Poema Velhice
Ao notar as rugas de quem estiver ao seu redor, acostume-se... Se Deus te permitir, você também irá tê-las, implacavelmente!!!
Verás que com o passar do tempo, usará menos força para fazer tudo, pois conforme se envelhece terás que usar mais a inteligência na escassez de energia.
Só tem uma coisa que eu particularmente chamo de velha: São as convicções absoletas sobre a vida e sobre o mundo!
A mocidade pode ser até uma estação ampla de atividades, de alegrias plenas, onde o corpo a rigor se situa em toda sua total performance,sexualidade. Mas com a velhice vem a intelectualidade a sabedoria que sustenta esse palácio em penumbra.
A mocidade pode ser até uma estação ampla de atividades, de alegrias plenas, onde o corpo a rigor se situa em toda sua total performance, mas com a velhice vem a intelectualidade e a sabedoria,que dá um suporte na sustentação desse palácio em penumbra.
Para a criança a vida é uma descoberta; para o jovem, uma aventura. Para o adulto a vida é uma missão, e para o idoso, uma dádiva.
Quando era jovem, de manhã alegrava-me, de noite chorava; hoje sou mais velho, começo duvidoso meu dia, mas sagrado e sereno é o seu fim.
A idade contada desde o nosso nascimento não quer dizer tudo. Cada um pode ter ai idade que quiser ter.
Em tempo de adolescência se concluiu uma grande separação. Se separou, motivo havia, ainda que familiares, causa de vida que entendo melhor resolvida pela vontade de ganhar. Não muito tempo depois, embora um tempo de velhice, uma nova separação, feita também pela liberdade, mas novamente por força bruta. Hoje, gerações à frente ainda somos perfeitamente forjados com grilhões. Gritar é pouco, cada área o seu jargão, assim desejo melhor que separar, melhor que ressignificar, seja a arte de compartilhar.
"As cãs são indubitavelmente um sinal de anos vividos, não obstante, elas não se relacionam necessariamente com maturidade espiritual".
Viva como um jovem sábio; mas, não ignore que a vida é bem curta para fazer muitas coisas que tomam o tempo facilmente de quem deseja chegar à velhice para descansar os últimos dias com sabedoria.
A história é semelhante a de uma rosa que reina em todo jardim. Perdido o viço é cortada e às folhas secas lançadas. É o seu destino e seu fim. Há muita gente vaidosa que vive assim como a rosa. Orvalhada de beleza, ao sol da fama e o som da beleza, sempre em capa de revistas, sem perder o cartaz. Mas, tal como tempo, é fugaz. E ao perder a mocidade, vai sozinha com a saudade, pro retiro da idade.
Quem viu daquela pedra o luar... Quem escutou aquele acorde... Se não voltar para ficar, marca encontro com a saudade. Do dividendo alegia, do divisor mocidade, resultou melancolia, que reduzida, também é saudade. Pode o sol nascer ao poente e haver mulher sem vaidade? O que não há certamente, é passar por lá e não levar saudade. As parcelas de paixão sentidas naquelas calçadas ou resultam decepção, ou mais uma vez somam saudade. E quem nega sentir saudade, fingindo ser diferente, ou nunca curtiu a vida de verdade, ou não diz bem o que sente. Constante nesta existência, eu vejo só em verdade a inevitável sequência: o moço, o velho e a saudade. Suplício do meu fadário, que me mata e me dá vida.
Você sempre começa uma história pensando em alguém. Poderão considerá-las românticas demais ou exageradamente sentimental, considerando meus trinta e poucos anos. Sentimentos que, contados em histórias, o bálsamo do tempo da escrita arrefece qualquer coisa. Histórias como daqueles que casam depois de haver gozado e bem, a vida de solteiro. Se conhecem e percebem a reunião, a um só tempo, da beleza de corpo e alma. Após o encontro, fazem-se amantes, em qualquer sentido que se queira dar a palavra. Constroem um lar perfeito e geram uma prole de filhos. Vivem juntos, tipo uns 50 anos; nesse período, passam bons e maus momentos, amparando-nos reciprocamente. Observam a família aumentar com a chegada dos netos. De repente, em poucos dias, esse amor é interrompido por uma doença insidiosa, inesperada, que arranca um dos braços do outro. Quem fica, sofre na alma a violência de um coice. Já estavam beirando os 100 anos. A tristeza é plenamente normal e justificável. Durante um século, embriagaram-se com o amor um do outro. Com a perda, passa a sofrer uma depressão, sem dúvida, decorrente da saudade, e esta, a queria sempre bem latente para nunca esquecer. Não permitia que médicos desbravadores da mente, com seus artifícios freudianos, expulsassem da sua memória, ou, pelo menos, amenizassem a saudade, que em verdade era a razão da sua vida atual. Na concepção que faziam do termo, os quase 100 anos, um ao lado do outro, era a única história que haviam escrito juntos, movidos pela inspiração provocada por esse único, grande e insubstituível amor. Durante todos os anos de felicidade, dedicavam-se as próprias felicidades. Destas, algumas que encontrei em cartas e bilhetes que guardavam dentro de uma caixa de sapato, preferi protegê-las com o véu da privacidade que considero inviolável, tão somente agora; mas um dia ainda escrevo um livro com essa história. Saudades.
Lembrei especialmente hoje do meu avô. Quando contava sobre as ilusões da sua vida, fama, “pra cada esbanjamento uma carência”, dizia. Sabe, assim como ele também escolho ser como os simples cata-ventos que indicam apenas a direção do vento. Se existe algo bom na experiência da maturidade deve ser isso; ser como meu avô: um cata-vento orientando a direção do vento para os mais novos nos campos de pouso dos aviões.
Mas, a marcha inexorável do tempo foi nos tornando velhos, e o meu amigo, de tanto fazer o bem, cansou. Seu coração parou.
Conforme a idade avança, nosso ser vai ajustando um sistema de autoproteção e preservação física e mental, de acordo com nossas capacidades e potencialidades residuais. Você quer se preocupar, mas não se preocupa.(Walter Sasso)
Existem duas fases visionárias na vida humana. Uma é a fase da adolescência, quando o homem pensa que já sabe tudo e pode tudo, mas não sabe e não pode nada. A outra é a entrada da velhice, ou adolescência da velhice, quando o homem pensa que ainda sabe e ainda pode, mas na verdade, não mais pode e não mais sabe.(Walter Sasso)
Quando menino, mal podia divagar nas nuvens sem ser derrubado pela realidade.Hoje, sou velho, posso divagar livremente, mas não há nuvens.(Walter Sasso)
