Poema para Ex Namorado

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Sobre aquele velho amor:

-Ele deixou de me fazer sonhar, e ao soltar minhas mãos mesmo que por mero segundos, me fez querer uma liberdade que não mais encontrava em seus braços.

Inserida por revieira22

Rebenta a manhã como um punhal
de gritos
na caserna
O arame farpado
que serve de paredes frágeis a este quartel
improvisado
foi cortado durante a noite
Há marcas evidentes do inimigo
e da sua passagem traiçoeira
por aqui
Estremece o sangue nas veias
a raiva corta os pulsos
e o medo apodera-se de todos nós
Não há heróis,
existe apenas
a cruz de guerra entregue ao pai
ou ao filho que o pai não conheceu
e a memória sentida
escrita no mármore da sepultura


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

O comboio levou-me para o leste em direção à fronteira com a Zâmbia. Eram nove e quinze da manhã, daquele dia chuvoso de dezembro de 71. Dia 12. Exatamente como imaginava!
Apenas viajámos de dia. À noite, pernoitámos em Silva Porto. A partir daqui e até ao Luso, à frente da máquina que puxava as carruagens, ia outra a servir de rebenta minas.
E os meus poemas começaram a nascer… sobre o joelho, onde apoiava o papel, escrevia:

“Espera-me.
Até quando não sei dizer-te,
mas afianço-te
com fé
que voltarei!

Espera-me nas tuas manhãs vazias
nas minhas tardes longas
nas nossas noites frias
e não escondas de mim essa lágrima
teimosa
onde está escrito
“não te vejo nunca mais”

Não esqueças o que fomos ontem
se o amanhã não existir
ou não voltar,

recorda o hoje
permanentemente
mesmo que não haja cartas
que nos possam recordar.

Nova Lisboa, Angola, 12 de dezembro de 1971
- para uma comissão de 14 meses no Leste de Angola, C. Caç. 205 (Cacolo), integrada no Batalhão de Caçadores 2911 (Henrique de Carvalho)


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

Todos recebiam cartas
e discos pedidos
ao domingo
no Rádio Clube de Huambo
a mais de mil e duzentos quilómetros…
era a emissora que mais se ouvia

Só ele,
porque exatamente ele era só
e de longe
(talvez de lugar nenhum),
o furriel Abreu Gomes
nem uma letra vertida em magra folha de papel

Vingava-se da solidão no cigarro
que um após outro fumava

Enrolava-os com perícia tal
no fino papel de mortalha,
dois a dois de cada vez,
como se ali depositasse os fios da vida
que queimava,
como se estivesse a fechar para sempre
as abas do seu caixão

Aquele livro de mortalhas
e a cinza do cigarro queimado
que lhe morria pendurado na boca,
tinha a brevidade da vida
que ali se vivia a cada hora que passava


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

Olhei-me em cima da berliet
com o coração tolhido de medo

Aqui não há heróis…
até os mais audazes na vitória
sentem medo

As mãos vazias
seguram com firmeza
estranha
a espingarda G3
que me deram para matar,
a única companheira segura
de todos os dias e noites

As nuvens de sangue ao longo da picada
abreviam a morte


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

Terra de medo
e de dor
e de sonho também…

Lá fora o vento que zumbe
e uiva
e fustiga ameaçador e célere passa…

o vento a quem tudo pergunto
e nada me diz

O vento que volve e revolve
e varre
as folhas secas das mangueiras
plantadas no terreiro
que serve ao quartel de parada

O vento que zumbe e uiva
tresloucado
no negrume da noite que dói e mata

O vento que fustiga e passa
as frágeis paredes da vida
dentro do arame farpado


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

À volta de mim, o terror e a morte…
olhares de medo
fixos na imensidão do vácuo
interrogam-se mudos
inquietos…

dolorosamente pensam na razão
de tal sofrer

Mas não choram porque o pranto
se esgotou há muito
neste inquieto viver

Ah! Se eu soubesse ao menos rezar…

Rezava por ti
ó homem verme, tirano e sádico
que por prazer destróis;

Rezava por ti
ó governante ganancioso e brutal
que o mais fraco aniquilas;

Rezava por ti
ó deus, que já nem sei se existes,
pela geração que criaste
e abandonaste



In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

Desperto…
minhas mãos frias
crispam os dedos inertes
no gatilho da espingarda

Debaixo de mira
numa linha reta que dificilmente erro,
o alvo
Um corpo negro,
meio nu…

