Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
Poema depois do sábado
Domingo amanheceu em silêncio
com o sol entrando devagar.
A noite foi longa nos meus pensamentos,
mas nenhuma noite sabe durar.
Ainda caminho sozinho,
mas já não me sinto perdido.
Há vazios que são só espaços
esperando ser preenchidos.
Talvez o próximo sábado
me encontre com outro olhar —
não procurando alguém no mundo,
mas aprendendo a me encontrar.
Porque a solidão, quando escutada,
não é castigo nem fim:
é o começo de um abraço
que nasce primeiro em mim.
Versos de um poema...
Escuridão não é a ausência de luz... É a ausência de você...
Minha alma viaja sem fantasias... A visão marejada
E carente de ti... E o tempo não se detém nem retorna
Prossegue sempre inexorável...
Longe no horizonte… onde o vento toca
nos cumes entorpecidos ouvem-se
sussurros de um poema perdido...
“...mas trazem os versos
De um poema que te escrevi... Faz tempo...!”
Um livro inteiro nasceu por causa de um poema, é isso mesmo!
Por causa de um único verso que respirou fundo e pediu espaço para crescer.
Às vezes, basta uma linha para abrir portas que nem imaginávamos existir.
Um sopro de inspiração pode virar mundo, virar história, virar destino.
Porque é assim com a palavra:
ela chega pequena, mas carrega dentro de si um universo inteiro esperando para ser revelado.
E quando um verso decide florescer, não há quem o contenha,
ele chama outros, convoca memórias, desperta sentimentos adormecidos.
E de repente, aquilo que era apenas um brilho se torna livro, se torna vida, se torna obra.
Um livro por causa de um poema?
Sim.
Porque às vezes é no menor gesto que mora a grandeza.
E num único verso pode caber tudo o que faltava ser dito.
🖋️ Poema: O Reencontro
Procurei-me em tantos espelhos,
em tantos olhos que não eram os meus,
esperando que alguém me dissesse
quem eu deveria ser para ser amada.
Até que o silêncio me puxou pela mão
e me levou de volta para dentro.
Lá, encontrei uma casa empoeirada,
mas cheia de luz nas frestas.
Descobri que amar-se não é um destino,
é o caminho de volta após uma longa viagem.
É perdoar as próprias quedas,
abraçar as cicatrizes como quem conta histórias
e decidir que, daqui para frente,
minha melhor companhia sou eu.
Florescer é a minha forma de dizer: finalmente cheguei.
🖋️ Poema: O Despertar da Raiz
Não foi o sol que me chamou para fora,
foi a força do que cresceu no escuro.
Passei invernos inteiros sendo semente,
guardando versos que eram só meus,
cultivando o silêncio como quem cultiva um segredo.
Mas chega um dia em que o casulo aperta,
em que a raiz, de tão profunda, transborda.
E a gente percebe que a verdadeira cura
não está em guardar a luz dentro de um pote,
mas em ser o próprio farol.
Hoje, deixo de ser apenas o que sinto,
para ser também o que floresço.
Muito prazer, sou a voz que decidiu nascer.
Poema –Entre o Silêncio e o Pedido
O que é, afinal, um pedido de socorro?
É o grito que não sai,
ou o silêncio que ecoa por dentro?
O que é pedir ajuda?
É dizer “estou só”?
Ou é olhar ao redor
e não encontrar ninguém,
mesmo quando há tantos ali?
Há uma solidão que não se explica,
que não depende da ausência,
mas da falta de ser visto.
E então me pergunto:
como continuar?
Continuar… para quê?
Buscar compreensão?
Acolhimento?
Ou apenas um lugar
onde eu possa existir sem esforço?
Será carência…
ou é ausência mesmo?
Porque, no fundo,
acho que estou pedindo socorro.
Estou cansado de tentar.
Uma vez me disseram:
“é só viver.”
Mas como se vive
quando não se sabe o caminho?
Eu sei respirar…
mas isso não é viver.
Queria sorrir com leveza,
queria sentir que existo de verdade.
Mas sigo, como um mecanismo…
funcionando,
cumprindo,
ajudando.
E me pergunto:
é só isso?
Queria dizer que viver é simples.
Mas, às vezes,
o simples parece impossível.
Porque há dias
em que morro em silêncio,
repetidas vezes,
lembrando de tudo aquilo
que nunca saiu da imaginação.
Sonhar cansa.
Voltar à realidade cansa mais ainda.
E então retorno à mesma dúvida:
isso é um pedido de socorro…
ou só continuo existindo
para não deixar os outros caírem?
E, no meio disso tudo,
uma pergunta me atravessa
quieta, mas insistente:
será essa a vida de quem cuida?
Estender a mão
com o próprio vazio nos dedos?
Oferecer abrigo
sem ter onde repousar?
Buscar apoio…
e não encontrar?
