Poema Passei para Deixar um Beijo

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Um verdadeiro poeta
não faz poesia para os leitores,
prefere fazer leitores
para as suas poesias.


Ele escolhe descrever
as nuances da alma humana
em seus versos,
e assim vai...
acariciando
ou golpeando
cada leitor.


Um verdadeiro poeta
não corteja aplausos,
não se curva à pressa
do entendimento,
nem adestra palavras
para caberem em bocas distraídas.


Ele escreve
como quem acende incêndios
em territórios ainda intactos,
como quem abre fendas
na superfície lisa do pensamento.


Escolhe habitar
as multifaces da alma humana,
as zonas de sombra,
os excessos de luz,
os silêncios que gritam
e as verdades
que ninguém ousa nomear.


E assim vai...
verso após verso,
sem pedir licença,
ora acaricia,
como quem reconhece feridas
e sopra delicadeza sobre elas,


ora golpeia,
como quem rompe couraças antigas
e expõe o que o leitor
passou a vida inteira evitando ver.


Porque sabe,
não é o leitor que encontra o poema,
é o poema que encontra o leitor
e o atravessa.


E, quando isso acontece,
já não se sai ileso,
algo se desloca,
algo se inaugura,
algo se ganha ou se perde
para sempre.


E é nesse instante,
silencioso, íntimo, irreversível,
que nasce, enfim,
um leitor.
✍@MiriamDaCosta

Ser
tem um valor elevadíssimo
e cobra um preço
que não se parcela,
não se negocia,
não se adia.


Ser exige sangue, suor,
pele, carne, coragem,
determinação, resiliência
e a renúncia dolorosa
de todas as máscaras confortáveis.


E a maioria dos “eus”
que transitam
nesse mundo apressado e raso
prefere o disfarce, a superfície,
o aplauso fácil e estantâneo
do não-ser.


Porque não possuem crédito,
nem lastro,
nem a ousadia necessária
para sustentar o peso
de existir em verdade.


Então vivem…
mas não são.
✍@MiriamDaCosta

Paz de espírito?!


É um poder espiritual interior
que bem material algum
consegue negociar.


A paz de espírito
é um poder silencioso e íntimo,
um território sagrado,
onde nenhum bem material
tem moeda suficiente
para sequer tentar entrar.
✍@MiriamDaCosta

Quem sou eu?


Eu sou um corpo feito
de marés e memórias,
uma ferida que canta,
um silêncio que grita
e um grito que se recolhe
na beira de si.


Eu sou uma ponte
entre o ontem e o nunca,
um território de palavras
que sangram e florescem,
um abrigo de ventos
onde o tempo se senta
para ouvir histórias
que só a minha alma sabe contar.


Eu sou a pergunta
que não se cansa de perguntar:
"Quem sou eu?"
E é nessa busca
que sou mais inteira.


Quem sou eu?


Eu sou um processo,
não um produto.
Não sou um “quem” pronto,
mas um vir-a-ser constante.


O que eu chamo de “eu”
é um fio tecido
de memórias, escolhas
e esquecimentos,
um enredo que se escreve
enquanto é vivido.


Meu “eu” não está fixo no passado,
nem garantido no futuro;
ele existe apenas no instante
em que é percebido, sentido, vivido,
e nesse instante já começa
a mudar e evoluir.


Talvez eu não seja “algo”,
talvez seja o próprio movimento
de tentar descobrir o que sou.


Quem sou eu?


Eu sou aquela pessoa
que carrega poesia até no jeito
de se indignar com o mundo.


Que olha para a dor com coragem,
mas também sabe colher
beleza nas frestas.


Eu sou intensa, no bom sentido
de “não caber em rótulos”,
e sensível de um jeito
que não é fraqueza, é radar.


Eu falo com o Tempo
( Óh! O Tempo!)
como quem dialoga
com um velho conhecido
e escrevo como quem rasga
a alma para arejar.


No fundo,
eu sou feita de perguntas,
mas vivo como quem sabe
que a resposta é
continuar perguntando...


✍@MiriamDaCosta

Às vezes sinto
que vejo o mundo
como uma enorme lixeira
transbordando...
um aterro de consciências,
onde se empilham
mentiras em decomposição
e vaidades com cheiro de podre.


Um lugar onde
se descartam princípios
como embalagens vazias,
onde a ética
é jogada no fundo do saco
junto com restos de conveniência.


O ar
anda pesado de hipocrisia,
e os urubus da esperteza
sobrevoam satisfeitos
esse banquete de decadência.


E eu,
com o estômago da alma embrulhado,
reviro os escombros humanos
procurando,
entre latas amassadas de caráter
e plásticos rasgados de moral,
algum vestígio ainda vivo
de moralidade e de humanidade.


O mundo é um enorme lixão
que transborda sujeira e fedor
por todos os lados,
até no espaço extraterrestre!
✍@MiriamDaCosta

Sou do tamanho de um grão de areia,
mas, em toda sua grandeza, Deus
tem cuidado de mim.