Apenas o cobrem os restos daquilo que foi
um camuflado zambiano
Veste no rosto,
encimado por um chapéu também camuflado,
a raiva

Para ele nós somos o invasor,
o inimigo a abater que importa liquidar
ainda que connosco tenha aprendido
rimas de civilização

Nós somos o invasor que (ele) quer
expulsar
destruir
aniquilar

E ele, para mim, o inimigo de ontem
será o amigo de amanhã
a quem hei-de abraçar



In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

Há corpos espalhados pelo chão
à minha frente

Nos seus rostos lívidos
cor de cera
morreu a esperança com a chegada da morte
no frio gume da catana

Jazem à sombra das mangueiras…
a morte passou por ali

Corpos decepados
esventrados
violentados
num rio de sangue pelo chão…

Ali apenas as varejeiras têm vida e voz
no zunido e na cegueira de beber
Sugam famintas de sede
o sangue ainda quente dos cadáveres

Zunem de sofreguidão na disputa
do sangue vertido
dos corpos esquartejados
pelos golpes das catanas

Para lá da orla da mata ainda o eco
dos gritos de vitória e os risos satânicos
de alegria e morte no ar
numa mistura de feitiço e de liamba


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

Perdi os poemas ébrios
de ritmo
feitos ao sol da manhã

Esse tantã longínquo que me acordava
manhã cedinho
antes de subir na minha bicicleta
reduzida ao mínimo para pedalar até ao liceu,

acordava-me como uma loa,
cântico virginal
puro…
ou como um ritmo escondido
no regaço da mais linda mulata
da sanzala

Um poema ébrio de ritmo
órfico
em dionisíaca celebração
um cântico mestiço
místico
pagão
negro soneto espúrio
de um povo híbrido de muitos deuses
e de mais irmãos ainda…

Hoje o meu poema já não é ébrio
de ritmo
nem o som do tantã tem o sol puro
erguido pela manhã
cedinho

O meu poema é de sangue
e dor
lavrado pelo frenesim dos tiros

O tantã que me acordava
manhã cedinho
e trazia no som o ritmo
dos beijos,
hoje
já não me acorda deste sono
que não durmo
sobressaltado

O tantã traz agora na sua voz longínqua
o som próximo
da metralha


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

No ar, o medo e o silêncio sepulcral
a invadir
os primeiros raios da manhã

Corações sobressaltados
em prece e oração…
muitos sem saberem sequer rezar

No trilho traiçoeiro
espreitava a morte a cada passo
que se desse em falso
na picada

Sem perder de vista o combatente
à nossa frente
perscrutávamos, no lusco fusco do alvorecer,
as sombras que se dissipavam
por entre as silhuetas das bissapas

Nas mãos doridas,
por matar,
o peso da G3 engatilhada
dos soldados

De repente o grito e a dor
pelo estrondo e pela morte trazida
no estilhado e no sopro da granada

As lágrimas morriam afogadas
pela raiva e ódio surdo
nos corpos amputados


In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

Entre os teus lábios
entreabertos
inchados pela morte
e gretados pelo calor que te calcinava
os ossos desfeitos
ainda antes de morreres,
passeava-se uma mosca varejeira
ufana de sua propriedade encontrada

No ar
adivinhava-se o som das palavras
que não chegaste a proferir…

Talvez uma oração…
ou uma prece ao teu deus de ti tão distraído
a quem imploraste a ajuda sem te socorrer

Ou à mulher distante
de quem não chegaste a conhecer
o filho que lhe deixaste no ventre



In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Inserida por alvarogiesta

⁠Já não quero sentir o gosto de outros lábios
Não sinto aconchego em outros abraços
Pois no meu pensamento só você ocupa espaço...

Inserida por LeticiaButterfield

⁠escrevo a ti a minha despedida,
não deveria ter partido tão cedo,
ainda dava tempo para uma última xícara de café.
mas te deixo aqui escrito recordações minhas,
dificilmente consigo descrever em palavras o que está estampado nos olhos,
meus olhos castanhos que te seduzia feito medusa.
eu sei, dói,
nosso amor era bonito, mas me doía mais ter que me fazer de pedaços para te deixar inteiro.
adeus, querido ex amor,
te desejo uma boa noite de insônia cheia de lembranças minhas.

