Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
COLHEITA
Eu colho palavras
Caras...
Poucas...
Simples...
Raras...
Eu as toco,
e deixo escorrer
por entre os dedos.
Experimento na tez,
um acordar de energia.
Tom, cor, som...
Luz que acaricia.
Ando aprendendo
a tirar o peso do dito,
e o valor do que não foi dito
Eu ando sem pressa...
Preferindo falar com os olhos,
e o sorriso.
Te interessa?
Desventuras diárias
Era como um novo dia, mas igual, meio cinza e tal
não queria levantar pra não perder a preguiça
mas tinha que estudar pra passar no exame final
''foda-se a escola'' acho que dormir um pouco mais é oque ele precisa
pra que sair mais um dia esperançoso,
pra fingir manter-se mortal
e sobreviver vagaroso ?
enfim algo curioso,
parado no farol da avenida principal
agradecia a sorte de ter que sair cedo de casa e poder ver o sol nascer
e oque lhe fazia mal
poderia naquela hora desaparecer ?
se por um acaso a vida o presenteara com um surpresa
sempre levava a esperança de comprar um anel de cristal
pra selar a uni~so com a dona da mais pura beleza
mas a vida é sábia e doente mental
''quando nada mais satisfazer, nem o carinho
e todo caminho indicar o fundo
muitas outras, pra não sentir-se sozinho
te acompanharão ate o fim do mundo''
sorria um sorriso cansado
não era aquilo que sonhava
mas achava engraçado
o fato de ser o único q ela não amava
e assim o dia passava,
pra casa ele voltava
ainda não acreditava
oque sera que faltava,
pra ser ideal?
ele carregava o dom de sentir-se feliz.
[mesmo
porque as estrelas continuavam brilhando,
e o amor que escapou por um triz
pra elas estaria olhando!
é difícil à noite dormir
quando todos pensamentos vem,
sozinho tenta sorrir
lembrando que mais um dia vai nascer, amém!
Eu só queria uma xícara de chá
E um barquinho de papel a flutuar
Sobre as nuvens que pintei
Com o último giz de cera que deixou..
todas as cores felizes de poesia
No voar da folhas amarelas
Que brincam sobre o pequenino Jardim
De flores Brancas..
Borboletas e beija-flor..
Desenhar no chão com o dedo
Rabiscar os céus
Eu só queria uma xícara de chá
Um barquinho de papel
Talvez que sabe uma bela canção..
Espelhos d'água refletem
Miragens coloridas e simples
Onde não há ponteiros
escrever um dialeto que só Você sabe..
talvez uma flauta ou um trompete
Ao certo não é sim
o ding e o doing
mas a canção de paz ressoa
no silencio..
pouco antes de dormir..
meu único desejo é uma xícara de chá
ou quem sabe um pequenino barquinho a flutuar..Sobre as nuvens que pintei
com o giz de cera que deixou..
ou até mesmo um livro..
coisas
Sou apenas um contador de histórias
Uma presença em momentos incriveis
Um observador das maiores maravilhas
Porem há algo de ruim em presenciar
Há algo ruim em escrever
Há algo ruim em contar histórias
Nem sempre quem conta sentiu
E quem escreve viveu
Ainda mais quando os dois são apenas um.
(O Contador de histórias)
Título: Serei eu, Sereia você
Serei paciente por você, pois paciente seu quero ser!
Serei seu brigadeiro para te proteger, mesmo sabendo que você pode me comer!
Autor: Nélio Joaquim
Título: Esperanças
Todo mundo espera por seu sonho,
Mas muitas vezes ele não sai do seu sono.
Todo mundo espera algo de alguém,
Mas muitas vezes esse alguém não vem.
Todo mundo espera pelo grande dia da felicidade,
Mas muitas vezes esse dia não chega a sua idade.
Todo mundo espera pelo reconhecimento,
Mas muitas vezes ficamos no esquecimento.
Todo mundo espera por ser campeão,
Mas muitas vezes não chegarão.
Todo mundo tem esperança,
Quem sabe eu não volto a ser criança,
Pois muitas vezes choro por minhas lembranças.
Autor: Nélio Joaquim
Título: Vida de pernilongo
Nasço em água limpa,
Sem saber quem me fez,
Chego nesse mundo sujo,
Sem mesquinhez.
Vivo escondido,
Com medo de ser comido,
Vivo nos cantos, camuflado como um filete,
Esperando você chegar e ser o meu banquete.
O que eu vim fazer aqui se ninguém gosta de mim?
Ninguém soube me explicar, enfim,
Não quero fazer mal, mas preciso do seu sangue,
Por isso vou te sugar junto com a minha gangue.
Voo correndo risco todo dia,
Lógico que dependo da sua pontaria,
Ciente que minha vida não passa de alguns dias,
Vou continuar com minha correria.
De manhã faço o desjejum,
A noite é a hora do zum zum zum,
Sou o pesadelo de alguns,
Até que alguém junte as mãos e faça bum.
Aí mosquito, está moscando?
Autor: Nélio Joaquim
Título: O cansaço das palavras
Até onde uma poesia pode explicar nossos sentimentos,
Até onde um poema pode demonstrar nossos momentos,
Até onde uma prosa pode transparecer meus pensamentos,
Até onde um verso pode traduzir meus entendimentos.
