Poemas a um Poeta Olavo Bilac
O mapa rasgou no meio do caminho, e agora as pegadas na areia pertencem a um destino que a gente nunca visitou.
O silêncio virou o único idioma que o meu coração fala quando tenta te buscar na curva mais distante do mundo.
DeBrunoParaCarla
A serra se abria como um livro que a gente lia devagar e cada curva da estrada tirando fotos, era um verso que o meu coração decorava só de ver o teu perfil no vidro. Em Arcádia o mundo parava para ver a gente dividir aquele pastel de camarão como se fosse o banquete mais luxuoso da terra porque o tempero de verdade era o teu riso solto no ar fresco da montanha. Carla você é o meu cais e a minha subida o lugar onde o meu cansaço descansa e a minha pressa vira mansidão de fim de tarde. Naquela mesa simples a gente inventava um reino onde o único império era o nosso afeto e o perigo de lá fora morria de medo de atravessar a nossa alegria. O meu amor por você tem o gosto doce daquela paz e o brilho firme das estrelas que a gente caçava no céu de Itaipuaçu. Sou um eterno viajante que encontrou em você a única parada que realmente importa e o destino que eu escolheria mil vezes em cada vida que eu vivesse.
Na verdade ninguém parou nem olhou nada, era só a gente com cara de fome numa messa de estrada dividindo um pastel de camarão enquanto o mundo seguia ignorando a nossa existência.
DeBrunoParaCarla
O tempo em Itaipuaçu tinha um pacto com a gente e todo dia às 18:18 o universo pedia licença para o desfile começar. O barulho das ondas era a única música que interessava e a escuridão da praia era o nosso cobertor mais quente porque ali nada de ruim nos achava. Carla era o brilho que competia com o céu e a gente ficava ali horas a fio dividindo o vinho e o silêncio enquanto as estrelas cruzavam o alto de um lado para o outro. A luz delas era a única lanterna permitida e o resto do mundo sumia no horizonte como se nunca tivesse existido. Ela era o meu alívio no meio do nada e a salvação de qualquer cansaço porque naquele quadrado de areia o perigo não tinha vez e o amor era a única regra. Sinto o cheiro da fogueira toda vez que fecho os olhos e o 18:18 ainda bate no meu pulso como se o desfile nunca tivesse terminado.
DeBrunoParaCarla
Carla, minha musa inspiradora,
Cada viagem ao seu lado se transformou em um capítulo inesquecível do nosso romance, um livro de memórias que guardo com carinho no meu coração.
Em Conservatória, a cidade das serenatas, sua voz se uniu aos violões e cavaquinhos, criando uma melodia que embalou nossos sonhos. As ruas de paralelepípedos testemunharam nossos passeios de mãos dadas, enquanto a brisa noturna sussurrava declarações de amor aos nossos ouvidos.
Em Penedo, a pequena Finlândia brasileira, seus olhos brilhavam mais que as luzes natalinas que adornavam a cidade. A magia do lugar se misturava à sua beleza, criando um cenário de conto de fadas onde éramos os protagonistas.
Em Campos do Jordão, o frio aconchegante nos convidou a compartilhar um fondue delicioso, enquanto o vinho nos aquecia a alma. As gargalhadas ecoavam pela noite, emolduradas pela paisagem montanhosa e pelo céu estrelado.
Cada cidade, um cenário perfeito para o nosso amor. Cada momento, uma lembrança que guardarei para sempre.
O crepúsculo não apenas caía, ele esfarelava sobre a vidraça, um farelo de luz envelhecida. Havia um buliço estranho no alpendre, algo que lembrava o friccionar de asas de mariposa em papel de seda.
Não era tristeza, era fastio. Um deserto intrínseco que fazia a garganta raspar em seco. O relógio, esse metrônomo maldito, insistia em fustigar o silêncio com seu clique metálico. A alma, então, se fez ermitã, buscando guarida num canto qualquer da memória onde o tempo ainda era infante e o medo, apenas uma suposição remota.
DeBrunoParaCarla
Todo mundo carrega uma dificuldade que não aparece. Às vezes é um vazio no meio de um dia normal. Às vezes é a saudade de alguém que ainda existe, mas já não está mais ali da mesma forma. Tem gente sorrindo e se perdendo por dentro.
Tem gente seguindo em frente… só porque parar dói mais.A verdade é que ninguém é tão forte quanto parece o tempo todo.
Tudo bem...
DeBrunoParaCarla
Eu era um viajante perdido no vácuo até que a gravidade do teu amor me encontrou. De repente, o mundo deixou de ser apenas mundo. Passou a ser órbita, estrela, distância e chama. Eu te dei o infinito, mas no caminho me perdi de mim. É estranho como algo tão vasto pode caber num nome, e como um nome pode ocupar todos os corredores da alma. Nosso amor parecia maior que a linguagem. Era como olhar o céu e acreditar que as constelações tinham aprendido a falar o nosso idioma.
A cada carta, eu tentava dizer o que não cabia no papel. A cada silêncio, eu sentia que ainda havia mais a dizer. E assim fui escrevendo, como quem acende uma lanterna dentro do universo.
DeBrunoParaCarla
(Após comer meia torta...)
"(...) Não que isso fosse uma grande coisa, pois - não me odeie - posso comer o que quiser e nunca engordar (se bem que tenho uma suspeita oculta de que todas essas calorias estão descansando em volta do meu corpo como um punhado de colchões de ar microscópicos progamados para inflar no dia do meu quadragésimo aniversário)."
(Após jogar ácido muriático no chão...)
" (...) derramei uma colher de sopa do ácido em uma nódoa bastante forte ao lado da banheira. O chiado foi tão violento que temi deparar com uma horda de diabinhos surgindo do vapor. Por um momento, entrei em pânico, sem saber se o ácido, além de devorar um século de imundíce, levaria juntos os azulejos, o chão e a placa de reboco do teto do vizinho de baixo."
Aprendi que se for pra falar do passado, que seja das boas lembranças.
Só assim conseguiremos nos desprender dele, e viver o presente.
A grande maioria dos políticos brasileiros prefere mamar na porca à mamar na vaca: tem mais mamilos e se pode fazê-lo deitado.
Aprendi que não importa o quão sofrido tenha sido o passado...
Ainda podemos superar tudo quando seguramos nas mãos de Deus.
Educar é a mais bela forma de aprender.
E é aprendendo que valorizamos a identidade e as práticas do campo.
É na luta, resistência e persistência que chegamos ao topo da montanha. Só não podemos desistir da escalada.
Deus me tornou forte o bastante para desprender-me do passado, viver o presente, e não preocupar-me com o futuro. Não importa a tempestade, Cristo é nossa calmaria.