Inserida por buabatista

Errei e se eu pudesse consertar meus erros assim o faria.
Errei no amor.
Porque amar é pra todos!
Saber valorizar é pra poucos.

Inserida por AnaCatiaApolinario

Emoções

A vida me trouxe aqui
Despido de ilusões
Apreciando as estações...
Lembranças que me trazem emoções

O sentido, crido e vivido
De paixões escarnecido
Mostrando que o delírio
Não podia ser mais exaurido

No olhar foi se desgastando
Do peito foi se afastando
Cada passo, cada beijo
Caíram no esquecimento subterrâneo

A luz que havia em mim, agora jaz!
As flores perderam sua beleza
O que me fazia chorar de alegria
Hoje me faz sorrir de tristeza

Inserida por eliel_diniz

A Vida As Vezes É Assim, Tantas Oportunidades De Te Dizer, Mas Não Tive Coragem.

Eu Te Amei Durante Esse Tempo Todo, Por Mais Que Você Possa Não Acreditar, Esse Sentimento Foi Crescendo Aqui Dentro Dia A Dia.
Você, Uma Menina Mulher Que A Cada Dia Surpreendia Com Seu Jeito De Ser, Espontâneo, Livre E Alegre Que Fez Esse Menino Se Apaixonar, Sei Que Sou Covarde E Não Teve Coragem De Te Falar Pessoalmente, Mas Éramos Colegas De Trabalho E Não Queria Que Isso Afetasse Nosso Convívio, Por Isso Guardei Esse Segredo Trancado Comigo Até Hoje, Onde Depois De Um Sonho Com Você Pode Perceber Que Não Custava Mais Nada Falar O Que Verdadeiramente Você Era Pra Mim, Uma Grande Paixão, Onde Queria Ter A Chance De Ser Feliz E Te Fazer Feliz, Mesmo Que Não Fosse Para Sempre, Mas Que Cada Dia Que Durasse Fosse Percebida A Alegria E A Felicidade, Através Do Sorriso Desta Linda Mulher.

Inserida por kassiocavalcante20

Talvez o destino queria assim,
Eu longe de você e você longe de mim,
Os dois estavam cansados de sofrer,
Eram dois meses sem nos ver.

Talvez ele lhe dê alguém melhor,
Que mereça cada "Eu te amo" que você falar,
cada lágrima quando chorar.

Não se preocupe comigo, eu estarei bem
Arrumarei alguém para me amar e suportar,
Cuidar e valorizar,
E quem sabe uma família formar.

Nunca irei dizer que não fez isso,
Sempre me amou e respeitou, cuidou e valorizou,
Só irei seguir o caminho que o destino planejou, bem assim
Eu longe de você e você longe de mim...

Inserida por Pedroblen

Quando estiveres entristecida
Pelo amor que não mais o tem
Perceba que em nossa estrada sempre passa ou fica alguém
A ele, não sintas raiva por não estar em tua vida.
Ao contrário, preste uma homenagem a esta pessoa querida.
Mostre-o que o jardim que um dia ele deixou
Hoje brota suas Rosas, pois você mesma cuidou.
E exala seu aroma atraindo o beija-flor
Mas só os que entendem e compreendem o que é o Amor
Não como ele que veio e tão de repente voou.

Inserida por LuamHenrique

Ainda consegue me ouvir?
Preferi guardar comigo as boas lembranças... Os abraços, os sonhos e todas aquelas promessas que já não fazem mais sentido, talvez para você todas elas sejam sinônimo de perca de algo que não aconteceu, pra mim? Ah, eu prefiro acreditar que foi melhor não passar de promessas.
Acho que nada levarei fisicamente mais em minha mente tenho um arsenal que guardo não só as lembranças mas também você, pois tudo o q vivemos nunca morrera mesmo que não tenha sido nada muito bom, as Coisas ruins,ah... essas preferi esquecer ou deixar lá no fundo no subconsciente onde acho que jamais irei lembrar, já você acho que prefere levar essas lembranças não tão boas no lado esquerdo do peito guardando como pedras que jamais vão se mover. Deixo pra vc um amigo um sincero, amigo que talvez você devesse conservar, e a mim? Já não sei o que me deixas com tantas pedras. Além de perdeu talvez o amor da sua vida por orgulho preferiu perder também um grande amigo.

Inserida por EvertonMoreira