Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Como Deus criou o mundo muito antes de nos enviar Moisés e o Pentatêuco, e como Sto. Tomás ensina que nós falamos com palavras mas Deus fala com palavras, coisas e fatos, tenho como orientação pessoal - que nunca me falhou mas não posso impor a ninguém -- entender à Bíblia à luz da realidade conhecida e não espremer a realidade para fazê-la caber na Bíblia.
Se, antes de começar a ler a Bíblia, você já não soubesse o que é Céu e o que é Terra, não entenderia nem o primeiro versículo do Gênesis.
O passado só determina o quadro de possibilidades e limites das nossas ações, nunca as ações mesmas.
A coisa mais inútil do mundo é tentar harmonizar 'religião e ciência'. Ou a religião engole a ciência e produz uma melhor, como já fez em outras épocas, ou até a ciência acaba virando loucura, como já está acontecendo, e harmonizar-se com ela é submeter o superior ao inferior.
Nunca esperem de mim que eu assuma os ares de alminha pura escandalizada. Muito menos que eu tente me fazer passar pela Voz do Senhor. Deixo isso para quem vive disso.
Que existem processos mentais inconscientes, ninguém pode negar. O que me parece duvidoso é que exista um inconsciente pessoal, perfeitamente individualizado, como se fosse um segundo eu que nos acompanha vida a fora. O inconsciente me parece antes uma rede de esgotos por onde escorre toda a merda ambiente, assim como uns embriões de pensamentos ainda não pensados, semi-idéias em estado larval.
'Inconsciente' e 'individualidade' me parecem termos antagônicos. Só a vontade consciente nos individualiza.
O problema com os liberais e libertários em geral não é de ordem doutrinal, pois doutrinariamente eles estão certos em quase tudo. É que doutrinas não dão inteligência política a ninguém, e a política não é nunca uma questão de doutrina e sim de percepção das situações concretas.
O liberalismo é a condição de possibilidade de uma guerra cultural assimétrica contra o Ocidente. Ele é parte do problema e não da solução.
Não tenho nenhum hobby em especial. Tudo o que faço me proporciona imenso prazer, sobretudo estudar, escrever, dar aulas, conviver com a minha família maravilhosa e com os meus amigos, comer, amar, rezar, dormir. Se tivesse tempo livre, iria caçar e andar a cavalo, coisas que fiz muito na infância. Música, ouço de vez em quando, mas sempre as mesmas, principalmente Mozart e Wagner. Filmes, já vi todos os que queria ver.
Há dois tipos de pessoas: as que aprendem por indução e as que primeiro precisam conhecer a regra geral para depois reconhecê-la na prática. O aprendizado da gramática é necessário a ambas, mas em momentos diferentes. As do primeiro tipo (e eu mesmo estou entre elas) devem acumular uma grande experiência de leitura antes de ter a primeira lição de gramática, porque já terão aquela experiência que lhes permitirá reconhecer do que a gramática está falando. Mas há pessoas que precisam estudar gramática primeiro. O educador é que tem de ter o tirocínio para perceber o que é melhor para o seu aluno.
Fiz muitos exercícios de gramática, seguindo especialmente a velha Gramática Metódica de Napoleão Mendes de Almeida, e procurei incorporar o aprendizado de tal modo que a regra aprendida funcionasse automaticamente. Hoje, que escrevo com correção, esqueci metade da nomenclatura gramatical e ela não me faz falta nenhuma. A gramática é um estudo reflexivo que pressupõe de certo modo o conhecimento prático do idioma e não pode substituí- lo. Mas, como eu já disse, as mentes muito dedutivas e analíticas precisam já de um pouco de gramática no começo do aprendizado.
O amor é SEMPRE querer o bem da pessoa amada. Isso existe já no nível do amor natural. Se não existisse, Deus não poderia sacramentá-lo. Deus não sacramenta o que é mau.
Não há NADA de intrinsecamente imoral na poligamia em si. Se houvesse, ela não teria sido permitida aos antigos profetas. O casamento monogâmico indissolúvel é, como os demais sacramentos, um MISTÉRIO instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, tendo como finalidade a vida eterna, não a moralidade terrestre.
Quanto ao politicamente correto: só crianças acreditam que mudando o nome de algo, ele passa a ser o que elas desejam.
Às vezes me pergunto se jovens que nunca conheceram a época em que ninguém tinha de mostrar documentos (e muito menos cartão de crédito) nos hotéis, em que se podia fumar à vontade nos restaurantes, em que só os doentes se preocupavam com a saúde, em que só as pessoas gordíssimas faziam regime e em que as mulheres se sentiam lisonjeadas em vez de chamar a polícia quando recebiam cantadas de rua chegarão um dia a compreender o que é a dignidade humana.
A linguagem das emoções humanas, usada para descrever as relações do homem com Deus — a devoção, o temor, o amor, o arrependimento, a esperança etc. — é toda constituída de metáforas e símbolos que, em vez de traduzir essas relações de maneira apropriada e fidedigna, não fazem senão assinalar, justamente, a fronteira entre o expressável e o inexpressável. O que vejo por toda parte, no mundo religioso, é no entanto um grosseiro antropomorfismo materialista que desespiritualiza a vida do espírito e a reduz ao jogo vulgar das emoções terrestres.
Só se conquista verdadeiramente a amizade , o carinho e o respeito das pessoas, que têm o coração livre de preconceitos ou distinções.
Nós somos educados para obter o sucesso profissional, o poder, a fama; para valorizar os que têm, e não os necessitados. Jesus veio com uma lógica bem diferente: Lucas 14, 8 - 14. Por isso Ele é o Pai.
Nos dizemos cristãos e vemos o mundo com o olhar de pagãos.
O Brasil é o país do gênio prematuro, degradado em
bobalhão senil logo na primeira curva da maturidade
