Poemas a um Poeta Olavo Bilac

Cerca de 307426 frases e pensamentos: Poemas a um Poeta Olavo Bilac

Disse o poeta, certa vez, que a borboleta era mais importante que a flor. O bêbado, com a lucidez que só o excesso permite, respondeu de que valeria a borboleta se a flor não fosse essencial à sua existência?


Eraldo Silva.

Para onde vais, poeta
Não estás na rua certa
A tua casa é para o outro lado
Ou vais ali ao mercado


Olha bem para o teu passado
Ó curioso atrasado
Larga lá a minha bebida
Vai tratar da tua vida


A bebida há‑de matar-me
Mas os meus poemas hão‑de ficar
São amor para a eternidade
Nas palavras vi felicidade


Adeus, até um dia desses
Que sejam muitos meses
Nunca tive saudades tuas
Vou mas é beber mais duas

Se eu fosse poeta, homenagearia
cada voz preta que rasgou o silêncio do Brasil.


Homenagearia Maria Firmina dos Reis —
a primeira luz que escreveu a fuga e a dor,
plantando cais de memória em terra de esquecimento.


Homenagearia Luís Gama —
ferro forjado em palavras, libertando nomes,
vindo das chagas para erguer a lei com verso.


Homenagearia Cruz e Sousa —
que fez do céu um espelho de expatriadas almas,
tecendo símbolos como quem reza contra o vento.


Homenagearia Solano Trindade —
com o batuque antigo no peito, palavra viva do terreiro,
poeta do povo, do samba, do salto que não se cala.


Homenagearia Machado de Assis —
ironia que desarma o pudor das verdades,
um espelho complexo onde se lê a cor do país.


E homenagearia tantas outras,
vozes anônimas nos quintais, nas cartas, nos jornais,
mães de rima, operários de verso, crianças de refrão —
todos os poetas negros do Brasil, uma constelação de nomes.


Se eu fosse poeta, faria altar com seus poemas,
acenderia lamparinas sobre as páginas gastas,
faria do silêncio um salão de festa,
transformaria o esquecimento em arquivo de resistência.


E recitaria seus nomes como quem chama antepassados:
para que a memória dance, para que a história ouça,
para que o futuro herde mais do que palavras —
herde voz, coragem e a beleza inteira de ser ouvido.

Poeta.


Tanto escreves sobre os outros...
Tanto sofres, óh eu lírico,
Tanto mendigas e recebes pouco,
Tanto almejas ser prodígio.


Onde encontras teu refúgio?
Da maldade, da tua luta...
Fazes daqui tua terra, céu, chão e eterna labuta...
Mas continuas sendo fugitivo.


Romantizas a morte,
Não temes a ninguém,
Escrever é o que vivo lhe mantém
E mesmo assim, medroso foges...


Não fujas, poeta!
Teu chamado depende de ti,
Letra bonita? Isso pouco importa!
O que importa é o enredo que sofrestes por trás da história.


Poeta, querido poeta, inútil não és!
Erga-te! O mundo precisa te ouvir.
Pegue seu papel, admire e escreve,
Passe os sentimentos, quero todos poder sentir.

A poesia precisa do poeta para pega-la
com palavras
como a água precisa de algo
para conte-la,
se não fosse a tinta da caneta
a poesia seria desperdiçada
despalavrada no não
e não declamada
saciando o imaginar
que pede conclusão
contida em cada letra
preciosa em um poema
é só vim e pegar um declamar
e ser

O sapo acachapa insetos na barriga


O poeta acachapa palavras no poema


Ambos e a língua

O poeta incomoda incomoda o silêncio
até que ele sai da frente de frases prontinhas nas coisas que tão...
que são que acontecem...


Incomoda a ausência
de assistência
poética.


O mais do mesmo é vírus malicioso
inimigo da linguagem ele ataca
o pensamento prova falta de
imaginação levando a
repetição que não
cuidada bloqueia
a autenticidade


Cuidado se sentiu vício delinguagem procure um trava-língua
próximo a sua razão


E imagine com mais imagens.


(Leonardo Mesquita)

O poeta é o craque da caneta
Ele dribla com as palavras o tédio, o mais do mesmo e o vício de linguagem
Ele encontra no peito o que alguém sentia desse jeito...
Domina a palavra descomplicando a interpretação colocando na ponta da língua o sabor da imaginação
O poeta dribla com facilidade frases sem jogo de cintura...
Esse tipo de craque não passa a bola pra amargura porque tem o tempo certo da palavra na situação
Ele tem o coração no outro ele é irmão de ação...
Ele grita EU junto com o próximo... O poeta costuma levantar razão
No campo da vida a gramática é sempre amiga
No papel as letras do poeta vibra
Costura a jogada e CHUTA sem chance pro BRANCO e grita que frase que frase
Junto com a imagem que fica...

O poeta precisou passar da imaginação pro poema, mas o branco tava muito forteentão o poeta cortou frases
com a caneta amarrou-as com imagens
das margens do branco em cena e colocou a jangada de frases na água com criatividade o poeta passou a poesia pro papel...

