Poemas Amor que Rima
De Ré
Canto esta melodia
que ecoa com maestria
por corredores sanguíneos.
É muda, é cinza;
é vazia, é oca.
As notas Sol ficam ranzinzas
com a sonoridade louca.
Que som tenho eu?
O som que queres ouvir ou o som da minha essência?
Sinto que não me pertenço,
sem lealdade a mim mesma.
Que som tenho eu?
Soar avulso, vermelha tercina,
púrpuro Si, acorde que ilumina?
Sinto-me mas não reconheço.
Sem dignidade, saio ilesa.
Carrego o fardo de uma vida
que não é minha,
o fardo da falsa personalidade.
Carrego prédios com corredores fora de linha,
prédios dum eu sem legitimidade.
Transolhar
(ou olhar transmoderno)
No fundo
do olhar
o findo mar
no infinito
do sal
da lágrima
da rima
final.
Escrevo como quem lê.
Descrevo, tento entender,
Se é dever ou sina,
Ou como funciona,
essa conexão que prevê
uma rima entre eu e você.
Fumaça
Tudo sei, tudo conto;
nada sinto, nada vivo.
Sou apenas corpo a dançar pelo trilho.
E o trem vem chegando,
apitando apressado.
Meu rodopio é longo
e desengonçado.
E me assusta quando apita
E me angustia quando apita
E me corrói ao apitar
porque não tenho como escapar.
Pesadelo
Acordo suada
com coração acelerado.
A porta está lacrada
e, o medo, ao meu lado.
Tudo que vejo é nada;
nada é tudo que vejo.
Vejo apenas nada,
sinto apenas medo.
Cavo com dedos já sangrentos
o teto onde piso.
Estou presa num cubo e lento
é meu movimento não-liso.
A escuridão me consome,
luto, agonio, rejeito, atrofio;
mas o vazio preto me come,
na podridão me crio.
Boneca de Pano
Que tal ficarmos na nossa?
Que tal fingirmos tudo?
Será que fazer vista grossa
vai silenciar o sofrimento não-mudo?
Sou marionete num jogo adulto,
vejo cordas a sufocar corações em luto.
Enceno a peça teatral perfeita
onde não sei pra que fui feita.
Todas vezes que o vigário traiu
fui atriz secundária;
a principal foi ilusão em navalha
e, a mensagem, mera falha.
Mas me libertarei.
Despedaço, destruo, desintegro
o frágil pano do qual me criei.
P[R]O[BL]EMA
nenhuma técnica/método
receita bulário
segunda via feita a papel carbono
xerox reconhecida em firma
rúbrica a punho
sequer ensaio para a cegueira
qualquer poliqueixa minha
qualquer cólera
qualquer resultado
não é mais que
poema
único num
teorema do exercício de ser
todo dia um poeta que firula
a inquietação
condicionado à metáfora
programado em rima
aos vocábulos que rodeiam:
sou quase todo ilha
Fazer poesia
Urge porque ora ardem. Ardem até serem escritas. Palavras entoam ardidas, tal como Sol do verão.
Há também as que amassam, sem ardor, queimação. Palavras apertadas, tal como nó na gravata. Sufocam, só desafroxam escritas no punho, à mão.
Mas há palavras que urgem sem tocar no coração. Juntas porque rimadas. Repetem tão ensaiadas, tal modinha de verão.
Rimas pobres, outras ricas. Carimbam, viram canção.
Urgem de tal maneira, habitam a cabeceira. As levo por todo instante, praga, saga e refrão. Me rendo, registro a rima.
De fato, nenhuma obra prima. Jamais tive tal pretensão. Mas rima virou poesia, singela, bela guria, quanta gente sonharia alçar tão posição.. Plenitude alcançada, rima ousou ser poema. Ousar ser poema e bom.
Você não poderá justificar o próprio suicídio por ter de enfrentar alguma dificuldade.
Viver exige força, fé e coragem.
A primeira liberdade não se conquista, é a vitalidade.
A ato de desistir da vida é sinônimo de covardia e ninguém quer morrer como um covarde.
Fazer uma redação escrita à mão já não é tão eficiente.
O digito chega mais perto do ritmo da mente!
Toda ideia que se passa é analisada precisamente, aproveitada se condizente, senão, descartada num “control Z” eficiente.
A ideia que não se aproveita no texto, na mente é um começo, para desenrolar todo um raciocínio inteligente.
Leia uma, duas, três vezes, e “clika” no lugar exato, dando rápido aparato num pensamento bem documentado pelo infinito disposto em nosso mundo globalizado.
Esse sou eu e ninguém copia
sou poeta e escrevo poesia
crio rimas, falo, canto
digo verdades, desperto encanto
vivo da rima
respiro emoção
cada palavra
bombeia meu coração
meus olhos enxergam
poesia e beleza
no cotidiano em pessoas
na linda natureza
tudo que escrevo
eu vivo todo dia
pois poesia e vida
e minha vida é poesia
Será que não tinha um poema?
E se você pensou que hoje não tinha poema
Te digo que talvez não
Porque hoje estou sem rimas
Será que tem algum problema?
Palavras me faltaram
Quando hoje te vi
Fiquei sem fala
E quase morri
Calma, foi só emoção
Sintomas de algo
Que esta aqui dentro
Do meu coração
Ah que manhã mais linda
Que me trouxe alegre paixão
Aceito tudo que faz bem,
o que a vida tem de bom.
aquilo que me convém
o que for de bom tom.
de tudo que o amor tem
que carinho sem ou com
De espera no vai e vem
Família Animal
Meu tio é um boi
Minha tia uma vaca
Não sabem dizer "Oi"
E toda bosta do chão cata
Um é morto de fome
A outra é triste da vida
O "Morto" é o que mais come
A outra é a mais exibida
Tenho uma parente Baleia
E um parente Sapo
Uma fica olhando a vida alheia
E outro é bom de papo
Essa é a família animal
Vieram da Natureza
É perigo total
Nenhum deles tem beleza.
Que bom que há versos nobres de um latim esmerado e que no casebre ao lado residam os verbos pobres...
Se um ao outro descobre qual parentesco de rimas, os dois vivem o mesmo clima com liames e convergências...
Curvar-se é uma reverência e não uma subestima...
Eu faço este Boombap
para recordar
daqueles velhos tempos
k nunca mais vai voltar.
Então é a sim
eu faço este som
para mostrar rap
a esta nova geração.
Estou a curtir
acredita k é real
escuta com atenção
porque isto é HipHop Nacional.
Custe o k custar
vais ter k te habituar
sou Real Poeta
e vim para rockar.
Madrugada solitária
Eram três da manhã...
Eu imaginando tais sensações
De está contigo,
De ser teu ombro amigo,
Pobre de mim!
Quem dera fosse assim
Tão tola de pensar,
Tão tola de sonhar,
Mas nem minha presença
Você ousa em notar.
De vácuo em vácuo
A gente perde o contato,
De desleixo em desleixo
A gente perde o desfecho,
Sem puxar assunto
Permaneço mudo!
E assim nossas conversas
Vão ficando sem rumo...
Ei, pode chegar!
Vem conversar...
Vem amenizar;
Esse desejo,
Esse anseio,
Do seu cheiro
Do sabor desse teu beijo.
Ei, não faz assim
Fica juntinho de mim...
