Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
Massa de pastel
No mercado tem
Na padaria também
Carne e queijo vou querer
2 leite pras criança tem que ter
10paes quero levar
Minha cara, quero trocar
Vou colocar boca e passar mel
Alterar, minha cara de pastel
Caminhão
Caminheiros
Caminhos
Derradeiros
Divergentes
Emprenteiros
Caminheiros
Caminharão
Alguns
Não
A morte em vida
Vejo ao meu redor
Almas sedentas que vagam em cemitério infértil
Que ninguém rega o terreno endométrio
Gerador de novas vidas, tanto na Terra como no céu
Almas ressequidas pela robusta ignorância
Onde estão em si mortas
Apesar de semivivas
Não conhecem a vida
Apenas sobrevivem
Feliz são as prosopopéicas vidas que as assistem
Felizes aqueles que são homenageados
Sem a consciência de estarem
Sem o orgulho para seus egos se elevarem
A vida é assim
Dá-se vida aos mortos
E mata os vivos, outrossim
No cemitério da ignorância
Morrem para dar frutos
E dão vidas aos que perderam a consciência de tudo
Com o tempo aprendi a crescer;
Com o tempo amadureci;
Com o tempo me tornei mais forte;
Com o tempo a paz me encontrou;
Com o tempo eu também descobri o que é amor;
No entanto, descobri com o tempo, que nada sou.
Sentimentos de fotógrafo n.1
"Se lhe perguntarem onde fui...
... diz que virei borboleta...
...e saí por aí, colhendo o mel, de flor em flor (clicando)!"
As palavras não estão vivas. Em mim não encontram morada, das minhas mãos não saltam ao papel.
As palavras estão fugindo, em êxodo da minha própria mente.
O que era inspiração agora é passado, velado e relutantemente esquecido.
Se para o cientista, o gosto está na descoberta, para o poeta, está na moça que vai e que volta. Quando ela não volta, a tinta da caneta seca, a mente não produz, e o poeta se torna uma estátua de sal.
Mergulhei
Mergulhei
No silêncio dentro de mim
Encontrei boiando
A esperança
Nadei com ela
Pronto pra
Emergir
Em mim ?
Como ?
Se em mim
Estava já
A me procurar
E
Falhei
Nesse tal de universo
Somos apenas pequenos versos
Em cada estrofe uma ilusão
Me embargo nessa escuridão
Eu tenho um teorema
O uniVerso é um poema
Indecifrável e contraditório
Instável, inexplicável, transitório
A galáxia e sua imensidão
Transborda ampla solidão
Lamento por ambo pessimismo
Culpa desse mundo estranho
Que nos roubou todo o otimismo
Vos, digo, ainda iremos lutar
Por favor, continuem a acreditar
Que esse tal universo, podemos salvar
OSSOS DO PEIXE-OFíCIO
Meu sentimento de poeta
Em meu temp(l)o
É isca pra linguagem:
Ao mesmo tempo que dou linha
Sou peixe
Fisgado
Em anzol de palavras.
CANÇÃO MÍNIMA
No cerrado do planalto
brotam quimeras de cetim
E, no teu traçado, asfalto
canteiros, em um jardim
E, no jardim, o horizonte
ao longo, ilusão sem fim
Assim, Brasília, sem monte
desabrocha na cor carmim...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro, 2017
Cerrado goiano
Sua História
Seus olhos são como a terra
Se feri-lo, não te olharás mais.
Seus cabelos como caracóis
São ondas do mar de lágrimas,
Que te abraça e te conforta
Quebrando todas as barreiras
Dos conceitos invejados.
A história que foi perdida
Em você é resgatada
No teu cabelo armado
Numa luta disparada,
Disparada contra o sistema
Que impõe o alisamento
Fazendo perder a cultura
Dos afrodescendentes.
Todo tipo de repressão
Você deve entender
Te reprime para evitar
Que você alcance o poder.
Você não é inferior coisa alguma
É injustiça que você sofre
Sofre por uma ideologia racista
De uma raça ignorante e pobre.
Minha força.
Inspirada em um conto
onde apenas um conseguiu ler.
Uma mulher guerreira,
que sua coragem
na sua voz pode-se ver.
Traços perfeitos,
com uma voz atraente.
