Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Se a tua vida não puder ser uma tragédia grega – por amor de Deus! – não a faças um tango argentino...
Os chinelos são um par de gêmeos obedientes, sempre juntinhos ao pé da cama, pacientemente à espera do papai, que às vezes custa tanto a chegar.
Preocupar-se com a salvação da própria alma é indigno de um verdadeiro gentleman.
Talvez a poesia não passe de um gênero de crônica, apenas: uma espécie de crônica da eternidade.
O crítico é um camarada que contorna uma tapeçaria e vai olhá-la pelo lado avesso.
É preciso escrever um poema várias vezes para que dê a impressão de que foi escrito pela primeira vez.
E chegará um tempo em que os militares inventarão um projétil tão perfeito, mas tão perfeito mesmo, que dará volta ao mundo e os pegará por trás.
O mais triste nas praias de verão é que nos assemelhamos a um bando de focas tropicais.
Um dos motivos que me fazem acreditar em nossa origem extraterrestre é que o homem é o único animal que aprecia olhar os incêndios.
A memória é um sótão atravancado de objetos inúteis, onde tanto desejaríamos encontrar aquelas coisas perdidas que – de tão perdidas – já nem sabemos mais.
O que sejam...
O bom dessas grandes civilizações é que um dia elas se acabam e tudo começa novamente.
Não sou desses que um dia pensam uma coisa e no outro dia pensam outra coisa muito diferente. Eu penso as duas coisas ao mesmo tempo. Duas ou mais. Não tenho culpa de ser ecumênico.
Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.
Com a adição de mais um dia nos anos bissextos – esse indesejado 29 de fevereiro – a gente sempre desconfia que na verdade foi vítima de uma subtração.
Havia um tempo em que o céu mirava-se nos meus olhos e não meus olhos no azul do céu, o que não é nenhuma novidade, porque todo o mundo já passou por essa fase: só tem que nem todos se lembram.
A beleza de um verso não está no que diz, mas no poder encantatório das palavras que diz: um verso é uma fórmula mágica.
Às vezes eu pesco um leitor. Outras vezes o leitor me pesca. Entre uma coisa e outra, as águas vão passando.
A vida era muito mais intensa quando não passava, na média, de quarenta anos. Agora é um longo, um interminável arrastar de correntes: nós somos as almas penadas deste mundo.
O leão é um animal tão belo que ser devorado por ele é melhor do que ser devorado por um crocodilo... Diante da sua arremetida, bem sei que se pode morrer de puro medo... porém nunca de horror.
Uma alma sem mistério nem seria alma... Da mesma forma que um Deus compreensível não seria Deus.