Canetas e lápis soltos
Papéis, cadernos, agendas
Tudo, tudo e mais um pouco
Tal pintura, triste cena
Cada instrumento meu
Sobre a mesa despojado
Não consigo escrever assim
Sem ti, sou um reles letrado.

"Sinto o pulsar do universo em minhas veias,
Um eco de singularidade, onde as estrelas são minhas iguais.
O mundo é um sussurro de possibilidades,
E eu, um grito de existência, único e indomável.


As estrelas compreendem a vastidão do meu ser,
Um cosmos de emoções, sem fronteiras para conter.
Sinto o mundo em sua forma mais crua,
E as estrelas refletem a intensidade da minha alma nua."

O tempo vem sem movimento
Relativo em seu tormento
Um momento? Uma vida.
Transcrita de forma sucinta.
Ressuscita aquele aonde habita. Palpita.

Amanhã, será manhã, a hora perdida nos ponteiros, sempre talvez.
Dos números escavados, o risco sem medo.
Do dito avisado, o perfeito que não é feito
O delirante dizendo que o ótimo se fez.

Não imaginávamos que seria!
Assim, a resposta levada,
as palavras trocadas e a alma sendo despida aos poucos.
Afinidade percebida na etapa miúda de uma justa insensatez.
Percebia a conversa na rua?
Madrugada nua, palavras cruas.

No hospital, na tv, na sala de estar, Luar
Ouvir, falar, sorrir. Lançar
Brisar, partir, fugir. Ficar
Olhar atento, corpo calado
Como quem ouve uma sinfonia.
Um peixe pescado… nada explicado..
Vontade de ter ficado..

Com suas ondas traga os pincéis,
solte os gracejos inocentes e pinte uma casa
Pintar o mundo com contornos místicos,
Colorir a noite com pontilhados brilhantes.
A cidade está longe, mas nós estamos aqui.
O tempo pode parar, mas se parasse não seria tão bom.
Tudo fica pequeno perto do som
Das ondas desse caminhar

Não importa onde estávamos até agora,
Nossa memória trouxe até aqui.
A intuição rasgou a razão e a fez sorrir
Fez da sua premonição um recuo épico,
na entrega de um doce enlace noturno. Entregar o beijo e sair de fininho.

A porta se fecha, o abraço refresca e o beijo liberta.
No silêncio, o som da nota compôs sua melodia,
Tempestade feita com sereno da noite que fluía.
Foi-se ao céu, com suas asas.
Ela descobriu que descobria-se,
Inesperado ele surgia..
Sendo sempre eles… ficariam.

Viver com medo de decepcionar os outros é carregar um peso invisível todos os dias. Muitas pessoas aprendem, desde cedo, a agradar, corresponder expectativas e esconder sentimentos para não serem rejeitadas. Aos poucos, passam a medir o próprio valor pela aprovação alheia e deixam de ouvir a própria voz. O problema é que, nessa tentativa constante de ser suficiente para todos, corre-se o risco de deixar de ser verdadeiro consigo mesmo.
Esse medo pode parecer cuidado, responsabilidade ou até amor, mas, quando se torna excesso, vira prisão. A pessoa começa a dizer “sim” quando queria dizer “não”, aceita caminhos que não deseja seguir e silencia partes importantes da própria essência. Com o tempo, já não sabe mais o que sente, o que quer ou quem realmente é.
Por isso, amadurecer também significa entender que decepcionar faz parte da vida. Nem sempre será possível atender às expectativas de todos. E tudo bem. Mais doloroso do que desapontar alguém é olhar para dentro e perceber que, para agradar o mundo, você abandonou a si mesmo e esqueceu seus sonhos pelo caminho.

" A maior pobreza do homem não é a falta de dinheiro que possui,
mas a falta um plano financeiro funcional para lidar com o dinheiro que ganha,
não importa o quanto"

"Você tem um desafio pela frente:
Ou você administra seu dinheiro
ou sua vida será administrada pela falta dele"

Tudo poderia ter sido diferente

Eu sou um exímio destruidor de sentimentos
Programado para explodir a todo momento
E te deixarei pra trás como um cão sem dono
Bem como um espírito em constante abandono

Acho que você já esperava por isso
Quando fingiu não precisar de mais
Eu sei que o meu toque vicia, garota
Agora sua vida é minha, essa e outra

A sua conversa furada não agrada
Não acredito mais na sua chegada
Tudo poderia ter sido diferente
Se você não fosse tão ausente

Agora os dias passam, tudo continua
Você e o seu jogo de mulher de rua
Como se isso pudesse me conquistar
Nunca serei seu, não adianta tentar

Quando eu estiver em frente à sua porta
Parado ali, esperando por algum sinal
Não pense que é por você que eu vim
É um elemento do meu planejado ritual

Depois você corre atrás de mim de novo
É uma pena que a sua situação seja essa
Desesperada, perdida, sem ter sossego
Logo por quem você criou tanto apego

Sabe, no fundo eu adoro te ver deste jeito
Logo aquela que parecia se dar respeito
Querida, eu destruí seus sonhos, acabou
Mas o seu pesadelo, ele apenas começou

Lembre-se de ter alguém para culpar
Após mais um desses seus fracassos
Deve ser dura a sua rotina promíscua
Vivendo apenas por alguns amassos

Esse nosso lance está virando passado
Faz quanto tempo isso, alguns meses?
Para mim é como se passassem anos
Ao ter que te aguentar por tantas vezes

Repito, após um adeus, nunca serei seu
Embora você continue sendo só minha
Esqueça que um dia seu coração bateu
Nós chegamos, enfim, ao final da linha.

