Poema Passei para Deixar um Beijo
O Beijo
Creio que foi o beijo
Beijo colado na alma
Toque leve e subtil
Feito água e luz
Veio em arrepio
Carícia de azul
Eterna e infinita
Timidez ousada
Tremor de lábios
Murmúrios de calor
Clamor no afago
— creio no beijo
Beijo de sempre
Nascido de nuvem
Floco de sal e sol
Entre lábios soltos
Como cavalos
Ao vento.
BEIJO BOM
Saudade é uma felicidade que já passou
Uma estrada já percorrida, uma paixão que foi vivida
Um perfume perfumado que o tempo não levou
Felicidade é um beijo bom
Um abraço bem quente, uma marca borrada na mente
Pintada pelo vermelho de um batom
Beijo bom não tem maldade
Mas pode ter um pouco de malícia, quase fui pego pela polícia
Por tentar matar essa bandida: a saudade.
Saudade é aquele beijo bom!
O BEIJO (soneto)
Adoça-se-lhe os lábios, num afago preciso
E adelgaça-se o olhar em magia verdadeira
De amor, do meu amor, em aflante sorriso
Como para lambear a satisfação por inteira
Esvoaça-lhe o perfume pelo ar num paraíso
De prazer, de amparo, aquecidos na lareira
Do coração, desviando da alma o sério juízo
E alucinando o sentir como a paixão queira
Ternura melhor, a poesia, o maior instante
Meu firmamento ao luar e doce imaginação
E do querer, mais, foste o mais importante
Nesse louco vagar, de carícia e de emoção
Cada gesto, sensação, o toque no ir avante
Teu beijo no meu beijo se fez poética razão!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
09/07/2020, 07’02” – Triângulo Mineiro
Olavobilaquiano
Angustiado coração
Ainda sinto o cheiro
O toque, o beijo
Embriagado de paixão
Latente desejo
Melodia de arpejo
Dependente compulsão
Lascivo e imoderado
Anseia o ser amado
Sestrosa condição
Noite fria
Cama vazia
Enfim sós, melancolia.
Pra que pressa?
Pra que pressa?
Se é melhor o beijo quando o beijo é demorado
Se o abraço é bom quando é mais apertado
Se pudesse por um dia ter o tempo congelado
E aproveitar o momento de estar enamorado
Pra que a pressa, onde vai tão apressado?
Pra que a pressa, por que não fica aí parado?
Pra que pressa?
Se para ver o pôr do sol é preciso estar parado
Se a chuva passa e amanhã de novo está nublado
Pare e sinta o aroma bom do jardim perfumado
A lua está brilhando e o céu iluminado
Pra que a pressa, onde vai tão apressado?
Pra que a pressa, por que não fica aí parado?
Pra que pressa?
Se o quarto de novo vai estar desarrumado
Se tudo muda o tempo todo, mesmo com o relógio parado
Vamos sentir a calmaria, mesmo com o mar agitado
E ver que tudo vale quando vivo sonhando acordado
beijo é
mistério, é desejo, é fogo,
centenas, milhares, diferentes,
todos com a promessa de serem únicos...
mas nunca são,
e sempre são..
beijo é
volúpia, fogo devorador em alguns,
chama que consome,
mera paixao...
outros é suavidade, sublimidade,
porcelanas que se tocam,
e também em alguns
mera carência, desejos da solitude..
beijo é mistério, é desejo, é fogo...
é sonhos, é nutrir esperanças
para toda uma vida,
sonhando com o deleite de saborear,
os doces e almejados lábios,
sim é..
beijo também é medo,
medo de possuir,
medo de ser possuído,
e depois não mais existir,
há não ser enquanto desfruta
dos lábios amados..
beijo é medo de querer,
pois, não saberá mais viver sem,
medo de perder-se nos lábios desejados,
e nunca mais se encontrar,
se não for por esses mesmos lábios..
beijo é
medo de se despir da própria vida,
e como uma roupa vestir-se com a vida do outro,
medo de se esvair do seu existir,
e renascer na existência do outro,
é medo de se ver sumindo do seu aconchego
e se deslocar para um novo lar,
lábios..
beijo é
medo de não mais estar,
porque o estar vai ser transitório,
o estar será onde os lábios dela então levarem..
beijo
é medo...
medo da entrega...
mas o desejo é maior que o medo,
o que queremos sempre está além,
e depois que os lábios se tocam...
o que são os sentimentos como o medo?
[...]
beijo é quando
nada mais resta há não ser o momento,
o néctar dos lábios tão desejados,
e enfim alcançados,
não é só sabor, é cor, é aroma...
é calor e frio ao mesmo tempo...
é vento que sopra, são gotas de chuva...
e tempestades que não cessam nunca,
é nascente de águas jorrando...
é cachoeira escondida onde virgens se banham,
é tentar trazer para si a alma do outro pela boca..
beijo
é tempo que passa e não se sente,
é consumar mais que lábios se tocando,
e sempre mais...
Beijo é tocar a alma do outro,
ligar-se a ela de uma forma física...
através dos lábios,
as almas fazendo amor..
Vejo você
Às vezes tão longe
Às vezes tão perto
Às vezes te cheiro
Às vezes te beijo
Às vezes, às vezes…
Quantas vezes Eu precisarei
Para tê-la comigo?
Às vezes, o que atrai não é o rosto, o corpo, o beijo
Tão pouco o gosto, o toque ou o jeito de ser
Tem gente que é...
E não tem que ter um porquê.
Tem gente que é...
Simplesmente não dá não dá para descrever!
Tem gente que é...
E até na efemeridade faz o momento valer.
Tem gente que é...
Mas você só vai descobrir se deixar acontecer.
AOS POUCOS
Vi seu rosto no meu café,
O gosto do seu beijo na minha boca,
O seu toque na minha pele,
Talvez eu esteja delirando,
Ou me apaixonando aos poucos.
Esqueci sua feição,
Lembrei do quão amargo era seu beijo,
Lembrei do seu toque frio na minha derme,
Talvez eu esteja delirando,
Ou me desapaixonando aos poucos.
Procurei blindar a minha mente,
Me desapeguei do seu sabor,
Me curei das feridas,
Eu me sinto feliz novamente,
Estou me recuperando aos poucos.
Vi outro rosto no meu café,
Quero saber qual o gosto daquele beijo,
Quero sentir aquele corpo no meu,
Agora sei o que sinto,
Estou amando de novo.
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