Aprendi a colar palavras com cola emoção, onde se compra essa grudenta que o poeta tem à mão, será barata
será batata passou secou inventou, coladas em versos chiclete palavras
divertem quem gosta do doce que
entrete com figurinhas de imaginação...
na boca a recordação nhoc nhoc
nhoc


Leonardo Mesquita

O poeta solta palavras no poema
como peixes no aquário e em límpidas letras essas tem o oxigênio do imaginário ocasionando a troca pragmática pela quebra de tensão
( que com jeito ) ( como ) um olhar poético bole nas palavras ( assim ) em um texto poroso
permeando de poesia a mente
que acende a luz do vocabulário...
e solto nesses versos o ah ah
que quebra quem sabe pensar...


Leonardo Mesquita

O poeta cria versos
Intensifica uma história
Chama a atenção
Sobre o perigo à base de prosas.

Compartilha amor
Fala sobre aprendizado
Conta alguns erros
E sentimentos frustrados.

É um bom guia
E aplica uma lição
Ao estimular a leitura
Dentro do coração.

O poeta


O poeta se concentra na expressão;
Evoca sentimentos, imagens e sensibilidade,
Ativando o processo de cognição
E criando versos na cadência com musicalidade.


Os estilos variam com a personalidade.
Pessoas se diferem no temperamento
E a poesia vai descrever
A lógica de seu pensamento.


O poeta tem sempre em mente
Muita história para contar
Precisa apenas de um roteiro
Para seguir o seu pensar.


Na arte, basta um olhar.
Observar o que está à frente
Extrair com sensibilidade
A essência do que está presente.


Cenários e figuras são matérias primas
Só é preciso observar
Os versos vão sendo criados
De uma história a narrar.


Nos versos, há cadência,
Coerência e sequência na criação,
Que se transforma em imaginação e arte,
E a metáfora gera imagens, ritmo e canção.


A poesia é inspiração.
É algo que vejo, percebo e toco
É o olhar que torna o incomum em significativo
E estimula a sensibilidade com foco
Expressivo, sensitivo, objetivo


A poesia é inspiração.
É algo que vejo, percebo e toco
É o olhar que torna o incomum em significativo
E estimula a sensibilidade com foco
Expressivo, sensitivo, objetivo
E do silêncio nasce o verso solto.

⁠Hoje estou inspirado
Tô rimando urubu e meu loro
Você acha que sou poeta
Hááá.. poeta é meu ovo!

Se eu fosse poeta, pra você iria poetar
Poetando o dia inteiro... Toda hora sem parar;

Mas eu sou um cara esforçado
Palavras bonitas eu busco falar
Mas eu não tento ser poeta
Me desculpa te desapontar;

⁠O Poeta na Cama...

Quero
despertar feras
no teu corpo!

Enquanto chove lá fora...
Esta noite eu quero
Riscar
fósforos
na tua pele!

Nutrir
o teu mais louco desejo
Ser -permanecer-ficar-cantar-viver-feliz
teu alimento!

Te dar de beber
na boca...
chocolate quente
Pra espantar o frio
indecente!

Eu de poeta não tenho nem o nome
Eu de poeta não tenho nada!
Por que não é meu
este verso que nasce
involuntário
do meu peito!
E hoje está cada vez mais presente
feito a humidade de um rio caudaloso!
De poeta eu não tenho nada
nao bebo vinho
não grito na calçada
nem me escondo em grupos
ou concursos literários!
Sou egoísta e reservado
Pensem o que quiserem
Eu apenas vivo o meu verso
feito o trovão no final da tarde!


William Marques de Oliveira

Falso Poeta



O que possuis?

Nada!?

Farfalha as tuas cordas vocais...!

Secas!

Por nada!

Como dizes que isto ou aquilo é teu?

Nem és uma imitação falseada

de Cecília!

Tão pouco, o porquinho da índia

de Bandeira!...

Acaso podes tu

humano possuir (?)

as profundezas da terra

e as alturas dos céus?

no pequeno terreno teu?...

Não sejas superficial!

Acaso podes tu

humano

possuir alguma coisa

se passarás

antes mesmo que esta acabe?

Surgimento da escrita


A gente só vira poeta em dois momentos da vida.
O primeiro é quando ama.
O segundo, quando morre por dentro.
Quem não ama
nem chega a morrer em vida.
E quem não vive essas dores e entregas
nunca aprende a escrever com a alma.

O poeta sabe do verso, como a estrela sabe do universo.
Mas o leitor sabe melhor
O músico sabe da canção, mas é o ouvido que melhor vê.
O olho segue a razão e dela não faz vista grossa
Mas é somente o coração, que ouve e vê e faz fé no mais que possa.

O poeta acompanha umas coisas que não são apenas pensamentos; é o tempo com significando, como o ouvido pendurado na conversa às nove e quarenta e cinco da manhã...




Leonardo Mesquita