Talvez por isso tantos silenciem,
tantos desabem por dentro,
tantos desistam sem aviso.
Uma vida dedicada a sustentar outros,
e, ainda assim,
caminhar só.
Uma vida de entrega.
Uma vida de ausência.
Uma vida de dor
que insiste em não passar
Poema Eutes de peixes
És um sol que nunca se apaga, és a mais bela de todas estações, brilho, conforto e amor, a saudade saciada de inúmeras perguntas, perguntas que não cessamos ao nos olhar,
Tus és a privamera de todas as cores uma paisagem sem fim. É a força da raiz que resiste à tempestade, balança mas não se abala.
Luzia Delmondes
By Luzia Dellmon
[A relatividade do autodeclarado melhor poema de todos os tempos]
talvez este
não seja
o melhor
poema de
todos os
tempos.
contudo,
há quem diga,
que em nenhum
dentre todos
os tempos,
fora escrito
poema melhor
do que este.
Michel F.M. - Trilogia Flores do Pântano
Bruno Michel Ferraz Margoni
28/12/23
Tríplice Poema
1. [Ciclone]
Natureza,
Nem boa, nem má,
Apenas implacável.
2. [Definição Abdominal]
Tanque de guerra,
Tanque de roupa,
Tanquinho.
3. [Transbordado]
Ele teve tudo
O que todo mundo quer na vida,
Mas como todo mundo sabe,
Ter tudo nunca é o bastante.
22/01/23
Michel F.M.
Envelope lacrado - o poema
O sarampo a vacina a ignorância a cloroquina o panelaço...
Tudo de acordo com a troca de delegados que facilitassem a pistolagem.
Mortandades sem amparos. Mortes sem velórios. Abin de Dentro, Abin de Fora...
Temas contraditórios secretamente orçamentados e perpetuamente envelopados.
Tudo muito bem lacrado, sem contraordem ou palavrório.
Santo Nordeste, o Senhor livrou-me de um estado teocrático, afegão.
Que Deus vos guarde no coração.
Naquela noite, a carreata, a multidão na praça. Recuperei a cabeça.
Vendi o caixão. O mundo se renovou dentro de mim.
Na aldeia de labirintos, passou uma fanfarra.
A polícia derreteu os metais da orquestra.
Tímpanos pífios, orquestrações de fugas, helicópteros raptados aos céus de Sevilha:
muambas viajando em drogas de aviões blindados. Os mais espertos correram a Miami. Os mais otários invadiram palácios.
Perdeste, mocinha! Deu ruim para sua festa!
Que onda é essa de bíblia do mal?
Bíblias com bombas, all inclusive?
Popcorns, Escaravelhos Scor&piões... Nem o capeta entendeu.
Ações criminosas se resolvem na Papuda.
Comprei um trevo para imaginar-me pessoa de sorte. Antes que me esqueça.
Amnesty é o Caravaggio!
A Ontologia do verso
Nem sempre um poema nasce de um incêndio na alma;
às vezes, ele brota do silêncio.
Basta sentar…
e permitir que o mundo fale primeiro.
No gesto simples de quem passa,
no vento que insiste em tocar o rosto,
na pausa entre um pensamento e outro,
ali, escondido, já existe verso.
Porque observar
é, no fundo, uma forma delicada de sentir.
E sentir…
sempre encontra um jeito de virar poesia.
Kleber Abdul Al-Nasr
Poema final
No princípio da tarde,
Tarde sem sentido ou valia
Dessas que corre a vida e o sol arde
Começo de mais um morto dia
Olhei a janela
A brilhante esquadria
Não sei se foi uma pancada
Mas um “Acorda bobo!”dizia
Uma voz de vida encharcada
Clamando”Revê o dia!”.
Procurei, dei mais uma olhada,
E, ao sol ofuscante,
Qual joia dourada,
Se via um besouro gigante
Poema:
Teu sorriso não chega,
ele acontece.
Como um amanhecer calmo
que invade sem pedir licença
e muda tudo de lugar.
Há uma luz no teu rosto
que não vem de fora,
vem de dentro…
como se teu coração
soubesse exatamente
como iluminar o mundo.
Teus olhos guardam um segredo bonito,
daqueles que a gente não entende,
mas sente e quando sente,
já não quer mais esquecer.
Teu cabelo cai leve,
como se o tempo tivesse aprendido
a ser gentil só pra te tocar.
E esse vermelho…
não é só uma cor
é presença,
é intensidade,
é o tipo de detalhe
que faz qualquer instante
parecer inesquecível.
Mas o que mais me prende
não é o que eu vejo
é o que você desperta.
Porque tem gente que é bonita…
e tem você,
que transforma o simples ato de olhar
em um motivo
pra ficar.
Vi-te de longe,
e já eras poema,
mas faltava vida no papel.
