Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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Se você quer me ofender gravemente, me diga coisas como: 'Admiro muito você e a véia dos gatos', 'Admiro muito você e o Marco Antonio Vil', 'Admiro muito você e o Arruinaldo Azevedo', 'Admiro muito você e o Rodrigo Cocô', 'Admiro muito você e o hominho dos dois dedos.'

Se você quer me ofender mais ainda, diga que o meu problema com essas pessoas é divergência de opiniões.

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Só acredito nestas três leis do processo histórico:
1. A difusão dos fatos produz novos fatos.
2. À medida que a difusão aumenta, os fatos se precipitam em velocidade alucinante, até o ponto em que ninguém mais consegue acompanhá-los.
3. A ignorância, a loucura e a confusão crescem na razão direta da quantidade de conhecimento disponível.

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Só o homem de cultura pode julgar as coisas na escala da humanidade, da História, da civilização. Os outros seguem apenas a moda do momento, criada ela própria por jornalistas incultos e professores analfabetos, e destinada a desfazer-se em pó à primeira mudança da direção do vento.

A cultura pessoal é a condição primeira e indispensável do julgamento objetivo. A incultura aprisiona as almas na subjetividade do grupo, a forma mais extrema do provincianismo mental.

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“Mas aí nós temos de fazer uma distinção, que os escolásticos faziam, entre o que é a nesciência e o que é a ignorância. A nesciência é você não saber alguma coisa; a ignorância é você não saber alguma coisa que você deveria saber. Então, nós temos de sair em busca dos pontos de ignorância do filósofo, ou seja, aquilo que ele não viu, embora estivesse na frente dele, e embora, pela lógica do seu pensamento, ele devesse ver.”

(COF, Aula 120)

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Mas com freqüência os advogados erram até na sua própria área.
Por exemplo, no caso de uma ofensa à religião, se o crime não teve um destinatário pessoal, se não houve a interrupção de uma cerimônia religiosa nem o vilipêndio a um objeto FÍSICO de culto, NÃO ADIANTA PROCESSAR NINGUÉM.
Só serve para acumular jurisprudência favorável ao criminoso.

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O hábito mais abjeto na conduta da 'classe científica' é o desprezo 'a priori' que tantos dos seus membros têm pelas experiências comuns da humanidade que eles não consigam ou não desejem repetir pelos seus métodos usuais.
Se é para a ciência conservar algo do seu prestígio, essa merda tem de acabar.
Ninguém pode ficar esperando o beneplácito acadêmico para perceber o que percebe e sentir o que sente.
O próprio Aristóteles já ensinava que um certo respeito pelo conhecimento pré-científico é uma condição indispensável da ciência.

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Imaginar que as classes sociais sobem derrubando as anteriores é a maior bobagem que alguém já pensou. Nenhuma classe dominante jamais 'caiu'. Elas apenas se adaptam e se reciclam.
***
Tudo o que hoje a esquerda faz no mundo é para a glória do grande capital.

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Se eu fosse dono da verdade, poderia modificá-la quando bem o quisesse para torná-la agradável às pessoas que eu desejasse cortejar, e ela me obedeceria.
Feliz ou infelizmente, isso não está ao meu alcance. Só posso aceitar a verdade tal como ela se apresenta, e tentar dizê-la o melhor que posso.
Aí me chamam de dono da verdade.

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Duas coisas matam uma vocação de escritor: o jornalismo e a política — as duas coisas para as quais me convocam vinte e quatro horas por dia.
***
No começo, ajudam. Depois comem o tempo todo do infeliz.

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Diante de qualquer conhecimento, a filosofia busca esclarecer:
· Sua inteligibilidade
· Sua significação
· Sua realidade
· Sua posição na ordem geral conhecida
· Seu valor para a autoconsciência individual, para a cultura e para a civilização

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Os componentes essenciais da técnica filosófica são:
1. A anamnese pela qual o filósofo rastreia a origem das suas idéias e assume a responsabilidade por elas.
2. A meditação pela qual ele busca transcender o círculo das suas idéias e permitir que a própria realidade lhe fale numa experiência cognitiva originária.
3. O exame dialético pelo qual ele integra a sua experiência cognitiva na tradição filosófica, e esta naquela.
4. A pesquisa erudita pela qual ele se apossa da tradição.
5. A hermenêutica pela qual ele torna transparentes para o exame dialético as sentenças dos filósofos do passado e todos os demais elementos da herança cultural que sejam necessários para a sua atividade filosófica.
6. O exame de consciência pelo qual ele integra na sua personalidade total as aquisições da sua investigação filosófica.
7. A técnica expressiva pela qual ele torna a sua experiência cognitiva reprodutível por outras pessoas.
Todos os grandes filósofos do passado praticaram esse conjunto de técnicas e muitos se referiram a elas em suas obras, mas nenhum se ocupou em fazer delas uma exposição abrangente e sistemática. [...]

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[...] É bom o que nos eleva à consciência da ordem e do sentido supremos, é mau o que dela nos afasta. Não tem outro significado o Primeiro Mandamento: Ama a Deus sobre todas as coisas.

[...] Não há certamente maior benefício que se possa fazer a um semelhante: mostrar-lhe o caminho do espírito e da liberdade, pelo qual ele pode se elevar a uma condição que, dizia o salmista, é apenas um pouco inferior à dos anjos. Tal é, substancialmente, a forma concreta do amor ao próximo: dar ao outro o melhor e o mais alto do que um homem obteve para si mesmo. Amamos o nosso próximo na medida em que o elevamos à altura dos anjos. Fazemos-lhe o mal quando o rebaixamos à condição de bichinho, seja com maus tratos, seja com afagos.

