De valor tão fascinante
Ah que troféu retumbante
Suscitado em seu destino
Se é tudo tão cristalino
Hei de exaltar o feitio
Nada mais tão luzidio
Que o brio de ser nordestino.
No mês de outubro enalteço
A perseverança exata
E o dia oito é a data
Que consagrada ofereço
Esta data não tem preço
Realimenta o meu hino
Aprendi quando menino
Que o nordeste é varonil
Nada mais tão luzidio
Que o brio de ser nordestino.
Nada mais me reconforta
Nada mais tanto me encanta
Nada mais em minha planta
Neste nordeste me importa
Que um ser em si que comporta
Realce tão cristalino
Autêntico, genuíno
A merecer nota mil
Nada mais tão luzidio
Que o brio de ser nordestino.
Nas controvérsias dos versos
Vejo-me aqui versejando
Poetizando, versando
Sobre juízos imersos
São sonhos incontroversos
Que visam te cativar
Poetar, rimar, versar
Estimulando o que enseja
Porquanto o que se verseja
Almeja amor e amar.
Que bravura e confiança
Força, determinação
Quanto arrojo, ânimo, ação
Intensa perseverança
Na fé quem ama se lança
Ah, não se esgota em verniz
Realidade condiz
Coragem vencendo o medo
Sê firme como um rochedo
Sem medo de ser feliz.
Impavidez, ousadia
Com coragem e afoiteza
Bravura sem dar moleza
Denodo assim todo dia
Hombridade, valentia
Intrepidez que se quis
A honra pedindo bis
Sem falsidade, arremedo
Sê firme como um rochedo
Sem medo de ser feliz.
Ao infortúnio reaja
Com robustez e vigor
Na vicissitude ou dor
O forte ser se encoraja
Sendo assim não retroaja
Alie-se à força motriz
Supere, enfim, cicatriz
Seja uma rocha, penedo
Sê firme como um rochedo
Sem medo de ser feliz.
Faça acreditar na vida
Faça revolucionar
Ah, faça sem se acanhar
Espetáculo sem medida
Sem corroer a corrida
Seu sonho nunca perece
Quem sabe fazer merece
Felicidade bendita
Faça valer a escrita
De quem acredita e cresce.
Abra as portas do infinito
E solte um largo sorriso
Firmando os pés no seu piso
Com seu grito amplo, irrestrito
Avance, lance o bendito
Que sempre rejuvenesce
Pois nunca expira ou falece
E o seu coração se agita
Faça valer a escrita
De quem acredita e cresce.
Quer ser feliz? É preciso
A voz de Deus escutar
Ensinamentos plantar
De jeito claro e preciso
É verdadeiro o que viso
Com a fé que resplandece
A sua alma floresce
E reverdece bonita
Faça valer a escrita
De quem acredita e cresce.
De tanto amor vou falar
Pulsando sinceridade
No frio, calor, claridade
Partindo do limiar
Não quero me habituar
À devastação da flor
Ao invés de viver dor
Doce de mel, de ameixa
Amor em trança, madeixa
Deixa-me falar de amor.
Amor em linhas gerais
Amor, fazer cafuné
Amor na paz e na fé
Amor em sonhos reais
Amor, amor, muito mais
Amor a todo vapor
Amor, a força motor
Amor assim, quem se queixa?
Amor em trança, madeixa
Deixa-me falar de amor.
Expressar suavidade
Cumplicidade e leveza
Amor intenso, agudeza
Mansuetude, unidade
Quietude, amenidade
Girassol libertador
Pôr do sol, que resplendor
Meada em fio, não me deixa
Amor em trança, madeixa
Deixa-me falar de amor!
Sabe quando a gente deita a cabeça ao travesseiro
e sua mente vira ao avesso,
uma confusão em meio ao caos?
Pensamentos distorcidos,
medo do futuro,
tristezas de um passado quase presente
que teima em revirar seu mundo de um jeito que te tira a paz.
De repente vem um nozinho na garganta;
Um embrulho no estomago;
Um aperto no coração...
Mas o tempo vai passando e a dor nao vai embora,
as memorias não se apagam,
o que acontece é que a dor se torna suportavel.
Vai doer,
Vai doer muito, mas essa dor é só sua.
Viva ela,
se torne mais forte que ela,
foca em voce,
o amanha é incerto.
Do futuro nada sabemos,
apenas desejamos e queremos.
mas afinal que que amanha melhor é esse que queremos?
e o hoje?
você está vivendo?
"É melhor ter pouco e administrar com sabedoria do que possuir muito e ser controlado por aquilo que tem.
Afinal, 'melhor é o pouco, havendo justiça, do que grandes rendas com injustiça' (Provérbios 16:8)."