Porque você não gosta realmente de algo só por olhar,
senão por experimentá-lo,
e eu só te entendi
no toque,
no cheiro,
no silêncio tímido
entre as tuas palavras.
O amor não é pintura,
é gesto;
Não é quadro,
é colo.
Se eu te amei,
foi porque me debrucei
sobre a tua alma
e mergulhei sem medo.
O olhar encantou,
mas foi o sentir que me prendeu.
Tu
Tu és o poema que não ouso escrever, mas que o meu coração declama-o em segredo.
Tu és o segredo do meu corpo
quando ele pede mais.
Cada suspiro meu, tem a tua pele ,
cada gemido, a tua eternidade em mim.
Tu és o fogo que me devora
e a calma que me consome depois.
Quando tu me prendes ao teu corpo, sou infinito.
Dentro de ti, descubro que o amor
também sabe ser vulcão .
O teu calor envolve -me inteiro,
as tuas unhas riscam o meu desejo,
e dentro de ti, vagarosamente,
afundo-me cada vez mais fundo.
Não há palavra — só o choque,
o atrito, a explosão de nós dois,
quando o mundo se dissolve
no momento em que
juntos gememos um verso de fogo.
Pele e Chocolate
Passo o dedo
no chocolate
e escrevo na tua
zona umbilical
um poema, que o irei ler
com a minha boca.
A minha boca aprendeu
a língua do Amor
quando encontrou
o teu molhado beijo - e um pedaço de chocolate.
Linha Tênue
Escrevo esse poema
entre a dor e um dilema,
sabendo que muitos vão apontar
antes mesmo de tentar entender.
Pra nós…
já virou rotina sentir demais,
carregar um peso antigo
de quem, muitas vezes,
nem pediu pra nascer.
A vida… a morte…
quem é que diferencia?
Existe uma linha tão tênue
que meus passos caminham sobre ela
todos os dias,
sem garantia.
Já tive vontade de ir embora,
não por fraqueza,
mas por não achar lugar
onde eu pudesse caber.
Desajeitado, quebrado, perdido…
como só entende
quem já perdeu tudo
e ainda tenta sobreviver.
Mas a recuperação tem algo estranho,
quase um enigma que intriga:
a mesma dor que antes nos empurrava
pro fim,
hoje nos faz implorar
por mais um dia de vida.
E chega a ser irônico…
porque antes, sem perceber,
a gente se destruía aos poucos,
roubando os próprios dias
de uma contagem silenciosa,
de uma doença incurável,
progressiva
e fatal.
Hoje eu perdi um amigo.
Não foi para as garras
da adicção ativa,
e isso, de alguma forma, conforta…
mas não apaga a dor.
Porque perder…
ainda é perder.
E a vida, que antes parecia clara,
se mostra torta,
como um reflexo quebrado
de tudo que já fomos.
Mas no meio desse caos,
existe um porquê que insiste em ficar:
ele partiu limpo,
de cabeça erguida,
carregando uma vitória silenciosa
que o mundo nem sempre vê.
Meu amigo se foi…
sem saber que, no caminho,
salvou vidas.
Sem saber que foi luz
em meio à escuridão de muitos.
E talvez seja isso…
o que me mantém aqui:
entender que, mesmo na dor,
mesmo na perda,
mesmo na saudade que aperta…
eu ainda escolho viver
mais um dia.
Forma de sentir
Não sei dizer se o que escrevo é
poema ou poesia…
acho que só sigo o que o meu coração diz.
É expressão em estado bruto.
Talvez uma prosa poética —
quando narrativa e poesia se misturam
até não dar mais para separar
onde termina uma
e começa a outra.
Eu não me preparo para escrever —
eu sinto…
e as palavras vêm.
Às vezes em silêncio,
principalmente quando estou ansiosa,
triste ou nervosa,
elas vêm em rimas,
como se a vida,
por um instante,
virasse melodia
só para me confortar.
Como um drama,
um conto
ou romance antigo —
talvez de filmes
ou de uma época desconhecida.
Escrevo quando algo transborda,
quando aperta,
quando precisa existir
fora de mim.
As palavras apenas saem —
e eu as escrevo.
Não sigo regras,
não penso demais…
apenas deixo acontecer.
As frases vêm como ondas:
às vezes calmas,
às vezes quebradas,
às vezes interrompidas…
como quem respira fundo
ou engasga com o próprio sentir.
Dou saltos —
de assunto,
de emoção —
como batidas irregulares
de um coração apaixonado.
E, muitas vezes,
quando termino,
leio de novo
com um certo estranhamento —
como se não tivesse sido eu…
mas, ao mesmo tempo,
sabendo que nunca fui
tão autêntica assim.
Talvez não seja texto.
Nem poema.
Muito menos poesia.
Talvez seja só
o meu jeito de sentir
ganhando forma. 🌙