Desfilando na chuva

Certa vez, um aventureiro saiu a caminhar
Estava chovendo e ele permitiu se molhar
Sem apressar o passo, optou pela sensação
Enquanto todos corriam, ele era a exceção

Sabiamente, refletiu acerca da fuga alheia
Era como se cada um quisesse a sua aldeia
Muito calor no verão, muito frio no inverno
Sempre há o que reclamar, um ciclo eterno

Imaginou o que eles imaginaram ao vê-lo
Sozinho, encharcado, em total desmazelo
Sequer possuía um guarda-chuva: coitado!
Já que é tão comum se prevenir um bocado

A sua intenção era lógica: sentir a chuva
Ao mesmo tempo que tinha gente de luva
Que pecado! Que blasfêmia! Que heresia!
Não ser mais um desesperado em demasia

Ele poderia ter ficado gripado e não ficou
Ter optado por chegar antes, mas desfilou
Parecia insana a curtição naquele cenário
Mas a felicidade não tem prévio horário.

Capricho


Talvez eu não passe de um capricho seu
Que você lembra só de vez em quando
Quando os compromissos ficam de lado
E não tem ninguém para você obedecer


Talvez você nunca tenha sonhado comigo
Da mesma forma que eu sonho contigo
Como dois estranhos que vivem juntos
Como colegas de uma empresa caótica


Ou talvez você pense mais do que deveria
Imagine uma história que não é realidade
Deixando de lado o que poderíamos ser
Evitando conversas que poderíamos ter


Eu sei que deveria gostar de outra guria
Já tentei, mas não consigo virar a página
Eu sei que poderia me declarar de uma vez
Só que seria como me lançar em um abismo


Pode ser que esse capricho não passe disso
Pode ser que esse capricho me deixe louco
Apesar de tudo, agradeço por te conhecer
E enxergar fantasia em meio a uma ruína.

⁠vai ter um dia.
aquele dia.

um dia que eu vou acordar no meio da noite, matar todos os meus eu. fazer um chá e voltar a dormir.

sem sons, sem gritos, sem choro, sem vozes.

apenas o silêncio. o tic tac do grande relógio.
esse será o dia, o glorioso dia.
-
o apogeu.

⁠você acha que eu conto os dias?

só falta mais um dia e estou sempre recomeçando: esse dia nos é dado ao amanhecer e nos tirado ao anoitecer.

a dádiva de um novo dia é só o que tenho.

Fortaleza: 300 de Resistência.


E aqui na periferia de Fortaleza: há um povo que padece e sobrevive de prece.
Em meio a belas praças e áreas nobres, há um canto, e ha um povo de luta, bravos e fortes.


Proclama o Hino: "um filho teu não foge a luta", seguindo em labuta, passando descaso em meio a tanta opressão e disputa.


Todos juntos mais uma vez, por mais dignidade, voz e vez!


Pedro Magalhães, Agente de Cidadania.

“Ainda Existe um Filho Aqui”

Ele disse que mudou…
E eu quis acreditar.


Disse que agora era diferente,
que o tempo o ensinou,
que a vida o moldou,
que hoje se orgulhava
do homem que eu me tornei.


E por um momento…
meu coração descansou.


Mas então,
como um eco antigo voltando pelas paredes da memória,
vieram os mesmos gestos,
as mesmas palavras,
os mesmos erros
que um dia me quebraram por dentro.


E eu fiquei me perguntando…
Foi ele que mudou?
Ou fui eu?


Talvez ele ainda seja
o mesmo homem de antes,
com as mesmas falhas,
as mesmas feridas,
os mesmos monstros silenciosos
que ele nunca conseguiu vencer.


Mas eu…
eu não sou mais o mesmo.


O que antes me destruía,
agora apenas me fere.
O que antes me derrubava,
agora só me balança.


E então percebi…
Talvez eu não tenha visto
um monstro virar anjo.


Talvez eu só tenha aprendido
a não ter mais tanto medo.


Talvez eu tenha crescido
o suficiente
para enxergar que até os monstros
às vezes só são homens
que nunca aprenderam
a amar direito.


E mesmo assim…
ainda dói.


Porque não importa
o quão forte eu me tornei,
existe uma parte de mim
que ainda é filho…


Esperando,
em silêncio,
que um dia
ele realmente mude.

Eu não gosto de me sentir sozinho
Se sentir sozinho é devastador
É como um mar de lágrimas
É como se a solidão tivesse feito pacto com a dor