Domina meu pensamento,
até mesmo quando estou ausente.
O coração é tão lindo
quanto a sua beleza.
Lindo pelos sentimentos
e a sua gentileza.
As palavras de conforto
que eu recebo de ti
só me faz ficar mais forte.
E querer você para mim.
Os anos vão se passando
E o amor prevalecendo
Porque não esquecemos jamais
Dos momentos que tivemos.
A distância é o que fortalece
Porque tem um por que
Fortalece porque estamos construindo
Um futuro para se viver.
Naveguei como os melhores navegadores em suas expedições.
Corri como maratonistas corriam por um grande prêmio.
Escalei a maior das montanhas como os melhores alpinistas.
Escrevi como os maiores poetas.
Lutei como os melhores pugilistas.
Me diverti como o maior dos palhaços.
Amei como o mais sublime dos românticos.
Cheguei até onde outros já haviam chegado, e nunca além disso.
Morri, e nada de novo vislumbrei.
Sou apenas um dos outros, somente porque não dei um passo a mais do que eles.
QUEM SOMOS
Quem somos? Poeira
Despidos
Singelos hora primeira
No equilíbrio divididos
No querer o poder
Revestidos
De variedade no viver
Da semelhança providos
Porém,
No ir além, a nós permitidos
O mal e o bem
Façam as escolhas!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro, 2017
Cerrado goiano
A SOMBRA DUM PEQUIZEIRO
Fugi da sequidão
do mormaço, do calor grosseiro
busquei, na beira do ricão
a sombra de um pequizeiro
O fumo no céu embaçado
ar poeirado, era paragem
e na imensidão do cerrado
o horizonte, uma miragem...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro, 2017
Cerrado goiano
AGORA
o cerrado tornou-se anuário
um conflito de cada vez
um desvario diário
e no calendário, vário, era o mês
foi então que o tempo eu vi
num número, na saudade
uma dor, que na dor eu senti
cada sabor, amor, tudo banalidade
pois, o hoje é aqui...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro de 2017
Cerrado goiano
GRAÇAS À VIDA
Márcio Souza 24.08.17
A vida não é um mar de rosas,
É um caminhar de flores e espinhos,
Não é poesia cantada em versos e prosas,
É uma estrada,são diversos caminhos.
É um chorar, sorrir o tempo todo,
É viver momentos de felicidades,
É aprender safar-se dos engodos,
É sonhar amor e chorar saudades.
É derramar lágrimas de tristezas,
É sorrir sorrisos de alegrias,
É trazer na Alma as belezas,
É um renovar de vida a cada dia.
É buscar alguém para se amar,
Como se busca no jardim a mais bela flor,
Para com seu perfume se embriagar,
Com o suave aroma do seu doce amor.
A vida é a dádiva que Deus nos deu,
De amor e fé e esperança,
Por isso mesmo que nos concebeu,
A Sua própria imagem e semelhança.
Busquemos, pois, a cada momento,
Agradecer a Deus cada segundo,
Por todo o seu amor e acolhimento,
Dando-nos graças à vida e a esse mundo.
Márcio Souza.
(Direitos autorais reservados)
https://www.facebook.com/marcio.souza.5437/videos/1820324861330535/
NOITE
Cai a noite no planalto
Vinda de lugar algum
Estrelas lá no alto
O anoitecer no dejejum
De um quarto vazio
Além da janela, a cidade
Brasília, num luzidio
A magia é divindade
Ruas desertas, silêncio vadio
O dia foi embora, majestade
Sentado num canto, já é tardio
Cai a noite na cidade!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro de 2017
Brasília
A PRIMAVERA
Dentre todas, eu novamente
Aqui num novo ciclo a brotar
Sou a reflora, oh minha gente!
A todo canto, acabo de chegar
Cheguei! Vim toda contente
Perfumada, colorida, doce ar
Se aconchegue e se assente
Sou fascinação em todo lugar
De todas a mais bela. Ingente!
Repleta de feitiço a figurar
Que da sedução sou regente
E no amor o remate pra amar
Venham todos, todos venham
Sou a estação para encantar
Sou poesia. E que todos tenham
Magia, eu a primavera a celebrar!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro de 2017
Brasília
