Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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Logo em seu nascer ele a contempla,
Esperando paciente seu desabrochar,
Está fumegante, sua visão é ampla,
O mais breve instante quer ornamentar.

Alguns pobres zangões
Querem ao Sol se igualar,
Beijar e sugar a Flor
Depois rejeitá-la e deixá-la secar.

Polinizar os arredores
Para outra flor germinar.
Mas o Sol declara:
Esta Flor é minha até o verão chegar.

Entre eu e o céu,
Estava você e eu te escolhi.
Uma dádiva cruel,
Afinal, o que é o Paraíso sem Você ali ?

Filha de uma mãe e vários pais,
Que tinham outros filhos em diversos cais,
A história se fazia, corrida diária,
Aquela sobrevida na zona portuária.

Foi adotada por uma bruxa,
Acorrentada no porão pela madrasta,
Era espancada, levou muita bucha,
Se viu acurralada e deu uma basta.

Fugiu numa noite gélida,
Logo caiu nas poções encantadas,
Não imaginou as ruas tão violentas,
Mais uma usuária viciada.

Sendo que Ler é repousar em agitação,
No açucarado ardume picante.
Tão pedante e repetitivo afirmo:
Que tudo possui algo de altivo e findante.

Profissionalmente rotacionava
Em circundução pelos eixos,
Latero-lateralmente, ântero-posteriormente

Talvez por isso,
Tenha invariavelmente registrado seu jeito,
Naqueles que estiveram presentes,
Nos mesmos recintos que Ela.

Prezada Lívia, venho por meio deste
Enfado, dizer-lhe o quão frutífero
Tem sido, nosso vínculo antiquado.

Leve a sério, minha querida,
Imperatriz entre as orquídeas,
Duas passagens pras Antilhas,
Só de ida. Nossa ida.

Corresponderei a qualquer gesto.
Ao piscar os cílios tu me resgata.
Farei campana, armarei protesto,
Escalando seu quarto, encenando a serenata.

Adorada Bruxa que nunca será minha,
Deixe-me ser seu servo,
Deixe-me amar em vão.

⁠Ser ou não ser nunca foi a questão,
Tudo sempre será mera constatação,
Num dia tu és, no outro não.

⁠Trampando em lanchonete,
Tramando contra o tédio,
Trafegando na internet,
Traficando seu assédio.

⁠Perambulava sonâmbula
Ao redor do quintal,
Anulando seu sono,
Insinuando abandono.

⁠Não cobiço carreira,
Não cobiço estabilidade,
Sou a ameaça sociopata,
O risco perigosamente presente;

⁠Se a cachaça não alterasse a perspectiva,
Certamente garimparia a definitiva
Identificação com a confissão
De que este causador fora
Outrora sóbrio.

⁠Obrigado ao constrangimento,
Sou grato pelas humilhações;
A difícil fase, face ao descontentamento,
Cria e resolve as perseguições.
E criará...

⁠Eras de tradição se afunilaram entre as unhas,
Acusaram mulheres sábias de reles feitiçaria,
A idade era média, mas agiam como múmias,
O populacho era adestrado pra fazer o que o rei queria.