Poema por que o Macaco Nao Olha seu Rabo

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A grandeza do homem está em ele se reconhecer como miserável. Uma árvore não se dá conta da sua miséria.

Quando me contrariam, despertam-me a atenção, não a cólera: aproximo-me de quem me contradiz e instrui.

Mais um ano. Mais um palmo a separar-me dos outros, já que a vida não passa de um progressivo distanciamento de tudo e de todos, que a morte remata.

Miguel Torga
TORGA, M., Diário XII

Não, a vida não é uma festa permanente e imóvel, é uma evolução constante e rude.

Os sentimentos não devem ser lógicos. Perigoso é o homem que racionaliza suas emoções.

O amor arranca as máscaras sem as quais temíamos não poder viver e atrás das quais sabemos que somos incapazes de o fazer.

Não vos parece que certos pais querem castigar nos filhos a má educação que lhes deram?

O amor, que não é mais do que um episódio na vida dos homens, é a história inteira da vida das mulheres.

Ele fixara em Deus aquele olhar de esmeralda diluída, uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Às vezes, quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, o gato não é humilde, traz viva a memória da sua liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo.

Lygia Fagundes Telles
A disciplina do amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Nota: Trecho do conto Sou um gato.

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No fundo, sinto que a minha vida é sempre governada por uma fé que já não tenho. A fé tem isto em particular: mesmo quando desaparece, continua a agir.

Não tenha medo de dar um grande passo, caso ele seja recomendável; é impossível atravessar um abismo com dois saltos pequenos.

A experiência não é o que nos acontece; é o que fazemos com aquilo que nos acontece.

Realmente, não creio na alma humana, nem nunca cri. Tenho a convicção de que as pessoas são como as malas: cheias de coisas diversas, são expedidas, atiradas, empurradas, lançadas ao chão, perdidas e reencontradas, até que, por fim um Último Transportador as atira para o Último Comboio.

É certo, afinal de contas, que neste mundo nada nos torna necessários a não ser o amor.

A agitação contínua numa vida tumultuosa não é atividade saudável, mas inquietação.

Não é a fome, mas, pelo contrário, a abundância, o excesso de energias, que provocam a guerra.

As mulheres vêem tudo ou não vêem nada, segundo as disposições da sua alma: a única luz delas é o amor.

O amor não é uma futilidade ou um divertimento; é um sentimento profundo, que decide de uma vida. Não há o direito de o falsificar.

As nossas maiores dissimulações são desenvolvidas não para esconder o que há de ruim e feio em nós, mas o nosso vazio. A coisa mais difícil de esconder é aquilo que não existe.

Ter escravos não é nada, mas o que se torna intolerável é ter escravos chamando-lhes cidadãos.