As palavras cansam,
Mas a vida não descansa,
O tempo gera episódios sem calma,
Porém, a maioria fica dentro da nossa alma.
Não se penitencie por não conseguir escrever,
A sua vida poética sempre estará no vosso ser.
Autor: Nélio Joaquim
Título: Casa da quietude, quem perturba?
Primeiro veio o correio,
Depois a telefonia,
Aí chegou às mensagens eletrônicas,
Quem será o próximo a furtar minha tranquilidade?
Para ter sossego, qual a melhor opção?
Acho que é ser ermitão.
O que procura um eremita além da sua paz?
Ele procura a sua penitência, até jaz.
O silêncio me deslumbra,
Por isso odeio quem me perturba.
Quando eu não te responder,
Entenda que só estava querendo me satisfazer.
Autor: Nélio Joaquim
Título: Palavras escritas
Um menino queria fazer trajetória,
Queria poder exprimir sua história.
Uma menina queria fazer glória,
Queria poder ortografar com uma dedicatória.
Um homem queria fazer poesias,
Queria poder redigir suas nostalgias.
Uma mulher queria fazer poemas,
Queria poder grafar seus problemas.
Um idoso queria fazer biografias,
Queria poder treinar sua caligrafia.
Uma idosa queria fazer cartas,
Queria poder comunicar algumas erratas.
Assim anda o universo,
Para o mundo se transcrever em versos.
Autor: Nélio Joaquim
Título: Quando perdoar
Perdoamos aquilo que conhecemos
O que não chega a nós, não cabe perdão
São só rumores que não tive aproximação.
Perdoamos um ser racional
O que não é ser humano, não cabe perdão
São só seres que não tiveram evolução.
Perdoamos o nosso fracasso
O êxito de outros, não cabe perdão
São só atos com uma melhor conclusão.
Perdoamos aquilo que dói
O que não machuca, não cabe perdão
São só tentativas em vão.
Perdoamos coisas que passaram
O que ainda pode acontecer, não cabe perdão
São só coisas de uma fértil imaginação.
Autor: Nélio Joaquim
Ariano Suassuna
Os homens de barro
Singela improvisação
Com o arco desolado
O sagrado e o profano
Cantam as harpas de Sião.
O pasto incendiado
E lá se vai um homem vestido de Sol!
De cerne Armorial!
Ao Auto da Compadecida
A pena e a lei.
O nosso rebento nordestino
No caminho da caatinga
Sem caneta, sem papel
Nas torturas de um coração
Um adeus ao deserto do sertão!
Stella
Radiante nell' oscurità
Brilla, brilla, brilla
In questa notte lugubre
Regna in me
Indomabile sentimento.
Si avvicina
Sorriso della vita
Gentilezza del domani
Tessendo i miei occhi
Rompe il mio oceano.
In un istante
La completezza del mio essere
Mi travolge
Desideri, sogni
La stella in me.
Doçura de viver
Entregai os sabores das cores
nas brincadeiras das poesias
aos vossos desejos reprimidos
das loucuras interditas
pelos laços dos vossos lábios.
Vigiai os olhares dos mares
nas valentias das vossas ausências
aos vossos pecados cometidos
das ternuras alvuras
pelos dias e noites das vossas mãos.
Almejai os odores dos amores
nas aquarelas das vidas
aos vossos corpos entremeados
das capelas adoradas
pelos apelos dos vossos pensamentos!
Aquário da vida
O dia amanheceu branco
mais gelado que meu próprio coração
sem nenhuma canção
sem nenhum pranto
o dia permaneceu branco
sem o teu encanto!
E se eu fosse a moça tecelã
deixaria o corpo que padece
me envolveria com sol e a neve
entre as linhas da minha face
teceria o calor e o frio
nos caprichos do dia e da noite
para ter contigo o amanhã!
Artaud
Da manifestação da insanidade
Uma articulação orgânica e estupenda da voz
Dentro do espaço da vocalidade
Alavanca o personagem marginal.
Da consciência da corporeidade
O abuso da verdade interdita feroz
Nas cadências melódicas da ritualidade
Subjaz a sociedade fatal.
Numa loucura da racionalidade
A reconstrução da palavra atroz
Na experiência-limite e literária da fecalidade
A sublime linguagem subversiva retal.
Estática
Corta-se o inútil
De pensamentos vazios
De superficialidade e imbecilidade humana.
Retiram-se as pedras
Em um momento oportuno
Tão logo traz a fertilidade da terra.
Arrebatam-se os ventos
Nas pegadas das borboletas
Outrora que se foi.
Corteja-se a beleza
Da sabedoria da alma
Somente o que se amálgama permanece.
O adeus!
Um dia a amizade aparece.
Diálogos, conselhos
Partilha de choros e sorrisos
Envolto aos ombros
E abraços de um amigo.
Um dia a amizade solidifica.
Momentos, decisões
Surgem os comprometimentos
De erros e acertos
Na vida de um amigo.
Um dia a amizade some.
Achismos, egocentrismos
Rompem sentimentos
De tudo o nada
Simplesmente jaz um amigo.
Não sou daqui, morri e renasci...
Sou mais que bens matérias...
Deixarei saudade, viverei pra eternidade...
Espírito inquieto, alma frustrada...
Cansada...
Do amor não viverei,
De saudade morrerei,
Um dia só serei...
Alma verve, coração esfria...
Morrerei.