Você chegou de repente
E eu com meu peito carente
Abraçou o teu gostar
Com o teu sorriso na minha mente
Me deixou foi dependendo
Com sua forma de amar
Eu quis saber de onde tu vinha
Dos passos que tu caminha
Esse quero conhecer
Tu toda faceira me respondeu
Que caminha no rastro d'eu
Sem medo de se perder
Me convidou pra dançar um xote
Dei logo um cheiro no cangote
Arrepiou da cabeca até o pé
Com carinho me tocando
No seu corpo eu viajando
seja lá o que Deus quiser
Demônios Internos
Não há demônios sob a cama,
nem monstros à espreita
nas frestas da escuridão.
Procure-os dentro de si
e os encontrará,
enraizados na alma,
como raízes densas
de medos nunca podados.
Eles se alimentam
do silêncio amargo
das noites insones,
bebem das culpas
que se ocultam
nas sombras da consciência,
crescendo nas rachaduras
dos segredos sufocados.
Não há monstros lá fora,
não há presenças que assombrem,
apenas os fantasmas
que nós mesmos criamos
com os escombros
das verdades que tememos.
Eles não gritam,
não quebram portas,
não urram no escuro.
Sussurram
na voz da ansiedade
que ecoa dentro do peito,
esperando que um dia
tenhamos coragem
de encará-los
sem medo do reflexo.
Instantes
A vida é boa, de fato.
Mas a felicidade
é um enigma sem tradução,
uma chama que dança
no vento do acaso,
iluminando breves instantes
antes de se perder
como areia escorrendo
pelos dedos distraídos
de quem tenta aprisioná-la.
Não há palavras
que a definam,
nem mapa que revele
onde repousa.
Ela surge sem aviso,
num sorriso que rompe
a monotonia dos dias,
num abraço que se prolonga
além da urgência
e da insegurança.
É indescritível,
porque não se fixa
no intervalo de uma frase
nem se dobra
ao tempo de uma vida.
Quando nos toca,
é silêncio e pulsar,
uma vertigem de ser
sem o peso da identidade,
um vislumbre de essência
quando esquecemos
de existir.
Tem gente que caminha reto…
mas vive torto por dentro.
A coluna aguenta.
Mas a alma… geme em silêncio.
A gente acumula o que não vê.
Não são malas, nem caixas.
São camadas de silêncio.
Palavras que ficaram presas na garganta.
Olhares que machucaram sem dizer nada.
São dores que ninguém sequer notou.
mas que moram bem aí no fundo.
Desde cedo...
Ensinaram a engolir o choro,
a não demonstrar fraqueza,
a ser forte e não incomodar.
Mas ninguém explica…
que ser forte o tempo todo
também adoece.
Então você vai…
vai fingindo que tá leve.
Sorrindo pra não preocupar.
Segurando pra não desabar.
Aos poucos, você vai deixando de existir dentro do próprio corpo.
Até que um dia, o corpo grita.
O cansaço que não passa.
A raiva sem motivo.
Com essa vontade silenciosa...
de simplesmente... desaparecer.
Mesmo quando, por fora,
parece que tudo tá certo.
Bonito.
Normal.
Lá dentro, a alma sabe.
Ela sussurra, no intervalo entre um suspiro e outro:
“Me ouça.”
Hoje talvez seja o seu rito.
O momento de parar.
De abrir mão do que você carrega.
De sentir o que ainda te pertence.
E deixar no chão o que virou peso morto.
Você não precisa contar pra ninguém.
Nem se justificar.
Só respirar…
e deixar ir.
Porque, às vezes,
a maior força não está em continuar,
mas em soltar.
Início do Fim
A morte
não é um golpe final,
nem o apagar abrupto
de uma chama que ardeu em vão.
Ela começa
no primeiro sopro de vida,
como um murmúrio ancestral
gravado na espinha dorsal do tempo,
uma promessa silenciosa
de que tudo que nasce
traz em si
o prenúncio de partir.
Somos nós
quem tenta adiá-la
ou apressar sua chegada,
como se a permanência
fosse um direito herdado,
como se o fôlego
fosse posse
de quem o exala,
esquecendo que o ar
é só um empréstimo
da eternidade.
Entre o nascer
e o desfolhar da última pétala,
somos intérpretes falhos
de um roteiro
traçado pelas mãos do acaso,
dançando na corda bamba
do existir,
prolongando cada passo
como se a terra
não estivesse sempre
a um deslize
de nos tragar.
A morte
não é antítese da vida,
mas sua sombra inseparável,
um vulto paciente
que nos acompanha
até o instante
em que já não há mais corpo
para projetá-la,
quando o vazio,
enfim,
reivindica o espaço
que sempre lhe pertenceu,
e nós,
como poeira,
nos dissolvemos
no ventre do universo.