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Diálogo antigo (1986):
Rama P. Coomaraswamy: -- Em esoterismo, toda questão tem duas respostas: Sim e Não.
Olavo: -- Isso é verdade ou não?

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"'Excelle, et tu vivras', ensinava Joubert -- o escritor que ilustrou pessoalmente a sua máxima, sobrevivendo a si mesmo pela pura excelência do seu estilo.
Até os anos 60 ou 70 do século passado, o poder incomparável da excelência era não só uma obviedade patente para todos os escritores brasileiros, mas um princípio orientador de toda a sua atividade.
Hoje em dia esse princípio parece que simplesmente desapareceu das consciências, tal a intensidade crédula com que os pretendentes a escritores e intelectuais apostam em outras coisas: o apoio grupal, a solidariedade militante, as boas relações, o emprego universitário, etc. etc., tentando insuflar um simulacro de vida em algo que já nasceu morto."

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Muito do que fazemos na vida -- às vezes, tudo -- é compensação de alguma tristeza que tivemos na infância ou na adolescência. No meu caso, sei exatamente que tristeza foi essa. Quando, no início da adolescência, comecei a me interessar por literatura, teatro, música clássica, história, filosofia, psicologia, teologia, entendi que tinha descoberto um tesouro infinitamente valioso, o alívio quase imediato da maioria dos padecimentos humanos. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que em geral as pessoas não apenas eram desprovidas de qualquer interesse por essas coisas, como tinham até um certo orgulho da sua indolência mental, acreditando piamente que acabariam por vencer todas as dificuldades da vida pela simples repetição dos automatismos rotineiros que lhes davam um sentimento de segurança na mesma medida em que, a longo prazo, garantiam o seu fracasso.
Muitas dessas pessoas não escondiam o desprezo que sentiam pelas minhas preocupações, que elas diziam estratosféricas, e não raro o desprezo se manifestava como arrogância, agressividade e exclusão ostensiva. Aos poucos fui descobrindo que isso não acontecia só no meu ambiente social, mas era uma praga endêmica, uma constante da vída brasileira. Os melhores, os mais conscientes e mais sensíveis eram sistematicamente boicotados e escorraçados, jogados para o fundo de uma existência obscura e deprimente pela santa aliança da mediocridade com a arrogância, da inépcia com a vaidade, da indolência com o carreirismo.
Eu SEMPRE soube que um dia teria de fazer algo contra isso.

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A paralaxe cognitiva resulta inevitavelmente do abandono do realismo filosófico.

A paralaxe cognitiva é um engano fundamental, básico, que o filósofo comete na interpretação da SUA PRÓPRIA filosofia.

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A coisa que mais me enoja num escrito é o autor que não escolhe as palavras pela precisão com que correspondem ao objeto descrito, mas pela impressão emocional que, em total prejuízo da exatidão descritiva, deseja despertar no leitor. Esse procedimento é ainda mais perverso e revelador quando se trata de termos técnicos que, por possuírem significados convencionais bem definidos, só se prestam a essa operação mediante distorções forçadas que denotam precário domínio do idioma. [...] O estilo é o homem, mesmo quando a criatura em questão tem, de homem, pouco mais que o rótulo taxonômico.
Esse tipo de eloquência, que é menos canina do que simiesca, nunca funciona, exceto ante plateias previamente dessensibilizadas para as propriedades do idioma.
Ante plateias normais e cultas, ao contrário, a precisão é a condição primeira e indispensável da força persuasiva.

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“Meu filho, o dever que você tem de trabalhar, de se sustentar, de prover as suas próprias necessidades e da sua família é parte integrante da sua vocação — se você se recusa a fazer isso, você não merece que a gente lhe dirija a palavra, porque você é subumano, você é um ladrão. O sujeito que acha que os outros ou que 'a sociedade' tem a obrigação de sustentá-lo e não ele mesmo e, ainda assim, pensando com essa idéia baixa, nojenta, porca, ele ainda quer ser um escritor, um sujeito desses tem de apanhar […] Não vem com essa história de que você é artista e que não pode fazer isso. Porque os artistas que fugiram às suas obrigações, que tipo de gente são eles? Jean Jacques Rousseau? É disso que você está falando? É Jean Jacques Rousseau que você quer ser? Joga os filhos num orfanato para você poder fazer a sua carreira literária? Sua carreira literária vai ser uma merda como foi a de Rousseau […]Se você não é capaz de se sustentar, então saia daqui, meu filho, vai embora, eu não quero você como meu aluno. Arrume um emprego, torne-se um homem decente e volte.”

(COF, antológica aula 007) via Luiz Cesar Luiz Cezar de Araujo

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Dicas de ciência política:
1. Conquistar mais poder é da essência mesma do poder. O poder que para de crescer está em extinção.
2. Como não existe poder absoluto, mas todo poder contém elementos de debilidade, a luta pela sua conquista, manutenção ou expansão não é jamais direta e linear, mas sinuosa e dialética.
3. Hoje em dia, os meios para a conquista, manutenção e ampliação do poder, usados em dosagens, variações e combinações diversas, são três e não mais de três: a mentira, a corrupção e o homicídio.
Em qualquer análise política essas premissas são indispensáveis.

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Uma coisa que me deslumbra diariamente é ver o número de pessoas que acreditam possuir a solução completa e definitiva de problemas que a mim me parecem insolúveis. Quase todas elas se sentem confiantes e tranqüilas pela simples razão de que, deslumbradas com a solução, não chegaram a perceber que há um problema.

A questão da influência dos astros sobre a vida humana é um caso típico. Às vezes parece que existe, às vezes parece que não. Li não menos de trezentos livros a respeito, e até hoje não cheguei a qualquer conclusão que seja. O restante da população brasileira já chegou a conclusões definitivas sem ter lido nenhum.

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